Um Interlagos estranho

O clima de Interlagos esteve diferente neste final de semana. Nada da devoção bíblica da era Senna, da admiração à garra de um Massa campeão por segundos ou da esperança inabalável dos seguidores de Barrichello. Sem brasileiros disputando o título, havia uma frieza no ar.

É lógico que isso é um dos reflexos do duro golpe sofrido na inversão de posições do GP da Alemanha. Algo recorrente aos brasileiros, aliás, depois da frustração de Rubinho na Ferrari e da vergonha de Nelsinho Piquet em Cingapura.

É natural que o torcedor se sinta decepcionado com o que entende como uma falta de fibra dos brasileiros. Mas seria esse desprezo resultado de anos de esperanças vazias ou os fãs não conseguem apreciar o trabalho de compatriotas competentes, que estão entre os 24 melhores de sua profissão e cujo único “crime” é não fazer um trabalho tão bom quanto os que conquistaram títulos nestes 19 anos de “seca” do Brasil?

O fato é que os primeiros que torcem o nariz para pilotos como Schumacher e Alonso, acusando-os de só pensar na vitória, são os mesmos que custam a valorizar algo além do primeiro lugar.

Publicado no Jornal Diário do Povo em 8.nov.2010

8 comentários sobre “Um Interlagos estranho

  1. Para sua reflexão, esse ar de frieza em Interlagos não se deu exclusivamente contra o jogo de equipe, mas sim ao jogo de equipe no momento inoportuno, pois em 2007 quando Kimi foi campeão, nós torcedores presentes apoiamos a decisão, antes mesmo de se ter qualquer certeza que Massa estaria na ponta. Esse ano resolvemos apoiar uma escuderia, onde nem se quer existe algum brasileiro pilotando, mas possui sim um proprietário, que ama sim ESPORTE, não admite isso no seu time, mesmo que seu chefe de equipe pense o contrario. Esse é o real motivo de apoiarmos sim a Red Bull Racing e não mais a Ferrari, como pode ser visto com o novo bandeirão postado no setor G do autodromo de Interlagos.

    Abraços,

    Rafael Vieira.

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    1. Eu entendo, mas falo também em relação aos outros pilotos. Temos 4, que merecem respeito. Só ouvi os gritos de “Rubinho, Rubinho”, que pareciam mais uma provocação ao Massa. Pode ser só uma impressão, claro.
      Acho um tanto ingênuo pensar que a Red Bull não faz nenhum tipo de manipulação e que seu dono pense no esporte. No máximo, Masterchitz não quer má publicidade. Novamente, é só uma opinião.

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      1. A Red Bull Racing tenta fazer. Mas é incompetente.

        É tão simples. É só pedir para um mecânica se enrolar um pouquinho para por a porca.

        Pronto.

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  2. Masterchitz pensa no esporte? Se as posições de Vettel e Webber fossem inversas, eu acho que as pessoas não pensariam isso. Só o fato de terem tirado a asa atualizada do Webber para a colocarem no carro do Vettel, porque este a havia quebrado num treino, já prova que a Red Bull não “pensa no ESPORTE”, como muita gente anda dizendo. A verdade é que a equipe austríaca é oportunista – quando vale a pena levantar o discurso de lisura esportiva, estão lá. quando vale a pena prejudicar um dos seus pilots em prol do bonitinho favorito, não pensam duas vezes.

    Talvez minhas palavras sejam um tanto pesadas. Mas a Red Bull é cínica e os “fãs” dela estão sendo hipócritas. Não seria tudo isso apenas uma antipatia contra o Alonso? Bater o espanhol é difícil. Muito difícil. Então, qualquer um que estiver brigando com ele ganha ares de salvador da ética e do esporte. Acho ridículo.

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  3. “Not bad for a number two driver.” Enfim…

    Acho que em público, mulher de corno, diz: Não traio o meu marido, isso é ridículo, amo o matrimônio.

    Torci o ano inteiro pra Red Bull, mas não vibrei com o título de construtores, e foi justamente por isso, por ela fingir que não faz jogo de equipe.

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  4. Como você falou na última frase o brasileiro valoriza vitória. A maioria não torce ou gosta de um esporte em si, mas gosta de ganhar. E não há torcida por Massa, Barrichello ou qualquer outro, há torcida por quem vencer.
    Por isso o futebol é a preferência nacional. E qualquer outro esporte só tem e terá destaque se tiver vitórias.
    Com relação a Red Bull defender o esporte, só me resta concordar com tudo que o André Melo falou.

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  5. Para mim, o mau desempenho de Massa no ano, somado com o caso do jogo de equipe resultou nisso. Se Massa andasse bem em Interlagos a torcida esqueceria tudo e gritaria seu nome, mas o piloto não conseguiu ainda reconquistar a torcida, se esse é o termo certo.
    Já dizia Senna, brasileiro só aceita título de campeão. Essa abstinência de títulos gerou isso.

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