Red Bull mostra seu ritmo e Hamilton dispensa a asa

Se a corrida da Malásia tinha deixado dúvidas a respeito do real ritmo de corrida da Red Bull, a prova de hoje demonstrou que o time líder de ambos os campeonatos tem, de fato, uma vantagem, mas nada que os problemas com o Kers e uma estratégia à primeira vista equivocada – pelo que Webber fez largando em 18º, parando tantas vezes quanto o vencedor e chegando a apenas 2s3 de Vettel – não permitam a chegada dos rivais.

Hamilton bateu Vettel basicamente com o forte ritmo do terceiro stint, quando passou o companheiro Button e deixou o alemão na alça de mira para poder atacar nas voltas finais. Falando em Button, curiosamente hoje foi ele, apesar da fama de piloto suave, quem acabou com os pneus mais cedo. Isso em todas as fases da corrida. Seria um reflexo da aposta de Hamilton em economizar um jogo de pneus macios ainda no sábado, quando fez apenas uma tentativa no Q3?

Falando em pneus, foi emblemático que as ultrapassagns de Hamilton sobre todos os rivais que teve pela frente até chegar à ponta – vale lembrar que o inglês superou, na pista, Rosberg e Button que estavam na mesma estratégia que ele, além de Massa e Vettel, com pneus mais desgastados – foram feitas fora da zona de ultrapassagem. Mais uma prova de que a Pirelli é mais efetiva para tornar as corridas emocionantes do que qualquer outro aparato de regulamento complicado.

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Sem poder economizar borracha na classificação e adotando a estratégia mais lenta na corrida, a Ferrari provavalmente só não foi superada por ambas as Mercedes pelo problema que Schumacher teve com a asa traseira na classificação, largando em 14º.

Os treinos de sábado, aliás, se mostraram menos definitivos que no passado. Nenhum dos classificados primeiros chegou na posição em que largou, especialmente num fim de semana em que a bandeira vermelha causada por Petrov faltando dois minutos para o final do Q2 atrapalhou os planos de muita gente e levou algumas surpresas ao Q3, como as Toro Rosso e Di Resta.

Outro dado, este bastante animador para as equipes que estrearam ano passado, em particular a Lotus, é que, além de todos os seis carros dos “caçulas” terem completado a prova – o único abandono foi de Alguersuari, e por um erro da equipe no pitstop, não por quebra – Kovalainen chegou à frente de dois carros dos “irmãos mais velhos”: Maldonado e Perez. Ainda que a punição do mexicano tenha ajudado no resultado, classificar-se à frente de uma Williams em condições normais é um feito e tanto para uma equipe com um ano e 3 GPs de vida. E, tão significativo quanto, ambas as Lotus deram uma volta nos Virgin e Hispania.

22 comentários sobre “Red Bull mostra seu ritmo e Hamilton dispensa a asa

  1. Foi uma corrida movimentada. Acho que os nomes da corrida, em ordem, foram Webber e Hamilton. O mais engraçado, foi notar que a RBR, conseguiu ferrar com a corrida de seus dois pilotos, pois deixar Webber no Q1, por não tentar os macios, foi grosseiro, mas o gran finale, viria com Vettel. Ora, do que adianta parar menos, e vir se arrastando na pista, como vieram Vettel e as duas Ferraris? Somando-se ao circuito que possibilita ultrapassagens, torna-se um erro monumental de estratégia, palmas para o QG de Woking. Mesmo com boa estratégia, o arrojo de Hamilton foi fundamental nas ultrapassagens, ganhando tempo precioso. A Ferrari, mesmo com um carro ruim, perdeu um pódio de forma bisonha. Hamilton e Mclaren, aprenderam com o erro da Malásia, pouparam pneus e acertaram a ordem do composto, e a vitória apareceu. O patinho feio da RBR, virou cisne na China. Acredito que para a fase européia, o passeio da RBR, terá novos parceiros. O destaque negativo, daria para a terceira péssima largada de Alonso, em três corridas!

