Como saber que é a hora de pendurar o capacete na F1?

Pilotos gordinhos, beberrões, e que acendiam seu cigarro momentos antes de subir no carro. Não faz muito tempo que o automobilismo se profissionalizou e que os pilotos se tornaram verdadeiros atletas.

Paralelamente, os recordes de precocidade caíram um a um – e por repetidas vezes. Do mais jovem a alinhar no grid ao campeão do mundo mais precoce, vimos diversas marcas serem derrubadas nos últimos anos. Alonso bateu quase todas, depois Hamilton roubou algumas e, desde seu primeiro briefing, ainda como piloto reserva da BMW, Vettel destroçou as barreiras da precocidade  – além dos três, Alguersuari detém o título de mais jovem a disputar um GP, em 2009, então com 19 anos e 125 dias.

Mesmo sem contar Chandhok, aí estão 150 anos representados pelo "caçula" Webber, Schumacher, Trulli e Barrichello

Nem tudo isso foi capaz de afastar os veteranos. Schumacher está na ativa aos 42, enquanto Barrichello se encaminha para apagar velhinhas pela 39ª vez. Trulli é apenas dois anos mais novo que Rubens, enquanto Webber fará 35 sentado no melhor carro do grid.

Pelo menos olhando de fora, gás não parece faltar para a turma mais de 10 anos mais rodada que o atual campeão do mundo. Ainda que a molecada hoje já chegue bem preparada – em todos os sentidos, como vimos nos últimos posts – e os dados de telemetria e a precisão dos computadores e túneis de vento tenham diminuído a importância do feeling do piloto no desenvolvimento do carro, é curioso que haja espaço para os mais experientes.

E, já que a experiência já não é tão essencial, resta aos que já passaram dos 30 agregar valores. Um currículo recheado de vitórias, esperteza na relação com a equipe e a mídia, um físico invejável e mostrar-se sempre motivado são requisitos fundamentais.

Essa questão do treinamento, inclusive, é importante ferramenta no fator longevidade. É claro que há perda de condicionamento, especialmente de potência muscular, a partir dos 30, 35 anos, mas o treinamento é capaz de desacelerar isso. Outra questão é que a resistência muscular, fundamental nas corridas, demora mais a cair – por isso vemos que, entre os maratonistas, por exemplo, o auge se dá justamente perto dos 35 anos. Como na F1 são necessárias essas duas valências físicas – potência e resistência – perde-se de um lado e ganha-se de outro.

Se o corpo estiver pronto para o baque e a motivação, em dia, o que faz um piloto parar? Observando a lista de quem ficou pelo caminho nos últimos cinco anos, vemos mais nomes de, por um motivo ou por outro, desempregados do que aposentados, aqueles que planejaram o fim da carreira. Parece ser mais fácil a F1 se esquecer de um piloto que o contrário. Ralf Schumacher, Giancarlo Fisichella, Jacques Villeneuve, Alex Wurz, Nelsinho  Piquet, Kazuki Nakajima, Sebastien Bourdais…

Coulthard e Schumacher foram uns dos poucos que puderam programar sua aposentadoria - ainda que Michael tenha desistido da ideia 3 anos depois

A lista é grande, e conta com pilotos que saíram da Fórmula 1 ainda no auge da forma, como Juan Pablo Montoya e Kimi Raikkonen, dois que foram buscar em outros ares a felicidade que o mundo das aparências não lhes podia dar. É interessante ver como Nelsinho – se teria uma nova chance caso ficasse calado a respeito de Cingapura é algo que só podemos especular – foi limado da categoria antes mesmo de chegar na idade com a qual alguns campeões mundiais no passado estrearam.

As únicas aposentadorias de fato programadas foram de David Coulthard e Michael Schumacher. O escocês foi para a DTM ano passado, enquanto o alemão fez um pouco de tudo, e resolveu voltar três anos depois. Se o fogo ainda é tão alto quanto de outras épocas, é difícil saber, mas, mesmo aos 40, ainda têm lenha para queimar.

O fato é que os “highlander” da era da F1 física não parecem saber a hora de parar. Enquanto alguém quiser seus serviços, continuam na ativa, como um apostador que não sai do cassino antes de se desfazer de seu último centavo.

10 comentários sobre “Como saber que é a hora de pendurar o capacete na F1?

