Asa e Kers não revolucionam, mas pneu mexe na estratégia

As regras podem ter sofrido alterações, mas o início de 2011 teve muito do final de 2010. Não apenas pelo domínio de Vettel, sempre perfeito quando larga na ponta, mas com a McLaren como segunda melhor equipe, Webber apagado e a Ferrari dependente de Alonso. Além, é claro, de Petrov atrapalhando a vida do espanhol e nos fazendo imaginar do que Kubica seria capaz com esse Renault.

Mas nem tudo é continuísmo. A diferença fundamental está nos pneus. Ainda que muita gente tenha esperado um caos, os sinais de que a entrada da Pirelli e sua abordagem mais agressiva foi bem-vinda são claros. Numa corrida sem a entrada do Safety Car ou a interferência da chuva, tivemos 3 tipos de estratégias entre os 7 primeiros colocados: enquanto os três primeiros pararam duas vezes – o que foi a regra entre a grande maioria dos pilotos – Alonso e Webber passaram por 3 vezes pelo pit.

Já o sucesso da opção de Perez, que largou com o pneu duro e pôde estender bem mais seu primeiro stint, deixará a porta aberta para alguém arriscar fazer o mesmo largando do top 10.

Ainda sobre pneus, a tão propagandeada superioridade da Ferrari em cuidar da borracha não se tornou realidade. Ainda assim, o melhor rendimento do composto macio permitiu que Alonso chegasse a 1s2 de Petrov, mesmo tendo completado a primeira volta 3 posições atrás do russo e perdido cerca de 25s com uma parada a mais. É outra opção de estratégia para se pensar. Apenas os carros vermelhos e Webber adotaram tal tática hoje. Massa variou a ordem dos compostos em relação ao companheiro e não se deu bem.

Button Massa australia 2011
Button saiu da briga depois que a briga com Massa acabou em drive through para o inglês

No quesito ultrapassagens, ainda não foi possível julgar a serventia da asa traseira móvel. Estava claro desde antes do final de semana começar que, na reta dos boxes da Austrália, seguida por uma chicane em que é difícil ultrapassar, ela não seria decisiva.

Percebemos ao menos que a asa não tornará as ultrapassagens fáceis demais. Sua função é mais de evitar que um carro bem mais rápido fique preso atrás de outro, algo que vinha acontecendo com muita frequência. E vimos isso, com Button e Massa, Massa e Buemi. É importante que a asa não seja tão boa que elimine as tentativas de manobras em outros pontos do circuito. E isso também não aconteceu. No entanto, a Malásia deve dar uma ideia melhor a respeito da novidade.

As surpresas, claro, foram Petrov e Perez, cuja estreia, colocando a Sauber nos pontos e chegando à frente do companheiro Kobayashi, pode ser comparada à de Hamilton em 2007, ainda mais levando-se em conta que o mexicano testou muito menos. Ambos os pilotos da Sauber, contudo, foram desclassificados após a checagem da FIA ter encontrado irregularidades na asa traseira do carro. A equipe vai apelar.

As próximas corridas mostrarão se o vice-campeão da GP2 em 2010 apenas se aproveitou da estratégia, mas o início foi bem mais positivo que os últimos exemplos que tivemos nestes tempos de restrição nos testes, como no caso de Hulkenberg, Petrov, entre outros.

Depois de muita especulação, nada de Kers nos carros da Red Bull. Assim como em 2009, quando disputaram com a Brawn mesmo sem o difusor tão desenvolvido, seus segredos permitem que a performance esteja lá mesmo sem o dispositivo.

Curiosamente, isso não fez tanta diferença na largada, que seria o momento mais frágil, mas era de se esperar que Webber conseguisse a ultrapassagem sobre Alonso caso tivesse o dispositivo.

