Por que 2010? Frutos do fim do reabastecimento

Há duas grandes vantagens de não se ter mais reabastecimento: a menor possibilidade de interferência das equipes, por meio de estratégia, na corrida e a classificação puramente baseada em velocidade.

Vimos a volta daqueles que transformam uma volta em obra de arte. Ou melhor, comprovamos que Vettel assume ares de Senna aos sábados, com seus olhos fechados instantes antes de nos brindar com perfeição pura. A comparação entre companheiros também ficou mais clara.

Antes, muitas vezes tínhamos carros lutando por posição, mas separados por 20, 30s na pista, pois um deles teria que reabastecer. Isso complica o entendimento da corrida, cria disputas artificiais (qual a graça de uma ultrapassagem que não vale por posição?) e nos priva de uma possível disputa direta.

As corridas sem reabastecimento são mais técnicas. O peso do tanque cheio força o carro de forma que tirar 100% do equipamento 100% do tempo já não é possível. Ainda mais porque as equipes iniciam os GPs com combustível insuficiente para terminá-la. Haja perícia para saber quando é hora de poupar ou de atacar.

Há quem pense que isso é negativo, mas, sem o reabastecimento, fica mais difícil uma equipe beneficiar um piloto. Se quiser fazê-lo, tem que ser de maneira mais explícita, como vimos nesse ano. Antes, era só adotar uma estratégia melhor para um em detrimento do outro ou colocar mais combustível numa parada. Além disso, um erro na troca de pneus é fatal, ao contrário do passado, quando os mecânicos tinham cerca de 10s de margem.

Para concluir, o fim do reabastecimento é uma das poucas regras criadas visando o corte de custos que acrescentou ao espetáculo.

É inegável a maior segurança nos pits com o fim do reabastecimento

O que é óbvio que poderia ser melhorado nesse quesito é a durabilidade dos pneus. Imagine dois pilotos grudados por várias voltas, como Button e Schumacher na Espanha ou Alonso e Vettel na Hungria, com a borracha tendo séria degradação. Veríamos erros e chances reais de ultrapassagens mesmo nos travados Barcelona e Hungaroring. E se um resolve parar e outro decide ficar na pista? Será que consegue tirar a diferença e ainda passar o rival?

A regra dos 10 primeiros largarem com o pneu que classificam é que não faria muita falta. Quando os ponteiros arriscaram fazer o 1º stint com os pneus duros – Red Bull em Montreal e Button no Japão – se deram mal. E o fato dos pilotos a partir do 11º poderem escolher seu composto não misturou essas “duas divisões” como era esperado.

18 comentários sobre “Por que 2010? Frutos do fim do reabastecimento

  1. Eu vou além e te digo: se o reabastecimento estivesse ainda em vigor, Vettel possivelmente teria ganho umas oito dessas dez corridas em q largou na pole.

    Pelo regulamento antigo, o carro mais veloz fatalmente vencia as corridas, pois basicamente o q víamos eram três stints em ritmo de classificação.

    Ou seja, a chance de q o campeonato de 2010 virasse um samba de uma nota só seria bem maior com o reabastecimento ainda em vigor…

    beijo e siga com o bom trabalho

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    1. Pois é, Mike. As corridas antes davam a impressão de que estavam embaralhadas, com algumas surpresas nas primeiras colocações, mas era só todo mundo fazer a 1º parada que víamos que era só ilusão.

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  2. sem posto de gasolina!!! i love this!!! como falamos de prost, Ju, como não se lembrar deste assunto, técnica! o fim do posto de gasolina, separa o joio do trigo! apesar da velocidade, f1 não é apenas acelerar loucamente! que o diga o francês, o professor! quando comecei a assistir f1, no final dos anos 80 (1986), ficava sem entender, pois torcia por piquet e senna e pela pouca idade e experiência, como um cara que não arriscava muito, andava só na boa, conseguia fazer aquilo tudo! atacava só na hora certa! sem tecnologia para ajudar, telemetria, câmbio manual, sem computador estipulando posição de chegada, etc, o gênio, enquanto muitos ficavam sem gasolina, ou diminuiam o rítmo drasticamente, podendo não chegar ao final, ELE DAVA SHOW de perícia e regularidade! o fim do reabastecimento trouxe muitos benefícios, como a verdade sobre quem é mais rápido na busca da pole! poles com reabastecimento para mim, era mentira mal contada! a briga deste ano entre alonso e vettel, uma diferença de 1 MILÉSIMO, é uma das coisas mais prazerosas de se ver na f1! pura endorfina! para ficar completo, Ju, resolvendo o problema da durabilidade dos pneus, seria o paraíso! você tirou as palavras do meu pensamento! o poder de decisão dentro da pista, atacar e dosar! técnica acima da velocidade! MERCI!!!

