Inglaterra – corrida: simplesmente desproporcional

A transmissão da BBC começa de maneira bem familiar aos brasileiros: “em lugar nenhum do mundo se tem uma torcida como essa”, vibram os ingleses com a manutenção da prova em Silverstone. Em meio à decepção com a performance da McLaren, se voltam para a confusão das asas da Red Bull. “Espero muita briga entre esses dois. Acho que a empresa gasta muito dinheiro na F1 e tem o direito de dar o melhor equipamento para quem bem entender, mas a situação é estranha e desperta o sentimento de favoritismo”, o comentarista Martin Brundle é educado. “É a hora deles pararem de perder oportunidades e começarem a fazer valer sua superioridade”, completa Luciano Burti, na Globo. Na La Sexta, os espanhóis só têm olhos para Alonso. “Ele sabe que precisa de bons resultados nessas 3 corridas para começar a virada”, aponta o narrador Antonio Lobato.

A preocupação espanhola só aumenta quando seu ídolo larga mal – ou o carro larga mal, como eles preferem dizer. Contudo, a luta que realmente importa é entre as Red Bull e Hamilton. O inglês fura o pneu do alemão, que quase é ultrapassado pelo carro médico no caminho de volta aos pits, para deleite dos ingleses. “É impressionante como Hamilton consegue andar no ritmo de Webber”, comemora Brundle. Os espanhóis se perguntam, ironicamente, porque não aparece o replay que “incrimina” Lewis. “Vettel vai se arrepender de ter jogado tudo na 1ª curva”, aponta Brundle.

Sutilezas entre companheiros de equipe 1

Os espanhóis demoram umas 10 voltas para parar de falar na largada. “Vimos nas outras categorias que os que largavam do lado sujo se deram melhor”, defende o comentarista Marc Gené, que destaca – que pulou de 14º a 8º – e de Kubica – de 6º a 3º –, ambos vindos do lado sujo.

Na Globo, depois de 15 voltas, finalmente vem a explicação da ausência de Bruno Senna. “Ele levou uma espécie de castigo da equipe”, informa Reginaldo Leme. “Castigo que veio em boa hora, pois o time precisava de dinheiro”, completa a repórter Mariana Becker.

Os primeiros carros começam a trocar pneus e os espanhóis estão preocupados com o ritmo de Rosberg, que não parou. Alonso, com borracha nova, está preso atrás de Kubica e precisa andar rápido para não perder terreno para o alemão e para Button. “A corrida de Fernando, desde a largada, foi prejudicada por Kubica”, diz Gené. Ele nem sabia o que estaria por vir.

Na volta 17, o espanhol passa o polonês cortando a chicane. “Vai ter que devolver”, é a reação imediata de Lobato. “Mas ele não deu opção”, revida Gené. “Ai, ai, ai. Não gosto nada disso”, responde o narrador. Na Globo, Reginaldo e Burti estão com o piloto de testes da Ferrari. “Dá até pra falar que ele cortou caminho, mas Kubica jogou-o para fora”, defende o ex-piloto de F1, “Ele não tinha o que fazer”, aponta o comentarista. “O fato de Kubica tê-lo jogado para fora complica a decisão”, o narrador da BBC, Jonathan Legard, fica em cima do muro.

Três voltas depois, o piloto da Renault abandona. “Acho que isso resolve o problema de Alonso”, acredita Brundle. Os espanhóis não querem comemorar antes da hora, mesmo com as palavras de Kubica, que, entrevistado por eles e pela BBC, diz que considera o caso encerrado, já que não está mais na corrida. “Tenho muitas memórias ruins. Não gosto quando a decisão está nas mãos do diretor de prova”, Lobato começa o chororô.

