GP da Grã-Bretanha por ingleses, brasileiros e espanhóis: “Logo hoje que sua fotinho está no capacete dele!”


Depois de destacar a visita à “casa espiritual” do esporte a motor britânico, Martin Brundle toca no assunto que está na boca de todos antes da largada do GP da Grã-Bretanha: que pneu usar na chuva? “É o pior pesadelo de um piloto. Você quer uma pista totalmente molhada ou seca”, testemunha David Coulthard, na BBC. “Esse pneu intermediário vai virar um slick em três ou quatro voltas”, prevê Marc Gené, na espanhola La Sexta. “A expectativa de três paradas agora muda”, raciocina Luciano Burti, na Globo, enquanto Coulthard aposta em quatro pits na corrida. Claramente, as novas cabines de imprensa, que conferem visão bem limitada da pista, desvirtuaram alguns dos comentários. A verdade é que ninguém tinha noção do quão molhada estava a pista.

No final das contas, havia água o suficiente para que os intermediários funcionassem bem e a estratégia fosse mantida – ainda que alguns comentaristas insistissem na possibilidade de quatro paradas até o final.

Vettel toma a ponta e provoca reações distintas. “Webber contemplou a ultrapassagem”, define o narrador Luiz Roberto. “Deu a sensação de que deixou passar”, concorda o espanhol Antonio Lobato. “Ele está em vias de renovar o contrato e parece que não quis arriscar”, identifica Reginaldo Leme. O comentarista diz que não gostou do comportamento de Massa na largada. “Sem ser atrapalhado por ninguém, perdeu velocidade.”

Brundle custa um pouco para perceber a inversão na primeira fila da Red Bull. Estava mais preocupado com Button. “Parece que tem problema de equilíbrio”, acredita Coulthard. “Foi fácil para Massa e ainda mais para Hamilton passá-lo”, completa o narrador, sobre o que é definida por Burti como “uma briga dura, mas bonita, entre Massa e Button”. A dupla britânica comenta como os carros devem estar dificeis de controlar, devido à falta de tempo de pista na sexta-feira.

Na La Sexta, notam que “todos os pilotos do lado direito largaram melhor”, algo que seria comentado pelo pole Webber ao final da prova. Os espanhóis começam a se preocupar com a fuga de Vettel à frente – desde o início acreditam na vitória de Alonso. “Esses três ou quatro segundos que Vettel tem em relação a Webber e Webber com Alonso são importantes porque, ainda que se equivocaram com os pneus e perdam tempo nos pits, voltam na frente”, diz Gené, para logo dar sua pitada de torcida. “É impossível que Vettel não destrua os pneus nesse ritmo.” Enquanto isso, Pedro de la Rosa torce para que seque rápido. “Aí teremos corrida.”

O repórter Ted Kravitz intervém na BBC para informar que “se eles usarem o pneu intermediário até a volta 10, é boa notícia para a estratégia.” Logo após Burti destacar que os ponteiros estavam esperando “alguém dar a cara a tapa”, Schumacher perde o bico em uma disputa com Kobayashi. “Ele atropelou o Kobayashi”, define Luiz Roberto. Coulthard ri do ex-rival. “Ele não esperava que Kobayashi voltasse à trajetória, mas era perfeitamente normal que o fizesse. Totalmente culpa dele.” Brundle concorda, mas acredita que não haverá punições devido às condições de pista. Para Lobato, contudo, “não tem o que investigar”.

Culpado ou muito culpado, a colisão significa que o alemão calça os slick. “Muito arriscado”, De la Rosa e Gené concordam. Mas o heptacampeão volta como o homem mais rápido da pista e todos seguem. Na Red Bull, Webber para primeiro – “não é que queiram beneficiar Mark, mas querem proteger Vettel de Fernando”, explica Gené – e, na Ferrari, Alonso – “Massa teve de esperar e está sem aderência alguma”, observa Brundle. Pelo menos na Globo ficam felizes com o tempo de parada do brasileiro. “Até que enfim a Ferrari trabalha melhor com o Massa.”

