GP da Alemanha por britânicos, espanhóis e brasileiros: “derrotada a Red Bull”

Na Globo e na BBC estão preocupados com a chuva. “Corrida de verão com cara de teste de pré-temporada”, define Galvão Bueno, enquanto Martin Brundle acredita que é um dia em que se pode ir “from hero to zero” em relação à escolha de pneus e estratégia.

Os espanhóis estavam mais ‘preocupados’ com Vettel. “Mesmo que deva estar tranquilo com a vantagem que tem, não parece confortável”, observa Antonio Lobato. “Isso não é aceitável, com 80 pontos na frente e largando em terceiro. Não é nenhum desastre”, critica Pedro de la Rosa. “É que a situação ficou tensa na Red Bull depois da Grã-Bretanha e ele sabe que tem dois lobos o espreitando, Hamilton e Alonso”, Lobato chegou onde queria.

Os britânicos destacam o bom retrospecto de Webber em Nurburgring, mas acreditam que “a McLaren espera conseguir mais aderência com essas condições climáticas” e acertam em cheio. Já na largada, Hamilton pula à frente. “Ele conseguiu na segunda fase na largada, enquanto Vettel ficou preso em um sanduíche de Ferrari”, vê Brundle, que chegou a se confundir: achou que Vettel estava em segundo e Webber, em quarto.

Na Globo, decepção com uma ótima largada de Massa, que acabou se tornando uma posição perdida. “Todo muito arriscou muito na largada”, observa Galvão. “Outra vez Massa largou melhor que Alonso e ficou encaixotado”, lembra Reginaldo Leme. “Alonso sabia que Vettel tinha tudo a perder e se jogou no último instante”, lê Marc Gené na La Sexta.

Não adiantou muito, pois logo Alonso escapa e “libera Vettel”, na visão dos britânicos. “Deve ter soltado algumas palavras fortes em espanhol debaixo daquele capacete”, diz Brundle, enquanto Coulthard, De la Rosa e Luciano Burti citam a falta de aquecimento dos pneus como motivo. “Tá pensando que craque não erra? O melhor dessa geração deu uma escapada”, diz Galvão com uma ponta de satisfação.

Ao contrário dos britânicos, De la Rosa não vê Vettel aguentando por muito tempo. “Ontem os Red Bull deram mais uma vez um grande salto do Q2 para o Q3. Achamos que eles, por problemas de superaquecimento, só usam o Kers na parte final. O problema é que na corrida eles também têm de parar de usar em algumas voltas.”

De fato, não demorou muito para Alonso passar o alemão, enquanto Massa ficava preso atrás de Rosberg. “Fernando tem uma determinação impressionante”, justifica Galvão. Burti acha estranha a diferença de velocidade entre os dois carros e se chega à conclusão na Globo, após uma rodada e uma sequência ruim de voltas, que Vettel “tem um problema”. Espanhóis e britânicos têm outras explicações.

“Alonso cozinhou o Vettel em banho-maria. Fez ele usar todo o Kers para se defender da asa e guardou tudo para a outra reta”, acredita De la Rosa. “Não me surpreenderia se Alonso usou todo seu Kers na reta, algo que devia vir tramando há algumas voltas. É o que o Massa devia ter feito com o Rosberg faz tempo”, diz Coulthard.

Logo depois, Vettel sai da pista. “O que aconteceu com o homem que não cometia erros?”, pergunta Brundle. “É a regra número 1 quando chove = não cruze a linha branca”, ensine Coullthard. “Se confirma que Vettel está tenso e essa corrida pode ser um pesadelo para ele”, seca Lobato. “É certeza que ele terá uma vibração enorme nos pneus a partir de agora. Vai ter de aguentar com esse jogo porque não dá para parar agora”, De la Rosa, assim como Coulthard, antecipa a perda de rendimento do alemão.

Também sem entender como Massa não consegue passar Rosberg, Lobato dispara. “Não quero ser mau, mas se ele tivesse passado estaria na frente do Vettel, ajudando o campeonato e seu companheiro.”

Alonso encosta em Hamilton e Webber enquanto os dois lutam por posição. Galvão, em dia de campanha ‘Alonso é o melhor do mundo e, ainda por cima, sortudo’ – “Alonso à parte, nunca tinha visto tanto equilíbrio no nível de pilotagem” – , não tem dúvidas. “Vai cair no colo dele! Do jeito que esses dois guiam…” Isso não acontece. O que vemos é Hamilton se defendendo bem. “Ele é encardido”, define o narrador. “Quando Hamilton é ultrapassado, ele não se sente batido, simplesmente vê outra oportunidade para ultrapassar.”