16 comentários sobre “Asa e Kers não revolucionam, mas pneu mexe na estratégia

  1. Tudo é mt recente, mas a sensação que fica, é que os pneus, independente de KERS e ATM, criam muitas variantes, e naturalmente. A ultrapassagem de Button sobre massa, me causou a sensação de w.o. Perez parece ser do ramo, ao passo que Kubica, me parece sem sorte de vencedor, pois tem talento. Acredito que se o polonês estivesse nessa Renault, brigaria pela vitória. Torço para que a sorte do polaco mude. Dois fatos me chamaram atenção sobre os pneus: 1º quando de sua segunda parada, Alonso estava mais de 1 min atrás de Vettel, mesmo parando 1 vez a mais, descontou aproximadamente 30 seg; 2º no caso da Ferrari, que teve Alonso perdendo posição na largada, e consequentemente, tendo que lutar por posição, ficou a dúvida: ou os pneus macios se deterioram mt quando em disputa, ou a Ferrari errou na estratégia, pois os ponteiros, conseguiram andar mais com os macios. Vettel é genial, hehe, mas Newey, com ATM, KERS, ou sem eles, é hiper, mega, maxi gênio!

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  2. Ju, me lembrei de mais uma coisa. Num primeiro momento, sobre a “tal” deterioração exagerada dos pneus, imaginava que a briga pela pole, não seria tão fundamental, pois acreditava que a luta do sábado, poderia fazer os ponteiros parar mais cedo (ao que parece, a briga por posições em corrida, parece mais destrutiva dos compostos macios, do quê volta lançada), não sei se foi a temperatura mais amena de Melbourne, mas aparentemente, a pole tornou-se, depois do visto hj, ainda mais importante, pois andar de cara para o vento, como fizeram Vettel e Hamilton, otimiza o pneu macio. A única solução que vj, seria o fim da obrigatoriedade de troca, e a possibilidade de se escolher o pneu da largada, pois quem largasse mais atrás, poderia tentar fazer um stint mais longo, para compensar as posições piores. Como comentamos anteriormente, as regras da obrigatoriedade dos dois compostos, e largar com o pneu da pole, inibem a funcionalidade de táticas menos conservadoras, tendo em vista os pneus com diferentes desempenhos, aliados ao maior tanque. Liberdade já!

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  3. A pole só não vai ser fundamental se o sistema de classificação for artificial. Isso é Fórmula 1, há diferençs de performance, há carros dominantes e geralmente são eles que vão ganhar.
    Acredito que, com o tempo, as estratégias ficarão mais uniformes. Isso só mudaria se houvesse 2 fornecedores. O que os pneus Pirelli farão é aumentar os riscos de que algo dê errado, erros de pilotagem, estratégia e nos boxes.

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  4. O que deu para notar nessa primeira corrida é que na disputa Kers Vs asa traseira móvel, o primeiro levou a melhor. A reta dos boxes não era longa o suficiente para aproveitar ao máximo o rendimento da asa móvel. O que considero um é erro é não permitir que o piloto da frente também se utilize desse recurso. Ele leva desvantagem.

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  5. Sabe Ju, a temporada começa e já estou com uma pulga atrás da orelha…

    Não seria o Kers da RedBull apenas um aparelho que não funciona de maneira proposital?

    Pensei sobre isso ontem e consigo imaginar um aparelho que foi feito apenas pra ser um lastro. Visto que a maior dificuldade existente é o equilibrio do CG (centro de gravidade) do carro!

    O cg de um fórmula 1 não obedece, pelas regras, o fator 50%/50% em cada eixo. Logo, com um aparelho que ocupa maior parte do peso justamente no eixo traseiro, fica dificil distribuir peso na parte da frente do bólido, com componentes do Kers, que além de pesados individulamente, são volumosos demais pra serem postos na parte da frente do carro.

    O kers da Red Bull é menos volumoso, e pode ser distribuido por vários lugares do carro. Mesmo que não funcione (se é que foi feito pra isso).

    Se estou equivocado, espero que o tempo me afirme, seja com os argumentos de todos aqui, ou mesmo vendo o equipamento funcionar na Malásia!

    Abraços,

    Peterson Mota

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    1. Acho melhor esperar. É perfeitamente cabível a explicação de que eles tiveram problemas com o Kers, tiraram o aparato, continuaram andando rápido e decidiram andar sem para ter certeza de que chegariam ao final.
      Aliás, foi o que aconteceu com a McLaren e seu escapamento diferenciado.

