Liderando desde dentro do cockpit

A Ferrari dispensou Raikkonen dizendo que precisava de um líder dentro do cockpit. Pode não ser toda a verdade por trás da saída do campeão de 2007, mas faz certo sentido se lembrarmos o salto de qualidade durante os anos de Schumachercentrismo – e serve para entender a confiança de Ross Brawn e cia. no que Michael ainda pode contibuir com a Mercedes.

Ao vencer sua última prova em Monza de Ferrari, em 2006, os tifosi imploravam para que Schumi ficasse

De certa forma, a Scuderia se moldou em torno do piloto, que, quando se aposentou, deixou uma lacuna. Ao sentir a necessidade de contratar o finlandês após a saída de Michael e, 3 anos depois, de substituí-lo por Alonso, a Ferrari deixou claro que nunca acreditou que Massa pudesse ocupar esse espaço. O papel caberia, então, ao espanhol.

Pelo menos nesse 1º ano, o retorno foi garantido. A liderança de Alonso ficou clara em alguns momentos e implícita em outros.

Claríssima quando o piloto percebeu uma alteração no motor na classificação em Cingapura e pediu para que analisassem a telemetria. Ao ouvir do engenheiro, em meio a sua volta rápida, que precisaria voltar ao pit para reprogramar o propulsor, avisou calmamente que primeiro marcaria o tempo.

Implícita pela forma como um carro sobre cujo desenvolvimento ele teve pouquíssima inflência foi se desenvolvendo ao longo do ano a seu gosto.

Cusiosamente, no entanto, na última prova, a Scuderia cortou as asas de Alonso ao não avisá-lo que voltaria do pitstop atrás de dois carros que não parariam mais – só o fizeram depois da parada. Algumas voltas antes, ele exercera seu papel, sugerindo que tentassem marcar a parada de Webber usando Massa ao mesmo tempo que guiava um F1.

Quatro anos depois, parece que já não sentem tanta falta do heptacampeão. Alonso chegou disposto a conquistar um posto que andava meio abandonado

Essa é uma das qualidades que o líder dentro do cockpit deve ter: visão global da corrida e do campeonato, mesmo trabalhando com as poucas informações que tem à disposição. Tudo isso, como se não bastasse, a 200km/h. Ser político dentro do time também conta muitos pontos, tanto quanto envolver-se nas questões técnicas.

Mas isso tem seu lado negativo, é claro. Permitir que um piloto, que disputa o campeonato com seu próprio companheiro, coordene as ações da equipe é pedir para que ele aja de acordo com seus próprios interesses. E que vai pagar o pato está logo do outro lado da garagem, como bem viu Felipe Massa no GP da Alemanha. Ao ceder à pressão de Alonso para inverter as posições – mesmo que esta também fosse a vontade da equipe – a Ferrari escancarou os limites de até onde seu líder pode chegar.

3 comentários sobre “Liderando desde dentro do cockpit

  1. análise como sempre perfeita Ju! a ferrari este ano cometeu erros grosseiros para um campeonato tão forte e disputado! como em 2002, repetiu a lambança da ordem, o que se viu, foi uma pedrada na vidraça, pegou mal! e cá entre nós, foi ruim para alonso, que com toda categoria, provou que não precisa destes joguinhos! penso que em 2011 agirão com mais correção. para mim, não é novidade o poder do espanhol, uma habilidade global rara! quando você falou dobre o motor, me lembrei de 89, quando os engenheiros da honda, ficavam boquiabertos com a capacidade de avaliação de senna sobre o propulsor, como vimos, alonso tem feeling para o assunto! massa tem agora seu trabalho complicado pois, anteriormente teve a equipe em suas mãos mas não conseguiu construir títulos afinal, são 5 anos de casa! massa não é um mal piloto mas seu companheiro atualmente, além de acima da média, possui fome de vencer! se vier um carro bem nascido, não seria exagero colocar alonso como favorito para 2011! cabe a ferrari trabalhar com racionalidade dentro e fora das pistas.

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  2. Pois é, tenho pra mim que por tudo que nós vimos esse ano e por tudo o que você escreveu Julianne, só vai fazer turma da Ferrari ter a certeza de que estão no caminho certo e que o a derrota em Abu Dhabi foi apenas um tropeço no caminho de uma inevitável sequência de títulos.

    A Ferrari quer e sempre quis que a liderança fosse exercida à partir do piloto. Exatamente como na era Schumacher.

    É isso o que está acontecendo e Alonso cumpre esse papel com maestria.
    Nem Massa, nem Kimi poderiam fazê-lo.

    Isso tudo pra dizer que, na minha opinião não há chances pra Felipe Massa na Ferrari. Ele pode ser querido na equipe e tudo o mais, mas sua chance de ser campeão pela scuderia ficou pra trás.

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