Logo depois, Webber é o primeiro a parar. Como esperam uma corrida com dois pitstops, os espanhóis estranham a precocidade da troca e acreditam que tenha sido um erro. “Vai jogar ele no tráfego. É uma estratégia muito ruim”, diz De la Rosa, para logo se render quando Hamilton e Alonso param e voltam atrás do australiano. “Parece que há mais degradação do que prevíamos”, se explica, enquanto Galvão comemora o fato de Massa ter feito o melhor pitstop da rodada: “Valeu, Ferrari!”

A expectativa na BBC é que Webber suma na ponta. “Ele finalmente lidera uma corrida e acho que vai ficar aí por muito tempo”, diz Brundle, referindo-se ao fato desta ser a estreia do australiano na ponta de uma corrida neste ano. Já Burti observa diferentes fases durante o stint. “Ele voltou mais rápido, mas a tendência é gastar mais rápido e McLaren e Ferrari ficarem melhores à medida que as voltas vão passando.” Na La Sexta, não acreditam na supremacia da Red Bull. “Webber não vai escapar, ele não tem ritmo”, sentencia Gené.

Os espanhóis comemoram o fato de Massa ter voltado à frente de Vettel porque “é bom para o campeonato” e acreditam que o brasileiro vai conseguir se sustentar. “Ele é bom no corpo a corpo”, observa Gené. “Vai, Felipe, que hoje você tá arrojado”, incentiva Galvão.

Schumacher protagoniza uma reprodução da rodada de Vettel. “Chamam ele de Baby Schumi, mas ele não precisa copiar, ele faz antes”, brinca Brundle, enquanto os espanhóis veem uma diferença marcante. “Ele não freou quando escapou e não estragou o pneu”, observa Gené. “Sem dúvida, é o sinal da idade. Ele pensa, mas o corpo não responde”, diz Galvão.

A Red Bull avisa Vettel de um problema nos freios que “deve explicar porque parece perdido”, para Brundle; “deve ser temperatura”, para Burti e “com certeza é Kers”, para De la Rosa. “Quando seu Kers vai e volta, você tem de ajustar o equilíbrio de freio porque muda completamente”. O espanhol sugere que se trata de uma espécie de código para falar deste ponto débil do RB7.

Na segunda rodada, o undercut de Webber não funciona e, mesmo sendo o primeiro a parar, volta em terceiro. O último a entrar nos boxes, Alonso retorna momentaneamente em primeiro, e não consegue se segurar. Na volta anterior, quando Hamilton saiu do box brigando com Webber, os espanhóis disseram que seria “impossível” passar por fora na curva dois. E é o que o inglês faz com o espanhol. “Pegou Alonso cochilando. Parece que ele pensou que estava tranquilo na liderança e esqueceu que Hamilton tinha os pneus mais aquecidos”, vibra Coullthard. “Ele fez o que não deixou o Webber fazer. Dá muita vergonha ser ultrapassado por fora. Ainda mais quando é Alonso sendo superado por Hamilton.” Para Galvão, “o inglês está impossível hoje, se bem que o pneu estava frio”, enquanto os espanhóis veem um Alonso “muito limpo” e também culpam os pneus. “Ele poderia ter feito o que Hamilton fez. Me dá a impressão de que sabe que essa corrida é sua”, acredita De la Rosa.

Coullthard está curioso para entender porque o undercut não está funcionando. “Se bem que deu certo com Webber no início da corrida, então é algo que temos de analisar com calma. Agora não dá porque tem muita coisa acontecendo!” Lobato concorda. “Parece outro campeonato desde o GP da Grã-Bretanha. Nem parece que vivemos aquele domínio no começo.”

A grande dúvida agora é como a troca para pneus médios vai interferir na corrida. Para Galvão, “quem parar por último vai ganhar”. Já Gené e De la Rosa não têm tanta certeza. “A chave da corrida é saber quem vai arriscar colocar os médios porque pode ser que não seja tão ruim quanto parece”, diz o piloto de testes da McLaren. “Como vimos uma degradação tão maior nos macios, pode ser que não sejam tão lentos”, completa seu colega na Ferrari. A única certeza na La Sexta é de que Alonso é o que vai sofrer mais entre os três primeiros com o composto.

A teoria na BBC é de que a Pirelli está tornando os pneus cada vez mais duráveis, por questões de marketing. “Com isso, ter um carro que cuida bem dos pneus já não é vantagem, porque eles estão com problemas para mantê-los aquecidos”, vê Brundle.

Gené monitora os tempos de Vitaly Petrov, que acabara de colocar os médios e virava bem, mas De la Rosa temia a demora para aquecê-los. Todos acreditam que Hamilton sairia perdendo quando o inglês é o primeiro a parar. “Se ele pudesse escolher, pararia na última volta, mas os pneus estão indo. É muito arriscado”, acredita o espanhol.

