GP da Turquia por brasileiros, ingleses e espanhóis: “virou caso de polícia”

Galvão Bueno, na Globo, e Martin Brundle, na BBC, imaginam o que poderia tirar a vitória de Sebastian Vettel, pole do GP da Turquia. “Só mesmo quem acredita em mau olhado. Será que existe mau olhado suficiente no mundo?” Os ingleses veem a estratégia como a única chance. “Na China descobriram que nada é certo antes da prova”, lembra Brundle.

Os espanhóis já nem consideram Vettel. “Todos os olhos estão em Rosberg. A Mercedes melhorou muito e agora também é rival da Ferrari”, destaca Antonio Lobato. Mas há outro ‘adversário’ do carro de Maranello – o de nº 5, especificamente – que preocupa o narrador, Pedro de La Rosa e Marc Gené: as largadas. Os três procuram quem pode atrapalhar a primeira volta de Alonso e focam em Petrov. “Ano passado, se quisesse encontrar confusão, era só achar ele no grid”, lembra o piloto de testes da McLaren.

Para Webber, veremos primeiras voltas com menos ataques suicidas neste ano

Mas, em 2011, temos visto menos acidentes na primeira volta. “Mark Webber me disse que vamos ter menos incidentes no começo nesse ano porque os pilotos sabem que podem ultrapassar. Isso tirou o desespero de resolver tudo logo de cara.”

De fato, temos tido menos confusão. Mas esqueceram de avisar alguns pilotos disso: Perez surge no box com a asa quebrada – “tenho medo desse mexicano arrumar uma confusão das grandes”, teme Galvão; “bem-vindo à F1, Perez. Ele começou muito bem mas agora está vendo como é o mundo real”, completa Brundle.

E Hamilton tentou passar Webber por fora, pisou na sujeira e perdeu duas posições. “Forçou quando não devia. É aquele negócio da cabeça quente de Hamilton.” Enquanto Galvão procura os adjetivos, perde a ultrapassagem de Massa sobre Heidfeld. É salvo por Reginaldo Leme.

Schumacher é outro que não parece disposto a ceder, e também quebra sua asa dianteira na disputa com Petrov. Para Luciano Burti, “vacilo” do alemão. “Não sei porque ele não desiste! Não vale a pena correr o risco de virar quando bem entender se tem alguém na linha de dentro”, ensina David Coulthard. Gené vê exagero, mas de Petrov, enquanto De la Rosa defende Schumi. “Ele foi mudando de direção na freada, não deu espaço. Mas é acidente de corrida. Tem que dar tudo de si, não dá para deixar passar.”

A corrida é frenética e Hamilton parte para cima de Button, mostrando o bico até na entrada da curva 8. “Pedro ficou pálido aqui”, Lobato entrega. “É nesse momento que acho que a equipe deve interferir porque um está atrapalhando o outro. Fala para o Hamilton seguir o Button”, sugere Galvão.

Parece que era o que estavam tentando fazer. “Muita discussão no pitwall da McLaren”, o repórter da BBC Ted Kravitz testemunha. “Provavelmente estão pedindo para não fazerem nada bobo, mas Button ficou muito surpreso, para dizer o mínimo, com a agressividade de seu companheiro na China.”

A briga é lembrada por Gené na La Sexta. “Teve algum problema depois daquilo?” o piloto de testes da Ferrari pergunta a seu colega da McLaren. “Nada, nada. O que é bom entre esses dois é que eles lutam como se não fossem companheiros.”

Outro fator que chama a atenção de todos é a facilidade das ultrapassagens entre os ponteiros devido à asa traseira móvel. Reginaldo Leme acaba como única voz contra o artifício na Globo, mas Brundle, Coulthard e Gené concordam com o comentarista. “A zona de ativação aqui é muito antes da freada, estamos vendo ultrapassagens muito fáceis”, diz o escocês.

Tanto, que os espanhóis até imaginam que Rosberg tenha problemas, tamanha a facilidade com que é superado por Webber. Logo depois fica claro que é uma questão de asa + desgaste de pneus. “Acho que a Mercedes é muito instável na freada com tanque cheio”, observa Brundle.

De la Rosa acredita que as primeiras paradas serão entre as voltas 12 e 15. “Todos vão tentar ir a três”. Assim que o espanhol diz isso, Hamilton e Massa entram no box, para surpresa de todos, uma vez que, olhando os tempos, não havia uma degradação tão significativa. “Agora não há sentido em fazer três, tem que copiar os outros”, Pedro volta atrás. Nesse momento, Coulthard decreta que a corrida terá quatro paradas.

