Estratégias de box de Cingapura: por que McLaren e Red Bull não erraram

O GP de Cingapura teve 2 decisões estratégicas bastante criticadas. Por que Vettel parou na mesma volta de Alonso e desperdiçou a chance de correr com a cara para o vento e assumir e ponta? E por que a McLaren não fez o pitstop de Hamilton antes, para evitar que ele perdesse a posição para Webber? Uma análise mais profunda mostra que ambas as equipes não tinham muita opção.

Vettel x Alonso

Como já foi abordado num post sobre estratégia, o 1º passo é prever onde o carro voltará. Calcula-se o ritmo com os novos pneus e o quão rápido encontrará tráfego. Era esse o problema da Red Bull. Eles precisavam de pista livre cerca de 30s – tempo de perda da parada – atrás de Vettel. Porém, Hamilton estava exatamente nesta margem – e rodando em 1.54.3, enquanto o alemão fazia 1.51.3.

Se parasse antes da Ferrari, a Red Bull ficaria travada pela McLaren, Alonso esperaria o gap abrir e voltaria confortavelmente à frente de ambos. Era preciso aguardar a parada de Hamilton.

O inglês a fez na volta 28. Agora, a questão era observar quem tinha melhor ritmo: com pneu super macio usado ou pneu médio novo. Caso a 2ª hipótese fosse a mais rápida, parar depois de Alonso só faria a distância aumentar. E, de fato, Hamilton voltou do pit virando 1.51.8, tempo cerca de 2,5s mais baixo que com a borracha usada!

O forte ritmo de Alonso no pneu macio acabou com as chances de Vettel

Se Vettel parasse depois de Alonso, os 3s que tinha de desvantagem para o espanhol rapidamente passariam de 5s devido ao forte ritmo que os pneus médios proporcionariam, por isso ambos pararam juntos. A aposta era ao menos ter a chance de aproveitar um possível erro no pitstop, o que aconteceu, mas do lado de Vettel, que perdeu 0.9s a mais que o rival no box.

De qualquer maneira, a diferença de 3s era muito grande para ser tirada na estratégia. Especialmente se lembrarmos que Alonso estava a 0.9s de Button quando o inglês parou em Monza, fez uma volta perfeita, e ainda voltou junto do piloto da McLaren. Qualquer estratégia só funcionaria se Vettel estivesse mais perto.

Webber x Hamilton

A Red Bull adotou uma estratégia bastante ousada para seu líder do mundial. Foram 6 os pilotos que aproveitaram o Safety Car para fazer a parada. Todos do fundo do pelotão. O australiano só daria o pulo do gato se ultrapassasse carros mais lentos rapidamente e se mantivesse a menos de 30s de Hamilton. Foi o que ele fez: superou Glock, Kobayashi e Schumacher em 4 voltas e passou a seguir Barrichello, que mantinha um ritmo cerca de 0.5s mais lento que as McLaren.

Era uma perda que Webber podia ser dar ao luxo de ter. Afinal, os pneus super macios não aguentariam mais que 30 voltas no mesmo rendimento. Tranquilo atrás de Rubinho, tratou de cuidar de sua borracha, que teria que durar 58 voltas.

Na McLaren, esperavam o momento em que Hamilton abriria cerca de 31s para que o inglês voltasse dos boxes à frente do australiano. Mas isso nunca aconteceu. No máximo, Lewis conseguiu uma vantagem de 24s na volta 23, e estagnou: os pneus da McLaren acabaram antes dos da concorrência.

Vendo que seu piloto não conseguiria a distância necessária, o time de Woking apostou num bom rendimento do pneu médio novo, fez o pit de Hamilton que, com a ajuda de um Safety Car em hora precisa, quase ganha a posição na pista.

15 comentários sobre “Estratégias de box de Cingapura: por que McLaren e Red Bull não erraram

  1. na hora das paradas eu pensei justamente nessa questão das janelas como justificativa para algo que, à primeira vista, parecia estratégia estúpida.

    reginaldo leme, com sua torcida fervorosa pelo vettel e sua antipatia doentia por alonso, se precipitou a disse que a red bull havia cometido um erro “gravíssimo”.

    burti, após alguns minutos, mencionou o fato de a mclaren estar virando muito mais rápida com os pneus duros novos e que isso poderia ter motivado a red bull a chamar o vettel junto com o alonso.

    faz tempo que o reginaldo leme tem falado muita besteira durante as transmissões. acho que 35 anos de experiência no trabalho não ajudam tanto se vc é cheio de preconceitos.

