Chapman faz frente a italianos e alemães

Num subúrbio de Londres, nasceu em maio de 1928 uma das figuras mais revolucionárias da história do automobilismo. Anthony Colin Bruce Chapman, o personagem do especial desta semana no FasterF1, em parceria com o  Café com F1, passou a infância vivendo no hotel que seu pai administrava e estudou engenharia civil na University College London, onde entrou para o esquadrão aéreo, logo após o final da 2ª Guerra Mundial. Logo, foi à Força Aérea Real e chegou a receber um convite para fazer carreira militar, mas desistiu: usaria a experiência na aeronáutica para outros fins.

Trabalhou brevemente numa companhia de alumínio, mas não demorou muito para que fosse em busca de seu sonho. Em 1952, fundou a Lotus Cars, hobby levado adiante em suas horas livres, junto de outros entusiastas das corridas, entre eles Graham Hill, Mike Costin e Keith Duckworth (que formariam a Cosworth no futuro). No início, um carro era desenvolvido com o dinheiro dos prêmios pelas vitórias de seu antecessor. A ideia era preparar carros para competir e, usando seu conhecimento de engenharia aeronáutica, construiu uma reputação que o levaria, de categoria em categoria, à F1. Apenas em 1954 largou seu emprego para se dedicar exclusivamente à Lotus Cars.

Chapman, Graham Hill, Mike Costin e Keith Duckworth
Chapman com Graham Hill, Mike Costin e Keith Duckworth

Há várias teorias a respeito do porquê do nome Lotus. A mais forte dá conta de que teria sido uma homenagem a sua esposa, Hazel Williams, a quem Colin apelidou “florescer da Lotus”. O nome de flor, inimaginável para um carro, não seria o único diferencial das máquinas de Chapman.

Para entender a influência do engenheiro no automobilismo inglês, é necessário voltar no tempo. A Inglaterra, apesar de toda sua tradição no esporte, não era exatamente uma força entre os construtores. Eram os italianos e alemães que dominavam as corridas desde a década de 1920. Aos carros ingleses, restava a fama de ultrapassados. Chapman, além de bater os Mercedes, Ferrari e Maserati na pista, ainda deu uma nova identidade à indústria automobilística de seu país.

A Lotus Cars já tinha relativo sucesso quando, em 1956, a Vanwall, equipe de F1 da qual Chapman era consultor técnico, pediu que ele guiasse o carro no GP da França para entender melhor quais eram os problemas do bólido. O inglês até que não fez feio, classificava-se em 5º nos treinos quando saiu da pista e bateu. Com o estrago, não pôde largar.

Essa foi sua única participação em GPs de F1, mas era normal que ele mesmo testasse seus carros. Chapman chegou a correr uma segunda fez: em 1960, numa corrida de carros de turismo que serviu de preliminar do GP da Inglaterra em Silverstone. Venceu, com um Jaguar.

Ser piloto sempre foi um sonho, mas a engenharia acabou ocupando um espaço grande demais em sua vida. Colin Chapman tinha a capacidade de absorver informação de forma intensa. Poderia se trancar em seu escritório e se aprofundar em literatura, seja sobre aerodinâmica ou contadoria, até conseguir juntar o nível de informação desejado. Impaciente e dinâmico, não era uma pessoa de fácil trato. Apesar dos pulos, jogando o boné ao alto, das comemorações de vitórias, e da habilidade como empresário, era introvertido e custava a baixar a guarda.

3 comentários sobre “Chapman faz frente a italianos e alemães

  1. É interessante ver como Chapman, Willians, Dennis, construíram lendas na f1. O mesmo afinco, a mesma paixão, a mesma genialidade, o olhar apaixonado para as máquinas. Fica de exemplo para a nova audiência, que f1 é muito mais que notícia superficial e sensacionalista. Histórias como essa, exibem o que há de mais primário no automobilismo, a realização de um sonho, através da interação homem/máquina.

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