Falta base e apoio para o novo campeão brasileiro na F1

País de 8 títulos mundiais, empatado com a Alemanha e a 1 da Inglaterra, o Brasil começa a temporada 2011 de F1 com apenas 2 representantes como titulares – e outros 2 no monótono cargo de reserva. E o cenário para o futuro a curto prazo não é muito animador.

O Brasil tem apenas Luiz Razia na categoria de acesso à F1, a GP2; tem Cesar Ramos, campeão da F3 Italiana, na qual Victor Guerin ingressa em 2011, caminho também trilhado por Nicolas Costa e João Jardim (resultado do apoio da Fiat); Felipe Nasr, Lucas Foresti, Yann Cunha e Pipo Derani na F-3 Inglesa… não foge muito disso. Pouca quantidade para se tirar qualidade e nada que surpreenda quem vê há tempos as fórmulas de base do país e o kart abandonados. Quem quer ser piloto tem que tentar a sorte cedo na Europa, com 15, 16 anos.

E praticamente bancando do próprio bolso. Como vimos em posts anteriores (aqui e aqui), enquanto o dinheiro de grandes empresas tem ajudado pilotos de países menos tradicionais a ganhar espaço (com o patrocínio, eles conseguem boas vagas, bons resultados, e vão subindo de categoria), os brasileiros perdem espaço. Afinal, se uma empresa nacional não aposta neles, por que uma estrangeira o faria?

A saída tem sido buscar espaço longe dos monopostos. O turismo é o caminho predileto e até no Mundial de Rali tem piloto brasileiro. Ou seja, não é mão de obra que falta, mas sim investimento no caro mundo do automobilismo europeu.

A pergunta que fica é: por que as empresas brasileiras não investem em automobilismo? Mesmo a que seria a categoria de monopostos que sobrevive no país tem grid de 8 carros e é apoiada pelas multinacionais Fiat e Santander. Por aqui, há o apoio da Cervejaria Petrópolis, que patrocina nada menos que 25 pilotos, a maioria no turismo. E não passa muito disso.

A agora dupla dinâmica brasileira não tem exatamente muitos anos pela frente

Colocando em números, segundo recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Marketing Esportivo, o automobilismo tem o mesmo nível de patrocínio de esportes como atletismo, natação, ginástica, boxe, vela, judô e esgrima que, juntos, respondem por 12% do total investido em modalidades esportivas no país. A liderança incontestável é do futebol, que fica com quase dois terços dos R$ 328 milhões injetados. Bem atrás, aparecem vôlei (R$ 49 milhões), basquete (R$ 16 milhões) e o futsal.

Isso, num país em que a audiência de F1 fica entre 11 e 15 pontos, chegando a dobrar quando brasileiros disputam o título. Nada mal para um produto subaproveitado transmitido nas manhãs de domingo. Os índices dos jogos de futebol, para efeito de comparação, giram em torno dos 20 aos 30 pontos (dependendo dos times que estão em campo), somando Globo e Bandeirantes.

Se mesmo pilotos que chegaram a uma categoria de tanta visibilidade têm dificuldade em encontrar apoio (o caso de Bruno Senna, que não consegue muito apoio mesmo contando com a força do sobrenome, é emblemático), a base anda mais que abandonada. E isso não é “privilégio” do automobilismo. A ajuda governamental, por meio do bolsa atleta, só recentemente começou a chegar a quem ainda não lidera nenhum ranking ou tem bons resultados internacionais. Um recente levantamento do Tribunal de Contas da União, inclusive, mostrou que a maior parte dos recursos fica com profissionais de esportes não olímpicos, um crime num país que pretende sair da atual 23ª posição para a 10ª no quadro de medalhas nos Jogos do Rio, em 5 anos.

Justamente com a proximidade, tanto das Olimpíadas, quanto da Copa do Mundo, o cenário para o automobilismo não é nada positivo, pelo menos até 2016, quando Barrichello terá se aposentado e Massa completará 35 anos. À exceção de Lucas Di Grassi e, talvez, Bruno Senna, é difícil ver um futuro a curto prazo para o Brasil na categoria, ao menos em termos de performance. Assim como o Comitê Olímpico Brasileiro tem tudo para aprender na Olimpíada do Rio com o desastre anunciado, a F1 vai servir de exemplo de que não se forma campeões sem trabalho de base e investimento.

2 comentários sobre “Falta base e apoio para o novo campeão brasileiro na F1

  1. Hoje em dia, a F1 é mais negocio que esporte, os custos operacionais das equipes se elevaram, com isso, muitas vezes quem tem mais dinheiro leva vantagem do que quem tem mais talento. Acho que a unica exceção é o Alonso, que tem os dois: Patrocínio e talento.

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  2. Ju, cada vez que vejo a quantidade de títulos brasileiros na f1, fico imaginando como o Brasil deu uma imensa sorte em possuir 3 pilotos iluminados! Na real, o Brasil nunca facilitou em nada o crescimento do automobilismo, tendo em vista os pouquíssimos autódromos, ainda assim de qualidade duvidosa, além de deixarem Jacarépagua ao léu. É desanimante. Compactuo com sua opinião sobre a vergonha declarada que teremos em 2014, e em 2016. Não é sentimento de inferioridade, mas realismo, pois o Brasil além de problemas mt maiores, não possui infraestrutura para tal evento, além da falta de educação, saúde, violência,…. é mt falta de vontade política para um país só. Mts radicais poderiam pensar que estamos querendo “bolsa” para pilotos com dinheiro público, nada disso, mas as coisas poderiam ser facilitadas com parcerias privadas,descontos tributários,etc, afinal “toda” modalidade esportiva molda o caráter de um cidadão. O esporte abre portas e atenua os abismos sociais. O automobilismo é a demonstração mais pura que o planejamento, pode sim colher frutos, basta agir com correção. Voltando à f1, tudo leva a crer, que um possível teto, pode desinflacionar a disputa, mas o investimento indireto (apoio/formação) tem que ser feito. Tomemos como base Minas Gerais, onde resido, e é um dos mais ricos estados do país, chega-se ao absurdo de não possuir um autódromo! Sou brasileiro e já desisti a mt tempo, hehe.

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