Será que a Globo chega lá?

Assisto a todas as transmissões do mundo que consigo, e devo dizer que me desanima – e muito – perceber que até os espanhóis, que veem F1 ao vivo apenas desde 2003, recebem um produto melhor que o nosso.

A Globo pode se defender dizendo que é muito mais caro para uma emissora brasileira enviar uma equipe do tamanho do que têm La Sexta, Rai, RTL e BBC, até porque a maioria das corridas é realizada na Europa. Ok, mas eles já têm 1 narrador, 2 comentaristas, 1 produtor, 1 repórter e 1 cinegrafista, pelo menos. Será impossível fazer 2 ou 3 matérias especiais por final de semana e, entre uma e outra, colocar Burti e Reginaldo para apresentar e comentar antes da corrida?

Na verdade, é isso que os outros fazem. Os europeus, claro, contam com mais repórteres, alguns têm um apresentador E um narrador. Assim, conseguem ficar no ar por 3h30 num dia de corrida e 3h aos sábados. Mas nós, pobres mortais, poderíamos começar por baixo: 20min de transmissão antes e 20min depois, incluindo entrevistas, pelo menos, com os brasileiros. É pedir demais?

No entanto, julgando pelo que ouvimos de Galvão e companhia – injustiça minha, é o narrador quem sufoca os comentaristas –, parece que a ideia é inventar, e não informar.

Minha transmissão favorita é a da BBC. Mais pela edição, é verdade, que pelo conteúdo, atrapalhado pelos chiliques de Eddie Jordan e as opiniões pró-Red Bull de Coulthard. O humor britânico é incomparável: na última prova, fizeram um clipe com imagens de Alonso e Massa e a música “Fernando”, do ABBA. Sem narração, só ouvia-se a letra da música: “Se eu tivesse que fazer tudo de novo, eu faria, meu amigo, Fernando.” O narrador é fraquinho – muitos preferem acompanhar as corridas pela Radio 5, já que a BBC também dá essa opção de áudio pela TV, mas Martin Brundle raramente erra nos comentários.

É engraçado que os ingleses não estão muito satisfeitos. Lendo este post e seus comentários, percebi que eles se incomodam com tudo, menos com o apresentador Jake Humphrey – com razão, ele é ótimo.

Ruim era a ITV, que tinha os direitos até 2008 e ficava discutindo o que fulano estava pensando ou se a pressão estava afetando ciclano. Papo de bar, igual ao que vemos nos nossos domingos. A BBC, mesmo que tenha uma tendência de proteger a McLaren e super valorizar a Red Bull, é factual.

No quesito factualidade, no entanto, ninguém bate os italianos. É a transmissão de F1 mais diferente que já vi. Parece que o carro – desculpe, que a Ferrari – anda sozinho (a) e que o esporte é um exercício de engenharia. Extremamente informativos, os programas de antes e depois das provas contam com um comentarista-engenheiro (!) e com análises técnicas em estúdio com recursos de vídeo. Os italianos ouvem ainda os ex-pilotos Ivan Capelli e Jean Alesi e jornalistas da Autosprint e Gazzetta dello Sport.

Tudo isso está longe da nossa realidade. Para servir de consolo, pelo menos estamos em situação melhor que os norte-americanos, que não têm um piloto vencedor desde quem? Andretti pai? Lá, não há transmissão ao vivo em TV aberta (a Fox faz o mesmo que a Band com a Indy por aqui). Na TV paga, dá-lhe intervalo. Um blogueiro do país contou: 34% de uma corrida de Nascar virou comercial.

Quem já viu minhas análises das transmissões percebeu que os espanhóis também veem muitas propagandas, que quase sempre entram em algum momento chave da corrida. O mesmo acontecia com os ingleses nos tempos de ITV. A solução da Globo, de apenas tirar o som da corrida por alguns segundos, é ótima, mas os elogios param por aí. Isso sem falar nas dolorosas madrugadas do SporTV…

7 comentários sobre “Será que a Globo chega lá?

