Como um piloto faz a equipe trabalhar por ele

É em tom negativo que muita gente fala em pilotos políticos, aqueles que trabalham tanto dentro, quanto fora do carro. Pressionam a equipe e querem tudo para si. Prost era assim e acabou pagando um preço caro na Ferrari por ir longe demais. Frank Williams, falando sobre os poucos meses que teve como chefe de Senna, afirmou que pôde perceber que o brasileiro “cobrava muito, era difícil trabalhar com ele, assim como com Mansell”. Schumacher certamente deve estar grudado na orelha de Ross Brawn desde o início do ano pedindo que a Mercedes concentre-se no carro do ano que vem.

Trata-se de um acessório a mais, importantíssimo para levar vantagem em relação ao companheiro de equipe e, por que não, todos os outros. Massa, por exemplo, ganhou de vez a Ferrari quando cedeu uma vitória do GP do Brasil para beneficiar Kimi Raikkonen. Quando escolheram o companheiro de Alonso, por quem optaram, mesmo não tendo sido campeão e estando em recuperação após um grave acidente?

O espanhol, por sinal, dá aula nesse quesito. O piloto, que costuma dividir prêmios por poles e vitórias com seus mecânicos, adotou uma postura “paz e amor” desde que entrou na Ferrari, mostrando que as lições de 2007 estão mais que aprendidas.

Alonso foi à Ferrari decidido a não isolar-se como na McLaren

Fora da pista, não parou de diminuir-se em relação ao time. Dentro dela, não deixou de cobrar as melhores condições – quem não se lembra do “isso é ridículo”? Mas houve um momento chave em que colocou toda a equipe a seu lado: no sábado do GP de Mônaco.

Alonso bateu nos treinos livres e, por ter que trocar o chassi, não pôde participar do treino classificatório. Largaria em último. Percebendo que a moral dos mecânicos estava abalada, pediu permissão à chefia para escrever a todos os membros de seu lado da garagem. Entregou pessoalmente, de mão em mão, uma carta que dizia. “Peço perdão, me desculpe. Prometo virar o jogo e lutar pelo título.”

A história só apareceu agora. Na época, jornalistas espanhóis mais próximos ao piloto afirmaram que ele havia feito algo que agradara muito a equipe, sem revelar o que.

Vimos outras manobras do tipo no decorrer do ano. Mais recentemente, o espanhol deu todo o crédito da vitória de Monza ao trabalho no pitstop, embora quem tenha feito a maior parte do trabalho para ultrapassar Button fora ele, e, na Coréia, assumiu a culpa pela parada demorada nos boxes.

Parece que, para Alonso e tantos outros grandes campeões, pilotar é só parte do trabalho.

8 comentários sobre “Como um piloto faz a equipe trabalhar por ele

  1. E quem vai dizer que ele está errado? Todos nós temos que ser políticos e polidos em nosso ambiente de trabalho. A diferença nesse caso é o salário… rss

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  2. Alonso tem todas as caracteristicas de um campeão: Rápido, talentoso, erra pouco, sempre fazendo grandes corridas, tem sorte de campeão, além der ter aquela malicia que ele usou na Alemanha. Raros são os pilotos que foram campeões sendo muito bonzinhos. Mas é isso, certo esta ele, muita gente faria o que ele faz. Na Fórmula 1, quem ganham são os espertos, porque se for bonzinho demais, já era.

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  3. Eu achei muito interessante quando Nelsinho disse à IstoÉ sobre como Alonso mexe seus pauzinhos nos bastidores. Ele é o tipo do piloto que quer tudo pra si. Não porque é egoísta (também, claro). Mas porque sabe que, se tiver um bom carro, na pista ele faz a diferença. Se faz diferença com um carro meia boca, imagina com um carro bom então.
    Apesar de não concordar com todos os seus meios, admiro muito seu estilo de pilotagem que é ao mesmo tempo limpo e agressivo. Hoje é, sem dúvidas, o mais completo do grid.

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    1. E Nelsinho disse (não sei se foi nessa entrevista ou na que ele deu no Grande Prêmio, que, aliás, é ótima) que tentava fazer o mesmo, mas que ninguém o ouvia. Afinal, ele era um novato e não estava exatamente correspondendo na pista.
      Tem o outro lado também: o piloto pode fazer a pressão que for, mas tem que ter alguém do outro lado para aceitar. E a equipe só aceita se perceber que isso a beneficia.

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  4. quando falamos de alonso, as vezes nos esquecemos da pilotagem e nos focamos no “caráter”! bem, sempre torci por senna e piquet, e nem por isso fechei os olhos para suas “boas ações”! vejamos: – na brabham se não me engano, piquet chegou à usar lastro de água para pesagem, e durante a corrida esvaziava o recipiente para perder peso e ganhar tempo! senna pagou com a mesma moeda a sacanagem de prost (1989) em 1990, abalrroando o carro do francês! torcia por senna mas ele errou! não existe meio certo, existe certo! só por isso senna e piquet foram vigaristas? não, erraram no calor do momento, simples! onde quero chegar, alonso, por quem torço atualmente, já errou assim como muitos que já erraram, e hoje jogam a pedra e escondem a mão! como podemos ver, não existe perfeição na f1! o jogo de equipe da rbr, não é tão vistoso, mas a preferência à vettel é notória, mesmo webber fazendo um melhor campeonato!!! exite muitas formas de jogo de equipe!!!

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  5. No começo do ano dizia-se que Massa tinha a vantagem de conhecer a casa de Maranello, de estar lá e já ser parte da família.

    Mas Fernando Alonso já descontou essa diferença, se é para falar do apoio dos mecânicos, etc.

    Falando do alto comando, Fernando Alonso está colocando meio segundo por volta em Massa.

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