GP da Malásia por brasileiros, espanhóis e ingleses: entre problemas e sorte

Pneus, umidade, chuva. Cada uma das transmissões escolheu um gancho, mas todos sabem que o GP da Malásia tem tudo para ser movimentado. Na Globo, Galvão Bueno volta ao comando e Bruno Senna, tímido e calado por grande parte da prova, dá o ar da graça. Espanhóis da La Sexta continuam com a dobradinha Marc Gené e Pedro de la Rosa, que garantiu ótimos momentos na Austrália, e Martin Brundle e David Coulthard adotam um tom menos técnico em sua segunda prova no comando da narração na BBC.

Coulthard explica como a degradação afeta o piloto e o carro. “Falta oxigênio para o motor e pressão aerodinâmica. Dentro do carro, o piloto superaquece.” Num sinal dos tempos, Brundle lembra. “Não sabia nada disso, por isso terminava as corridas no calor sempre exausto.”

Na BBC, a sensação é de que a Red Bull ainda é muito superior. “A volta de Hamilton na classificação foi fantástica”, destaca Brundle, enquanto Ted Kravitz dá seu parecer climático. “Está chovendo a 4km daqui, mas não deve chegar ao circuito.”

Ter um repórter correndo atrás das notícias durante a prova ajuda bastante a transmissão da BBC

Ainda na volta de apresentação, outra informação importante: Webber teria avisado a Red Bull de que havia um problema e a equipe respondeu que não poderia fazer nada. O repórter Kravitz complementa. “Eles trocaram as baterias do KERS no parc femme, então deve ser algo relacionado a isso.” A imagem de todos ultrapassando o australiano na largada não deixou dúvidas. “Ele está carregando 30kg inúteis”, define Brundle.

(Esses 30kg seriam 40 a 60kg para Mariana Becker, na Globo, ao reportar sobre o “KERS duplo” da Red Bull, mas esses são dados de 2009, o sistema melhorou desde então)

De la Rosa observa que todos os pilotos começarão a corrida com o composto mole e dá sua dica para ir bem na largada. “O segredo é fazer a primeira curva por dentro e a segunda por fora.” Felipe Massa ouve o conselho e pula na frente de Alonso, para delírio de Galvão.  “Ele me disse que iria por dentro!”

Na empolgação, o narrador não vê Webber sem KERS nem com a repetição, e é socorrido por Reginaldo Leme. Está extasiado com o início de corrida de Massa.

Na Espanha, o narrador Antonio Lobato está é preocupado. “Alonso pode passar Massa?”, pergunta a Gené, que diz que “toda corrida eles têm uma reunião e só é pedido que não batam.” Lobato, aliás, tem um dia de Galvão: se seu conterrâneo não passa, só pode ser porque a equipe não deixa; só observa a boa largada de Alguersuari na sexta volta (assim como Barrichello é sumariamente esquecido em tempos de vacas magras) e, quando o espanhol perde uma posição, é porque “deve ter tido algum problema”. A simbiose está completa.

Para Lobato, para a corrida ficar boa, Alonso tem que passar Massa e Hamilton precisa superar Heidfeld. Pelo menos com a segunda parte, os ingleses concordam. “Ninguém da McLaren deve ter gastado muito tempo imaginando o que fazer caso o Heidfeld os passasse na largada”, aposta Brundle. “O problema é que eles sabem que a Renault tem mais pneus novos que eles”, completa Coulthard.

E como. Hamilton teria que fazer dois stints (que no final das contas viraram 3 após uma 4ª parada não programada) com pneus duros. E De la Rosa sabia disso desde o começo. Quando o inglês parou e ninguém observou com quais pneus estava, apenas disse: “são os duros, ok? Não explicarei o porquê”. Gené, da Ferrari, ficou curioso. “Será para voltar aos moles no final e ter vantagem?” Pedro apenas levanta as sobrancelhas, conforme testemunha Lobato, e pede para “mudar de assunto”. Hamilton tinha acabado com um jogo de pneus na classificação, o que acabaria lhe custando um pódio.

Voltando à corrida, Massa e Heidfeld perdem muito tempo e posições após a primeira parada. Na Globo, só o drama do brasileiro é destacado. “A Ferrari trabalhou mal para o Felipe e bem para o Alonso. Estava fazendo uma grande corrida, podia sonhar com o pódio, e agora tem que contar com a sorte.” Mas o sorturdo não é o outro? Mesmo quando era claro que as equipes estavam parando porque sabiam que a chuva não cairia forte, Galvão insistia que, por ser o último a parar, Alonso poderia lucrar porque tem “a sorte do tamanho do mundo”.

