Novos pneus prometem premiar os pilotos mais sutis

Muita gente vem apostando que, mesmo em tempos de asa traseira móvel e KERS, são os pneus que farão a diferença em 2010. Isso porque, a julgar pelos testes realizados até agora, a Pirelli levou ao pé da letra a recomendação de produzir borrachas que se degradam rapidamente.

É sabido que diferentes carros causam interações distintas com o asfalto, provocando níveis de desgaste diversos. Os pilotos também têm seu papel: os que privilegiam a velocidade em entrada de curva, atrasando virar o volante ao máximo e fazendo-o de forma agressiva (como se a curva fosse “quadrada”), tendem a desgastar mais esses compostos mais moles da Pirelli e a sofrer com a degradação, a não ser, é claro, que mudem seu estilo de guiar. Vettel, Hamilton e Alonso são exemplos disso.

Button é um dos mais interessados na nova borracha

A marca italiana afirma que, como sua borracha foi projetada para trabalhar em altas temperaturas, condições sob as quais a grande maioria dos GPs é disputada, a degradação deve ser menor do que aquela vista nos testes até agora – daí o prejuízo do cancelamento dos ensaios no Bahrein.

Outras características que a Pirelli não espera ver durante os finais de semana de corrida é a falta de emborrachamento da pista – a aderência não tem melhorado de um dia para o outro – e o excesso dos chamados “marbles”, ou bolas de gude – restos de pneus que se desprendem e sujam a pista.

É uma boa notícia para Sebatian Vettel, que já se declarou preocupado com o excesso de sujeira fora do traçado. “Em meia distância de corrida haverá tantos detritos na pista que a asa traseira ajustável não vai ajudar. E, por causa disso, quando você sai do traçado ideal, você precisa frear muito mais cedo”, afirmou o piloto da Red Bull à revista alemã Auto Motor und Sport. A julgar pelas previsões da Pirelli, isso não acontecerá.

Mas o certo é que as corridas terão mais paradas nos boxes que na época dos Bridgestone. Mesmo que a degradação não seja tão forte quanto no asfalto de uma Barcelona invernal, o comportamento dos pneus é muito diferente do que tínhamos até o ano passado. Quando eles acabam, é de uma vez.

Os gráficos abaixo, cortesia de James Allen, comparam as saídas longas nos testes em 2010 e em 2011. Repare como os tempos de volta do ano passado até melhoram com o passar das voltas, mostrando que os pneus são tão bons que o efeito da queda do combustível se sobrepõe ao desgaste. No caso dos dados recentes, o rendimento de todos apresenta forte tendência de queda.

Os tempos mantinham uma linha ascendente com os Bridgestone
Já com os Pirelli, a queda de rendimento é acentuada

A Pirelli já anunciou que levará os compostos duro e macio aos primeiros GPs. Calcula-se que a diferença entre eles seja de 0s8 e que, enquanto o primeiro tipo dura 20 a 22 voltas, o segundo não passa das 14.

Observando que, mesmo os carros considerados os que melhor cuidam dos pneus, Red Bull e Ferrari, têm uma queda de rendimento de 2 a 3s nas saídas de mais de 10 voltas, poderemos assistir a um campeonato mais de resistência que de velocidade. Isso porque, se um piloto conseguir, andando num ritmo um pouco mais lento e que force menos o pneu, dar mais voltas, ele pode economizar os cerca de 25s de um pitstop.

É preciso esperar para determinar a reação da borracha em altas temperaturas mas, ao que tudo indica até agora, andar rápido talvez não seja mais uma grande vantagem.

2 comentários Adicione o seu

  1. wagner vieira alves disse:

    Mt esclarecedor! Podemos ver o quanto medidas impensadas acarretam erros atrás de erros. Quando acabaram com a guerra de pneus, permitiram uma única verdade, ou seja, durar insanamente. A leitura que os Bridgestone passavam, era irreal, afinal à medida que fica mais gasto, o certo seria perder rendimento, e não melhorar, como vimos em Monza 2010, com Vettel andando de macios. Talvez essa leitura “às avessas” da Bridgestone, sirva mais para carros de passeio, e não para competição! O foco da fábrica japonesa, estava desvirtuado. A leitura da Pirelli, parece mais próxima da realidade. Talvez se no ano passado, tivéssem como referência os Pirelli, não apelariam para Kers e ATM. Uma coisa é certa: – Com toda essa necessidade de dosar, a briga será ainda mais forte, o que aproximará os velozes e os adiministradores. Isso em todas equipes, não apenas na ponta.

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