Massa é liberado pelos mecânicos em cima de Hamilton. Galvão primeiro vê o inglês jogando o carro em cima do brasileiro, para recuar no replay: “Felipe fez o que tinha de fazer”. Mas a preocupação na BBC é outra: teria sido um unsafe release por parte da Ferrari? Voltas depois, Ted Kravitz volta com a informação de que a equipe italiano se defendeu perante os comissários dizendo que Felipe cedeu a posição ainda nos boxes. E ficou nisso.

Petrov e Heidfeld aparecem se estranhando e Galvão afirma que “quem está torcendo para a equipe não gostar disso é Bruno Senna.” Burti e Reginaldo conversam sobre as paradas. Ainda não se fala em quatro na Globo, o ex-piloto de F1 acredita que Button fará apenas duas, mas o comentarista não crê que os pneus aguentem.

Quando Barrichello passa Schumacher, Galvão vê um “presente de dia das mães. Ganhou a corrida dele.” Para Burti, o brasileiro “tira leite de pedra às vezes, mas precisa que a equipe tenha o mesmo comprometimento que ele e às vezes não vê isso na Williams.”

Rubinho foi um dos que entrou na festa. “Schumacher está tomando cada risco no capacete, amigo. Estou achando que vai pensar seriamente em parar no final do ano”, se diverte Galvão. Não é o único. Os ingleses deitam e rolam. “Michael tem problemas no roda a roda, não?”, pergunta Brundle. ”É que ele nunca teve que se preocupar com isso porque costumava liderar todas as provas”, explica Coulthard. “É a pior corrida do ano dele, todos o passaram”, decreta Gené. “Eu e Reginaldo somos mais adiantados na idade, as coisas mudam, os reflexos não são os mesmos”, Galvão é a voz da experiência.

Falando em reflexos e mudanças físicas, o repórter Carlos Gil interfere para informar que, na curva 8, a carga no piloto chega a “5 giga”.

As corridas andam tão animadas que os comerciais da La Sexta agora ocupam 1/4 da tela

Enquanto isso, Massa fica preso atrás de Rosberg. Na Globo, culpa dos motores Mercedes. Na La Sexta, a situação lembra Abu Dhabi. “Parece que está acontecendo a mesma coisa, a sétima marcha é muito curta e ele bate no limitador antes de chegar perto. A corrida do Felipe está sendo jogada fora agora”, Lobato observa bem. “Todos passam o Rosberg, menos o Massa”, define Brundle.

Um assunto que rendeu toda a corrida na transmissão brasileira foi a diferença entre os pilotos que “jogam limpo”, claro, os brasileiros, Button e suas “manobras espetaculares” e Rosberg, daqueles com os quais “ninguém divide curva”. “Tem outros aí… Hamilton, Schumacher… e o Alonso então?” Voltas depois, Burti inclui Senna na lista, que agora já não é mais dos sujos, é dos que “vão para cima”. É ignorado.

Mas o dia era de manobras no limite. Schumacher definitivamente não estava no seu dia, e Alonso e Hamilton se comportaram muito bem no roda a roda. Sem evidências para sustentar a tese do lado dos ‘maus’, o trio teve que rebolar para explicar as ações dos ‘bonzinhos’. “Kobayashi é assim mesmo, passa do jeito que dá”, Galvão diz quando o japonês vai trombando ao abrir caminho. Quando Rubinho que é duro, é porque “ele não tem muito espaço para deixar a Schumacher, até porque se fosse o contrário aconteceria o mesmo”, afirma Burti. E Massa, nas últimas voltas, espalha para cima do mesmo Michael: “ele devia estar com a faca nos dentes. Pensou ‘já que é para sair da pista, vamos sair, eu vou para cima’”.

Os espanhóis preferiam falar da evolução da Ferrari. “Sabemos que, se chegarmos a 4 décimos da Red Bull em classificação, encostamos na corrida”, Gené revela as contas da Scuderia, que se classificou a oito décimos dos rivais na Turquia. Lobato não está seguro de que é o carro que melhorou tanto. “Incrível a corrida do Magic! Que carrerón! Mesmo que alguns insistissem em falar que a temporada estava acabada, havia um senhor calmo que falava que era só evoluir um pouco o carro, porque ele continuaria a dar 140% e tirar petróleo para conseguir coisas inimagináveis.”

