Craques na pista não são garantia de lucro para TVs

As transmissões de F1 estrangeiras, particularmente da Inglaterra e da Espanha sempre estão em voga no Faster. Afinal, o blog nasceu para mostrar que existem outras formas de ver o esporte, muito diferentes do produto que recebemos. Curiosamente, ao mesmo tempo em que ambos têm motivos de sobra para comemorar feitos de Button, Hamilton e Alonso, respectivamente, suas TVs não poderiam passar por momentos mais distintos. Em notícias publicadas no mesmo dia, enquanto o jornal britânico Guardian crava que a F1 na BBC corre perigo, a espanhola La Sexta comemora o aumento do espaço para a categoria em sua grade de programação de 2011.

Depois de anos sendo a TV oficial da F1 na Inglaterra, a BBC perdeu os direitos de transmissão ao final da temporada de 1996 para a emissora privada ITV, que levou a categoria à casa dos britânicos até o final de 2008. Nos últimos dois anos, de volta ao lar, o produto ganhou consideravelmente em qualidade, mas não cresceu no mesmo nível em termos de audiência.

BBC F1 team
Equipe da BBC comemora com a Brawn em 2009

 

A BBC é uma TV pública, financiada por uma taxa paga pelos cidadãos britânicos para receber seu sinal em casa. Em outubro de 2010, a emissora fechou um acordo com o governo para fixar essa quantia anual em 145,50 libras (em torno de R$ 390) pelos próximos 6 anos. Com isso, terá que cortar cerca de 14% de seu orçamento. O objetivo é diminuir em 340 milhões de libras ao ano os gastos até 2014. Estima-se que 60 milhões devem ser tirados do esporte.

De acordo com o Guardian, a F1 é uma das modalidades que estão na mira dos cortes, juntamente do tênis. A BBC paga 40 milhões de libras (mais de R$ 100 mi) ao ano pelos direitos de transmissão, além dos gastos com o envio de uma considerável equipe aos GPs, um gasto que não condiz com sua audiência. Pode parecer pouco perto dos 300 milhões de libras que a emissora investe anualmente em cobertura esportiva – número que viria bastante em anos de Copa do Mundo e Olimpíada –, mas os ingleses não querem mexer na cara cobertura futebolística devido a seu retorno garantido.

Não é, contudo, algo a ser decidido agora: o contrato da BBC com a FOM dura até 2014. No entanto, é mais um dos inúmeros sinais de que o atual modelo comercial de quem controla a categoria já não faz maia sentido.

Por outro lado, a espanhola La Sexta, que também tem os direitos da F1 desde o início de 2009, anunciou que suas transmissões agora começarão nada menos que 2h antes das corridas – “e só não fazemos mais porque a FIA não nos permite”, garantiu o apresentador Antonio Lobato.

A emissora fala em disponibilizar mais de 250 horas ao vivo, 400 entrevistas e 900 reportagens durante o ano, com 11h de F1 a cada final de semana de grande prêmio, incluindo flashes ao vivo desde a quinta-feira, treinos livres de sexta-feira por meio de sua página na Internet e sessões de sábado e domingo ao vivo na TV, incluindo a GP2.

Nada mal para quem começou a ver a F1 pra valer em 2004, com a Telecinco, que manteve os direitos até 2008. Antes disso, era a TVE que transmitia as corridas. O contrato da La Sexta, uma emissora menor e que tem apostado na cobertura de eventos esportivos, a exemplo da Record por aqui, dura até 2013. Mesmo em 2004, antes do primeiro título de Fernando Alonso, a audiência já chegava aos 13,5 pontos em média, mas o recorde absoluto  se deu justamente na última corrida de 2010: 7.430.000 espanhóis viram seu compatriota perder o título em Abu Dhabi, o que significa 49,4% de share e mais de 29 pontos de audiência, sendo que o segundo programa mais visto na semana do evento foi justamente o pós-GP. A melhor marca anterior era do GP de Cingapura, com perto de 2 milhões a menos de espectadores. Se combinadas as audiências da La Sexta e da TV3, que tem os direitos no território catalão, o número passa dos 9 milhões.

hamilton champion massa gp brasil
A BBC ainda não conseguiu bater a audiência que a ITV teve no GP do Brasil de 2008

São marcas semelhantes às da Inglaterra, país em que a audiência flutua entre 4 a 5 milhões por corrida e cujo maior pico dos últimos anos foi o GP do Brasil de 2008, quando mais de 9 milhões de espectadores viram Lewis Hamilton conquistar o título – a  coroação de Jenson Button foi assistida por “apenas” 6,6 milhões. Para efeito de comparação, a população do Reino Unido é de 61,8 milhões, enquanto a Espanha tem 45,9 milhões de habitantes.

9 comentários sobre “Craques na pista não são garantia de lucro para TVs

  1. Uma pena que a BBC planeja cortar as transmissões da F1, pois sei que é uma transmissão diferenciada, tratando com qualidade a categoria. Já a TV espanhola, nem deve adiantar muito, pois só deve ficar falando do Alonso…

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    1. Eduardo, até certo ponto você está certo sobre a cobertura espanhola, no entanto, há pontos interessantes nos programas que vão ao ar antes das corridas. Sugiro que veja alguns deles nos posts reunidos com a tag “transmissões”.

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  2. Ju, tendo em vista o vasto material comparativo que vc expôs aqui no Faster, uma coisa é inegável, o subaproveitamento do material no Brasil. Acredito que com a internet, a disputa por audiência, torna-se ainda mais dura. Penso que o futebol faça grande frente à f1 por alguns fatores econômicos, como ingressos mais baratos, jogos praticamente diários, investimento baixo, se comparado com o automobilismo, além do custo/benefício atraente, o que abre um direito de barganha mt grande com patrocinadores e tv. Penso que em época de crise financeira, as emissoras devem achar um limite entre subexposição e superexposição, de forma a balancear a atratividade do produto f1. Ao que parece, Espanha e Inglaterra possuem um futebol mt enraizado e desenvolvido, ao passo que na Espanha, o nicho f1 ainda tem mt a ser explorado, enquanto na Inglaterra, por mais que exista a paixão, o automobilismo não é novidade. Pode ser uma possibilidade.

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    1. Você leu meus pensamentos. Apesar de ser um tema muito complexo, estou escrevendo sobre isso. Vou postar amanhã ou depois, justamente dentro da semana em que falarei sobre os 20 anos do tri de Senna

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  3. Bernie tem que se cuidar ou vai acabar matando a galinha dos ovos de ouro.

    Se Senna estivesse surgindo agora? Putzz, aí é que o Galvão não aposentava mesmo! Rsrsrsrs.

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