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  6. Na corrida ficou claro que largar mais à frente continua sendo mais vantajoso, Vettel, Hamilton e Petrov não disputaram posição entre si e conseguiram preservar os pneus disparando na frente e fazendo menos paradas. Já Webber, Alonso, Button e Massa ficaram para trás e tiveram que forçar os pneus na disputa por posições.

    RBR: definitivamente largou sem o KERS, tendo um carro mais equilibrado para os trechos de curvas devido à melhor distribuição de peso, mas que não possui muita velocidade em retas como é possível ver pela tabela de speed trap. Webber não conseguiu alcançar Alonso só com a ajuda da ATR e sem KERS. Continua tendo a vantagem de se classificar melhor e largar na frente.

    Ferrari: apanhou na estratégia novamente, não se classificou bem, teve que brigar por posições, desgastou os pneus e fez mais trocas. Precisa melhorar na classificação para fazer páreo à RBR. Massa fez boa disputa com o Button, mas judiou dos pneus e foi ultrapassado irregularmente pelo Button e facilitou para o Alonso. Alonso aliás foi esperto quando se posicionou à frente do Massa quando o Button deveria devolver a posição ao Massa, no final o Button foi punido. Na primeira troca de pneus, a Ferrari privilegiou o Alonso apesar do Massa estar com pneus em piores condições.

    McLaren: ou escondeu o jogo nos testes de inverno ou tem uma excelente equipe de engenharia que mudou o carro para melhor rapidamente, acho que os dois. Button sofreu mais com os pneus pois ficou para trás brigando com o Massa. Hamilton teve uma corrida burocrática na frente, mas pelo menos os dois chegaram apesar da juventude do carro.

    Renault: o carro realmente é muito bom, Petrov conseguiu se manter com facilidade à frente. Teve mais sorte que o Heidfeld, pois largou bem à frente e não teve que disputar posições. Kubica deve estar mais sentido ainda por estar fora de combate. Preocupa agora a velocidade de desenvolvimento do carro em relação aos concorrentes.

    Williams: tem um carro veloz que deve fazer bons pegas no meio do bolo, porém preocupa a fragilidade do câmbio miniaturizado em condição de corrida quando é mais comum toques entre carros e escapadas de pista. Barrichello foi afobado e se atrapalhou na classificação e corrida, se empolgou demais com a diferença de velocidade proporcionada pelos pneus, kers e ATM.

    Sauber: cuida bem dos pneus e tem bons pilotos, fazendo uma tática conservadora conseguiu chegar à frente, pena que foi desclassificada.

    Toro Rosso: esperava mais da equipe devido aos resultados da pré-temporada, pelo menos está bem melhor do que as nanicas.

    Nanicas: continuam decepcionando.

    Pilotos estreantes: apesar de pagantes na maioria, até que se saíram bem, tendo resultados melhores do que os titulares, pelo menos na primeira corrida.

    À espera da próxima corrida.

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    1. É bem poi aí mesmo, Ricardo.

      Ferrari: vamos esperar algumas corridas para determinar se a estratégia foi um reflexo da corrida atarefada de ambos ou se eles realmente gastavam o pneu – olhando os tempos volta a volta, a impressão é mais que eles fecharam em 3 paradas e iam para o box quando encontravam tráfego, ao contrário de Webber, por exemplo, que era chamado após uma volta muito ruim. O que ficou claro foi que a tendência em não aquecer o pneu com facilidade do F10 foi herdada pelo 150º Italia. A esperteza de Alonso foi dupla: se ambos os pilotos precisarem fazer uma parada, a equipe sempre chama quem está na frente.

      McLaren: você tocou num ponto importante: é incrível que o carro tenha aguentado o GP. Nos testes, ele não passou por nenhuma simulação de corrida. Parece que eles tinham certeza de que determinada configuração – especialmente de escapamento – funcionaria e usaram os testes para levar tudo o limite. Não deu certo e eles voltaram ao feijão com arroz. Deu certo.