Os ingleses também elogiam o espanhol, ainda que Ted Kravitz informe que a Ferrari não está 100% segura sobre o rendimento do pneu duro. “Alonso é implacável, o admiro por isso”, diz Brundle. “É uma de suas grandes qualidades, ele dá o máximo e obriga o time a fazer o mesmo”, completa Coulthard.

A dupla de ex-pilotos britânica destaca ainda qualidades de Vettel. “Por que ele sempre consegue gastar menos pneu que Webber?”, Brundle pergunta. “Porque ele desliza menos o carro. Quando se desliza, o pneu superaquece”, Coulthard explica.

Enquanto isso, é Hamilton quem ganha os louros dos espanhóis. “É impressionante como ele consegue seguir um carro de perto, parece que não sente a queda de pressão aerodinâmica”, observa Gené. “É por isso que ultrapassa tanto”, completa De la Rosa.

O catalão continuava confuso com as estratégias. Não entendia porque Rosberg arriscava colocar os pneus duros ainda na primeira parte da prova, não se convencia totalmente de que Button estava fora da disputa e chegou a propor que Alonso fizesse uma parada a menos para ver o que acontecia. Gené não quer arriscar: “Acho que a Ferrari vai copiar o que a Red Bull fizer.”

É justamente o que o engenheiro Andrea Stella diz a Alonso pouco tempo depois, em italiano, para surpresa de De la Rosa. “Eles não podem fazer isso, porque no muro da McLaren ninguém vai entender”. Ted Kravitz logo corre para pegar a tradução com os colegas italianos e, de quebra, informa os espectadores de que “tem gente que fala italiano no pitwall da Red Bull. A Ferrari devia saber disso.”

Brundle tenta explicar os problemas de Button. O piloto é sempre motivo de piada para os fãs de Hamilton quando não consegue fazer os pneus durarem, o que seria sua grande qualidade frente ao ‘devorador’ Lewis. “Ele é um dos pilotos mais suaves, mas é uma questão de quilometragem, não de estilo de pilotagem.”

Massa, que já havia tido um pitstop ruim, agora tem um péssimo. Para Galvão, que andava comparando os tempos do brasileiro com seu companheiro e reclamando que “quando você discute em décimos de segundo na pista, a equipe não pode perder 2s1, não tem o que o piloto possa fazer”, a situação “já virou caso de polícia.” Para ingleses e espanhóis, é mais simples. “Massa não deu chances para os mecânicos colocarem seu pneu”, vê Kravitz. “Tem que pisar no freio. Não entendo”, completa De la Rosa.

Mas, nesse ponto, a transmissão brasileira já havia se tornado monotemática. Dos pilotos sujos aos pitstops. “A Ferrari jogou o Felipe lá para trás”, Galvão afirma no mesmo instante em que o replay mostra o piloto saindo da pista. Agora são a Ferrari mais a escapada que definem a 11ª colocação. “A Red Bull faz 3s3, a McLaren faz 5s e a Ferrari 6s. Não tem o que fazer. É um conjunto de vencedores.”

Esse olho grego/turco só pode ser provocação. "That's what I'm talking about", diria Vettel

E aí partimos para um discurso sobre a grandeza de Vettel. “São dois anos de carreira pra valer e ele fez coisas só vistas em gigantes como Prost, Schumacher e Senna. Pode procurar no livro”, desafia Galvão. “Não tem ninguém que ganhou um campeonato com 3 anos de carreira”, completa Reginaldo. Não precisa ir nos livros. Todos os campeões do mundo do grid, inclusive Button, ganharam o campeonato na primeira oportunidade que tiveram com um carro competitivo. A exceção é Hamilton, cujo atenuante é ter estreado num carro bom e, de qualquer forma, ganhou o título em seu segundo ano.

Nenhum desses exageros tira os méritos de mais uma corrida tranquila do líder do campeonato. “Como batê-lo? Ele parece ter uma resposta para tudo. Larga bem, cuida dos pneus, não erra, mantém a cabeça no lugar…”, enumera Brundle. “Só não fico feliz por Vettel. Nada contra ele, mas… imagine essa corrida sem ele!”, De la Rosa sonha.