Na BBC, discutem porque Button gastou mais pneu na primeira fase da corrida, sendo que é o piloto mais suave do grid, o quanto que ele gosta deste tipo de condições e como sua ultrapassagem em cima de Massa com suas “habilidades supremas” lembrava Mansell passando Piquet por fora em 1987. É na Globo que surgem os elogios a Hamilton. “É nessas condições que ele aparece, largando de intermediários e indo bem de slick na pista ainda escorregadia”, destaca Reginaldo no momento em que o inglês ultrapassava Alonso.

Os espanhóis não puderam dizer muito sobre a cena. Afinal, estavam nos comerciais. Na volta, Lobato avisa: “tenho uma notícia boa e outra ruim. A ruim é que as Ferrari não têm temperatura no pneu e foram ultrapassadas pelas McLaren. A boa é que Webber está encostando em Vettel, que é o mais lento dos seis primeiros… agora Vettel faz volta mais rápida. Então tenho duas notícias ruins.”

Os ingleses finalmente se empolgam com Lewis. “É o tipo de bravura que esperamos dele”, afirma Coulthard. “Não acredito que ele parou o carro”, responde Brundle. “Eu fiquei pisando no freio aqui.”

Poucas voltas depois, são as Ferrari os carros mais rápidos da pista. “A corrida está virando de cabeça para baixo”, define Brundle. De la Rosa explica. “A McLaren ganhou a corrida do Canadá porque consegue aquecer o pneu com a pista um pouco molhada. A boa notícia é que, secando a pista, os carros com dificuldade de aquecimento vão economizar mais pneu.”

Dito e feito, as Ferrari vão para cima. Ainda que Burti não acredite muito. “Não acho que a diferença da Red Bull para Hamilton e Alonso seja real. Acho que os dois estão atacando enquanto Webber e Vettel economizam pneus.”

Alonso agora era o homem mais rápido da pista e Hamilton logo percebeu que isso era real. “Ele foi para cima de Hamilton porque é o mais rápido hoje. Alonso is on fire!”, exclama Brundle, enquanto os espanhóis, mais uma vez nos comerciais, perdem a manobra. Pelo menos desta vez, era o banco Santander, com o próprio Alonso como protagonista, que preenchia a tela. Na volta, Lobato se empolga. “Tem corrida pela frente e Fernando é o mais rápido!”

O narrador adotou um tom conformista quando a Red Bull fez uma parada um pouco lenta para Webber. “Tudo sempre acontece com ele. Agora que já erraram com Webber, tudo vai ser perfeito… não tão perfeito, não tão perfeito, não tão perfeito! Fernando à frente. Impressionante!” O erro animou a todos. “Desculpe Red Bull, mas isso é ótimo para a corrida!”, se diverte Brundle ao ver os carros da equipe anglo-austríaca em terceiro e quarto lugares. “Logo hoje que sua fotinho está no capacete você vai cometer um erro desse!”, brinca Luiz Roberto.

A briga agora seria entre Vettel e Hamilton, o “protetor inesperado” de Alonso, para os espanhóis. “É crucial para as chances da Red Bull que Vettel passe Hamilton, porque ele está perdendo um segundo para Alonso”, observa Coulthtard. “Mas Vettel também é um segundo mais lento. Está indo para as mãos do espanhol”, comenta Brundle. “Posso ouvir Eddie Jordan dizendo no paddock: ‘eu disse que era o dia dele’.”

Para os espanhóis, se Vettel fosse tão mais rápido, teria passado com facilidade. “Mesmo sem Hamilton à frente, o ritmo dele não seria muito melhor. Se tivesse o mesmo ritmo de Alonso, já teria passado”, observa Gené. “Olho para a tela e não acredito em ver Alonso em primeiro, seu ritmo e Hamilton como aliado”, afirma De la Rosa. Para os ingleses, Vettel não consegue passar porque “se aproxima no setor mais lento e fica em posição de ataque onde ainda está molhado.”

