Os pilotos pagantes não são o fim do mundo

Não se surpreenda se vir uma disputa entre um indiano e um venezuelano ou um russo e um mexicano na Fórmula 1 em 2011. A categoria está passando por um período de transição e, cada vez mais, depende do dinheiro dos chamados pilotos pagantes.

Maldonado Chávez Williams Fórmula 1
Maldonado é recebido por Chávez em exibição com a Williams

Neste ano, alinharão no grid, junto dos campeões Michael Schumacher, Fernando Alonso, Lewis Hamilton, Jenson Button e Sebastian Vettel, pilotos com um currículo bem menos invejável, mas com o bolso polpudo. O russo Vitaly Petrov faz sua segunda temporada na Renault, enquanto o indiano Narain Karthikeyan volta para correr de Hispania, após cinco anos longe da categoria, com o apoio da montadora Tata. Entre os estreantes, o venezuelano Pastor Maldonado fará dupla com Barrichello na Williams e o mexicano Sergio Perez guiará a Sauber. Ambos financiados pelas gigantes de seus respectivos países: a petroleira PDVSA e a empresa de comunicações Telmex. O belga Jerome D’Ambrosio é outro que ficou com a vaga que era de Lucas Di Grassi na Virgin, mais por seus R$ 30 milhões que por resultados.

Nada disso é novidade na Fórmula 1. Acredita-se que o primeiro piloto pagante tenha sido o espanhol Alex Soler-Roig, que participou de 10 Grandes Prêmios entre 1971 e 1972, por várias equipes.

Alex Soler-Roig piloto pagante
Talvez o 1º piloto pagante da F1, Alex Soler-Roig teve mais sucesso em carros de turismo

A entrada das grandes montadoras – Honda, Toyota, Renault, BMW e Mercedes (indiretamente na McLaren) –, como donas de equipe nos anos 2000, no entanto, tornou o orçamento dos times mais independentes. Eram elas que financiavam as carreiras de pilotos como Hamilton, Vettel, Nico Rosberg, entre outros. Mas a crise financeira de 2008 fez a fonte secar, e, com a lenta saída de cena da Renault como construtora, hoje só restam Mercedes e Ferrari.

À exceção da Red Bull, que conta com um volumoso orçamento bancado pela fabricante de energéticos e da McLaren, todas as equipes precisam se virar para conseguir recursos. E estamos falando de cerca de R$ 300 milhões anuais, no caso de uma equipe média. Os pilotos pagantes, portanto, caem como uma luva.

Não que pagar pela vaga signifique necessariamente que o piloto não tenha talento. O tricampeão Niki Lauda fez diversos empréstimos para conseguir cockpits na Fórmula 3 e na própria Fórmula 1 no início da carreira. Talentoso, logo foi contratado pela Ferrari e, anos mais tarde, pela McLaren. O problema é quando pilotos como Nico Hulkenberg ficam sem ter para onde ir. O alemão, que correu na Williams em 2010, pode ter títulos em todas categorias por que passou e um convincente ano de estreia no bolso, mas nenhum dólar.

3 comentários sobre “Os pilotos pagantes não são o fim do mundo

  1. Concordo com vc, Hulkenberg é uma grata surpresa. Talvez pelo calor do momento, agimos preconceituosamente a respeito dos pagantes, mas creio que pior que isso, temos um problema maior. A fatídica falta de testes. Pois bem, como descobrir talentos, se os caras não podem testar verdadeiramente nos carros da categoria? Não há talento que se mostre sem chances, consequentemente, como apoiar sem ver na prática? O dinheiro pode estar sendo super valorizado para vender notícia, mas convenhamos, tendo em vista, um regulamento antiesportivo, que proíbe testes, a categoria de base terá que servir de referência, e cá entre nós, por mais que esteja pagando, teoricamente, ele terá o mínimo de preparo. Resta saber se o mínimo poderá abrir portas.

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  2. Oi Wagner, tudo bem? não sei se a falta de testes tenha uma relação próxima com o assunto, muito dificilmente um piloto que não teve sucesso nas categorias de acesso irá ter sucesso na F-1, mas escrevendo agora vejo também que ter sucesso em categorias de base nem sempre significa sucesso na F-1, e sem testes não há como verificar se o piloto a é mesmo para aquilo, questão mesmo a se pensar…

    Pelo que sei Nigel Mansell também precisou de um empréstimo e pagou uma temporada em uma equipe de F3.

    Abraços.

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    1. Ter sucesso nas categorias de base não significa sucesso na F1, ela se distanciou mto das demais, tanto pelo lado técnico, quanto de visibilidade/dinheiro. Não acho que a proibição dos testes influa aqui, Wagner, é mais aquele teto absurdo que o Mosley prometeu às pequenas. A quantia que o piloto traz é fundamental para fechar o orçamento. Sabendo disso, até os bons pilotos vão atrás de dinheiro, pois essa é sua única chance de conseguir uma vaga. O Perez, por exemplo, não fez feio na GP2. Por isso acho precipitado já tacharem todos os pilotos pagantes de ruins. O problema não são os pilotos que pagam, mas as equipes que dependem desse dinheiro. É isso que não pode acontecer.

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