  1. Sonho com uma transmissão decente. Essa discussão rolou na blogosfera uma vez e defendi uma posição que continuo defendendo hoje: é dessa superficialidade com que se trata F-1 na Globo (indiscutivelmente o maior e mais importante veículo de comunicação do Brasil) que surge essa massa de torcedores querendo encarar corrida de automóveis como jogo de futebol.

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  2. É exatamente isso. Só peço que a transmissão seja informativa, e não manipuladora. Isso com todas as narrações esportivas na Globo. Eles nivelam por baixo. Vemos que é possível se aprofundar até no futebol, que é bem mais simples que o automobilismo, quando assistimos uma transmissão pela ESPN Brasil, por exemplo. Não deve ser tão difícil assim!

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  3. Existem dois lados a serem analisados, a parte de transmissão e o que acontece durante a narração e comentários, a programação da Globo na Formula 1 até que é muito boa, raramente deixa de passar a corrida na íntegra, a única vez que não passou ao vivo foi no GP USA/86, nesse dia passou jogo da copa. Também já aconteceu de cortar a corrida ao meio por causa da missa do papa, ou não mostrar o pódio, mas isso não é motivo para fazermos uma tempestade. O irritante “corte” de sinal que é comum na Formula Indy não acontece nas corridas de Formula 1, também não aparecem os irritantes comerciais durante as provas, muito comum na F1 na Europa. Pela transmissão, a Globo até que merece uma nota 9, não dá para pedir mais, o Brasil vai para 19 anos sem um campeão.

    A Globo é uma emissora que só visa IBOPE, em geral no esporte apela sempre para o lado mais fraco do brasileiro, o lado emocional. Em termos de Formula 1 é um desastre, o Galvão informar muito mal, faz de tudo para eleger novos “heróis”, e faz isso porque sabe que brasileiro na maioria é bem trouxa, acredita em tudo, basta ver em época de eleição no governo. Reginaldo Leme e Luciano Burt que entendem do assunto não tem liberdade para falar nas corridas, a arrogância do imbecil narrador não permite. O trio Burt, R.Leme, M.Becker ou se sujeitam a fazer como Galvão quer ou estão fora da equipe, o fato do narrador torcer pelos pilotos brasileiros de forma exagerada não é problema, a maioria faz isso no microfone. O que irrita são os vários erros do Galvão durante a corrida, ele erra nome dos pilotos, nomes das equipes, encerra corrida uma volta antes(e ainda tem a CARA DE PAU de apontar erros dos outros). Sempre quer adivinhar o que o piloto esta pensando, sempre coloca “palavras” na boca dos pilotos, mas isso não é o pior. O mais lastimável é que nos últimos anos ele sempre quis diminui a F1, os feitos dos grandes pilotos(de fora), e faz isso por PURA DOR DE COTOVELO ROXO! A implicância com Schumacher, Coulthard, J.Villeneuve, Ralf Schumacher, Raikkonen, Alonso, Hamilton e Vettel chega ser coisa meio patológica por parte do imbecil narrador(ele se caga todo de medo de aparecer outro Schumacher na Formula 1, isso colocaria os pilotos de hoje cada vez mais em destaque, igualando ao pilotos do passado, não é interessante para o imbecil narrador que outros pilotos sejam tetra, pentas isso passaria o “herói” nacional em números de títulos). Fora as piadinhas sem graça que o idiota Bueno faz durante as provas, J.Villeneuve e D.Coulthard eram chicanes ambulantes ou o Rubinho que era muito fraco para ultrapassar? O Rubinho em 09 durante um GP com um carro muito superior levou 3 voltas para ultrapassar o Nelsinho Piquet, o Rubinho reclamava com a mão e o Galvão achou que Rubens estava certo! Esse ano poucos notaram que o mesmo Rubinho com um carro 4 segundos mais rápido levou CINCO VOLTAS para ultrapassar Schumacher na Hungria, e porque poucos notaram? Porque ficaram dando mais atenção ao show insano o narrador(achou que o Rubinho estava LAVANDO A ALMA em cima do alemão) simplesmente ridículo! Foi um grande momento da Formula 1, mas isso só aconteceu porque o alemão segurou Rubinho várias voltas, fora a “espremida” no muro! Já vimos Schumacher ser ultrapassado outras vezes esse ano e ninguém fez festa durante a narração! Na minha opinião chega ser até falta de responsabilidade deixar um cara insano como o Galvão narrar Formula 1, ele é MUITO FRACO, pra ele os pilotos de fora são eternos vilões e os brasileiros injustiçados. O Galvão é um PÉSSIMO PERDEDOR, muito arrogante, baita FOFOQUEIRO, não tem ética nenhuma no microfone, NOTA ZERO PRA ELE!!! O R.Leme também caiu muito no meu conceito, hoje se limita a aceitar o que o Galvão fala, deve ter medo de perder o ótimo emprego! A M.Becker vai pelo mesmo caminho, outro “pau mandado”. O único que se salva é o Burt que as vezes entra em confronto com o Galvão, a última foi quando disse que a Formula 1 de hoje esta mais difícil para o piloto que no passado, comentou que muitas das ultrapassagens do passado eram feitas muitas vezes por diferença de motor. O Galvão quis a “morte” quando ouviu isso. Dizer que a Formula 1 hoje é mais difícil é o mesmo que dizer que os pilotos do passado ultrapassavam muitas vezes devidos as circunstancias! E isso é bem verdade, no passado existia muita diferença de estratégia, motor e pneus. Senna,Piquet,Mansell,Prost foram grandes, mas se corressem nos últimos 10 anos também iriam sofrer muito para fazer ultrapassagens…

