O quanto se pode testar na F1?

Teve quem chiou quando a Ferrari andou por dois dias seguidos em sua pista em Fiorano logo após o lançamento do F150, dizendo que, mal o campeonato começara, os privilégios e a vista grossa aos italianos já estavam a todo vapor.

É lógico que a Scuderia, do alto de toda sua imponência e arrogância, alimentou a ideia de que, com ela, as coisas são diferentes. E houve momentos no passado em que isso ficou claro. Porém, testes como este são permitidos por regulamento.

Além dos ensaios coletivos, como o que começa hoje em Jerez, o regulamento prevê outras duas oportunidades de colocar os carros na pista fora dos finais de semana de corrida: em testes aerodinâmicos em linha reta e para filmagens comerciais. O chamado shakedown, ou seja, algumas voltas para checar os sistemas de um carro novo, não é citado no regulamento, mas sua prática provavelmente entra nas regras como um dia de exibição/promoção.

É claro que, como acontece com tudo na F1, as equipes usam essas brechas de regulamento ao máximo e utilizam cada segundo de pista para trabalhar na performance de seus carros.

E isso não acontece só entre as poderosas. Até a Hispania vai a Monza nesta semana para uma “rodagem promocional” para a Pirelli. A Lotus já fez a sua, no dia que rodou sozinha em Valência. Na ocasião, Trulli e Kovalainen deram 90 voltas, mais que na soma dos outros dois dias em que estiveram na pista espanhola (53), testando junto das outras. Pelo menos o vídeo ficou bom:

É o artigo 22 do regulamento técnico que rege essa parte e ele permite que os carro rodem nas seguintes condições:

  • eventos de promoção ou demonstração, em que devem ser usados pneus providos especificamente para tal (não há especificação de número de voltas ou de quantas vezes isso pode ser feito no ano);
  • um dia de testes aerodinâmicos, a serem realizados em retas ou raios constantes aprovados pela FIA, o que pode ser repetido 4 vezes entre 1º de janeiro e o final do campeonato. Qualquer um desses dias pode ser substituído por 4 horas de sessão num túnel de vento de escala 100% (fora isso, só é permitido usar escalas de até 60%);
  • nenhum competidor pode ter mais de 15.000km de teste em pista durante o ano.

Isso quer dizer que, no final das contas, é a quilometragem final que vai limitar os dias de testes, lembrando que toda a restrição visaria o corte de custos. O resultado é visível, mas não nos orçamentos, e sim na dificuldade dos estreantes (equipes e pilotos) entrarem no ritmo dos demais. Se lembrarmos que, há 20, 30 anos, a F1 vinha até o Rio de Janeiro para fazer seus ensaios de pré-temporada, dá para arriscar que não são exatamente os testes que andam engordando a conta.

3 comentários sobre “O quanto se pode testar na F1?

  1. Ju, vendo o final do seu post, me lembrei de algo. Imagino que os testes em pista, são mais certeiros, esclarecedores e menos caros que muita tecnologia que está sendo utilizada, como: – CDF, simuladores, alguns testes em laboratório,… Será que tem alguém nadando de braçada?

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  2. O regulamento é muito radical em se tratando de testes.
    Deveriam ser mais flexíveis.
    Nivelam por baixo e ainda dão margem a todo o tipo de pilantragens.

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  3. Hehe! Nada como sorrir dos próprios erros. Essa f1 tá tão confusa, que confundir CFD, com CDF? Puxa, peguei pesado. Foi mal. Acontece nas piores famílias.

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