Ted Kravitz opina que a ajuda de Hamilton foi um presente para a Ferrari. Coulthard não concorda. “Isso não é um presente. Eles chegaram à liderança por mérito.”

Quando Button abandona, o ex-piloto escocês ri da informação errada dada pelo rádio, de que o pneu dianteiro esquerdo não havia entrado. “É a direita, Jenson. Ele não sabe onde está a direita e a esquerda”, aproveita para brincar com seu amigo.

Quando Vettel faz seu terceiro pit stop, para tentar – e conseguir – o undercut em Hamilton, o trio brasileiro se confundiu algumas vezes. Primeiro, viram Alonso onde estava Massa, logo à frente do alemão. Depois, calcularam que o piloto da Red Bull poderia voltar à ponta quando o espanhol fizesse sua parada – ainda que estivesse cerca de 34s à frente.

Não deram muita atenção para a estranha decisão da Ferrari em deixar Massa se arrastando na pista. “Ele tem que entrar. Está muito lento! Será que é uma estratégia para segurar Webber?”, questiona Coulthard. “Isso não afetaria a corrida de Alonso. É como se eles pensassem: ‘a corrida de Alonso está ok? Manda o outro entrar’”, emenda Brundle.

Hamilton recebe “a última mensagem que o piloto quer ouvir”, segundo Coulthard: tem de economizar combustível. “Será que a McLaren foi mais competitiva do que esperava e, por isso, faltou combustível?”, pergunta o escocês.

Logo depois, a Red Bull aparece no rádio alertando Webber de que este poderia ser um blefe. “Parece pôquer! Foi aberta uma nova página no livro de desculpas de pilotos: ‘estava blefando’”, se diverte Brundle. Mas De la Rosa não gosta. “A McLaren não faz esse tipo de coisa.”

Realmente, nada de blefe para Hamilton, que perde a posição para Webber. Enquanto isso, os brasileiros enchiam Alonso de elogios. “Ele tem feito corridas excepcionais, mas essa é impressionante”, afirma Reginaldo. “Na opinião de muitos, é o melhor do grid.” Reginaldo lembra que o asturiano chegaria a 27 vitórias. “Me lembro de quando Stewart fez essa marca; ele era considerado imbatível.”

O comentarista reclama que não mostraram a última parada de Barrichello, enquanto Antonio Lobato quer ver Alonso na frente.

Mas a corrida ainda guardaria muita emoção para as voltas finais. Massa perseguindo Hamilton – aquele que é “metade homem, metade peixe” para os ingleses – e Webber colocando pressão em Vettel. “Daqui a pouco vamos ouvir Vettel no rádio perguntando: ‘o que está acontecendo? Por que ele está aqui?’”, Brundle aposta. “Não há ordens de equipe na Red Bull”, Coulthard corrige, ecoando os dizeres de Luiz Roberto na Globo, ainda que Burti saliente: “Vocês lembram o que aconteceu da última vez que deixaram esses dois disputarem posição…”

A Red Bull certamente lembra e, na última volta, a transmissão mostra a mensagem para que Webber fique onde está. Lobato, que estava achando graça da briga que acreditava ser “teatral”, afirma que “era para Vettel ser terceiro, mas a Red Bull cuidou a tempo do problema.” Na Globo, se surpreendem com “a primeira ordem de equipe” do time anglo-austríaco.

Na disputa de Hamilton e Massa, enquanto o trio da Globo vê o brasileiro “agressivo”, os ingleses observam “a grande pilotagem defensiva de Lewis.”

Já os espanhóis não dão muita bola. Comemoram “a maior derrota que Vettel sofreu no ano”. Para Lobato, “não é que Alonso tenha guiado melhor nesta corrida, porque tem feito coisa inverossímeis no ano todo, mas estava saindo de mãos abanando, mesmo lutando com toda a sua alma.” Para De la Rosa, não se deve creditar a vitória ao erro da Red Bull. “Ajudou, mas ele tinha ritmo para passar na pista.”

