Um retrocesso e uma incógnita nas novas regras

A FIA explicou melhor o pacote de mudanças no regulamento que anunciou semana passada. Depois de um ano em que os pilotos tiveram mais liberdade para disputar posições, mais parece um retrocesso que a regra fale em punição quem forçam o outro para fora da pista durante uma ultrapassagem – para atacar ou defender. A pista é determinada pelas linhas brancas, ou seja, zebra não vale.

Sem isso explicitado no regulamento, prevalecia o bom senso. Se o piloto mudava a linha para atrapalhar o outro, era punido; caso desse a tradicional espalhada, não. Pelo visto, se espalhar e o adversário sair das linhas brancas, os comissários têm uma série de punições para escolher, desde um drive through até a exclusão na próxima corrida. Outro tipo de manobra que não será mais permitida é a ultrapassagem no pitlane – pelo menos na saída, pois o regulamento nada fala a respeito da entrada do pit –, assim como a mudança de direção para a defesa da posição (isso foi reforçado devido às tentativas de Hamilton quebrar o vácuo de Petrov na Malásia).

Faz-me lembrar do GP da Alemanha de 2008 – e certamente há outros exemplos –, quando a McLaren quase tirou, por um erro estratégico, uma vitória tranquila do mesmo Hamilton. A equipe deixou o piloto numa situação um tanto incômoda, tendo que passar Kovalainen (o que foi prontamente resolvido com um recado pelo rádio, seguido de um “erro” do finlandês), Massa e Nelsinho. O inglês venceu a corrida mas, no jeito que o fez, não pode mais – e a da Toro Rosso (seria Vettel?) em Alonso, outra do mesmo vídeo, também não.

As asas explicadas

Algumas perguntas a respeito das asas traseiras móveis foram respondidas no regulamento. Haverá locais pré-determinados em cada circuito nos quais, se um piloto passar a menos de 1s do rival que vai à frente, receberá um sinal de luz em seu volante e poderá apertar o botão que fará sua asa estolar, dando-lhe mais velocidade. Quando ele tocar no freio, o sistema automaticamente fará a asa voltar ao normal. A FIA reconhece que ouvirá os competidores sobre um possível ajuste dessa distância de 1s.

O dispositivo não poderá ser utilizado nas duas primeiras voltas da corrida ou das relargadas. As regras, contudo, nada falam sobre como o público saberá se quando ela for acionada ou a possibilidade de 3 ou mais carros estiverem lutando por posição. Provavelmente, todos poderão utilizar a asa móvel, menos o 1º da fila.

As asas podem ser móveis, mas o flexibilidade para por aí. Há uma preocupação para que os movimentos tipo Red Bull não voltem a acontecer. Para isso, os testes de flexibilidade ganharam em rigor e mais partes do carro foram adicionadas à lista dos que devem ser fixos.

O banimento àqueles apêndices aerodinâmicos disfarçados de retrovisores foi oficializado – algumas equipes, incluindo Red Bull, Ferrari e Williams, foram forçadas a mudar seus projetos no início desse ano – e a célula de sobrevivência ganhou um teste desde baixo. Há ainda mais restrições em peças que possam causar furos nos pneus dos adversários.

As equipes não poderão trabalhar nos carros às sextas e sábados, por um período de 6h, contando desde a meia-noite até 4h antes das sessões de treinos livres. Os times poderão quebrar essa regra e passar as madrugadas trabalhando apenas por 4 vezes durante a temporada. Como prometido, a regra dos 107% – o carro só poderá largar se seu tempo de classificação estiver abaixo de 7% do pole – volta. E, como os câmbios terão que durar 5 corridas consecutivas a partir de agora, apenas em 2011 será tolerada a 1ª troca do ano sem punição.

A FIA não quer mais saber de noitadas dos mecânicos no boxes

Vejo uma tendência da nova direção da FIA em corrigir o regulamento, mais do que em promover ideias mirabolantes, mas há uma premissa sustentando todo o pensamento de Todt que incomoda: o francês acredita que as regras técnicas devem limitar os custos/aumentar as ultrapassagens e essa é uma queda de braço que só vai levar a mais pontos de vista oportunistas, como vimos neste ano com o teste que a Ferrari fez antes de Valência, com a justificativa de gravar um vídeo comercial, ou com o duto aerodinâmico.

Não seria mais simples adotar um teto de gastos, incluindo marketing, folha de pagamento, tudo, e liberar os engenheiros para pensar? Há certamente várias diferenças entre o período de ouro das ultrapassagens e agora e, certamente, uma delas é o fato de termos tido, no passado, carros efetivamente diferentes.

11 comentários sobre “Um retrocesso e uma incógnita nas novas regras

  1. Oi, Ju!

    Estava literalmente a mil por hora com o fim de período, então fui forçada a dar um tempo na internet e me dedicar às provas e trabalhos… Mas valeu a pena =D

    Agora estou voltando a visitar meus blogs favoritos, e não podia deixar de marcar presença sobre um tema tão polêmico como as sempre confusas normas do regulamento da FIA.

    Tenho que admitir, cada vez acho que a F1 está ficando “mais dinheiro e menos emoção”. Sinto falta de quando as equipes tinham mais liberdade p/ inovar e criar alternativas totalmente diferentes p/ seus problemas… Algo mais importante, sinto falta de quando haviam mais treinos… Não acho justo como os novatos são tratados, eles não têm como competir com que já tem anos de experiência!

