Falta de dinheiro cria uma geração perdida de pilotos

Já vimos muitos pilotos ganharem tudo nas categorias de acesso, mas falharem na chegada à F1. Alesi, Trulli, Fisichella, para dar alguns exemplos, sempre foram considerados as promessas que nunca vingaram. Mas tiveram várias chances de mostrar serviço. Hoje, no entanto, estamos começando a assistir ao desperdício de parte de uma geração de pilotos.

nelsiinho piquet lucas di grassi renault
Nelsinho e Lucas  perderam o apoio da Renault

Nelsinho Piquet entrou pela porta e com o chefe errados na F1. Um ano e meio depois, o tricampeão brasileiro de kart e dono de títulos na F-3 Sul-americana e Inglesa, foi substituído no meio da temporada e nunca saberemos se teria voltado caso mantivesse a boca fechada sobre Cingapura. Nelsinho é um dos 3 brasileiros vice-campeões da GP2. Lucas Di Grassi e Bruno Senna chegaram por portas hoje reservadas a quem traz – muito – dinheiro e seu problema é que há muita gente boa brigando pelas vagas de que precisam (aquelas que não dependem de montanhas de dinheiro, nos times maiores).

Outro que deve ficar a pé – ou pelo menos sem uma vaga como titular, o que já é meio caminho andado para o esquecimento – é Vitantonio Liuzzi. Campeão mundial de kart e da F-3000, foi cogitado até para arrumar um lugar na Ferrari. Optou pela Red Bull e, prejudicado pela decisão infeliz da equipe de revezar o italiano com Christian Klien, pouco pôde mostrar. Dividir a Force India com um companheiro que traz dinheiro à equipe também não se mostrou um grande negócio e sua carreira parece prestes a afundar.

Mesmo tendo a idade a seu favor, Nico Hulkenberg precisa calcular bem seu próximo passo, após ser preterido na Williams em troca do dinheiro venezuelano de Maldonado. O alemão de 23 anos, campeão da GP2, da F3 Euroseries, da A1GP e da Fórmula BMW, caso não consiga uma vaga como titular da Force India, tem que avaliar se o melhor é se garantir no cockpit em algumas sextas-feiras no time de Vijay Mallya, ou apostar na aposentadoria de Schumacher e ir para a Mercedes.

D’Ambrosio Perez Maldonado GP2
Dinheiro facilitou a vida de D’Ambrosio, Perez e Maldonado

E há os que só chegaram até a porta da F1, como o único campeão ou vice da GP2 que ficou longe da categoria principal após o título, Giorgio Pantano, ou o vencedor da F2 de 2009, Andy Soucek. Paul Di Resta, outro que bateu na trave diversas vezes, é inglês, apoiado pela Mercedes, e atualmente também está na briga pela vaga na Force India. Quando não se consegue um lugar logo após um título importante, é sempre muito provável que apareça outro “next big thing” e anos de esforço para chegar na F1 vão para o lixo. A solução pode ser tentar uma carreira no automobilismo norte-americano, como Soucek parece estar prestes a fazer, ou apostar em outras categorias, como Gary Paffett na DTM.

Aos que preferem insistir, resta fazer uma aposta. Neste ano, há algumas vagas interessantes como piloto reserva. Continua sendo uma aposta arriscada, mas faz sentido buscar times como a Mercedes, a Williams e a Lotus, que contam com pilotos que completam 42, 39 e 37 anos em 2011. Nada impede que virem um De la Rosa da vida, preterido na McLaren por duas vezes entre 2007 e 2008 (primeiro queria a vaga que acabou com  Hamilton e, depois, a deixada por Alonso, ambas brigas perdidas, mesmo com um forte patrocínio do Santander), mas é o que resta.

Se há quem diga que esta geração é a melhor de todos os tempos – e Jackie Stewart deve saber do que fala – imagine se houvesse espaço para todos.

6 comentários sobre “Falta de dinheiro cria uma geração perdida de pilotos

  1. Pela grandeza, a f1 sempre foi disputada. O agravante, é que a falta de testes, aliada à crise mundial, e um teto orçamentário que não sai da teoria, dificulta ainda mais a entrada e a permanência de bons valores, como Hulkenberg. A sensação que se tem, é que estamos no meio de um furacão, onde medidas emergenciais, e nem sempre corretas, são tomadas. Tenho pequenas lembranças de grids com 26 carros. Me lembro dos testes, que além de “treinarem” carros/pilotos, ainda possibilitavam sonhar com uma vaga. O maior paradoxo disso tudo, é perceber que o discurso do corte de custos pelo lado esportivo (testes, pneus, motores,…), deixa bons valores de fora, ao passo que cria circuitos suntuosos e “iluminados artificialmente”. Há distorções na atualidade, as quais transferem para fora da pista, a tentativa de chamar mais atenção pela arquitetura que pela disputa em si.

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    1. Concordo, Wagner. Hamilton foi a melhor coisa que aconteceu na F1 nos últimos anos. E por quê? Teve o apoio da McLaren-Mercedes desde os 13 anos e testou como ninguém, dentro de uma estrutura invejável, antes de chegar na categoria máxima. Isso, unido a seu talento, fez cele, como os ingleses fizem, take F1 by storm. Ele é um exemplo máximo, mas todos os bons pilotos que chegaram na F1 atualmente vieram desses programas de desenvolvimento e treinaram muito. E o que a FIA faz? Despreza as montadoras e os treinos!
      E, quanto aos circuitos, é impressionante como eles têm a capacidade de construir toda uma estrutura do nada, desde uma folha em branco, e aparecerem com Abu Dhabi. Não tem nada ao redor que limite o desenho do circuito, até elevações eles podem construir. E só conseguem fazer aquilo. Não entra na minha cabeça.

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    1. Parece que a receita hoje é ter talento/resultados E dinheiro. Vi algumas temporadas do Lucas nas categorias de acesso, e ele sempre esteve em equipes piores, lutando contra Hamiltons e Vettels, com apoio de grandes montadoras, tentando tirar no braço. Tá mais que na hora de uma empresa brasileira abrir o olho para esse mercado, não como um simples patrocínio, mas como um projeto a longo prazo.

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