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  3. faltou um detalhe, Ju, quando você falou sobre a interferência da equipe, basta nos lembrar-mos mais recentemente, na brawn de 2009! era se não me engano o gp da europa. tudo estava indefinido e barrichello estava à caça de button no campeonato. barrichello liderava, e aí entra mr. brawn, com o discreto jogo de equipe, e inventa uma quarta parada para barrichello, enquanto button assumiria a ponta com três paradas!!! hipocrisia pouca é bobagem, quando button falou este ano, que se por acaso houvesse favorecimento em equipe que corresse, preferiria abandonar a carreira, como podemos ver, o inglês perdeu a oportunidade de se aposentar ano passado, demonstrando que tem a memória curta!!! nada contra button mas na minha humilde opinião, o título deveria ter ficado com barrica pois, desenvolveu o carro, andou forte, e ainda assim, foi preterido pela cúpula da equipe! facada nas costas!

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    1. Foi o que eu pensei quando vi a declaração do Button, mas é o que sempre digo: discurso politicamente correto tem um poder impressionante. As pessoas querem ouvir esse tipo de coisa, não importa de quem venha.
      Mas sobre a decisão do Brawn de priorizar o Button, acho que é direito dele e, tirando (não me lembro perfeitamente, mas acredito que tenham sido 2) corridas em que o Rubinho foi claramente prejudicado, o Jenson foi melhor. Também acho difícil um piloto desenvolver um carro, senão colocavam engenheiro pra guiar (ou pelo menos o Heidfeld não ficaria desempregado…)
      Fiquei pensando no que você escreveu sobre o Prost. Na época dele, era muito mais difícil dosar o equipamento, sem todos os dados que os engenheiros têm agora. O cara era bom, por isso a gente sofria tanto torcendo contra… hehe

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      1. voltando ao discurso politicamente correto, o pior é as pessoas dizerem que não existe jogo e interesse! não achei a atitude da ferrari bacana pois, as coisas têm que ser resolvidas dentro da pista mas, esta história de mocinho e bandido, sabemos bem que é mercham de terceira categoria! acho que a disputa tem que ser privilegiada e que vença o melhor! mas podemos ver que o reabastecimento tinha também suas brechas para nivelar o jogo por baixo, além da ilusória competitividade! acho que este assunto, demonstra o quanto eram geniais os gênios do passado! os carros hoje são mais rápidos, não há dúvida mas, as máquinas do passado eram muito mais selvagens, o que é assustador e belo! este assunto, me faz lembrar sem patriotada, o quanto as poles de senna foram muito mais valiosas que as de shumacher, devido as condições (sempre limite extremo), um puro sangue nervoso, sem controle de tração, direção hidráulica, câmbio manual e freios muito aquém aos de hoje! é um julgamento meio inglório mas, pertinente! vários pilotos em estado puro de habilidade! já ia me esquecendo Ju! a capacidade de barrichello sem dúvida reconhecida, o feeling para passar informações, avaliar as respostas do carro, sem dúvida alguma, button nunca demonstrou esta capacidade, vide a mclaren em 2010, onde deixou escapar o fio da meada! barrichello pode não ser um fora de série mas, button pode sem dúvida, colocar uma menção honrosa, quando escrever seu livro de memórias! tardia mas….

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  4. lembrando da Brawn ano passado lembro de um GP aonde o Ross entrou no rádio e pediu pro button poupar equipamento.

    McLaren na turquia este ano para seus pilotos não brigarem em pista.

    Red Bull na mesma pista só que com informações diferentes para seus piltos igual a Mclaren.

    Primeira e única vitória da BMW no canada em 2008 quando o Hildfeld abriu passagem pro Kubica mais leve.

    isso tudo é jogo de equipe e ninguém fala nada e eu mesmo acho mais do que certo!!

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    1. pois é marcelo! concordo com você! não achei legal a atitude da ferrari, penso que as coisas poderiam ser resolvidas de melhor forma, por exemplo, deixando a briga rolar, mas convenhamos, não existe diferença entre xingar alguém pelo telefone ou ao vivo, dá na mesma, é xingo da mesma forma! quero dizer que: – mandar recado, abrir passagem, mandar poupar equipamento (na maioria das vezes), dar preferência são a mesma coisa, pois, você está favorecendo um em detrimento do outro! não estou querendo defender ninguém, apenas tentando enxergar por quê as pessoas fingem ver apenas o discarado, enquanto o sutil, passam por cima! seria o falso moralismo, a hipocrisia? infelizmente a f1 não é um mundo perfeito! teoricamente, a atitude da rbr foi bonita, seria o ideal,mas, sabemos que no mundo f1, entre uma reta, há muitas curvas!!!