13 comentários sobre “GP da Grã-Bretanha por ingleses, brasileiros e espanhóis: “Logo hoje que sua fotinho está no capacete dele!”

  1. Olá Julianne,
    É impressão minha ou a emissora carioca mais uma vez “transmite” a prova díreto dos estúdios do Rio de Janeiro. Sabemos que as novas instalações para imprensa em Silverstone não tem visibilidade total do circuito mas confundir o piloto brasileiro com Alonso na pista é o fim da picada, não ?
    Abs

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    1. Acredito que tenham transmitido do Brasil, sim. Mas, em relação à confusão entre Massa e Alonso eles poderiam estar em Marte que deveriam perceber que, se um piloto está 10s na frente do outro e este outro faz a parada, certamente o líder não surgirá a 2, 3s dele! É matemática.

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  2. Interessante e sem sentido o título, chama um cidadão britânico de inglês ou escocês, é a mesma coisa de chamar um cidadão brasileiro de goiano ou paulista, pois britânico e brasileiro são títulos de nacionalidade, enquanto escocês, inglês, goiano e paulista são títulos de naturalidade!

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    1. Quando dizemos Grã-Bretanha nos referimos a ilha onde estão localizada Inglaterra, Escócia e País de Galês. Inglês não se assemelha a paulista visto que dentro da própria Inglaterra existem divisões (Norfolk,Cornwall,Devon etc…). Inglês se assemelha sim a brasileiro assim como escocês e galês.

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  3. oi Juliane, gostaria de dizer que essa é a minha primeira vez aqui no seu blog. Já adianto que gostei muitíssimo! Sempre tive muita curiosidade de saber como eram outras transmissões de F-1, já que aqui no país só temos uma opção… Vendo as postagens sobre as transmissões dos outros GP’s deste ano, cheguei à conclusão de que o tal do Antonio Lobato deve ser INSUPORTAVELMENTE mais chato do que o Galvão. Penso que as emissoras deveriam priorizar mostrar a corrida, mas sem torcida em excesso, até porque não há nada mais constrangedor do que ouvir o Galvão tentar “camuflar” os erros do Massa, ou simplesmente não admitir que o brasileiro anda SEMPRE atrás do Alonso porque o espanhol é bem superior. Simples assim! Parabéns pelas belas postagens e continue assim. Já virei teu admirador…
    Abs.
    Ismaile

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    1. Obrigada! Eu na verdade me divirto muito com o Lobato, sempre fico imaginando as pérolas que ele soltou antes de ver a corrida. Acho que você escolheu a palavra perfeita, é constrangedor, ambos são. Mas vejo o Galvão mais agressivo. O Lobato torce pelo Alonso e não fica desmerecendo os rivais, simplesmente os ignora. Mas é claro que a briga aqui é para ver quem é o menos imparcial.

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  4. Acho o comentário do Yuri pertinente, mas a comparação com o Brasil não cabe. Ainda que na Fórmula 1, escoceses, ingleses, uma das Irlandas (me deu branco qual) e galeses compitam sob a mesma bandeira (do Reino Unido), assim como nas Olimpíadas, no futebol cada um defende sua pátria e não seu “estado”. Jamais veremos a seleção de Goiania ou São Paulo no Mundial de futebol, a menos que se tornem, de fato, uma nação. No caso citado por ele na F-1 procede, pois a própria BBC é uma empresa britânica (British Broadcasting Corporation). Porém, o argumento não foi o mais correto.

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  5. Julianne,

    Ótima corrida!

    Pelo seu texto, é interessante notar como a BBC deu pouca importância a “sabotagem” da McLaren em Jenson Button, o maior prejudicado da corrida. O erro da Red Bull nos boxes não foi nada, perto do que a McLaren fez….

    Abraço!

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  6. Julianne

    Seus posts são simplesmente maravilhosas,suas análises de detalhes nos trás uma visão muito mais ampla da F1.Obrigado pela dedicação em nos trazer informações que só encontramos aqui.

    Parabéns pelo seu trabalho!

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