Pneus dão emoção, mas escancaram as fraquezas dos carros

Heidfeld deixou um batalhão para trás na corrida de hoje

Os pneus e demais “brinquedos” para aumentar o número de ultrapassagens têm um efeito interessante. Ainda que as corridas tenham se tornado cheias de alternativas e extremamente movimentadas – até o GP da Espanha não foi uma procissão como de costume – nem toda a incerteza do mundo consegue superar a vantagem de ter um carro bom.

Na corrida de hoje, vimos Jenson Button fazer funcionar a estratégia de três paradas que não lhe deu muitas alegrias na Turquia. É lógico que são circuitos – e até pneus – distintos, mas também o rendimento da McLaren era melhor em Barcelona. Vimos Nick Heidfeld largar em último, chegar em oitavo, e garantir que, se a corrida tivesse mais duas voltas, seria o sexto (e com razão, pois chegou a 1s3 de Schumacher , com ritmo mais de 2s superior por volta).

Nas corridas anteriores, Webber largou em 18º para ir ao pódio e Kobayashi saiu de último a 10º. Todos chegaram mais ou menos onde estariam caso a classificação tivesse sido normal.

O que os três últimos exemplos têm em comum são os pneus economizados na classificação e a estratégia de usar o duro logo no início da prova. A ideia é tirar o pior composto do caminho no momento em que o piloto estiver escaixotado entre carros mais lentos e poder usar os macios quando todos estiverem andando num ritmo mais lento.

Mas temos visto que até mesmo as “invenções de moda” nas estratégias são limitadas pelo rendimento do carro. Foi o que Barrichello descobriu em uma ponta do grid e Alonso, na outra. Os carros mais desequilibrados tendem a gastar mais pneu, o que limita os ganhos de qualquer tipo de combinação. Não tem o que inventar.

Os Pirelli podem ser chamados de desastre, chocantes, seja o que os pilotos quiserem, mas não milagreiros.

8 comentários sobre “Pneus dão emoção, mas escancaram as fraquezas dos carros

  1. Sabe, Ju, em outras corridas, o rítimo da Ferrari era bem melhor. Tudo bem que o carro italiano é inferior à RBR e Mclaren, mas vc não acha que os problemas com a nova asa, o atraso gerado na nova reconfiguração, e se não me engano, tendo que usar a asa da Turquia, tenha sido mt importante no desempenho pífio da Ferrari?

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    1. Esse seria sempre um circuito complicado para a Ferrari devido à dependência da pressão aerodinâmica, principal deficiência do carro. E o novo pneu super duro da Pirelli não ajudou. Se for esse mesmo o caso ao invés de uma melhora maior dos rivais, descobriremos em uma semana. Mônaco, com pneu macio e super macio, é um bom teste pra Ferrari.

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  2. Ju,

    Acho que até agora ninguém que foi para o Q3 arriscou fazer um tempo alto com pneus duros para se ver livre deles logo após o 1º stint na corrida. Assim, o piloto teria pelo menos 2 macios novos para a corrida, o que poderia fazer uma grande diferença no final da corrida. O que está faltando, medo de sair do convencional?

    A ATM apesar de não propiciar grandes ultrapassagens, foi fundamental para manter a McLaren de Hamilton sempre próxima de Vettel, o problema era a pista.

    Temperatura alta virou sinônimo de problema para o kers da RBR, ainda não conseguiram resolver o problema de refrigeração e na largada do Alonso ficaram para trás.

    Acredito que o melhor carro do final de semana foi a McLaren, se fosse outra pista, o Vettel não conseguiria se defender do Hamilton com um kers oscilante. E se Button não tivesse caído para 10º na largada, será que brigava pela vitória?

    Vamos ver como ficaram as forças quando restringirem os escapamentos soprados.

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    1. Se nem os pilotos que largam perto do 11º fizeram isso, é porque as equipes sabem que, andar de pneu duro no início perto de carros com o mesmo rendimento é pior. Temos que imaginar que quem vai arriscar é alguém que não tem carro para a pole.
      Largar com duro só funciona se um carro mais rápido está mais atrás devido à grande diferença de rendimento, que vai fazer com que ele não seja um alvo tão fácil, imagino.

      Sim, a DRS é fundamental para manter os pilotos próximos, mesmo que não interfira diretamente na ultrapassagem. Curiosamente, a maioria das ultrapassagens que tivemos entre os ponteiros não foram na 1ª curva.

      Button imagina que lutaria mais à frente, mas temos que lembrar que o fato dele ter pista livre entre os 2º e 3º stints o ajudou tanto a preservar pneu, quanto a andar forte, sem disputar posição, ao passo que Hamilton teve que forçar o tempo todo.

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      1. Ju,

        Se a Ferrari tivesse optado por largar do fundão preservando os 3 jogos de pneus macios para a corrida, talvez tivessem tido melhor sorte. Os 2 stints finais com pneu duro acabaram com as chances de Alonso e Massa.

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      2. Acima de quintos eles não chegariam nem com uns 10 jogos de pneus novos. Talvez ajudasse um pouco o Massa.
        Por mais que tenha se criado essa mística de largar lá atrás e se dar bem, temos visto os carros se classificarem em seu lugar de direito, não é? Usando essa tática, Webber foi terceiro de Red Bull, Kobayashi foi décimo de Sauber, Heidfeld foi oitavo de Renault e Barrichello foi 17º de Williams. Ou seja, terminaram na posição real que seus carros permitem.

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