Ecclestone x Todt: duas maneiras, um objetivo

Depois de um 2010 relativamente calmo em termos políticos, a disputa por poder na Fórmula 1 está voltando a se aquecer, com a chiadeira de sempre da Ferrari e os desparos de Bernie Ecclestone. Cada um querendo manter suas regalias no novo Pacto da Concórdia, que já está sendo negociado e entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2013.

Mas há uma diferença fundamental nesse cenário. Quando o último acordo foi firmado, em meados de 2009, era o autoritário Max Mosley quem estava no comando da FIA. Não coincidentemente, as últimas negociações chegaram até a um breve racha entre a entidade e as equipes, que colocou o futuro da F1 em dúvida. Há 15 meses no poder, o francês Jean Todt já mostrou que aposta na diplomacia para chegar onde quer – e não mede esforços políticos para isso.

Bernie Ecclestone (GBR) F1 Supremo and Jean Todt (FRA) Ferrari
Velhos tempos que não voltam mais...

Ao contrário de Ecclestone, é avesso a lavar a roupa suja em público, o que muitas vezes é tido como omissão. Contudo, se observarmos como o atual presidente da entidade máxima do automobilismo tem lidado com a herança podre de Mosley – o julgamento pouco embasado do caso de Cingapura, a regra das ordens de equipe e, principalmente, as consequências da guerra promovida pelo antecessor às montadoras – temos a certeza de que o baixinho consegue o que quer.

Ele se livrou de um processo na justiça comum que certamente absolveria Briatore e Symmonds, condenados sem qualquer embasamento nas regras (que não previam penas para não licenciados, como membros das equipes, apenas para times e pilotos em si, algo que Todt corrigiu); baniu a regra que jamais foi respeitada e forçou a aprovação de um novo regulamento de motores em 2013 que fez com que o esporte voltasse a ser interessante para fabricantes que não atuam no mercado de supercarros.

E agora ele quer uma fatia do dinheiro de Bernie.

Em 2001, a União Europeia determinou que a FIA deixasse de ter o controle comercial da F1, sob alegação de que se tratava de um monopólio. Ecclestone e Mosley, então, chegaram a um acordo: o direito de negociar os contratos da categoria ficaria nas mãos da empresa comandada por Bernie por 100 anos (!), em troca de US$ 360 milhões, uma miséria tendo em vista a quantia movimentada pela categoria.

Uma vez que não se pode mexer nesse contrato, a intenção de Todt é conseguir mais dinheiro para a FIA por meio do Pacto da Concórdia – que é negociado mais ou menos duas vezes por década e nada mais é que uma espécie de divisão dos lucros entre a FOM, a FIA e as equipes. O francês, inclusive, contratou um diretor de marketing, algo inédito na história da entidade.

É lógico que Ecclestone sabe que o páreo é duro. Todt tem se alinhado com a associação das equipes, a FOTA, e espera juntar forças para arrancar ao menos uma fatia dos rendimentos de Bernie, responsável pela negociação dos direitos de TV e com os organizadores das provas.

Não demorou para que o outro baixinho reagisse. Primeiramente, atacando os motores menos potentes de 2013, depois, mirando no trabalho, ou melhor, na “piada” que seria o trabalho de Todt no comando da FIA. “Sinto que o confronto, a não ser que seja necessário para atingir uma meta, é perda de tempo”, o presidente da entidade mandou seu recado numa recente entrevista ao Financial Times. Pelo jeito, Bernie vai brigar sozinho. E ainda corre o risco de sair perdendo.

2 comentários sobre “Ecclestone x Todt: duas maneiras, um objetivo

  1. Taí uma notícia que é difícil até de comentar, pela quantidade de interesses difusos, ataques indiretos por um lado e silêncio por outro, acordos costurados na surdina. Ambiente mais político impossível, ainda mais com as cifras monetárias envolvidas.

    Mas o Mosley assinar um acordo por 100 anos… Fala sério… Poderia dizer que foi burrice, mas como nesse meio não tem criança, só pode ter sido muito vantajoso para ele na época… Apesar, que depois ele foi jogado aos leões com a história do fetiche nazi-sado-masoquista.

    E falando em leões… Na selva, sempre existe o chamado macho alfa que é o líder mais forte e que fica com o maior pedaço da presa. Todt é o macho desafiante. Terá ele forças para desafiar o antigo líder?

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  2. Todt apesar da cara de bomzinho, não foge mt das características dos detentores do poder, como ficou demonstrado na imposição das mudanças para esse ano, afinal ao que parece,as medidas foram tomadas de baixo para cima, sem opinião das equipes. Teoricamente, as mudanças para 2013 podem ser boas, trazendo mais disputa, mas se o motivo para as mudanças de 2013, é cortar gastos, a mudança estrutural em motores e câmbios, poderão até aumentar os investimentos, e sabemos mt bem qual a parte mais sensível das montadoras, no caso o bolso. Sobre os 100 anos, o caixa dois deve ter sido fabuloso. Por mais poderoso que seja, Bernie sabe que nenhum reinado se sustenta sem seus vassalos, nesse caso, a FIA que tanto já ferrou com equipes e pilotos, escolheu a maioria. O rei está nú.

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