A bandeira da Itália e o palanque de Montezemolo

A Ferrari somou o branco e verde ao seu tradicional vermelho na pintura do F150 – nome, inclusive, em homenagem aos 150 anos da unificação italiana – e Luca di Montezemolo insistiu em ressaltar o valor da marca para o país na apresentação do mais novo carro da Scuderia. Tudo poderia se encaixar muito bem num discurso puramente nacionalista, não fosse o contexto do nação – e a possibilidade clara da participação direta do dirigente em seu futuro.

Montezemolo
Carisma e poder de Montezemolo ameaçam Berlusconi

Desde meados dos anos 1990, Silvio Berlusconi manda e desmanda na Itália, apoiado mais sua personalidade do que em desenvolvimento propiamente dito. Nos últimos tempos, no entanto, tem sofrido um golpe atrás do outro e está com sua popularidade mais que arranhada. O atual mandato vai até 2013, mas sua sucessão já vem sendo cogitada. Como a política italiana tem essa tradição de valorizar figuras carismáticas, é justamente Montezemolo quem aparece como um nome forte.

O empresário de 63 anos, que já comandou diversas companhias, da FIAT à marca de bebidas Cinzano, passando pelo jornal La Stampa e o time de futebol da Juventus, é considerado uma ameaça pelos aliados de Berlusconi. E tem dado indícios de que realmente o é. Recentemente, iniciou um movimento chamado Italia Futura, que promove debates no sentido de promover o renascimento econômico do país, além de estar envolvido na primeira linha privada de trens de alta velocidade italiana.

A Ferrari é uma plataforma política irresistível para Montezemolo

Não poderia demorar, é claro, para Montezemolo usar a Ferrari como sua plataforma política. Afinal, é um nome que evoca sucesso e vitórias. Depois de mandar uma mensagem mais que clara ao entitular o carro de 2009 de F60, de forma a enfatizar que a equipe é a única participante de todos os campeonatos de F1 da história e firmar posição num momento político conturbado, quando Max Mosley já manobrava contra a presença das montadoras na categoria, o F150 reforça a importância da Ferrari para a Itália e faz a conexão entre sua história, seu futuro e ao “patrotismo”.

No lançamento do carro, o dirigente já se apressou em dizer que não havia nada de político no fato da bandeira italiana estar em destaque. “Há 20 anos colocamos a bandeira nos carros. E, pessoalmente, sempre considerei isso importante. 2011 é um ano em que somos ainda mais italianos e estamos orgulhosos disso”. Claro. Só muito orgulho mesmo para explicar deixar de ganhar um caminhão de dinheiro para estampar o nome de algum patrocinador na parte traseira da asa para colocar uma grande bandeira de seu país…

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1 comentário Adicione o seu

  1. wagner vieira alves disse:

    E eu que achava que o populismo era característica só dos países subdesenvolvidos. Essa bandeira me faz lembrar do discurso da RBR no ano passado, afinal nada como ser politicamente correto e atingir a emoção das pessoas. O resultado será ainda maior, se após essa “homenagem”, vier o título. O Brasil não é perfeito, mas não consigo entender como um homem como Berlusconi ainda tem vez na política italiana. Empresário tudo bem, mas representar uma nação? Hehe, o fim do seu post foi muito maldoso! Ju Venenosa! Hahahahahaha!

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