O que os analistas diziam sobre os testes há um ano

Ferrari na frente, Red Bull andando junto, McLaren e Mercedes um pouco atrás. Seria a previsão para o GP da Austrália, com base nos dados da pré-temporada? Não, é a reprodução do que os jornalistas estavam dizendo um ano atrás. E as apostas não mudam muito para este ano. Também, pudera. Uma história como a da Brawn/Honda, saindo do fundo do grid para chegar ao domínio total de uma temporada para a outra, é fato raro na F1, e é mais provável que isso aconteça após uma grande revolução nas regras. Portanto, as análises de pré-temporada não costumam ser muito entusiasmastes.

Ainda por cima, muitas vezes os resultados dos testes mascaram a realidade. Até a Jaguar já despontou como surpresa num passado não muito distante. É claro que os treinos dão indicativos. Poremos dizer com certeza que a Red Bull teve ensaios bem menos problemáticos que a McLaren. Porém, quando cada um está avaliando um aspecto do carro, faz pouco sentido ficar se debruçando sobre os tempos e determinar a exata ordem dos times.

A abordagem curiosa da McLaren nos testes agradou ano passado

Para refletir um pouco sobre tudo o que é escrito sobre os testes, resolvi dar uma passeada pelo que era dito há um ano. “As estatísticas mais óbvias apontam uma McLaren ligeiramente superior às demais”, dizia matéria do UOL. “O time que reúne os dois últimos campeões mundiais fez os melhores tempos de Jerez de La Frontera e Barcelona. Além disso, a McLaren também foi a equipe que mais vezes esteve entre as três melhores da sessão, com oito ‘pódios’, contra sete de Ferrari e Sauber, que ficam no segundo lugar no quesito.”

O melhor tempo da última sessão em 2010 fez com que a McLaren assumisse um papel que hoje é o da Mercedes: será que a evolução mostrada em Barcelona será suficiente para chegar nos rivais? “A sensação é que o time vai brigar por pole positions, mas ainda precisa evoluir um pouquinho para acompanhar o ritmo de corrida de algumas das principais rivais”, cravou a matéria do Tazio. Os ingleses estavam mais otimistas. “Não foi apenas a simulação de classificação de Hamilton que impressionou, seus long-runs também atraíram olhares invejosos dos rivais”, publicou o F1 Insight. O que se viu na primeira prova, no Bahrein, foi um time a 1s da Red Bull na classificação. Pode ter ganho 2 das primeiras 4 provas, mas de maneira circunstancial, não pela performance.

O curioso é que a Mercedes, há um ano, também prometia um extenso pacote que mudaria o carro da noite para o dia. E não foi o que aconteceu. Os analistas já duvidavam. “A preocupação é clara. Parece o retrato do fim do ano: carro confiável, rápido, mas que foi ultrapassado no desenvolvimento”, afirmou Téo José, em seu blog. “Ao contrário da McLaren, faltam alguns décimos de segundo para os ponteiros com o carro leve, mas o ritmo de corrida é bom”, apostou o Tazio. A desconfiança não era dividida pelos ingleses, que acreditavam nas palavras do heptacampeão, de que havia ficado otimista com os updates (como neste ano?). “Devem estar na disputa por vitórias”, definiu o The Telegraph.

Os analistas não acreditavam muito na Red Bull. Preocupavam-se com as quebras – que realmente atrapalharam Vettel no início de sua campanha – e com o ritmo de corrida. “Em termos de performance, o carro da Red Bull é um dos mais fortes no grid. Mas os problemas de confiabilidade preocupam. Se resolver isso, é candidata ao título”, dizia o Tazio. Há um ano, era a Ferrari o carro a ser batido. “Particularmente na mão de Alonso”, o F1 Insight já apontava. “O desgaste de pneus é um dos pontos positivos, a equipe está no geral um pouco à frente. Eu diria que é o carro mais equilibrado. Em classificação ainda precisa melhorar um pouco”, afirmou Téo José.

Como de costume, há otimismo em relação à Williams

Todos viam a Williams como candidata a surpreender – e o time começou a temporada com resultados piores que a Force India. “O time do Barrichello vai lutar para ser a quinta força. Pelo menos no começo do ano e, quem sabe, em uma corrida ou outra possa ser a quarta”, acreditava Téo José. Enquanto isso, a Renault que, de fato, foi essa 5ª e eventual 4ª força no campeonato, estava desacreditada. “Kubica é um grande piloto, mas pela pré-temporada parece que esse será mais um longo ano para o time de Enstone”, dizia o Telegraph.

Para encerrar, num sintoma clássico de alarme falso de testes, o jornal inglês dá a maior bola fora de todas. “A Sauber poderia fazer alguns pódios se tudo funcionar”.

Mas, se mesmo depois de tudo isso você não resistir dar uma olhada nas previsões, recomendo pelo menos um pouco de humor britânico com Sniff Petrol.

3 comentários sobre “O que os analistas diziam sobre os testes há um ano

  1. Quem tem um bom carro esconde o ouro, andando sempre com mais combustível ou reduzindo o giro do motor.

    Já quem não tem um bom projeto e precisa fechar a quota de patrocínio ou pelo menos prestar conta a quem está pagando, anda com tanque vazio e às vezes até abaixo do peso mínimo.

    Neste momento só é possível verificar quem tem o equipamento mais confiável pela quilometragem percorrida nos treinos e ausência de falhas.

    Portanto RBR e Ferrari saem na frente como favoritas.

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  2. Adivinhar é uma tarefa inglória mesmo para quem é do ramo. Talvez seja esse um dos motivos da f1 ser tão apaixonante. Por mais que a tradição na maior parte do tempo vença, são tantos detalhes que separam vencedores e vencidos, que seria uma profissão intere$$antí$$ima, prever acontecimentos, principalmente na Ferrari. É interessante rever os prognósticos que inverteram Ferrari e RBR, e que colocaram a Mclaren mais atrás, e teriam acertado, caso a FIA não tivesse dado uma “mãozinha” para o time de Woking. Nesse caso, os ingleses não entrariam na disputa, pois o f-duct foi o diferencial dos prateados. A Mercedes poderia ter sido a terceira força, se tivessem apostado em Rosberg. Realmente o se é um grande empecilho.

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