    Soube que o Tiago Leifert poderia ser o substituto do Galvão no esporte! CRUZ CREDO, na copa do mundo tinha colocado apelido no Tiago Leifert de “Galvãozinho”, cheio de piadinhas, quando França e Itália ficaram fora da copa ele tirou o maior sarro(pelo jeito já contava com o hexa). No dia que o Brasil perdeu, ficou com uma tremenda cara de BUNDA!!! Bem feito…Dias depois soube que o Leifert era fãn do Galvão, acertei no apelido!

    Tiago Leifert na Formula 1???

    Meu bom Deus eu não mereço, mais um Galvão, eu não mereço!!!

    Gostei do seu Blog Fast F1, vc da muita atenção aos detalhes e lado técnico, muito bom, parabéns!!!

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  4. Aprovei seu comentário, mas gostaria de fazer uma ressalva. Minha intenção com o post foi mostrar como é possível a transmissão melhorar. Todas as emissoras trabalham com o Ibope, é o que as paga. Na Espanha, também puxam sardinha para o Alonso, só não desrespeitam os demais.
    É lógico que o Galvão segue a linha editorial que lhe é passada pela emissora, seria inocente colocar a culpa de todos os problemas do país nele. Por isso acho que temos que discutir os caminhos para melhorar, usar essa ferramenta de comunicação para manifestar o que pensamos, mas, por favor, sem agredir, porque é disso que não gostamos, não?
    E obrigado pelos elogios. Volte sempre!

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  5. Em resumo: a Globo não faz uma transmissão decente simplesmente porque não quer.

    Às pessoas que reclamam tanto da Globo, deixo um conselho: coloquem a TV no mudo, liguem um rádio de pilha e sintonizem na Band News. Uma acessível e interessantíssima alternativa.

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  6. é interessante rever o passado. muito bem frisado o fato de não haver intervalo, aí seria o cúmulo, hehe. sem dúvidas, a ferrari, é como religião na itália. Ju, o vídeo da RAI, além de muito bom, no quesito técnico, é sensacional, é de outro planeta!

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