Começa o monitoramento dos tempos. Na primeira volta, Alonso e seus pneus macios gastos ganham em relação ao rival, mas na segunda, britânicos e espanhóis percebem que o tráfego acaba com as chances do asturiano. “Imagino se não seria melhor continuar nesses pneus”, afirma Brundle quando o piloto da Ferrari faz sua parada e volta bem atrás do inglês. O narrador, por sinal, acha que Webber, ao permanecer na pista, está fazendo o certo e se surpreende minutos depois. “Ele está muito lento! Não está funcionando.”

Narradores e comentaristas não seriam as únicas vítimas da não tão dramática diferença entre o macio usado e o médio novo, segundo Galvão. “Dessa vez os pneus deram nó nos estrategistas.”

Com a primeira derrota na pista, sem quaisquer contratempos, da Red Bull, Galvão sentencia que “os outros chegaram”, enquanto Coulthard ainda vê outro fator que talvez tenha complicado para anglo-austríacos e ferraristas. “Hamilton usou muito bem o frio para vencer.” Já De la Rosa ficou empolgado. “Não falo em virada porque é uma palavra muito ambiciosa, mas há um campeonato, não é só a Ferrari que pode disputar, tirar pontos deles.”

Restava, no entanto, uma briga a ser decidida. Massa havia segurado Vettel por grande parte da prova e, como ficava claro que a Red Bull não tentaria o undercut, decidindo no mano a mano nos boxes, os espanhóis achavam que o único jeito do alemão passar seria na pista.

Estavam errados. “É muita pressão para a cabeça deles! Massa fez uma corrida no limite extremo. Agradecendo à incompetência da Ferrari, Vettel fica em quarto. Mais uma vez, Felipe vai ter de dar bronca!”, Galvão se revolta. “Massa foi muito lento na entrada e a Ferrari foi muito lenta no pit”, observa Brundle, enquanto Lobato repete: “é uma pena”.

Resta destacar o vencedor. “Acho que a cabeça e o acerto de Hamilton estavam no lugar certo hoje”, define Brundle. “Hamilton é o cara do show”, opina Reginaldo. “Posso dizer que foi uma vitória arriscada por parte da equipe. Introduzimos muitas coisas sem provar. Valeu a pena”, revela De la Rosa. E Lobato, claro, não perde a chance. “Corrida espetacular de Hamilton, assim como desse homem que vem logo atrás. Derrotada a Red Bull. Se Vettel já estava tenso, isso vai continuar acumulando.”

Aliás, a carona de Alonso no final anima os espanhóis. Pela peculariedade da cena e pela dúvida que joga no ar. “A grande questão é quanto ele teve de levantar o pé nas últimas voltas.”

Mas o maior ponto de interrogação que Nurburgring deixou é outro: “vai ter gente coçando a cabeça na Red Bull porque só conseguiram um terceiro e quarto lugares hoje.” Para Reginaldo, “Vettel nem pensou em liderar hoje porque teve problema de freio. É a primeira derrota real do melhor carro do ano.”

7 comentários sobre “GP da Alemanha por britânicos, espanhóis e brasileiros: “derrotada a Red Bull”

  1. Olá Julianne,
    Acho espetacular essa sua idéia de mostrar os comentários da prova em diferentes países, sacada de mestre.

    Embora fique óbvia a “torcida” aqui e alí dos comentaristas também fica evidente que “nossos” comentaristas padecem com quantidade absurda de chutes e achismos, parecem novatos no ramo e isso me revolta.

    De qualquer forma fico contando os dias para conferir a sua coluna após as corridas.
    Abs

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  2. A transmissão da Globo bem cheia de peculiaridades. Houve uma discussão sobre a nacionalidade do Nico, devido ao pai finlandês, onde o Galvão, se não me engano, falou que ele é 50% alemão.

    As difernças culturais dos narradores e comentaristas são um show a parte. É muito legal essa comparação.

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  3. Oi Julianne,

    Muito boa esta jogada sua de mostrar visões diferentes das transmissões. Eu prezo muito quem está nos autódromos, acredito que isso dá uma visão maior do que está acontecendo, por mais que hoje os meios de comunicação permitem transmitir à distância.

    Mas é legal ver que quando o comentarista é um piloto que já esteve lá dentro, a visão deles são muito parecidas.

    Um abraço e parabéns.

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  4. Esse post ficou muito parecido com as melhores parciais de uma volta perfeita! Pontos de vista complementares! Erros e acertos! Muito bom Ju!

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  5. Gostaria de ver a Julianne comentando F1 na TV.
    Essa velha geração de narradores e comentaristas da TV Globo já está cansada. É preciso dar lugar aos mais novos!

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