Colin Chapman e os carros que mudaram a F1

Lotus é sinônimo de inovação na F1. Leves desde os primórdios da marca – a Lotus 11 venceu e estabeleceu recorde de velocidade nas 24 Horas de Le Mans, em 1956 – os bólidos de Colin Chapman levavam a interpretação das regras ao limite. Seu lema “simplifique e adicione leveza” é um retrato perfeito da maneira como trabalhava. Você verá quais são as ideias do engenheiros que norteiam a concepção dos carros até hoje no capítulo desta terça-feira do especial sobre o inglês, mais uma parceria com o  Café com F1.
Chapman já tinha inventado um modo de incluir os painéis na estrutura de seus chassis, a fim de melhorar resistência de torção. Porém, com a Lotus 25, em 1962, deu um passo que mudaria a concepção dos carros de F1: criou o monocoque. Com uma melhor integração entre piloto e chassi, o carro tinha o centro de gravidade mais baixo, uma aerodinâmica superior e era mais leve. Foi esse projeto que deu o 1º título à equipe, no ano seguinte, com Jim Clark.

clark lotus 49
Jim Clark a bordo do Lotus 49

Mas Chapman já pensava em seu próximo invento e, com a Lotus 49, tornou o motor parte estrutural do carro, conectando o chassi com o câmbio, conceito utilizado até hoje. Logo depois, começou a estudar a interferência da aerodinâmica nos carros e passou a usar asas traseiras com mais de uma lâmina, o que também sobrevive até os dias atuais.
Não foram todos os inventos do engenheiro que funcionaram. O projeto do carro com tração nas 4 rodas foi abandonado não ter conseguido se classificar para uma prova sequer.

Fittipaldi Lotus 72 Interlagos 2010
No último GP do Brasil, Emerson voltou ao volante do lendário Lotus 72

Na mesma época, outra grande revolução estava sendo preparada. Chapman foi o responsável pelo fato dos carros terem o formato que mantêm até hoje, diferente daqueles mais estreitos dos anos 1950 e 60. O Lotus 72 foi o primeiro a ter radiadores nas laterais, permitindo que o bico ficasse achatado. Esse carro venceu 20 GPs, 2 mundiais de pilotos e 3 de construtores. Porém, o mesmo modelo que deu o primeiro título de pilotos a um brasileiro, Emerson Fittipaldi, em 1972, matou Jochen Rindt, dois anos antes, após uma falha nos freios nos treinos para o GP da Itália, em Monza.
Mesmo a tragédia não impediu Chapman de continuar levando as interpretações das regras ao extremo. O inglês foi o primeiro a utilizar o túnel de vento para desenvolver seus carros, ainda em meados dos anos 1970
E descobriu algo que viria a ser fundamental: quanto mais próximo ao solo o carro estava, mais aderência gerava. Era o nascimento do conceito da asa invertida, que resultaria nos chamados carros-asa e no efeito-solo.

É lógico que os rivais torciam o nariz frente a cada novo invento do engenheiro, e conseguiram banir a Lotus 88, apresentada em 1980. O carro tinha dois chassis independentes. Na porção inferior, estavam todas as partes mecânicas; na de cima, um sistema de molas fazia com que o carro ficasse mais próximo do chão, quanto maior a velocidade. A criatividade não passou pela FIA, que atendeu a críticas das equipes que usavam motores turbo e temiam não conseguir copiar a novidade.
A Lotus 92, modelo de 1983 dotado de suspensão ativa, foi o último carro projetado por Chapman. Ele morreu no dia do primeiro teste com a inovação, que só seria utilizada em 1987.

5 comentários sobre “Colin Chapman e os carros que mudaram a F1

  1. O post de hj parece uma caixa de mágica, tamanha a capacidade desse pioneiro da f1. É impressionante a quantidade de idéias desse gênio, realmente um homem à frente de seu tempo. A foto de Jim Clark abordo do Lotus 49 é uma obra de arte (parece uma fera indomável)!!! O que falar do túnel de vento? Suas criações tornam-se mais grandiosas pelo pioneirismo, afinal não existia internet para “copiar os projetos”, hehe!!!

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    1. Caixa de mágica, gostei! Se bem que, no post de amanhã, falarei sobre algumas manchas nessa história “de sonho”.
      E os Mercedes dos anos 50 e os Lotus dos 60 são os carros lindíssimos!

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  2. Quanto ao Lotus 88, a crítica à esse carro vinha também dos pilotos, principalmente Mario Andretti.

    No túnel de vento, a idéia (dois chassis) se mostrou ótima, mas o carro se mostrou muito instável nas pistas, quero dizer, mais instável que o normal para a época, o que já era muito instável.

    O cara era um gênio mesmo, e extravagâncias nos design era normal.

    O Lotus 92 com suspensão ativa mostra o quanto a frente do tempo ele estava. Ele já sabia que precisava manter o assoalho do carro em altura constante em relação ao solo, para amolecer um pouco mais a suspensão sem causar calafrios nos pilotos. Pena que a eletrônica e computação para isso não estava tão afrente quanto ele.

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