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    1. Mesmo com o erro com Vettel, a corrida de hoje poderia ser mais uma dobradinha. Afinal, Button acabou com seus pneus antes de chegar no Vettel e foi presa fácil para Webber. O estilo decidido do Hamilton para ultrapassar, sem ficar esperando a zona de ultrapassagem, parece combinar com esses pneus. Não dá mais para ficar matutando uma manobra por voltas e voltas, como Alonso percebeu com Schumacher. Tem que decidir logo, e nisso Hamilton é mestre.

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  2. Eu ainda não acredito na MercedesGP, e o Petrov realmente acabou com o FDS da renault, os caras poderiam ter largado com ambos os carros de pneus duros e feito 3 paradas, ams foram dar uma de sauber e se arrastaram

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      1. Então o piloto não tem que escolher o momento exato de abrir a asa? Se ele tentar abrir antes do momento permitido o computador veta? Nesse caso o incidente específico (pelo menos no contexto F1) é esperteza, não roubalheira — outro forte do ALO.

        Em termos gerais IMHO isso é um lado ruim do regulamento. A asa deveria estar sobre o controle final do piloto. O sujeito que utilizar cada milisegundo disponível sem cometer infrações ganha mais velocidade de final de reta. Se errar é punido. Não deveria ter auxílio do computador.

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      2. Teoricamente, o computador veta. Em corrida, acende uma luz no volante quando a FIA libera o dispositivo. Em cada circuito, eles delimitam o momento exato em que pode apertar o botão. Por exemplo, na China, como a reta é muito longa, não podia apertar logo que saia da curva 13, havia um ponto no meio da reta em que o dispositivo estava liberado.
        Esse caso do Alonso não é o único. O sistema ainda não está 100%.

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      3. Mais sobre a asa: ela atrasou para ser liberada, por isso continuou ativada depois.
        “BBC Sport has learnt that an error caused Alonso’s DRS to ‘offset’ on that lap. That meant it was not enabled until 300m before the end of the straight, and was then available after the corner for a short time. This meant that he gained no advantage from the situation – in fact it actually caused him a disadvantage – so was given no penalty.
        “FIA officials are still investigating what caused the error.”

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  3. Julianne,

    Muitas dúvidas a serem respondidas na sua análise da corrida:

    – Button: perdeu a corrida no erro da 1º parada no box da RBR ou no sábado ao forçar os pneus macios para se aproximar de Vettel?

    – Ferrari: errou na estratégia ao optar por 2 paradas ou isso era o melhor que eles conseguiriam mesmo? Os stints com pneus macios podem dar alguma resposta?

    – RBR: nas longas retas da China foi presa fácil pela falta de um Kers eficiente especialmente para Vettel na largada. Durante a corrida não deu para perceber se ele usou o recurso ou se apenas “carregou” o peso do mesmo sem usar. E o Webber usou durante a corrida para chegar à frente ou foram só os pneus que fizeram a diferença?

    – Massa na 1ª troca: cruzou a faixa branca na saída dos boxes, porém antes de atingir o trecho já dentro da pista. Era passível de punição?

    – Perez: adotou o estilo agressivo de Koba para negociar as ultrapassagens e bater em todo mundo?

    – Webber: como conseguiu chegar tão à frente usando a mesma estratégia de 3 paradas de Button e Rosberg?

    Abs.

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    1. Não sei oq esse povo tanta fala das retas da China, as da malasia tb eram imensas , e nem por isso as MClatas deram calor real,Vettel so não venceu hj, pq a RBR realmente errou na estratégia, coisa normal!

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    2. Rircardo,
      espero conseguir responder tudo isso ao longo da semana, só não garanto conseguir desvendar o mistério do Kers da Red Bull. Vimos que Vettel teve problemas e, se não me engano, quando aparecia o onboard com Webber, parecia que ele não usava durante a corrida também. Ele disse que pelo menos usou na largada.
      Quando à linha branca que Massa ultrapassou, a resposta está aqui: http://www.totalrace.com.br/site/noticia/2011/04/falha-de-massa-na-saida-do-box-estava-combinada

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      1. Olá Julianne,

        Talvez você já tenha indicado o problema do Kers da Red Bull. Anteriormente você havia comentado que o problema poderia ser de packaging, ou seja, Newey priorizou uma aerodinâmica mais refinada do RB7, ao invés do benefício gerado pelo Kers.