Assim, justificando perdas com “problemas” e ganhos com “sorte”, fica a dúvida: quem ganha se contarmos as menções a Alonso nas transmissões da Espanha e do Brasil? O páreo é duro. Com uma diferença: para a Globo, a comparação é com Massa; para a La Sexta, com os líderes.

E, para a BBC, o mais relevante é Heidfeld, que cai de 2º para 5º. “Eles pararam Hamilton antes para passá-lo, mas aconteceu alguma outra coisa porque ele perdeu tempo demais”, observa Brundle. Ficamos sem saber também.

Num lance em que Buemi e Hamilton passavam Schumacher, cada um por um lado, Galvão e Reginaldo se empolgam porque era a primeira vez que viam “duas asas ativadas ao mesmo tempo”. Só que os pilotos não estavam na reta dos boxes, portanto, nenhum estava com o DRS funcionando.

A asa traseira andou pegando narradores de calças curtas

Essas imagens cortadas também pegaram a dupla da BBC desprevinida. Às vezes se surpreendiam quando viam uma ultrapassagem que parecia fácil demais, esquecendo-se da potência adicional da asa.

Os espanhóis vão bem nesse sentido, e falam bastante sobre estratégia durante a corrida. Sobretudo De la Rosa e Gené, interessados em saber o que eram os planos A e B sobre os quais os pilotos da Red Bull falavam no rádio. Quando Webber faz a segunda parada, tanto o piloto de testes da McLaren, quanto David Coulthard na BBC cravam: o plano A é de 4 paradas. “Três é melhor, porque com 4 ele vai ter que passar todos que fizeram 3 no final da prova”, acredita o espanhol.

O que impressiona a todos, especialmente Gené, é o ritmo da Ferrari. “Fernando é o mais rápido no segundo setor, o mesmo em que os outros nos destroçavam ontem”. Para Coulthard, o carro vermelho “parece gostar de calor”.

Mas nada que se compare à Red Bull. “É ruim começar a temporada sem poder contar com um  KERS confiável”, afirma Gené. “Marc, o pior é ganhar sem o KERS… pior para os outros!”, completa De la Rosa. “Ou Vettel está poupando combustível, ou tem problema de pneu”, imagina Brundle, que esperava ver o alemão disparado na frente, mas desconfia que ele não está mostrando tudo o que tem.

Tanto, que a esperança de todos se torna Massa, quando o líder sai dos pits à frente do brasileiro. Será que ele conseguiria segurar o alemão e permitir aproximação de Hamilton? “Fez tudo o que pôde, mas os pneus estavam degradados. Ele está fazendo uma grande corrida, o único problema que teve não foi culpa sua”, elogia Lobato.

Algumas voltas depois, Alonso para e volta atrás de Button. Galvão não percebe outra parada mais lenta da Ferrari. Prefere comemorar a escapada de pista de Heidfeld – “isso é bom para Massa”, diz quase em sincronia com Lobato.

Embananando-se com as regras, afirma que “Alonso está fazendo um grande esforço para virar no tempo do Button com o problema que tem na asa”. Mas ele pode usar a asa em todas as voltas?

Foi só Reginaldo Leme dizer que “Hamilton está muito bem na prova” que tudo caiu por água abaixo para o piloto. O comentarista imaginava que o inglês, único com o composto duro entre os líderes naquele momento, não pararia mais – e faria 32 voltas com o mesmo pneu! “Ele pode tanto não parar mais, quanto voltar ao pneu macio e andar muito mais rápido no final”. Os espectadores da Espanha e da Inglaterra sabiam que ele não tinha mais pneus macios e que a expectativa era de que o composto duro não durasse mais que 16 a 18 voltas.

Na verdade, a corrida de Hamilton estava começando a ir por água abaixo. Primeiro, um pitstop muito adiantado, que surpreendeu Kravitz. “Os tempos dele estavam bons”. “Acho que ele teve algum problema porque a sequência de voltas foi muito curta”, Luciano Burti adota a palavra que explica tudo. Depois, um set de pneus não apenas de duros, mas duros usados, como informou De la Rosa. “Só o Button tem novos.” Para piorar, uma parada ruim o faz perder a posição para o companheiro. Inclusive, não fosse a intervenção de Bruno Senna, isso passaria batido, assim como a lentidão da Renault anteriormente. É claro, só a Ferrari erra. E só com Massa.

Não demorou muito para seu ritmo despencar. Isso, logo depois que Brundle tinha destacado como “estava guiando suavemente, parece que aprendeu com Button.” No entanto, o narrador percebe o que está se desenhando após a última sequência de paradas nos boxes. “Vettel e Alonso se deram bem agora, porque terão o pneu mais novos nas últimas voltas.”