Ele tem razão. Sai a punição e, para piorar, o Safety Car. A palavra mais repetida nas transmissões dos 3 países é ‘desproporcional’. Mesmo que os ingleses se divirtam um pouco às custas do espanhol: “Queria ouvir o rádio da equipe contando pra ele”, ri Brundle. “Se fosse para punir, mandasse devolver a posição na hora, dar um drive through é muita coisa”, diz Reginaldo. “É muito duro por parte dos comissários, porque Fernando não tem culpa que Kubica parou”, defende David Coulthard. “Não é justo. Eles falam tanto em ultrapassagens e, quando alguém tenta, é punido”, afirma Burti.

Os espanhóis têm sua explicação para isso: ultrapassar só é permitido a um piloto. “Hamilton faz coisas absurdas e só lhe dão advertências, enquanto qualquer um que faz algo discutível é punido na hora”, desabafa o campeão de Rali Carlos Sainz que, no momento da decisão, disse que “não falaria nada para não perder a licença de comentarista”. A lembrança de Valência é inevitável. “É ainda mais indignante”, acha Gené. “Fernando está pagando pelo que disse há duas semanas”, acusa Sainz. “Em Valência, quando saiu a penalização de Hamilton, havia 2 garrafas na pista e não chamaram o Safety Car. Agora, por muito menos, ele entrou bem na hora de Fernando servir o penalty”, Lobato alimenta as teorias da conspiração. “E quando Sutil destrói a asa traseira de De la Rosa por um erro de cálculo grave, é incidente de corrida”, Sainz está indignado.

E assim segue a transmissão da La Sexta, em tom de revolta, mesclada com uma pausa para tirar um sarro de Massa. “Corrida desastrosa de Massa”, aponta Sainz. “Como sua classificação”, completa Lobato. “Como explicar levar 7 décimos do companheiro? Com isso fica difícil saber o real desempenho da Ferrari e ele nem ajuda Fernando se colocando entre os rivais pelo título.” “Vimos na primeira volta o tipo de colaboração que ele está disposto a dar”, completa o campeão do Dacar 2010. “Bem estreita”. Burti viu o toque dos ferraristas no início da prova como incidente de corrida. “Gosto quando vejo companheiros de equipe lutando como pilotos de corrida.”

Sutilezas entre companheiros de equipe 2

Na Globo, Luis Roberto acha “que a ‘parada’ de Alonso vai ser torcer para a Espanha na final da Copa”. Reginaldo crê que a Ferrari tem todo direito em reclamar e Brundle acredita que o time italiano esteja pagando pecados passados. “Diziam que a FIA era a Ferrari International Assistance e agora eles estão sendo punidos com veemência. Não estou dizendo que isso está certo também… Se eu fosse Alonso parava e guardava esse motor, porque eles estão críticos nesse setor”.

Quem não está poupando nada é Vettel, de volta à corrida depois do Safety Car. “Isso é para quem fala que ele não sabe ultrapassar”, diz Legard. “Será que seu pneu vai aguentar?”, Reginaldo tenta dar ânimo para a fase final da prova.

Lá na frente, poucas notícias. Webber fez volta rápida logo que o Safety Car saiu, ainda com pneus frios, mostrando que tinha cartas de sobra na manga. E Button, segundo informações da BBC, não podia ultrapassar Rosberg porque tinha que economizar combustível – a McLaren, aliás, parece estar jogando forte nessa área para ser mais competitiva na corrida.

Mas a manchete do GP da Inglaterra veio só depois da bandeirada, com o “nada mal para um 2º piloto” de Webber no rádio. “Muito bem!”, apoia Gené. “Ele vai discutir quem vai ser o 1ª piloto da equipe agora”, aponta Brundle. Mas era uma bola que Reginaldo Leme cantou na 23ª volta. “Vamos ver o que vão falar agora, porque com esse resultado Webber fica na frente de Vettel no campeonato. Vettel não se conforma em ficar atrás de Webber. Se ele tivesse ficado em 2º, como tem preferência na equipe, poderia se manter à frente, mas nem pensou nisso.”

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