        Existe uma discussão de que o Kers da RBR é dividido em duas partes, sendo que as baterias ficam deslocadas para o eixo dianteiro para melhorar a distribuição de peso do carro, além de serem de tamanho menores. Por isso, surgiu o boato do ” Kers Light”.

        Porém existe um problema, durante a recarga, as baterias esquentam e necessitam de um sistema de refrigeração para mantê-las integras, imagine isso ocorrendo a cada volta da corrida. O problema então poderia ser:

        1º) como montar uma refrigeração eficiente para essas baterias se estão localizadas próximas ao eixo dianteiro em um espaço reduzido?
        2º) sobrou espaço nos sidepods para a instalação dos radiadores adicionais para a refrigeração do kers?

        Tudo isso, pode ser apenas especulação, mas explicaria, o porquê da RBR utilizar o Kers prioritariamente na largada ou em alguns momentos muito específicos da corrida.

        Você conhece algum espião dentro da Red Bull?

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  4. Uma excelente corrida, uma prova que a fórmula 1 não é só carro e piloto, mas estratégia também.
    A Mclarem ganha motivação com a vitória de Luizinho e tem tudo para colocar fogo neste campeonato, bom para o esporte.
    E a Red Bull, bem como começar a falar da RBR… Acho que hoje eles só usaram metade do cérebro e neste caso esta metade foi com relação a estratégia de Webber. Eu fico cá imaginando como eles acharam que Vettel sobreviveria sem pneus e sem KERS por tantas voltas? Sebastian estava muito bem no inicio da corrida, não deixou os principais rivais escaparem, e antes da primeira parada nos boxes havia conseguido ultrapassar Hamilton com facilidade. Então, o que eles tanto temiam? Não é possível que eles ficaram achando que o principal rival era Rosberg, que havia tido sorte em ficar em primeiro após a estratégia magnífica da Mercedes ao antecipar suas paradas…
    Enfim, fiquei chateada em parte com os taurinos. Acho que eles poderia ter feito as 3 paradas e dado a Vettel a chance de lutar na pista pelas colocações, deviam ter confiado no braço do garoto. Paciência, acho que a grande corrida do Vettel virá mais cedo ou mais tarde.

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    1. Sem pneus e sem Kers. Disse tudo! Talvez calculassem que as McLaren estariam longe demais no último stint, mas Hamilton foi excelente com o terceiro jogo de macios e voltou quase colado quando colocou os duros. Essa foi a diferença, além do Vettel ter perdido muito tempo tentando prolongar o segundo stint com macios.

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  5. Sinceramente, às vezes eu acho que estou assistindo um bando de amadores que ganham milhões de dólares para fazer bobagens.

    O que a RedBull fez com o Vettel não tem explicação, ele iria ganhar essa corrida com facilidade, mas algum idiota (que gostaria de saber quem é), teve a brilhante ideia de usar a estratégia que todos sabem que não funciona com esses novos pneus (andar 25 voltas com o mesmo jogo, perdendo quase 2 segundo por volta em relação aos macios), com agravante de ser uma pista em que o pitstop é relativamente rápido (acho que 20 a 25 segundos).

    O pior é que a estratégia de Massa na Austrália já tinha mostrado que não vale a pena correr este tipo de risco, ou seja, nada justifica o erro de estratégia.

    Isso me leva a apontar também a incompetência da Ferrari, que claramente tirou de Massa a possibilidade de lutar pelo pódio.

    Outra coisa a se mencionar é que a estratégia de largar com duros e finalizar com macios (Webber) também funciona bem.

    Finalmente, de positivo, o grande público do GP (coisa rara na China) e a constatação de que a F1 está bastante movimentada e muito mais dinâmica, foi um grande corrida.