O espanhol rapidamente chegou em Hamilton, e agora só a transmissão brasileira percebia que ele não conseguia ativar a asa traseira. “Agora ele vai abrir a boca… não abriu!”, se surpreende Lobato (sim, “boca” é o apelido que o narrador deu para o DRS). Os ingleses já veem o “apetite” com que Alonso vai para cima do rival. No Brasil, é Hamilton quem defende com unhas e dentes “porque é uma questão de honra ficar na frente”.

Não podia dar em outra coisa a não ser um toque. A culpa, para todos, é de Alonso, “barbeiro” para Bruno Senna. “Ele tentou com toda a sua alma, deu o máximo e cometeu um erro”, Lobato tenta salvar seu pupilo. “Tudo porque a asa traseira quebrou. Ele sabia que tinha uma janela de cinco voltas para atacar. É fácil entender porque forçou”, avalia De la Rosa.

Coulthard também adota a linha do corporativismo entre pilotos. “Você não vê onde está a asa dianteira. Aquela curva é em pé embaixo e, como ele saiu da curva muito mais forte, o carro saiu de frente em direção ao de Lewis e, mesmo tentando virar ao máximo para a direira, estava perto demais.”

A preocupação de Galvão era outra. “Está restabelecida a ordem por uma questão de justiça com o que o Massa fez o final de semana inteiro, só no Q3 ele andou atrás. Falei com ele e ele me disse que travou o pneu e perdeu 2 décimos.”

Algumas voltas depois, quem faz o pit é Hamilton. Burti e De la Rosa veem a possibilidade de uma perda de pressão pelo toque com Alonso, mas Kravitz vai até a McLaren e informa que é uma questão de degradação, não há furo.

Mas já não havia tempo para mais nada, apenas as avaliações finais. Por várias vezes, os espanhóis destacam as performances de Massa e Button, além de citar o “favor” que Heidfeld fez a Vettel na primeira parte da corrida.

Já Brundle valorizou o feito do alemão da Renault “depois de um fim de semana horrível na Austrália”, enquanto o rendimento de Vettel “lembrou um pouco o Bahrein ano passado, quando mesmo com problemas ele conseguiu manter um ótimo ritmo”. Já Coulthard viu uma “boa recuperação de Webber, mas não há nada pior que perder para o companheiro.”

Vettel está tão longe dos demais que Galvão até tira o pó de uma expressão da época (de ouro) de Schumacher. “Segura o alemão que eu quero ver!”

17 comentários sobre “GP da Malásia por brasileiros, espanhóis e ingleses: entre problemas e sorte

  1. Julianne,

    Outro ótimo post. Acredito que o post de Transmissões é o mais esperado pelos seus seguidores, na semana pós-corrida.

    Mas os erros de transmissão não são exclusividade da Globo. Desta vez assisti pela SporTV e eles cansaram de falar que a bateria do KERS “recarrega” em plena reta na linha de chegada ao invés na frenagem. Até agora eles não entenderam, que na linha de chegada, a central eletrônica do carro recebe um sinal eletrônico da direção de prova liberando o uso do KERS por um intervalo de 6,6 seg.

    Uma dúvida: A análise do M. Brundle sobre a largada e ultrapassagens ocorre quando? Logo após o fim da corrida ou no dia seguinte? Pergunto isso, porque existe o programa Linha de Chegada da SporTV apresentado pelo R. Leme mas que também considero mau aproveitado e com conteúdo muito superficial.

    Curtir

    1. É logo depois da corrida, num programa chamado F1Forum. Basicamente, eles (Brundle, Coulthard e Eddie Jordan) ficam no hospitality de alguma equipe discutindo a corrida, vendo os replays e entrevistando pilotos e chefes de equipe.

      Curtir

  2. “Falei com ele e ele me disse que travou o pneu e perdeu 2 décimos…” >>> Ridículo demais, pelo amor de Deus. Não aguento mais esse ser narrando as corridas.

    Curtir

  3. Hahaha

    Olha, eu não gosto do Galvão como profissional, mas todas as vezes que leio seus artigos comentando a cerca das transmissões, eu confesso que quase fico com pena dele.;D

    Será que ele tem consciência de que é um mau profissional? Olha, dá raiva ás vezes. Os fatos desenrolam-se na pista, e ele só nota com um “lag” ou “delay” de uns 20 segundos, isso quando nota. Poxa, o cara tá no circuito, só faz isso na vida, ganha uma nota preta por isso e ainda faz mal? ;D É triste. Questiono como esse cidadão chegou onde está.

    Será que nínguem próximo dele tem coragem de fazer um crítica, sugestão ou lhe dar um toque? Será que ele se acha o “Papa” e nínguem pode discordar dele? O Galvão tem problemas mentais e a RGT não está nem aí pra qualidade do seu jornalismo.