O piloto de testes da McLaren está um pouco cabisbaixo. “Não foi nossa corrida. Nem na estratégia, nem nos pitstops. Trouxemos um novo escapamento que não funcionou, mas não se preocupe, Antonio, voltaremos em Barcelona”, De la Rosa provoca Lobato, que prefere as boas-novas da Ferrari. “Imagine o quão perto Hamilton estaria não fosse o erro no pitstop“, os ingleses também têm sua dose de chororô.

“Fernando perdeu menos de 3 décimos por volta e na classificação perdia 8”, Gené se empolga e erra na conta. A realidade é ainda mais promissora: são 0s176 por volta, sem contar os 4s5 pedidos em relação a Vettel no box. “Os Red Bull perdem 0s5 da classificação para a corrida.” Mas logo vem De la Rosa e joga um balde de água fria em todos. “O que me preocupa são os décimos que Vettel tem no bolso”.

18 comentários sobre “GP da Turquia por brasileiros, ingleses e espanhóis: “virou caso de polícia”

  1. Bom saber que tem mais gente como eu que assiste as transmissões de outros países. E melhor ainda alguém escrever sobre isso.

    Perguntas:
    1) O que vc achou da mudança do Legard para o Brundle? (atrasado eu sei)
    2) Vc assiste só a transmissão da bbc ou assite tbm o “race buildup” e o “f1 forum”?

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    1. Achei muito positiva a mudança. O Brundle tem me surpreendido na capacidade de dar emoção sem cair na baboseira que julgava ser inevitável dos narradores e o Coulthard está se revelando um comentarista melhor que o Brundle. Comentou-se na Inglaterra que as primeiras provas estavam muito “para iniciados”, mas acho que eles pegaram o jeito.
      De certa forma, a TV espanhola tem caminhado nesse sentido. Com De la Rosa e Gené, Lobato fala menos e a transmissão fica mais rica. É de se questionar se eventos esportivos precisam mesmo de narrador!
      Assisto tudo, sou fã do Jake Humphrey. Aquele Forum é a melhor ideia que a BBC trouxe pra F1.

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      1. É verdade, ele com um iPad respondendo perguntas ao vivo é sensacional. Enquanto isso, Galvão Bueno durante a prova vez ou outra, fala por MSM, mas apenas com alguns amigos!

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  2. Outra ótima corrida, fora as pachecadas do Galvão.

    Achei que o Burti e em menor grau o Reginaldo, participaram mais da transmissão, dando suas opiniões.

    Será mais um efeito colateral dos pneus Pirelli? As corridas ficaram mais confusas e o Galvão está dividindo um pouco a responsabilidade de desinformar o público?

    Será que eles descobriram o FasterF1? Pois está ficando evidente a falta de qualidade prestada pela Globo.

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  3. Brilhante trabalho, Ju!!! Apesar de Webber falar que as primeiras voltas serão menos brigadas, tenho minhas dúvidas, afinal ao que parece, um dos diferenciais de Vettel, parece justamente o fato de não ter que brigar, desgastando menos os pneus, parando mais tarde, abrindo vantagem preciosa, enfim, caminhando para a vitória. A BBC, expôs algom mt interessante sobre os Pirelli, afinal segundo Brundle, não importa o estilo, e sim a quilometragem, portanto, mudanças de análise. Nada de suavidade, vale a pena o arrojo nas ultrapassagens, e evitar dividir curvas. Hehe, a Pirelli vai pirar nossa kbça!

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  4. Julianne,

    Essa sua ideia de comparar as transmissões é sensacional!

    Você assiste o mesmo trecho 3 vezes ou assiste cada uma das trasnmissões do início ao fim?

    Acho que o ideal seria um narrador com o vozeirão do Galvão, porém um pouco mais entendido como o narrador espanhol e tendo Coulthard, Brundle, Gené e De La Rosa como comentaristas!!!!

    [ ]’s

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  5. Só pra constar. adoro ler estes posts sobre as transmissões. deve dar trabalho mesmo, mas pra quem lê é ótimo.

    obrigado.

