Europa – corrida: “Bom humor é fundamental”, diz Galvão. Ouviu, Alonso?

Circuito desinteressante, com histórico de corridas pra lá de mornas, os carros mais rápidos largando na frente. Não é à tôa que os ingleses da BBC se esforçavam para motivar a audiência a não trocá-los pela seleção do país, que entraria em campo contra a Alemanha 2h após a largada. “A Ferrari é melhor na corrida que na classificação e Button está fora de posição (em 7º)”, brada o comentarista Martin Brundle. A essa altura, Galvão Bueno, de volta ao comando das narrações na Globo, já tinha se rendido. “Aí está Plácido Domingo e seu terno panamá”, comenta.

Webber cai de 2º para 9º na primeira volta e, enquanto o narrador da BBC, Jonathan Legard, só tem olhos para Hamilton, que chega a pressionar Vettel pela liderança, brasileiros e os espanhóis da La Sexta, destacam Alonso, que se emparelha com o inglês. “Ele disse que não ia pra cima, imagina se fosse”, se assusta o narrador Antonio Lobato. “Quem larga no lado limpo tem muita vantagem, mas Alonso largou no sujo e mesmo assim…”, Galvão pensa alto.

Mas todos concordam que Webber perdeu terreno ao tentar se defender de Hamilton por fora na curva 1. “Todo mundo sabe que é sujo”, critica o comentarista Luciano Burti. “Ficou no lugar errado”, completa Brundle. Os espanhóis não perdem tempo com o australiano. Estão mais preocupados em secar a asa dianteira danificada de Hamilton.

A tradicional fila indiana de Valência

O comentarista da La Sexta, Marc Gené, aliás, já declarara o fim da corrida de Webber. “Não tem como ele ultrapassar com a pouca velocidade de reta que a Red Bull tem.” E ele nem tinha visto o erro no pit do australiano. “Eles só param quando têm uma diferença suficiente para voltar à frente das equipes novas. Essa demora vai arruinar a estratégia”, observa Brundle. “É inconcebível que na F1 moderna coloquem o pneu assim, no soco”, prefere destacar Galvão.

No soco ou não, Webber voltou atrás de Kovalainen e sua corrida acabou no que mais pareceu um mal entendido entre os dois. “O finlandês não sabia pra onde ir e ele ficou tempo demais no vácuo”, resumiu Brundle. “É a diferença absurda de velocidade entre os carros”, Galvão começa sua tradicional descida de lenha nas estreantes. “Ele não tem que se defender, a função deles é abrir passagem.” É o mesmo ponto de vista de David Coulthard. “Falamos de KERS e asas móveis para o ano que vem . O que todos os pilotos discutem é o perigo de ter 2 carros com velocidades diferentes lutando por posição.” Os espanhóis preferiram se gabar pela segurança da pista e inicialmente colocam a culpa no “retardatário” Kovalainen. “Imaginem se fosse Mônaco, ele ia parar no terraço de alguém”, observa Carlos Sainz.

Quando se dão conta de que a luta era por posição, sua atenção já estava virada para os boxes. Veem Vettel e Hamilton parando e nada de Alonso. São 4 na cabine (Lobato, Jacobo Vega, Sainz e Gené) e ninguém tem uma explicação. Primeiro, acham que a Ferrari cometeu algum erro e só percebem o que aconteceu quando Hamilton é penalizado, cerca de 20 voltas depois. Mas não estão sozinhos… na Globo, se perguntam por que só as Ferrari perderam posição. “Os líderes já tinham passado da entrada dos pits quando a pista entrou em regime de Safety Car, então não puderam entrar. O que estava mais na frente e parou foi Button. Agora depende de onde o SC pegou os líderes”, elucida Brundle.

Os ingleses e, é claro, os espanhóis, então elegem Alonso como o maior prejudicado pelo SC. “Ele era o mais rápido da pista naquele momento”, observa o ex-piloto. “Mas cuidado que algum dos carros à frente pode ter algum problema”, tenta animar Lobato.

