Como a Ferrari perdeu o campeonato em Abu Dhabi

Vettel fez sua parte para descontar os 25 pontos que tinha para Alonso com 2 vitórias nas últimas 2 provas, mas foi um erro elementar da Ferrari na estratégia que permitiu ao alemão levar seu 1º título mundial.

Com a ultrapassagem sofrida logo na largada, Alonso estava em 4º, no limite do que precisava para bater Vettel no campeonato. Era imperativo, portanto, que o espanhol não perdesse posição de pista para Webber, que tinha um carro mais rápido.

Excepcionalmente em Abu Dhabi, a Ferrari não parecia ter o rendimento nos pneus macios com que contou por todo o ano e havia o risco do piloto da Red Bull fazer um 1º stint mais longo e voltar à frente da Ferrari. O time italiano, então, decidiu concentrar suas forças em marcar o pitstop de Webber.

O australiano parou cedo, na volta 11, copiando a estratégia vencedora de Cingapura. Se realmente não tinha pneus ou se esta foi uma opção da equipe sacrificar suas chances no campeonato para ajudar Vettel, provavelmente nunca saberemos. De certa forma, foi a maneira dos engenheiros fazerem o jogo de equipe que a matriz da empresa não queria que ficasse óbvio, mais preocupada com a venda das latinhas. Mas o fato é que ele ficou preso por Alguersuari quando voltou à pista.

Era a chance de que a Ferrari precisava para bloqueá-lo com Massa. Mas a volta do brasileiro de entrada nos boxes foi 1.4s mais lenta e, mesmo com o tempo perdido atrás do espanhol, Webber voltou à frente – e fazendo o melhor 1º setor da pista naquele momento.

Campeonatos se perdem por uma temporada inteira, mas, nesse caso, não é exagero dizer que a estratégia da Ferrari tirou o tri de Alonso

Ao mesmo tempo, o ritmo do pneu macio caía abruptamente. Entre as voltas, 8 e 13, por exemplo, Vettel passou de 1’45.337 para 1’46.667. Webber virava 0.6s mais rápido com os pneus novos. Se o australiano passasse os carros que aproveitaram o Safety Car na 1ª volta para fazer suas paradas – à frente dele estavam Petrov e Rosberg – fatalmente voltaria à frente de Alonso após os pitstops.

Não parece ter sido uma decisão fácil. Tanto, que Alonso só parou na volta 15, 4 depois de Webber. E voltou à frente do australiano. Ao mesmo tempo, lá na frente, o pneu macio voltou a render, com Vettel novamente na casa dos 1’45.

Petrov tinha todos os motivos do mundo para manter Alonso atrás dele. Queria mostrar serviço, é claro, e estava equipado com o mesmo motor do virtual campeão – aquele que o deixou na mão na Coréia. Além disso, precisava abrir um gap para que a estratégia de seu companheiro funcionasse. Os únicos pontos de ultrapassagem do circuito são ao final das 2 retas, e Alonso não conseguia se aproximar o bastante – enquanto o russo era o 5º nas velocidades máximas, o espanhol era o 10º. Além disso, tinha um motor que provavelmente fazia sua 3º corrida, sendo uma delas Monza, enquanto o piloto da Renault estreava o seu.

A Ferrari não levou em conta a dificuldade de se ultrapassar em Yas Marina

Tivesse a Ferrari mantido Alonso na pista e marcado os líderes ao invés de Webber, o espanhol terminaria tranquilamente em 4º lugar – posição ocupada por Rosberg, mesmo chegando a 30s de Vettel. Alonso cruzou a 43s. Foi esse o tamanho do prejuízo de uma estratégia equivocada.

A McLaren também errou?

Outro que perdeu muito tempo atrás de uma Renault – também de motor novo – foi Lewis Hamilton. Naquele momento, Kubica ainda não tinha feito o pitstop pois, largando em 11º, estava com os pneus duros e só pararia na volta 46. Enquanto isso, Vettel, livre de tráfego, escapava à frente. À primeira vista, um erro.

Contudo, o inglês não chegaria a abrir a distância necessária para parar e voltar à frente do polonês, tendo em vista que seu rendimento com o pneu macio tinha se equiparado ao de Kubica com os duros. Ou seja, perderia até mais tempo se não fizesse a troca naquele momento.

