Hungria – corrida: A versão ‘oficial’ de Galvão

Nunca na história da F1 um campeonato chegou à 12ª etapa com 5 claros concorrentes ao título e, por mais que Galvão Bueno faça campanha na Globo para a exclusão da Ferrari e pela redenção do Felipe ‘chuta o balde’ Massa, era isso que estava em jogo no domingo. Na La Sexta e na BBC, a previsão, com as McLaren atrás, era de que tudo terminasse ainda mais embolado. “A Ferrari tem o piloto, a McLaren tem os pontos e a Red Bull tem a velocidade”, resumiu Martin Brundle, ex-piloto que comenta na BBC.

Enquanto isso, os espanhóis davam alguns dados um tanto desanimadores. “Aqui tivemos 1 Safety Car em 24 anos e entre 2 e 3 ultrapassagens depois da 1ª volta nos últimos anos”, lista o narrador Antonio Lobato. “Os pilotos chamam isso aqui de Mônaco sem os prédios”, conta Brundle.

Galvão, que não narrou a prova alemã, estava mais preocupado em recuperar a imagem daquele que costuma chamar de ‘do Brasil’. “Dia de festa, com a volta depois do acidente, mesmo depois da medida pouco inteligente, desnecessária e que tem que ser punida, da Ferrari. Até Ecclestone já deu o apoio oficial ao Felipe”.  “Posso garantir que não foram só 3 ordens para deixar passar!”, se orgulha o narrador, que estava impossível. “A vida é de engolir sapo e chutar o balde. Felipe engoliu um para chutar depois e parece que funcionou, pois Domenicalli disse que não tem mais ordem”. O assunto, que volta e meia assombra a transmissão brasileira, aparece en passant na Espanha – no final da prova, Lobato diz que “falaram que a Ferrari escolheu quem é seu 1º piloto, mas não foi a Ferrari, foi o asfalto, o cronômetro” – e na Inglaterra – quando Titônio Massa aparece, Legard diz que “a reação no Brasil foi muito forte, com Massa sendo chamado de traidor” e destaca que muitos dão razão à Ferrari, pensando no campeonato.

Massa não precisa mais de advogado

Ah, o campeonato. “A Red Bull só perde a prova para ela mesma. Como? Pergunta para o Vettel porque ele sabe bem”, Reginaldo Leme roga uma praga daquelas do alemão. Não foi na largada. Alonso passa Webber, mas Sebastian faz tudo direito dessa vez. “Fernando tem que se concentrar que está com todos os rivais pelo título, menos um, atrás”, observa Carlos Sainz na La Sexta. Os ingleses se decepcionam com Button, que perdeu 4 posições. “E Schumacher, como sempre, largou bem e passou 2. Agora são 24 ultrapassagens em largadas no ano”, soma Brundle.

Na 2ª volta, Petrov parece se atrapalhar com Hamilton na sua cola, e o inglês passa com facilidade por fora. Os espanhóis riem. “Parece até ordem de equipe, freou 10m antes”, se diverte Lobato. Brundle é mais… britânico. “Ele foi um pouco cuidadoso demais nos freios.”

Enquanto Galvão fala em lisura esportiva, ingleses e espanhóis não vêem como Alonso pode se manter na frente de Webber depois da 1ª parada. “Só se eles pararem juntos, o que a Red Bull não vai deixar acontecer. Se Webber parar uma volta antes ou depois, com o carro que tem, vai conseguir a vantagem necessária”, constata Marc Gené.

Sanduíche de jamón

O Safety Car parece que resolveria o problema. Eles parariam juntos. Mas não foi o que aconteceu, para a surpresa de todos. Todos duvidavam que o pneu resistiria. “Eles tinham tempo para fazer as paradas dos dois, por que ele não parou? Isso vai custar caro”, Brundle, fato raro, erra. “Se fosse Webber, estaria no rádio pedindo para a equipe me deixar na pista por umas 15 voltas e para que mandassem o Vettel baixar a potência do motor para fazermos a dobradinha”, David Coulthard pensa rápido.