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  2. Essas questões de estratégia são complexas e às vezes é compreensível que os comentaristas, ainda mais quando torcem descaradamente, não vejam todas as variáveis. Mas, a não ser o Burti, eles simplesmente não dão informação nenhuma, não especulam nada. Só julgam, julgam… e torcem. Ficamos sem saber quanto tempo o Hamilton precisava abrir, nunca sabíamos se as diferenças de tempo entre ALO e VET tinham a ver com retardatários. Nada. Só se fala de campo de futebol flutuante, hotel-transatlântico…
    Assim, os espectadores (os não maníacos como nós) assistem a uma outra corrida, têm uma expectativa completamente irreal, e quando acontece algo como o do GP da Alemanha, quando fica claro que há equipes, que há algo mais do que 24 caras passeando em paraísos de milionários, esses espectadores se chocam e dizem que “nunca mais vão assistir a essa vergonha”.
    Estava assistindo agora a transmissão pela TV espanhola e eles criticaram muito a McLaren por não ter chamado o Hamilton antes. Estavam calculando o tempo de perda do pit em 24s, não sei pq. Mas pelo menos davam informações interessantes – o Marc Gené, que comenta pra eles e é piloto de testes da Ferrari, disse 2 coisas legais: que eles calculam qual a quilometragem que um piloto faz a cada volta, e o Alonso sempre anda menos, escolhe umas linhas que “encurtam” a pista; e que o Aldo Costa avaliou que a Ferrari precisava ganhar em Cingapura, pq eles esperam estar um pouco atrás em todas as outras.
    Torcer, o narrador espanhol torce. E muito. Quase perdeu a voz quando o Hamilton saiu, acho que dá pra ouvir no vídeo que coloquei aí no post, mas ele não transmite “outra corrida”…
    Ainda não vi da BBC, li umas críticas que falaram que eles foram – de novo – muito duros com o Lewis. Mas tenho certeza que o Brundle percebeu essas sutilezas estratégicas.

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  3. Gostei do ” Que venha sempre ! ” … gosto texto … gosto do estilo … gosto do blog . Todo admirador da F1 e membros dessa ” família ” deveriam no mínino lê-la .

    Vou aqui fazer uma leve referência a teu post a tua resposta ao andre melo no caso do(s) narrador(es) da Globo .

    Esse ” erudito ” é pobre demais para ser honesto e honrado . Por isso , as atividades de torcer , acomodar-se e renegar suas convicções , ” ensinar ” coisas em que na verdade não acredita , rastejar , adular , tomar partidos e fazer camaradagens , levar em consideração pilotos , gente importante , colegas , críticos , em resumo , qualquer coisa é melhor do que dizer a verdade e contribuir para com os outros – são esses o seu procedimento e o seu método . Desse modo ele se torna , na maioria das vezes , um velhaco cheio de preocupações . Em conseqüência disso , na mídia em geral e especialmente na F1 , a deslealdade também se tornou tão predomimante , que é de se esperar a chegada a um ponto no qual , sendo incapaz de enganar qualquer pessoa , ela não tenha mais nenhum efeito . Fui compreendido ?

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    1. Compreendido, mas, mesmo que seja ponto pacífico que já foi dito e feito o bastante para que não se engane ninguém, e muitos levantem essa questão, parece que inconscientemente repetem o que foi dito e feito.
      Voltado ao Galvão: todo mundo fala mal dele, mas, muitas vezes sem perceber, tomam como verdade o que ele diz.

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  4. Muito bom o artigo.
    Aqui também podemos comentar meninos, não?

    A Ferrari declarou que só pararia quando o fizesse o Vettel- e a Red Bull esperançada, tinha feito testes de pit-stop em 3,2 no fim-de-semana, embora houve um jornalista inglês que provou que o que foi rápido em Monza não foi tanto a mudança de pneu, propriamente dita, mas a entrada no pit-lane do Alonso..a RBR esperava assim passar o Ferrari nº 8.

    P.S.eu sei que eles trabalham muito em Woking mas não tanto para mudar de nome para “trabalhando”, assim até parece que não param..

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    1. Claro, não vejo por que a distinção.

      Sobre Woking, de fato eles nem têm trabalhado tão bem assim para eu mudar o nome da cidade!

      Admiro o fato deles confiarem tanto no trabalho dos mecânicos – ainda mais contra a Ferrari, que fez um de 2,7s em Monza nos treinos – mas a diferença era muito grande para ser tirada no box, a não ser que o pneu mole fosse muito mais rápido – e não era.
      Contudo, o Brundle falou algo interessante na transmissão da BBC: mesmo sabendo que o pneu mole tinha acabado, tendo em vista que já estavam atrás, pq não arriscar ficar na pista? Seria válido, já que a distância para o 3º era grande.
      Por outro lado – não é por acaso que gosto tanto de estratégia, é muito complexo! – talvez houvesse muito tráfego à frente de Vettel e a equipe avaliou que seria impossível ele ganhar tempo.

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  5. Thanks.

    Como é rosa e amarelo..tou brincando já vi que há boys comentando.

    Gostei muito do nível e qualidade de escrita. A estratégia é um dos assuntos mais apaixonantes da F1, concordo.

    Bacci
    Abraços

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  6. Se a Red Bull conseguisse fazer o Pit antes da Ferrari… O que torci aqui!

    Mas, fazer o quê, né?! É assim mesmo.

    Suzuca, aí vamos nós!
    (E aposto nas RBR/McLaren fortes)

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    1. Eles não podiam parar, senão sairiam bem atrás do Hamilton. Não fosse isso, Vettel conseguiria passar com certeza.
      É uma boa aposta para Suzuka. O último circuito mais parecido com o japonês foi o de Silverstone e a ordem entre os 3 foi Red Bul … Ferrari e McLaren.

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      1. Infelizmente, sim, o tempo estava contra a RBR… Mas torci muito para que conseguisse. O VETTEL tinha mais carro, “merecia” a vitória.

        Att.

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  7. em vista da f1 antiga, não sei se havia tantos dados, mas o que parece, é que no passado, era tudo mais instintivo, ao passo que hoje, a complexidade das análises, mostra o quanto ficou difícil a brincadeira.

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