Os anos que poderiam ter sido dourados na Williams

Seguindo a história da trajetória de Frank Williams, numa parceria com o Café com F1, no que o dirigente define como um “quase casamento”, sua equipe iniciou, em 2000, uma parceria que se estenderia por 6 temporadas com a BMW. Depois de sofrer por 2 anos com propulsores “de 2ª mão” da Renault – sob os nomes de Mecachrome e Supertec – e de cair de campeã a 5ª colocada no mundial de construtores, era a hora de dar um passo adiante em relação ao passado independente. E os alemães, vendo o sucesso da relação dos rivais da Mercedes com a McLaren, eram os parceiros ideais para isso.

O novo motor logo surte resultado e a Williams conquista, por dois anos seguidos, o 3º lugar, subindo para o 2º nos tempos de Montoya, em 2002 e 2003. Mas o que parecia o início de uma 3ª fase de conto de fadas internamente era uma luta por auto-afirmação. A BMW, naturalmente, queria seguir os passos da Mercedes e, cada vez mais, controlar a Williams, mas Frank tinha outros planos. “Nunca funcionou entre nós. Há uma diferença entre a maneira de pensar e agir dos ingleses e dos alemães. Infelizmente, não ‘bateu’, o que é uma pena. Um dia, talvez encontremos um parceiro apropriado, mas não estamos procurando. Nós valorizamos muito nossa independência.”

A parceria com a BMW acabou dando em divórcio

Desses anos de “quase casamento” e “quase sucesso” de parceria com os alemães, a Williams poderia ter saído campeã em 2003, não fossem alguns erros de seus pilotos. No entanto, com Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya sabendo que deixariam o time ao final de 2004 e uma reformulação na parte técnica da equipe, com a ascensão de Sam Michael, atrapalharam o rendimento naqueles que seriam os dois últimos anos antes do rompimento que, a exemplo do que aconteceu ao final de 1987, deixou Frank Williams numa posição delicada em relação aos motores. Restou apelar para o Cosworth, o que pouco ajudou.

Seguiriam anos de vacas magras e um círculo vicioso de falta de dinheiro e resultados. Mas fica a certeza de Frank de que o time voltará às vitórias. “Uma coisa é o dinheiro. Recursos vêm do dinheiro. Mas recursos também incluem boas cabeças e criatividade. Quando você tem todos estes tipos de recursos, não falta quase mais nada. Claro que você pode usar muito dinheiro, mas a chave é ter gente inteligente e que trabalha duro. Certamente estaremos no topo novamente – é nosso objetivo, mas não vai acontecer de uma hora para a outra. Os times que estão à nossa frente têm mais dinheiro, mas duvido que tenham mais criatividade.”

7 comentários sobre “Os anos que poderiam ter sido dourados na Williams

  1. Barrichello deveria ter picado a mula da Ferrari e ido para a Williams enquanto a BMW ainda estava lá. Foi isso que faltou, um piloto competente e dedicado que soubesse canalizar esforços de toda a equipe. Montoya não era (ou não aparentava ser) dedicado o suficiente, além de não contar com o primor técnico necessário. Ralf Schumacher simplesmente não tinha toda a velocidade que se esperava (apesar de eu o considerar melhor que sua passagem pela Toyota e aposentadoria da F1 fez parecer). A excelente relação que se desenvolveu entre o Rubens e a equipe em 2010, além do claro desenvolvimento do carro, demonstram como ela poderia ter feito mais que JPM ou RS.

    Não, isso não teria saciado a vontade da BMW de ter sua própria equipe. Mas o sucesso certamente teria dado a ela a paciência para valorizar o knowhow da Williams e a chance de saborear um sucesso que ela chegou perto, mas jamais teve. Mesmo que ainda assim eles permanecessem sem títulos, a Williams não teria ficado anos num limbo – de 2005 a 2010 – sem ter um piloto competente como referência.

    Hindsight is always 20/20.

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    1. Muito interessante seu ponto de vista, nunca tinha olhado por esse lado. Sempre achei que o Rubinho, se estava descontente, deveria ter saído da Ferrari antes, e esta seria uma solução bastante plausível.

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  2. Se olharmos o tempo, o último piloto com p maiúsculo que a Willians teve, foi Prost. A parceria com a BMW, poderia ser melhor aproveitada, se no cockpit, estivessem pilotos, que além de rápidos, soubessem se moldar as deficiências do carro/disputa, como Hamilton e Alonso em 2010. Não sei se é devaneio, mas de 94 a 2005, se olharmos os resultados, tiraríamos 3 pilotos acima da média- Shumacher, Hakkinen e Alonso- os quais, tinham a capacidade de errar e superar deficiências próprias/carro. Parece, que além de motor e dinheiro, o fato de não se testar mais, criou uma safra de pilotos na f1, muito rápida (exceção Hamilton, que tira a diferença no braço), mas que quando se depara com carros problemáticos, ficam reféns, afinal a equipe tem que achar as respostas no simulador, e aí, a reação pode ser tarde demais.

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    1. Não sei se é tudo tão preto no branco, Wagner. Como já conversamos, cada época tem sua dificuldade. O piloto bom é aquele que se adapta com mais facilidade. Você citou o Hamilton: quantos não questionaram a capacidade dele em dosar o equipamento/pneus durante as corridas, porque ele sempre foi um piloto muito agressivo? Se ele perdeu o campeonato de 2010, não foi por isso.

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      1. Concordo sobre a adaptação, mas se lembrarmos de Ralf, Frentzen, Coulthard, não vingaram. Mesmo em relação as quebras, ou a guerra de pneus, nunca demonstraram capacidade de superação, contribuindo para a estagnação da equipe. Sobre Hamilton, ele possui o arrojo nativo dos vencedores, pela pouca idade, tem tudo para evoluir, mas vimos muito bem esse ano, que pode levar um carro desequilibrado a frente. Acho que o diferencial de 2010, foi porque tinha na disputa, dois acima da média (Vettel e Alonso), que balancearam a disputa, caso fosse contra quaisquer outros, teria levado o título com certa facilidade.

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  3. Só complementando o raciocínio, com o advento do reabastecimento, os pilotos se fixaram quase que exclusivamente em velocidade pura (muitas corridas foram perdidas pelo excesso de agressividade), ao passo que os pitacos no acerto ficam quase que exclusivamente com a equipe, criando dificuldades na interpretação/desenvolvimento dos carros. Muitos pilotos, foram campeões, quase que exclusivamente, pelo poderio dos carros, como Mansell, Hill, Villeneuve, Button, ao passo que com carros inferiores… Da nova safra, Hamilton e Vettel, parecem fugir a regra, talvez pelos planos de apoio na juventude, sem se esquecer do dom.

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  4. Julianne,

    Realmente a Williams poderia ter tido mais sorte nessa época, mas não foram somente os erros de Ralf e Montoya, mas também as constantes quebras dos motores BMW e erros da própria Williams que também deixavam seus pilotos na mão, principalmente, com Montoya.

    Além da guerra dos pneus entre Michelin e Bridgestone. Ou seja, foi um conjunto de fatores que não permitiu que os títulos viessem.

    Juan Pablo Montoya era para ter sido Campeão em 2003, mas o GP dos Estados Unidos daquele ano definiu tudo a favor de Schumacher.

    Abraço!

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