      Renault: Heidfeld teve um Q1 cheio de problemas e depois perdeu parte da carenagem na largada. Um desastre. Veremos como se sai na Malásia.

      Toro Rosso: de eliminada quase certa no Q1 aos pontos, foi uma evolução e tanto! Buemi igualou o melhor resultado que o time teve em todo ano passado.

      Bring it on!

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  7. Julianne,

    Passada a primeira corrida da temporada e na espera da próxima etapa, gostaria dos seus comentários (talvez em algum post) sobre dois assuntos que me intrigam:

    1º) Quais os interesses do Sr. Bernie, ao comentar publicamente que é contra à regra dos motores de 2013. A quem interessa a mudança? Ou melhor ainda, a quem não interessa esta mudança e que hoje faz parte da F1, quais são seus interesses?

    http://grandepremio.ig.com.br/formula1/2011/03/17/bernie+critica+nova+regra+de+motores+e+se+preocupa+com+reducao+de+ruido+10383190.html

    2º) Os pilotos sempre se hidratam antes da corrida, afinal o que eles bebem? É Red Bull na RBR e Guaraná Antarctica na Ferrari do Massa? Ou eles apenas fingem que estão bebendo para fazer marketing do produto? Para onde vai tanto líquido na corrida? Eles usam fraldas para adultos ou vão ao estilo Piquet Pai?

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    1. Temas interessantes e devidamente anotados. Não prometo para essa semana porque tenho bastante conteúdo programado sobre a corrida, mas na próxima trataremos disso com certeza.
      Aliás, sobre a preparação dos pilotos, estarei fazendo as matérias para o TotalRace sobre o assunto, do qual gosto muito. Confira por lá também!

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  8. A oficial começar a transmissão em cima da hora, não é novidade, mas faltando poucos minutos para o começo da largada, no meio do corre-corre, uma imagem me chamou atençao. A transmissão da FOM deu um close em Newey justamente bisbilhotando a Renault, o que vem a confirmar o quanto esse carro tem surpreendido. Newey como entusiasta fica atento aos detalhes.

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    1. Wagner,

      Não sei se você percebeu, mas no fim da classificação no sábado, o Webber passa em frente ao carro do Vettel e dá uma baixada conferindo a asa dianteira da RBR nº1. Afinal, o que poderia haver de diferente no carro do companheiro, que ele não soubesse? Uma asa diferente, por isso o Vettel ficou disparado na frente?

      É intrigante essa F1!

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  9. Olha, Ricardo, o mais interessante, vai para o lado do favorecimento. Tudo bem que Vettel é o nº 1, mas mt me estranhou a diferente estratégia de paradas da RBR. Acredito que hj, o maior adversário de Vettel, seria Webber, e o australiano, possuindo o melhor carro, mas não tendo que atacar como Alonso por exemplo, não teria um desgaste “tão” acentuado, merecendo três paradas. Será? Me parece que essa parada a mais representa o famoso socega leão, hehe. Ainda mais sendo na Austrália, como quem diz: apartir de hj, a conversa será assim! a porta é serventia da casa! Hehe, Webber, pode escolher: Ricciardo, Buemi ou Alguersuari!

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    1. Caros Wagner e Ricardo,

      Vejo mais o caso de Webber tentar entender por que seu pneu acabou tão mais rápido que Vettel. As voltas que antecedem a 1ª parada do australiano mostram uma queda de rendimento muito forte. Falarei mais sobre isso num post especial sobre estratégia.
      Temos que lembrar que Webber não se encontrou no final de semana todo, não apenas no domingo.

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  10. Ju,

    Acho que já falei isso mas, de novo, parabéns!
    Sem sombra de dúvida, uma das melhores análises sobre a corrida… não tem jeito, vc dá ‘uma volta’ em todos os outros “analistas” de F1, como bem disse o Ico…(tem uns que nem se qualificam, tal qual a Hispania..hehe)
    Muito sucesso p vc!!

    Abraço

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