Na 1ª volta depois da parada da Reanult, Hamilton marcou a volta mais rápida da prova, mas, provavelmente com os pneus já desgastados devido ao tempo que perdeu atrás do polonês, não conseguiu manter o ritmo.

Essa queda no rendimento provavelmente desencorajou a McLaren de tentar uma estratégia semelhante ao GP do Japão, quando Button demorou a parar para frear as Red Bull e permitir a aproximação de Hamilton. Mais uma vez sacrificado, o campeão de 2009 fez um impressionante stint de 39 voltas no pneu macio.

7 comentários sobre “Como a Ferrari perdeu o campeonato em Abu Dhabi

  1. Erro crasso. Estavam tão focados no Webber que esqueceram do todo. São apenas 24 carros e totalidade de informações disponíveis e os caras esquecem de prestar atenção…

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  2. bem Ju, as estratégias sempre foram importantes! na época do reabastecimento, sinceramente acho que eram mais imprevisíveis, pela variação de quantidade e peso do combustível que seria usado por cada equipe! hoje, com o fim do reabastecimento, acho que a tarefa das equipes ficou menos difícil, por contarem com simuladores, além de ter diminuido a quantidade de alternativas por não haver mais reabastecimento. analisando apenas a última corrida, sem levar em consideração a superioridade da rbr, podemos notar como você bem disse, o erro gritante de estratégia da ferrari! como ross brawn mesmo ensinou, equipe que tá na ponta, faz o trivial, ou seja, parar o mais longo possível! foi tão infantil, que não levaram em consideração o tráfego e as dificuldades de ultrapassagem do circuito! como estava anoitecendo, e a pista mais emborrachada, os pneus durariam mais! cá entre nós, alonso estava colado noas líderes e fazia tempos próximos, para que mudar, era só seguir a fila indiana! entre alonso e webber, havia aproximadamente 7 carros, inclusive massa, precisava de mais? com relação à mclaren, se button ficasse 30 voltas ao invés das 40, voltaria a frente de hamilton, algo que a mclaren não queria! a ferrari perdeu o título para ela mesma, mesmo possuindo um carro inferior! em relação a petrov e a discussão com alonso, podemos ver que o russo foi consequência da lambança da ferrari! mesmo com um carro mais rápido, a ferrari não conseguiu ultrapassar a renault devido ao traçado e o bom rendimento do carro francês! ross brawn faz falta!

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    1. Essa corrida disse muito sobre a Ferrari. Eles sofreram uma grande restruturação depois que Montezemolo não quis dar mais poder para Todt. Daí em diante, todas as peças do francês foram caindo e um trabalho de 10 anos pra reeguer o time foi jogado por água abaixo.
      O resultado é que, agora, eles são o time que copiam, não os que são copiados. E, na estratégia… Lembra quando colocaram pneu de chuva extrema no Kimi na Malásia enquanto não caía uma gota sequer? A Ferrari não pode continuar dependendo do Alonso colocar o carro onde eles não merecem estar.

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  3. pensando pelo lado positivo, pelo bom piloto que é, talvez foi bom para alonso não ser campeão, em vista do que ocorreu na alemanha! talvez em 2011, mais entrosado com a equipe, de mais uma demonstração de sua competência, e no final sendo coroado com o tri! afinal na minha modesta opinião, é o mais completo da f1 atual!

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  4. Concordo com você, Ju, foi um erro primário de estratégia! Na minha opinião, se a Ferrari quiser voltar aos tempos áureos de Todt/Brawn, equipe e piloto terão que falar a mesma língua. Bem, o Alonso, principalmente nessa segunda metade da temporada, provou que, mesmo pilotando um carro inferior em relação aos concorrentes, pode fazer muita diferença. Resta a Ferrari cumprir a sua parte, a qual ficou devendo muito nessa temporada, e a gota d’água foi o que vimos em Abu Dhabi.

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  5. ASsim como o alonso, a Ferraritambém perdeu o titulo com o Massa com estratégias erradas de boxes, lambanças nos boxes também como o caso da mangueira, e a quebra na hungria que foi a pior eu acho. A Ferrari está com essa incompetência faz tempo já, e Fernando Alonso foi a vitima da vez.

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