    Dentre os três que já narraram a F1,ele, o Luiz e o Cléber… eu prefiro o Cléber Machado. Ele é mais relaxado, bem-humorado e interage mais com o Reginaldo

    Outra coisa, agora sobre o Regi Leme: Não contesto o amor dele por automobilismo, mas acho que ele não aparenta mais estar feliz durante as transmissões. Sei lá, perdeu a alegria pra comentar,não tem mais paciência pra aguentar o Galvão ou talvez seja a idade mesmo. É triste o fato um cara tão bom quanto o Reginaldo, quase não tem espaço pra abrir a boca nas transmissões. Ele parece não ter liberdade, e isso pra um jornalista deve ser foda. Mas ele ás vezes é um cara vaidoso também.

    Juliana, tu gostas das tramissões dos treinos livres no Sportv?
    Eu não tolerava o Lito Cavalcanti, mas agora estou passando a curtir ele e o narrador. Acho que como é de madrugada, a mordaça não deve ser grande, assim eles tem liberdade pra soltarem lá suas gracinhas e são menos politicamente corretos. Ás vezes eu até dou umas risadas. ;D
    Sei lá, talvez seja começo de temporada e o Lito esteja mais animado, mas quando ele tá mal-humorado, saí de baixo. ;D
    Acho que ele se saí melhor nos treinos do que nos VTs. Mas se tivesse VT em HD, eu não faria questão de assitir ao vivo e nem de escutar as chatices do Lito. Essa Globosat é complicada. Tem o sinal, os direitos e não transmite.

    Achas improvável que nos próximos anos o Speed compre os direitos pra TV paga no Brasil?Eles transmitem lá nos EUA, não é?

    Já tivesses curiosidade de analisar as transmissões estadunidenses/canadenses?

    Abraço

    Curtir

    1. Também sinto esse desânimo no Reginaldo, o que é uma pena. Claramente, quando são os outros narradores, ele e Burti têm mais espaço e a transmissão melhora. Isso me leva a crer que os moldes da BBC, de não ter um narrador propriamente dito, talvez seja o futuro.
      Acho as transmissões do sportv são bem mais ricas em informações, mas as deformações continuam lá. Por exemplo, se o Massa sai da pista, é pq ele está buscando o limite, está faminto. Se é outro, é porque o piloto/carro é ruim, já notou?
      Já assisti corridas pelo Speed também. São ingleses que comandam e eles falam para quem gosta de F1 por lá, não ficam tentando vender o produto pra fãs de Nascar, por exemplo, o que eu acho mais inteligente.
      Queria mostrar para vocês a TV italiana também. Eles têm uma abordagem completamente diferente, muito mais voltada para as equipes/carros que para os pilotos, muito mais técnica (tem um engenheiro comentando!). Infelizmente, só consigo baixar as corridas dias depois.
      A Record promete entrar na briga quando a Globo estiver para renovar o contrato em 2014. Veremos o que acontece.

      Curtir

  4. Não tenho mais adjetivos para dizer o quanto é baixa a qualidade das transmissões da Globo, em especial o Sr. Galvão Bueno. Os caras de lá ainda não perceberam que quem acompanha a F1 hoje, em sua maioria, gosta da categoria e não só do brasileiro que corre lá. Até porque aguentar as pataquadas da Globo, só gostando muito de corridas. Sem falar que há milhares de formas dos telespectadores se informarem hoje. Poucos engolem o que os globais falam sem questionar.
    O Galvão, em especial, deveria ter cumprido sua promessa de se aposentar ao final do ano passado. Ninguém aguenta mais esse chato de galochas.

    Curtir

  5. Ju, mais um presente para nós, obrigado! Como vc bem disse a tempos atrás, “o famoso trabalho de formiguinha”, diga-se de passagem, penoso, mas de resultado poderoso e esclarecedor! Vc com esse belo trabalho, demonstra que a qualidade é alcansável, basta querer. Seu exemplo serve de alento! A questão não é copiar, mas traduzir para os iludidos, que existe vida pós-ufanismo. Continue brilhando!

    Curtir

  6. Espetacular! A única coisa triste é constatar que a Rede Globo acaba com nossa possibilidade de curtir realmente os fins de semana de GP.

    Não transmite um warm up e para a transmissão logo após as corridas, sem transmitir a coletiva (o que é o absurdo dos absurdos) e outras informações adicionais.

    Além disso, a qualidade técnica das transmissões é sofrível, que fossem ufanistas e trouxessem informações confiáveis, pelo menos estaríamos bem servidos de informações, mas não, são ufanistas e amadores.

    Ainda bem que temos alguns blogs para entender os acontecimentos após as corridas, mas, seria muito interessante se houvesse a possibilidade de interação durante a disputa.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s