    A FIA já fez milhares de mudanças p/ tentar baixar os custos das equipes e permitir a entrada de mais delas. A única coisa que vi foi a entrada de equipes que se comparavam à Minardis e que jamais tiveram alguma possibilidade de estarem ali! A F1 é um esporte caro, exige dinheiro e disponibilidade de investimentos! Se é assim, então que a FIA fiscalize essas equipes e só permita a entrada de quem realmente pode! Porque o que estamos vendo acontecer cada vez mais é a invasão do capitalismo até por pilotos não tão bons mas com os bolsos cheios de grana! Estou farta disso, quero disputas justas e talento na maior categoria do automobilismo mundial!

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  2. este é o famoso prato saboroso! é incrível a capacidade dos caras complicarem as coisas! criam tantos poréns para as manobras de ultrapassagem, que fica difícil! fica impossível imaginar carros em alto desmpenho, não ultrapassar os limites da pista! ora!? as áreas de escape existem para quê então? certo! o cara cortar caminho, é uma coisa, mas espalhar, induzir ao erro, forçar a barra (esportivamente), vender caro a posição, faz parte da disputa! os caras estão ficando tão pentelhos, que a meu ver, a ultrapassagem de alonso em kubica na inglaterra, pareceu normal!(o que falariam de villeneuve/arnoux 1979)novamente, para quê serve a área de escape? a única melhora em relação a f1 antiga, penso que seja a limitação na movimentação defensiva, pois se o cara que vem atrás, consegue entrar no vácuo, é sinal que contornou melhor a curva, e naquele momento, tem mais ação! cabe a quem está se defendendo, tomar a linha defensiva vencedora e descer a bota para decidir na freada!(se não me engano na alemanha 1980, nas longas retas prost/alan jones/piquet, uma corrida de ataque contra defesa, limpa!) poxa! entrada e saída do box não faz parte da pista? deixa a chapa esquentar! a artificialidade do modus operandi destas asas móveis, parece piada de mau gosto! será que é tão difícil perguntar a opinião dos chefes de equipe/engenheiros/pilotos? onde está o desejo de evoluir? a falta de testes, a impossibilidade de mexer nos carros (medida tomada na época do reabastecimento, que hoje torna-se desatualizada, pois não corre-se o risco de adulteração na quantidade do combustível), enfim, jogam contra a liberdade de se escolher o acerto adequado! Ju, você colocou o dedo na ferida! tudo bem que segurança e desempenho têm seu custo, mas não seria melhor ter o teto, e jogar a bomba da idéias para os engenheiros, pois sabemos que ganham muitíssimo bem, e cá entre nós, sabemos muito bem, que pela natureza humana, é na hora do aperto que aparecem as idéias geniais!

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    1. E eu que estava feliz com as decisões dos comissários neste ano…vamos ver o que eles vão permitir daqui pra frente, tendo em vista que numa leitura mais cuidadosa do regulamento até 2010 já gerava dúvidas se ultrapassar era, na prática, permitido! O fato é que não faz sentido: se eles querem mais ultrapassagem, por que limitar as manobras? Para não falar em Arnoux x Villeneuve, já que alguns podem argumentar que é coisa do passado, as novas regras querem dizer que nem a briga entre Massa e Kubica em 2007 vale mais…

      A ideia da asa foi do Ross Brawn, não? Eles têm ouvido as equipes, inclusive nessa história de não levar adiante a ideia do teto orçamentário, pois os times não estão muito interessados em prestar contas. Por que será?

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      1. Ju, desconhecia que a asa flexível fosse idéia do ross! em relação ao teto, imagino que alguém (pode ter plural???) esteja ganhando! tréplica (hehehe!!!): quem será? (pode ter plural????) uma tentativa de resposta: – tem algo a ver com o fisco, imposto de renda, lavagem de dinheiro?

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      2. Ju, valeu pelo presente! tinha me esquecido desta (japão 2007)disputa! isso é a essência da f1! é vibrante! emociona!

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  3. Me lembro do GP da Alemanha 2008. A Mclaren e Hamilton estavam voando e foi o GP que originou (deu idéia) o CingapuraGate.

    Quanto a artificialidade da asa móvel, será ridículo.

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  4. Ju, esta sua pergunta sobre o marketing, está parecendo tema de filme de suspense! sherlock holmes descobriria? quanto mais se cava, hehe, mais fica escuro! esta é a famosa pergunta de 1 milhão!

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  5. Ju, brincadeiras a parte, fiquei curioso sobre as contas do marketing! imagino que seja muita grana! você sabe a resposta da pergunta de um milhão? estou curioso!

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    1. olha, não sei se é possível encontrar dados corretos – até por isso eles querem que as contas não entrem num possível teto orçamentário. Achei isso: o orçamento das equipes para 2009, pré crise.

      Scuderia Ferrari Marlbro: $404m
      Vodaphone McLaren Mercedes: $377.45m
      BMW Sauber: $386m
      ING Renault F1 Team: $265m
      Panasonic Toyota Racing: $329.7m
      Scuderia Toro Rosso: $112.5m
      Red Bull Racing: $264.55m
      AT&T Williams F1 Team: $137.2m
      Brawn GP: $146.5m
      Force India F1 Team: $119.95m

      Pensando que o Mosley queria que o teto orçamentário fosse de 60 milhões, dá para entender por que ninguém quis!

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