A briga da Red Bull com as gigantes da F1

Depois das desconfianças a respeito da súbita melhora de rendimento no Q3 ou da legalidade das asas dianteiras, agora é a administração da Red Bull que está sendo colocada à prova. Há uma crença geral entre os rivais de que os touros quebraram o acordo de contensão de gastos em 2010 e estão manobrando para mudar as regras de 2012 em diante.

O tal acordo foi fechado em 2009, como resposta à proposta de teto orçamentário de Max Mosley, considerado irreal para as equipes – 60 milhões de dólares, ou 5 vezes menos que o valor gasto pela Ferrari por ano. Chamado de Resource Restriction Agreement (RRA), prevê a diminuição paulatina de gastos e inclui regras para o uso de túneis de vento/CFD e número de funcionários. Houve algumas mudanças no texto original durante negociações neste ano, que afrouxaram as restrições em si e apertaram a fiscalização. As regras atuais valem até 2012, quando um novo acordo, que já está sendo costurado, entrará em vigor – e comenta-se que o time austríaco estaria se mexendo para frear essas novas negociações de um contrato que duraria até 2017.

Portanto, quando fala-se que a Red Bull tem quebrado o acordo, pode significar problemas com dinheiro gasto em si, mas também na maneira como os carros têm sido desenvolvidos.

O acordo de 2009 teoricamente salvou a F1 de um racha entre FOTA e FIA

Choradeira ou não, o fato é que a empresa tem se mostrado insatisfeita com o caminho que o RRA está tomando. E a bronca é fácil de entender. “Devemos ter transparência e um sistema equitativo entre as equipes independentes e as apoiadas por montadoras para que nenhuma das partes tenha vantagens ou desvantagens”, afirmou Christian Horner. Em outras palavras, a Red Bull acredita que times como Mercedes e Ferrari possam usar a mão de obra/estrutura que têm como fabricantes de carros de rua para dar suporte ao time de F1 e, assim, burlar o RRA.

Ambas as possibilidades – tanto por parte da Red Bull quanto das montadoras – são difíceis de provar. De fato, o carro dos touros era mais desenvolvido aerodinamicamente, mas se isso é inteligência dos engenheiros ou “esperteza” da administração, provavelmete nunca saberermos. De qualquer maneira, o acordo prevê multas em dinheiro. Por exemplo, se um time desrespeitar o limite em 5%, deixa de receber a mesma quantidade dos recursos garantidos pela posição no mundial de construtores. Quanto maior a infração, maior a multa – de 5-10%, o valor é multiplicado por 1.1, e assim em diante.

Atualmente, há uma restrição no desenvolvimento aerodinâmico – um número de horas fixo, que pode ser usado tanto em túnel de vento, quando em Fluodinâmica Computacional (CFD). O quadro de funcionários deve ser diminuído aos poucos: de 350 em 2010 para 280 em 2011, entre outras regras.

Pode parecer conversa chata de politicagem, mas o RRA é fundamental para o futuro da F1. Se as equipes chegarem a um acordo que, de fato, limite os gastos sem inteferir no espetáculo, haverá menos necessidade de mudanças de regulamento para restringir gastos/criar atificialidades. Seria o seguro de saúde financeira de que a categoria precisava.

3 comentários sobre “A briga da Red Bull com as gigantes da F1

  1. é um assunto que vai contra a f1. as intenções são boas, mas sabemos, que quem pode mais, sempre será contra, além do que, há situações, que são impossíveis de se averiguar, como a quantidade de horas trabalhadas, funcionários, testes mecânicos,…. por mais que pareça filme de ficção, quem poderá provar, que as grandes, não possuem laboratórios secretos, estilo guerra fria, rsrsrsrs. a única forma de se ter certeza, seria colocar todas as equipes lacradas no paddock, assim como fazem com os motores, hehe. brincadeiras a parte, esse tema, mexe com um ponto, onde a f1 nunca quis chegar,e faz parte de seu DNA: o desnível das equipes.

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  2. Esse acordo é mais uma das coisas que vão contra tudo o que a F1 sempre foi.

    É tão impossível fiscalizar o controle de gastos quanto fazer com que as pessoas envolvidas sejam honestas e honrem os acordos.

    Tentar fazer isso é ir contra a natureza de uma categoria como a F1, que é feita de gente rica, gananciosa, competitiva e sem escrúpulos.

    Simples assim.

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