Contudo, ninguém caiu tanto quanto Massa. “Ele teve que pegar a fila do posto”, explica Galvão, se referindo ao fato do brasileiro ter entrado no box junto do espanhol, que vira o personagem da prova quando reclama de uma atitude de Hamilton, que naquele momento ninguém sabe qual foi. “A única coisa que vocês têm que fazer nesta corrida é ver se ele poderia ter feito aquilo”, ordena pelo rádio da Ferrari.

Para os ingleses, puro revanchismo, uma tentativa de reviver a richa de 2007 com o piloto da McLaren. “Ele deve estar reclamando que Hamilton atrasou ele para que ele saísse atrás do Safety Car”, acredita Brundle, que teme uma punição por estarmos em território espanhol. Para os espanhóis, irritados com a passividade que veem da FIA em relação ao inglês, pura injustiça. “É o tipo de coisa que vamos lembrar em Abu Dhabi ou no Brasil”, chora Sainz. Para os brasileiros, pura astúcia do asturiano, “que de dentro do carro, a 200km/h, tem o controle das regras e viu o que nem os comissários viram”, aponta Galvão.

Schumacher é outro que sempre causa polêmica. Na Globo, continuam batendo na tecla da diversão. “Colocou pneu duro, mole, só pode ter feito isso pra se divertir”, opina Galvão. Para a BBC, sua corrida acabou. “Que desastre!”, quase vibra Brundle ao ver o alemão esperando todos os carros passarem por ele num erro de estratégia do mago Ross Brawn. Para a La Sexta, guiando no fundo do grid, “estava fazendo uma pré-temporada particular.”

Para alívio temporário dos espanhóis, sai com enorme atraso a punição de Hamilton que, ajudado pelo ritmo mais lento de Kobayashi, como bem aponta Galvão, não perde nenhuma posição. “Agora a Ferrari está ainda mais irritada”, se diverte Brundle.

É o fim da corrida para os espanhóis, que não param de chorar. “É um absurdo que o SC saia de uma maneira que decide uma corrida. Tem que sair atrás do líder”, considera Gené. “Desde que chegou à F1, as regras mudam de acordo com o que Hamilton faz”, Lobato vai ainda mai longe. “Antonio, não foi culpa dele, foi do Charlie (Whiting, chefe dos comissários) que demorou muito e aplicou uma punição que beneficiou o infrator”, atenua Sainz, mas o narrador está descontrolado. “Ele anda perto dos limites de tudo e, quando ultrapassa, ajudam ele. Se Fernando faz algo, ou qualquer outro…”

Enquanto isso, Galvão não perde a oportunidade de alfinetar Dunga. “Ter bom humor é fundamental na vida”, encaixa no meio da transmissão. E os ingleses têm seu momento final de triunfo quando Kobayashi, de pneus moles, passa Alonso. “O japonês não respeita reputações. Ele acertou o ponto de freada e o bicampeão não”, diz Legard. Na La Sexta, um silêncio resignado e contas do campeonato. “Rasguem isso aí, não gosto dessa classificação”, diz Sainz antes de ouvirmos barulho de papel sendo amassado. “Hamilton vai comemorar porque é bom ator. Vettel não é, está com a cara bem diferente das últimas provas”, observa ‘isentamente’ Lobato. É verdade, até esqueceram que Vettel venceu a 1ª desde a Malásia. “Se ele vencer o campeonato, esse terá sido um momento chave”, fecha Brundle.

2 comentários sobre “Europa – corrida: “Bom humor é fundamental”, diz Galvão. Ouviu, Alonso?

  1. a BBC neste dia, deixou a parcialidade falar mais alto. analisaram a corrida como torcedores. se não me engano, mansell neste dia era fiscal, portanto, nada mais justo que beneficiar a dupla da mclaren.

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    1. Dá pra perceber que, tanto do lado espanhol quanto do inglês as cicatrizes de 2007 ainda estão fortes. Os espanhóis falam de Hamilton como um mimado protegido, e de Alonso como um guerreiro injustiçado. Do outro lado, os ingleses falam de Hamilton como um gênio insaciável e de Alonso como um egoísta chorão. Provavelmente ambos os lados estão errados!

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