O cockpit da Ferrari sempre foi lugar para os grandes

Neste terceiro dia do especial sobre a vida de Enzo Ferrari, feito em conjunto com o site Café com F1, vamos falar dos anos em que a equipe arrasou e também sobre as grandes feras que pilotaram em seus carros . A equipe de Maranello sempre causou admiração e desejos em todos os amantes do automobilismo, e com os pilotos não foi diferente. Basta ver dois exemplos recentes: Fernando Alonso tanto fez que conseguiu dirigir para a equipe e o campeão de 2010, Sebastian Vettel, anda dando declarações sobre o sonho de pilotar o carro vermelho no futuro.

O motivo para isto não é segredo! Além da enorme tradição e sucesso na categoria, a legião de fãs que conquistaram com o tempo faz com que ser piloto Ferrari eleve a carreira de qualquer um.

É difícil determinar quem veio antes: se a Ferrari é especial porque sempre teve grandes pilotos ou se esses pilotos são atraídos porque a Ferrari é especial. De qualquer maneira, logo nos primeiros anos de F1, o cockpit da equipe italiana já contava com um astro das pistas, o argentino Juan Manuel Fangio, que conquistou o título de 1956 com a Scuderia. Giuseppe Farina, o primeiro campeão da história da F1, também passou pelo time em 1952 e 1953. Mas o primeiro grande ano mesmo da Ferrari foi em 1961, quando conquistou o título de equipes e pilotos com norte-americano Phil Hill.

Enzo Ferrari, Wolfgang von Trips, Maglioli, Phil Hill e Chitti no GP da Itália de 1960

A Ferrari 156 daquele ano foi um carro revolucionário, aproveitando-se das várias mudanças que o regulamento sofreu, como a adoção dos motores de 1,5 litro. Além de Hill, a equipe contava com o alemão Wolfgang von Trips e a luta pelo campeonato ficou restrita aos dois. Até que, no GP da Itália, o piloto sofreu um acidente e faleceu. Para a última prova, a Ferrari que já estava com o título garantido, resolveu se retirar em homenagem a Von Trips, atitude que não agradou muito Phil Hill, que gostaria de festejar o título correndo em casa para sua torcida. Enzo Ferrari definia Phil Hill como um piloto que não era de alto nível, mas que era seguro e eficiente em circuitos rápidos. “Ele amava retas longas e curvas de pé em baixo, mas ele não era tão interessado nas curvas sinuosas e em circuitos mais difíceis, que exigiam precisão contínua”, disse Enzo.

A equipe também teve outras grandes temporadas, mas outra que precisa ser citada é a de 1975. Um tal de Andreas Nikolaus Lauda deu um verdadeiro show naquele ano. Ele começou muito mal o campeonato, marcando apenas cinco pontos nas primeiras quatro provas, mas daí o austríaco se transformou e venceu cinco corridas até o fim da temporada, ficando com o título. Os amigos mais próximos do comendador costumavam dizer que Lauda não fazia parte apenas da equipe Ferrari, mas também do coração de Enzo Ferrari, que tinha total admiração pelo piloto.

Niki Lauda marcou época a bordo dos Ferrari

Mas talvez o piloto mais venerado pelos ferraristas e tido como filho pelo comendador tenha sido Gilles Villeneuve. Apesar de nunca ter sido campeão pela Scuderia, a garra e determinação do canadense conquistaram o coração dos italianos. Curiosamente, o piloto sofreu por sua lealdade à equipe duas vezes. Em 1979, concordou em não ultrapassar o companheiro Jody Scheckter, que acabou sendo campeão. Depois, em 1982, viu a Ferrari de Pironi desrespeitar uma ordem de equipe e privá-lo de uma vitória em Imola. Morreu num acidente, nos treinos para a prova seguinte, contrariado. “Sua morte dos privou de um grande campeão – um que eu amava muito. Meu passado é cheio de luto por meus pais, irmão, filho. Minha vida é cheia de memórias tristes. Olho para trás e quando vejo os rostos de meus entes queridos, vejo Gilles entre eles”, disse Enzo. Segundo o diretor técnico da Ferrari na época, Harvey Postlethwaite, era a sinceridade do canadense que cativou tanto o chefe. “Ele não era político, era totalmente descomplicado. Se estivéssemos testando e ele sentia que o carro era ruim, simplesmente dizia ‘não me levem a mal, eu poderia guiar o dia inteiro, mas o carro é uma porcaria e acho que devo dizer isso’. Enzo o amava por isso.”

Enzo tinha Villeneuve como um filho

Outros grandes pilotos passaram pela equipe no decorrer dos anos: Mario Andretti, John Surtees, Jody Scheckter que conquistou o título de 1979 pela equipe, o último antes de um longo período de jejum. Mas tarde, Nigel Mansell e Alain Prost, foram os mais famosos dentre os contratados para tentar tirar a equipe de anos sem título. Sem sucesso. Mas recentemente, Kimi Räikkönen e Fernando Alonso, estrelas da nova geração, que com certeza já entraram para o hall das estrelas que passaram pela equipe.

Para fechar com chave de ouro os grandes anos da equipe, é preciso falar de Michael Schumacher e a fase entre o ano de 2000 e 2004, quando conquistaram cinco títulos mundiais. Apesar de Enzo Ferrari já ter falecido nesta época, foi o apogeu da equipe criada por ele 53 anos antes. Uma parceria que destruiu todos os recordes existentes até então na categoria.

Um dos motivos para este sucesso talvez tenha sido os novos rumos que a Ferrari tomou depois da morte de Enzo Ferrari, assunto que será tratado amanhã, no quarto dia deste especial.

6 comentários sobre “O cockpit da Ferrari sempre foi lugar para os grandes

  1. Quando vejo algumas pessoas falando de FIA (Ferrari International Assistence), imagino o quanto se pode iludir e deturpar a realidade. Julgar distorcidamente uma marca com tal tradição, é desmerecer feras como as que vc citou anteriormente. A imagem mais marcante que tenho dessa equipe, é Gilles Villeneuve carregando seu carro com apenas três rodas, em grande velocidade, indo para os boxes, como quem leva um companheiro ferido na guerra para o abrigo… É inesquecível, antológico, pura demonstração de amor à máquina. Os erros são para ser esquecidos? Não! Apenas não podem ser superiores à obra que esses gênios ajudaram a construir.

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  2. Muito legal a analogia do Gilles levando o carro aos boxes, mas falando em grandes pilotos, a Ferrari foi sim lugar para os grandes, mas dois dos maiores não pilotaram tais máquina, Senna(dizem que tinha acordo para correr em 96) e Clark.

    Outro que sempre me encheu os olhos e que diziam que também tinha contrato para andar com os bólidos italianos era o Stefan Bellof, infelizmente morreu antes disso se concretizar.

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    1. Gostei da analogia também.
      Bom, sabemos que Senna tinha o sonho de correr pela Ferrari, mas que a instalibilidade do time na época pesou (aliás, tendo vivido minha infância naquela época, parte de mim ainda estranha ver a Ferrari vencendo, tenho enraizada aquela má impressão dos tempos de Berger e Alesi!)
      Agora, pq Clark nunca foi piloto Ferrari? Alguém sabe? Seria pela morte prematura?

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