O que está por trás da F1 “verde”

Energias reaproveitáveis, motores “de carro comum”. Não é difícil ver que a F1 se encontra numa encruzilhada. Em seu DNA, a missão de ser a mais tecnológica e desenvolvida das categorias do automobilismo. Em sua realidade, uma brincadeira cada vez mais restrita. As mudanças anunciadas para os próximos anos – KERS, biocombustíveis, motores de quatro cilindros com capacidade volumétrica de apenas 1.600 centímetros cúbicos – são uma mensagem clara do caminho escolhido: a mudança em nome da sobrevivência.
Os fãs podem – e vão – reclamar do som dos novos motores e, para os amantes dos carros, um F1 sem cavalos e mais cavalos de potência faz pouco sentido. No entanto, o caminho escolhido pela FIA visa o futuro e, por mais que pareça um retrocesso, a ideia é  continuar fazendo da categoria escola para a indústria automobilística. A utilização de energia renovável nos veículos é a saída para sobreviver à onda de sustentabilidade e a diminuição – ainda tímida – de 35% no consumo de combustível nos motores de 2013 visa atrair esses fabricantes para usar a categoria como tubo de ensaio. É o futuro da indústria. Resta saber se é o da F1.

Fica a lembrança dos V10 antes do congelamento do desenvolvimento desfilando pelas ruas de Mônaco:


A Ferrari, é claro, foi a primeira a chiar. Luca di Montezemolo já disse que nunca haverá um modelo de rua da marca italiana com 4 cilíndros e ameaçou, novamente, sair da categoria – a McLaren também não deve estar muito animada, já que está entrando no mercado dos supercarros e pretende fazer seus próprios motores ao final do contrato com a Mercedes, em 2015. Nos bastidores, afirma-se que é uma ideia para agradar uma marca especificamente. Seria a Renault, cuja má vontade de continuar como equipe foi mais que evidenciada pela desesperada tentativa de Briatore em Cingapura.
Mas os franceses, cujo mercado é quase totalmente voltado aos carros “comuns”, não são os únicos interessados. Os japoneses, especialmente a Honda – que traria na esteira a Toyota – , ensaiam um retorno como fornecedores de motores, assim como a Volkswagen. A rendição às energias renováveis seria uma forma de garantir a volta das montadoras de forma mais sadia que a farra de gastos dos anos 2000.

As montadoras voltam, mas sem a gastança de antes

Parelelamente, há as discussões para um novo acordo em relação aos direitos comerciais. A contrato atual tem validade até o final de 2012. O presidente da Ferrari vê 3 alternativas: renovar com a CVC/ Bernie Ecclestone, encontrar outro promotor ou deixar tudo nas mãos da associação das equipes, como acontece – com constantes desavenças, é verdade – com a NBA. “Só sei que quero discutir com Bernie, porque não quero conversar com gente que respeito, mas que não sabe nada sobre F1”.
A princípio, parece que vem briga feia por aí, mas há duas diferenças em relação a 2009, quando a politicagem fez de tudo para tirar a atenção das pistas e a F1 como conhecemos quase foi para o buraco: tanto o atual presidente da FIA, Jean Todt, quanto aquele que muito provavelmente será reeleito no comando da FOTA, Martin Withmarsh, cultivam o tom conciliador. Resta saber se Bernie será tão amigável nas negociações quanto os motores com a natureza.

6 comentários sobre “O que está por trás da F1 “verde”

  1. sei lá, mas a mudança pode ser sinal de força. o que mais incomoda, é o fato da f1 ter chegado a um ponto, onde as novidades não surgem espontâneamente, têm que vir por canetada. este espírito inovador, atualmente, ganha cada vez mais ares artificiais, e com isso, a disputa sofre. a volta das montadoras, pode ajudar, mas fica a dúvida: como conciliar o desejo de vencer e se superar, em vista de patrocinadores cada vez mais preocupados com marketing e consumidor, mas desatentos aos sacrifícios da disputa? estamos vendo uma batalha na qual, o dinheiro, antes subalterno à f1, vem cobrar com juros, a conta pelos gastos passados.

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    1. Isso ocorreu com a profissionalização de todos os esportes, é uma questão que está sendo decidida na prática. Não dá para ignorar a importância do dinheiro, assim como não se pode esquecer que isso é um esporte. Há concessões que podem ser feitas e que não vão necessariamente matar o esporte. Mas, em relação aos motores, parece que, por ser uma mudança radical, gastarão rios de dinheiro, o que parece um contrasenso. É torcer pra que não voltem atrás.

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  2. Sei lá, essa questão ligada aos motores ainda me incomoda. Sinto falta da época em que o som de um F1 arrepiava até quem estava do outro lado da TV, sabe? Da época em que a gente ficava arrepiada só de escutar um piloto pisando fundo… Um dos meus grandes sonhos ligados à F1 é escutar aquele ronco de perto, mas vejo isso cada vez mais distante.
    Sei que diante de toda essa crise financeira, e também da necessidade de se adequar aos moldes de um mundo ecologicamente correto, o caminho mais certo é diminuir a potência dos propulsores da categoria e tentar garantir mais mercado para que a categoria não morra. Mas ficam algumas duvidas no ar: será que isso manterá a essência da F1?
    Na minha humilde opinião, a F1 deveria ser o lugar dos pilotos talentosos, das equipes do mais alto nível e dos carros mais potentes do mundo! Mas já não é assim há algum tempo… E, sinceramente, se for pra ver motores fraquinhos de rua num F1 à 100 por hora, prefiro baixar e assistir as corridas antigas…

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    1. Bom…

      1º: Motores que não “arrepiam” pelo som podem até parecerem meio broxantes… Mas se alguém ai lembrar o que era a F1 nos anos 80 não iria reclamar tanto. BMW andava de 4 cil. turbo 1.5 e despejava 850 hp em race trim, e 950/1000 hp em qualifying trim. Não é pouco. E mais engraçado: eram blocos REALMENTE usados em carros de rua na epoca. Hoje, os motores da 1 poderão usar blocos feitos para corrida, que tem diferenças claras de construção.

      2º: Essa tendencia de powerplants derivados de motores de rua ja pegou Endurance e Rally. Parece ser um ponto sem volta nas corridas. Até mesmo porque não é la muito barato desenvolver um motor do zero, e toda temporada fazer um motor novo.

      E para terminar: Turbo até da uma abafada em ruido… mas não é tanto assim… e quem ja viu os peugeot e Audi Diesel que correm le mans sabem o q é um carro

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