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  5. Ju, este assunto é tão interessante e extenso, que sempre quando olhamos, vemos mais uma nuance! quando falamos do passado, me veio o pensamento da tecnologia novamente. quando vemos hoje se falando na transmissão, a respeito de enriquecer ou empobrecer a mistura, vemos o quão técnico transformou-se as corridas com o fim do reabastecimento. antes, era como aquele motorista gastador, descia a botina e conferia a conta depois, hoje, há de se dosar o pé para atacar, se não, não se chega ao fim! hoje, o fiel da balança, sem dúvida, é o apoio técnico que os pilotos têm do pit!!! isso mostra o quanto era exigido dos pilotos no passado e o caminho a ser seguido para se continuar beneficiando, neste caso, dentro das regras, o piloto que faz o serviço com perfeição! descer a bota e aliviar! os pneus, novamente, entram na conta! já que fica difícil abolirem a obrigatoriedade de troca por agora, talvez seria o caso de se pensar em abolir a obrigatoriedade de largar com o pneu do treino, como você mesma bem lembrou! talvez esta variante, poderia abrir um leque de opções e possíveis disputas! moral da história: – chega de posto de gasolina!!!

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    1. Essa questão do apoio dos pits é fundamental hoje. Em parte explica por que um Hamilton (esse me impressiona mais, porque sempre foi de acelerar sem medida) ou um Vettel, com 4 temporadas cada, consegue andar de igual para igual com um Button (conhecido pela inteligência tipo Prost) e Webber. Barrichello x Hulkenberg (na 2ª metade do ano) é outro exemplo forte. Se os engenheiros não controlassem os parâmetros, eles precisariam de mais tempo para se adaptar, acredito.
      Talvez essa obrigatoriedade de largar com o mesmo pneu tenha nos privado de ótimas corridas com compostos diferentes, porque ninguém é louco de prejudicar a classificação numa época sem reabastecimento (se você classifica com o pneu duro e larga em 5º por exemplo, obrigatoriamente você tem que passar alguém na largada 1 no pit e ainda sobram 2 na pista. Antes, se largasse pesado em 5º a chance de ganhar era real). Se pudesse largar com outro pneu, mais gente arriscaria.

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    1. O Nelsinho tinha o mesmo problema de todo estreante: classificação. E foi medir forças logo com quem? Ainda por cima, numa equipe sem dinheiro para dar o mesmo carro para os dois, ou vocês acham que a diferença entre o Petrov (vice-campeão da GP2, como o Nelsinho) e o Kubica é tão grande assim?
      Marcelo, entendo que você não está falando particularmente da entrevista e concordo com seu ponto de vista, mas só para constar: eu ouvi essa entrevista do Alonso e, quando ele se referia aos anos anteriores, estava falando de não ganhar corridas, de ficar lutando só para entrar no Q3, não estava se comparando ao Nelsinho como a matéria dá a entender. Quando o assunto são determinados pilotos, a objetividade e imparcialidade vão por terra…
      Por isso, gosto de ir aos originais. Aquela fala do Domenicali, por exemplo, falando que o Felipe precisa melhorar, achei bem mais forte dentro do contexto da entrevista. Ele é perguntado sobre o que a Ferrari teve de melhor no ano, e responde: “a união, a confiabilidade e Alonso”. E Felipe Massa? É então que vem aquela resposta. Me pareceu o sistema de “queimação de filme” que ele já usou com o Kimi.
      Falando em notícias do dia, o Lewis colocou no twitter suas impressões sobre o que testou no simulador do novo carro. Destacou as ideias que estão surgindo, o kers, mas achou que os pneus traseiros se degradam muito rápido.

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      1. É complicado mesmo as traduções, não seguem fielmente o que se fala, você tem toda razão, talvez não seja realmente isso o que ele falou.

        Mas com relação ao Piquet ele teve a infelicidade de correr ao lado do Alonso que é um fora de série, eu gostaria de ver ele correndo com um piloto “normal” não acho que ele chegou até a F1 só por causa da grana do pai. Apenas um desejo meu.

        E também tem a história de o Massa estar desmotivado esse ano, então fica complicado realmente comparar Massa e Piquet. Mas o Massa vai ter que mostrar seu valor em 2011.

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