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    1. Tive a impressão de que eles planejaram isso antes da corrida e não leram bem a dinâmica que havia mudado durante a corrida. Talvez os simuladores tenham mostrado que era o mais rápido a fazer, a maioria fez duas paradas, mas as condições da prova mostraram o contrário.
      Outro fator é que a corrida foi disputada em temperaturas mais altas. Talvez isso tenha ajudado os pneus macios a ganhar performance. Novamente, seria um erro de leitura da prova.

      O que mais me surpreende é a Ferrari adotar a tática, sabendo que o pneu duro não funciona para eles. E olha que eles contrataram o estrategista da Red Bull…

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      1. Concordo com você.

        Analisando agora, percebo ainda um pouco de arrogância por parte da direção da RebBull.

        Parece que Vettel até chegou a se preocupar se aquela era a estratégia correta, mas, seu engenheiro (apesar de não ouví-lo) respondia que seu ritmo seria suficiente para chegar na frente.

        Foi um amadorismo de doer.

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  6. Incrivel como o DRS dá uma durabilidade muito maior as disputas e empurra os pilotos ao seu limite na pilotagem defensiva muitos pilotos deram tudo que podiam para não serem vencidos pelo DRS,faz tempo que não vejo pilotos serem levados tão ao limite assim, mesmo que vc passe um adersário ele ainda pode voltar a briga ajudado pelo DRS, pode não ser justo mas o piloto da frente que se vire, gostei bastante do que vi nessa corrida e tenho certeza absoluta que DRS,KERS, e PIRELLI ao mesmo tempo estão fazendo A DIFERENÇA na f1 esse ano, promete ser uma temporada eletrizante! Só quero ver isso em Interlagos!

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  7. Hj tivemos uma RBR estilo 2010, cometendo erros. Acredito que para a fase európeia, os touros pensarão duas vezes antes de detonar Webber, pois se tivéssemos mais duas voltas, o aussie passaria o alemão. Na largada, vimos como pode funcionar o jogo de equipe, com as duas Mclaren atacando, confundindo a marcação de Vettel, algo que seria facilitado se Webber estivesse na primeira fila. Foi bom para a disputa, e esse intervalo pode embolar a disputa, com as atualizações. Vettel perdeu pela parada a menos. A recuperação de Webber, mostra o quanto esse carro é superior, e talvez se tivéssemos umas 5 voltas, até Hamilton correria risco. Vendo o compacto pela Sport TV, é espantoso! Na volta 48, Hamilton tinha aproximadamente 8 segundos para Alonso, o 8º. Em 8 voltas, essa diferença ultrapassava 30 segundos, o quê da quase 4 segundos por volta em um pneu mais gasto, absurdo! Paradas a menos, parecem fazer efeito, em circuitos extremamente travados, como Mônaco, Hungaroring e Valência, onde mesmo com ATM, passar por onde? A Ferrari foi uma verdadeira comédia pastelão!

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  8. Esse assunto do KERS, ou falta dele na RBR, é bem interessante, tecnicamente, as equipes dizem que o uso das baterias melhoram o desempenho, mas hipoteticamente (tendo em vista o quanto os Pirelli têm batido nos estrategistas)delirando, excetuando-se largadas e briga pela pole, será que o KERS, que aumenta absurdamente o torque em saídas de curvas, será tão benéfico para os pneus em voltas contínuas? Será que esse dispositivo, não em duas, três voltas, mas em doze, treze voltas, não degrade ainda mais os Pirelli? Tudo bem que a RBR é um carro equilibrado, mas se pensarmos que teoricamente, Webber conseguiu ganhar várias posições, brigando em pista, e mesmo que os macios fossem novos, quem sabe a falta do KERS, não tenha contribuido para a otimização por mais voltas dos macios? Por outro lado, se pensarmos o contrário, onde o RB7, é praticamente uma continuação do RB5 e do RB6, será uma encruzilhada para os touros resolverem os problemas das baterias, tendo em vista, que quando não usavam o KERS, tinham os Bridgestone duráveis para otimizar o bom balanço aerodinâmico/mecânico, além de não se ter as facilidades da ATM.

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