F1 na TV espanhola: um pouco de diversão

Quem acompanha por aqui as análises das transmissões da TV espanhola já percebeu que a narração é completamente Alonsocentrista e dá pouca margem para quem quer apenas assistir à corrida.

No entanto, há um esforço para explicar a categoria de uma forma leve e didática e, assim, com informação, fazê-la crescer no país – mesmo que as polêmicas em que Alonso se envolveu sejam tratadas mais como uma cruzada contra o espanhol, no mesmo tom do que tivemos aqui na época de Senna x Balestre.

Vale lembrar que a F1 começou a ser transmitida ao vivo na Espanha apenas em 2003. Para se ter uma ideia, a família de Alonso costumava “roubar” o sinal da TV alemã para assistir às corridas nos tempos de Minardi. Depois de cinco anos na TV5, a categoria foi “promovida” para a La Sexta, em 2009, mas a emissora praticamente manteve a mesma equipe, com Antonio Lobato no comando – e aqui também cabe a comparação com Senna, pois, assim como Galvão Bueno, trata-se de um amigo pessoal do asturiano de quem, inclusive, é conterrâneo.

A série de posts sobre as transmissões começou em dezembro, com a BBC. Começo a parte espanhola mostrando o lado mais leve. O tom é mais informal que o inglês e há uma tentativa de tirar o glamour da F1, deixá-la mais próxima.

Dois exemplos disso são o “Diário de Nira”, em que a repórter Nira Juanco mostra, a cada GP, alguma curiosidade dos bastidores.

No GP da Europa, o tema foi o clima de Copa do Mundo

No GP do Bahrein, a repórter mostrou os colegas jornalistas que trabalham na F1

Num testemunho interessante, como foi cobrir o GP da Coréia. Claramente, acabaram a pista e o que apareceria na TV, mas ainda faltou muito.

Uns são mais aparecidos, outros preferem os bastidores: Nira mostra os managers e as pessoas que cercam os pilotos

Outro exemplo são o que eles chamam de pacotes de falhas. Geralmente na metade e ao final da temporada, mostram as gravações que não deram certo

E, é claro, Alonso ganha uma só para ele. Aqui dá para ver muito bem como ele é bem menos arredio com a imprensa do próprio país

11 comentários sobre “F1 na TV espanhola: um pouco de diversão

  1. Ju;

    O que mais gosto é a introdução dos vídeos de La Sexta, em 2010. Uma apresentação fantástica e cheia de efeitos.

    Agora queria te perguntar o que você acha do Lobato. Não entro no site dele todos os dias, mas quando faço isso muitas vezes tem comentários o criticando imensamente.

    Até pela citação no texto de uma comparação ao Galvão, ele também é assim?

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    1. Os efeitos são legais, mas como sou muito ligada em música, fico com a abertura da BBC e a base de The Chain. Também gostava do Lift me Up que a ITV usava…

      São 3 anos assistindo ao Lobato e não tenho opinião formada. Ele tem resquícios de Galvão pela maneira como endeusa Alonso e encobre tudo o que ele faz de questionável e as críticas que recebe são sempre nesse sentido. Mas não acho que ele seja um Galvão espanhol, porque nosso locutor é cheio de preconceitos, julgamentos e prepotência e Lobato não tem nada disso – ele costuma ser mais duro que o normal com Hamilton e a McLaren e, quando estive na Espanha, vi uma hostilidade em relação aos prateados semelhante ao que Alonso teve aqui. Gené fala mais nas transmissões – assim como De La Rosa até 2009 – que Burti e Reginaldo juntos.

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  2. o pilotocentrismo, inicialmente, parece ser uma abordagem racional, tendo em vista o pouco tempo de destaque que a f1 tem na espanha. resta saber se essa abordagem deixará de ser predominante, e passará a ser mais seletiva, como a BBC, apesar dos ingleses também, ainda possuírem um bocado de torcida pela prata da casa, e as vezes, serem mais torcedores do quê de costume. o grande problema, é um país como o brasil, detentor de tantos títulos, manter uma abordagem pilotocentrista, que num segundo estágio de ampliação da audiência, não contribui para o aumento da legião de fãs. parece que, tanto BBC, quanto o La Sexta, conscientes disso, buscam cativar o público, com matérias didáticas/explicativas, algo que a”titular” no brasil, teima em não fazer. é desanimante ver, que até a espanha, que só tem alonso de herói, dispõe de matérias mais esclarecedoras, que a nossa pífia cobertura de treinos e corridas. talvez a cobertura ideal, seria pautada pela parcialidade, mas podemos ver que todas redes, possuem em maior ou menor grau, a torcida nacional. o ideal, seria uma porcentagem mínima de fanatismo, e mostrar apenas os fatos, mas a perfeição é inalcansável.

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    1. Não tinha pensado por este lado. Realmente existe um “treinamento” na transmissão para que a audiência continue presa se não houver outro Alonso, ao passo que não tivemos outro Senna, nem esse “treino”, e a apelação e a distorção viraram regra.
      No GP do Brasil, quando o apresentador da BBC disse que a paixão dos brasileiros pelo automobilismo só poderia ser comparada a dos ingleses, David Coulthard pontuou (lógico que com toda fleuma britânica) que é um povo fanático sim, mas por seus pilotos, não diretamente pelo esporte.

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  3. faltou um pedacito, hehe. parece que o pilotocentrismo, restringe muito a “visão” geral do público sobre a disputa na f1. criando essa “culura”, o espectador menos informado, não consegue ver qualidades em outros pilotos, o que consequentemente, empobrece o entendimento. cria-se assim, um terreno fértil para os “abusos” personalizados (contra pilotos/equipes), como alonso/hamilton, hamilton/alonso, e mais recentemente, quando a página na web de petrov, foi inundada de “elogios”, por ter travado alonso em abu dhabi, ou seja, uma grande distorção.

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  4. Os espanhóis são mesmo grandes fãs do motociclismo, a F1 passar ao vivo só a partir de 2003 é prova disso. Alonso correspondeu a essa pressão colocada em cima dele.

    A imprensa espanhola como um todo foca seu trabalho nos pilotos espanhóis e os exalta, assim como a italiana. A imprensa brasileira, talvez pela fase de nossos pilotos, superou um pouco isso.

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      1. Infelizmente, não consigo ter acesso à transmissão italiana em todas as provas, mas é um exemplo muito interessante para ser observado. É totalmente centrado na máquina, muito provavelmente devido à Ferrari. Por exemplo, ao invés do gridwalk igual do Brundle, é um engenheiro que vai passando de carro em carro mostrando e explicando as novidades. Uma proposta completamente diferente, que também tem seu valor.

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