Só na Globo vêem malícia na distância que Vettel deixa para Webber no reinício da prova. “Isso aí é uma ordem de equipe, porque não veio da cabeça dele”, diz Luciano Burti. Os comissários também não gostam, mas por uma regra bem mais prática, da distância regulamentar entre os carros, não por jogo de equipe. “Parece que o chute no balde do Felipe funcionou, os comissários estão mais rígidos”, Galvão não desiste.

Hamilton, líder do campeonato, sofre a 1ª quebra do ano e o que o narrador da Globo vê é que “é bom para Massa e Rubinho.” Para Brundle, “isso vai levar alguns sorrisos à Red Bull”. Gené mata da hora: “isso é câmbio”.

Vettel é punido. Gené estranha. “Não sei como é na Red Bull, mas na Ferrari fazemos uma reunião repassando o regulamento todo com os pilotos”, revela. “É tanta coisa para pensar quando tem um Safety Car”, protege Brundle. Ao fazer o drive through, o alemão gesticula. Galvão imagina se não acabou passando do limite de velocidade, a mesma piada que Lobato faz na La Sexta minutos depois, ao ver que ele saiu mais perto de Alonso que o narrador esperava. Seriam 30 voltas com o retrovisor cheio de Red Bull.

Nos giros seguintes, as transmissões se voltam mais para a tabela de tempos que a pista. E os espanhóis se preparam para sofrer. “Alonso sabe fechar portas, mas o carro é muito mais lento”, Gené não acredita muito no compatriota. “Não tem como lembrar de Imola 2005”, aponta Lobato. Na BBC, também não esqueceram. “Se tem alguém que sabe manter um piloto atrás, de maneira limpa e calma, é ele. Lembram-se o que ele fez com o Schumacher?”, pergunta Legard. Talvez Galvão tenha se esquecido. “Você não é bom, Alonso? Então segura essa”, provoca. O narrador prevê ver Massa na briga em poucas voltas. Isso nunca acontece, para surpresa também de Brundle na BBC.

Mas a corrida ainda guardaria uma surpresa para o final. Quando a TV passou a acompanhar Barrichello, andando 3s por volta mais rápido, babando para cima de Schumacher, Lobato reclamou. “Queremos ver os que disputam o título!”. Deve ter se arrependido. “Os pilotos vêem Michael como um troféu, não uma ameaça”, constata Brundle. Principalmente Rubens.

Ele sempre foi assim, nada contra, mas antes TAMBÉM era um ótimo piloto

A reação à manobra que se seguiria foi a mesma nas 3 transmissões, mesmo que Galvão tenha visto uma cena um pouco diferente: “Empurra o Schumi, Rubinho!”, gritava, enquanto perdia toda sua recém-adquirida lisura esportiva. Naughty, temerário, de terror… todos queriam punição. “Esse é o problema dele. Ele nunca sabe quando desistir”, define Coulthard. “Foi mais agressivo porque é um ex-companheiro que abriu a boca sobre como as coisas eram na Ferrari”, completou o ex-piloto. Como na Globo, lembram da manobra em cima de Massa no Canadá, mas sem o papo de “e olha que eles são amigos”.

Os espanhóis, que vêem Webber numa posição semelhante dentro da equipe à de Alonso na McLaren em 2007 – “felicidade na Red Bull, ainda que o piloto errado tenha ganho”, alfineta Lobato –, implicam com o ‘piti’ de Vettel. “Nem esperou para cumprimentar o companheiro”, aponta Lobato. “É muito jovem e é um péssimo perdedor”, define Gené. O alemãozinho também não parece despertar muito amor na BBC, que dá uma informação interessante: é a 1ª vez que a Red Bull lidera ambos os campeonatos ao mesmo tempo. Vettel, curiosamente, nunca foi líder do mundial. “Ele é só o campeão dos sábados”, diz Legard. Ninguém perdoa o menino.

Um comentário sobre “Hungria – corrida: A versão ‘oficial’ de Galvão

  1. além do pega empolgante de alonso/shuamcher, e barrichello/shumacher, hehe, tive “outras constatações” deste dia, hehe!!! vc estava “impossível”!!! além de detalhista (seu título com apóstrofes invertidas? hehe!), felipe chuta o balde, piti de vettel,sanduíche de jamón,….e profissional dedicada, vc também tem o seu humor sutil/britânico!

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