  1. Julianne,

    Os verdadeiros highlanders da categoria são o De La Rosa e o Heidfeld. Não dá para classificá-los como aposentados ou semi-ativos, pois volta e meia são convocados a prestar seus serviços quando as coisas apertam nas equipes.

    Mesmo o Coulthard, também não aposentou completamente para a F1, pois ainda participa em eventos promocionais da Red Bull.

    Aliás, ele ainda ocupa o papel de piloto de testes, dos testes proibidos?

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    1. O Heidfeld, embora esteja na ativa faz tempo, ainda não chegou aos 35, acredita?
      De la Rosa tem um sonho de ser o campeão do mundo mais velho da história (já tem quarentinha) e, convenhamos, sonhar não custa nada…
      Coulthard se aposentou das pistas em 2008. Depois, atuou como consultor da Red Bull, empresa pela qual ainda é patrocinado.
      Em 2010, foi piloto reserva em algumas provas, quando Brandon Hartley e Daniel Ricciardo estavam em outras competições, mas não chegou a andar.
      Hoje é comentarista da BBC e Ricciardo é o reserva das duas equipes da Red Bull, inclusive perdendo provas da Formula Renault 3.5 Series.

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  2. É legal ver Schumacher, Rubinho e Webber nas pistas. Mas a F1 não é mais para eles. Pilotos como Hamilton, Vettel, Rosberg e o Perez dominarão a F1 nos próximos anos.

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  3. Muito bom o post, não vejo com bons olhos pilotos veteranos na F1 de hoje.

    Em geral, são mais lentos que seus companheiros de equipe. A idade pesa, e muito, nos reflexos.

    O único ‘veterano’ que não ‘apanha’ com companheiro é o Rubinho, que também é o único que recebe ‘regalias’ da equipe antes do companheiro (ano passado com Hulk e esse ano com Maldonado).

    Belo post!

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    1. Acho que no caso do Rubinho nem é regalias e sim a escolha pelo piloto qu epode dar mais feed-back já que a Williams saiu da esfera da disputa e se encontra no patamar de equipe em desenvolvimento.

      Mais ou menos como aconteceu em um GP de 2009 com Hamilton e Kova.

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      1. Acho normal isso acontecer. Se não tem dois equipamentos iguais, o melhor vai para o piloto mais experiente, mais bem colocado no campeonato, cada um tem seu procedimento quanto a isso. Mas isso não elimina a discrepância entre os carros e o Rubinho tem tido, sim, vantagem nesse sentido.

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      2. Acho que nesse caso, como em alguns outros, a discrepência aparece por causa da qualidade do piloto e, também, da experiência do mesmo.

        Na minha opinião o Rubinho é melhor piloto que Hulk e que Maldonado.

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  4. Me lembro de Mansell saindo aos frangalhos do carro, enquanto Senna saia no máximo com cara de poucos amigos e com uma ajeitada no topete. Por mais que seja notável, acho que os veteranos podem tentar, mas a idade em um esporte de altíssimo desempenho como a f1, qualquer saída do padrão, faz muita diferença, vide o couro que Shumacher toma de Rosberg desde o ano passado. Vejo tbm na continuidade desses pilotos, uma forma mesmo que errônea, de manter um certo marketing. Fica um exercício de adivinhação mt grande, mas gostaria de imaginar o que Shumacher poderia fazer com uma Mclaren ou RBR nas mãos! Seria interessante, e só assim poderíamos medir com exatidão o quanto a idade pode influenciar. Por se tratar de um carro mediano, a Mercedes não nos oferece parâmetros seguros, apesar que o bom piloto, e em forma, na maioria das vezes leva o carro aonde não merece.

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  5. Hoje os carros são mais fáceis de guiar e os pilotos são muito mais bem preparados fisicamente. Existem muitos tri-atletas nos seus 40, por exemplo e ganhando provas de garotos.

    Há uns anos guiar uma prova inteira era uma proeza sobre humana.

    O cara saia do carro quase morto, hoje vc não vê mais esse tipo de cena, no máximo quando faz muito calor.

    Se vc pegar as câmeras on board de Senna verá que era uma verdadeira tortura pilotar em Mônaco, por exemplo.

    Hoje o Hamilton passeia pelas ruas do principado.

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