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  6. Parabéns pelo excelente blog!
    Aqui na Nova Zelândia assisto a f1 pela Sky, que passa a transmissão da BBC. Na última parada do Massa, quando a roda traseira continuou a girar, o Coulthard falou na hora: “ele não apertou a embreagem até o fim”… nos dias seguintes, fiquei im pressionado com a quantidade de bobagens que li nos sites brasileiros, culpando os mecânicos, aparentemente ninguém viu ou têm problemas cognitivos sérios.
    Intrigado, digitei “massa+turquia+embreagem” no google e cheguei ao seu blog, um excelente blog.
    Infelizmente, estou parando de assistir à F1, ou, como eu a chamo atualmente, “Hermann Tilke’s World Championship”.
    Abraço

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    1. Que legal, Geraldo, obrigado. Essa do pitstop para mim é um claro sinal de como as pessoas em geral tendem a criticar o Galvão, mas o seguem em tudo o que ele diz!
      Só não para de assistir, até porque o Tilke nem errou em todos! Das 4 primeiras corridas, foram 3 em circuitos dele e a piorzinha foi a única que ele não desenhou. Todo mundo mete a boca nele, mas temos que lembrar disso também. Aliás, as corridas na Turquia e na Malásia sempre foram boas.

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      1. Oi Julianne,
        concordo com você, o Tilke não errou em todas. Na verdade, logo depois que escrevi o comentário me arrependi, porque nessas quatro corridas o circuito não-tilke (Austrália) é um dos que menos gosto, e um dos circuitos tilke, o da Turquia, é pra mim o melhor dos tilkódromos.
        Contudo, penso que ele “errou” (mais adiante explico o porque das aspas) em quase todas: A1 é um arremedo de circuito perto de Osterreichring, do mesmo modo que o moderno Hockenheim. Bahrain, Sepang, Shanghai, Valência, Abu Dhabi, não gosto de nenhum deles.
        O fato de os tilkódromos serem iguais, muito já se falou disso, faz com que não haja variações: antigamente um carro era melhor em Kyalami, enquanto outro era melhor em Brands Hatch, um outro em Mônaco, um outro ainda em Dijon… cada autódromo tinha sua própria personalidade, coisa que não se vê mais. Além disso, corro o risco de ser radical, mas para mim o que está acabando com a emoção da fórmula 1 não são problemas com a ader6encia, os pneus, o motor, os freios, nada disso: são os autódromos.
        E aqui chego ao ponto de explicar que o Tilke não errou. Ele é um profissional, fez e faz o que pediram para ele: autódromos seguros, funcionais, com boa distribuição de arquibancadas, boa logística de transporte… uma das últimas coisas que ele pensa ao construir um autódromo deve ser na corrida em si… mas isso não é um erro, ele é pago pra isso. Quem tem a “culpa”, nesse caso, é quem o contratou. A segurança, a logística, a comercialização estão acabando com a F1, o que é um paradoxo: quanto mais eles tentam atrair a audiência, o que é compreensível (a F1 custa caro), mais eles a afastam.
        Hoje em dia, por razões comerciais, não seria possível um circuito como Reims, ou Nurburgring (nordschleife), ou Spa (o velho), ou mesmo o velho Interlagos. Eu adorava um circuito chamado Zandvoort… onde ele teria lugar na F1 de Hoje?
        Abraço.

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      2. Sim, há dois erros de conceito nas pistas novas do ponto de vista da ultrapassagem – e concordo com você que o fato delas serem feitas pela mesma pessoa só quer dizer que ele tem atendido exatamente ao que lhe foi pedido: áreas de escape rápidas e a ideia de que só se pode ultrapassar dividindo a freada.
        Os F1 hoje freiam muito bem, então a zona de frenagem é menor e, com isso, a possibilidade de ultrapassar por frear mais tarde que o adversário tb. Fiz um post sobre isso na época do GP da Malásia. Hoje se ultrapassa em circuitos que permitem linhas diferentes, o que é provocado especialmente por desníveis (Sepang e Istambul são claros exemplos disso, assim como Spa).
        Já o problema das áreas de escape é que elas são boas para a segurança e ruins para as ultrapassagens, porque não punem erros. O que fazemos, voltamos aos anos 80 e usamos britas, cercas, tudo o que comprovadamente não funcionava?
        Vejo um conflito de interesses aí, porque a profissionalização do esporte fez com que aqueles grandes desafios do passado se tornassem impensáveis hoje. Que empresa gastaria milhões em propaganda num esporte que mata? Mesmo o Spa de hoje não é o mesmo de 10 anos atrás, e, ainda assim, foi um circuito que manteve sua aura. Talvez seja esse o caminho, porque simplesmente voltar 20, 30 anos não é uma opção.

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