F-1 chega ‘confusa’ a palco de passeio da Red Bull em 2010 – preview do GP da Hungria

Com a dobradinha Alemanha-Hungria, mal digerimos a corridaça de Nurburgring e já estamos falando em Budapeste. O fato é que o último GP, que deveria normalizar a situação entre os líderes após o final da briga dos difusores, deixou ainda mais questões em aberto.

Não há dúvidas de que a Red Bull perdeu sensivelmente terreno nas corridas. Temos de lembrar que, desde o início da temporada, nos perguntávamos se as margens relativamente pequenas das vitórias de Vettel – comparando-se com as classificações – eram porque o alemão não estava forçando seu equipamento ou eram reais. E vimos em situações como na Espanha, Mônaco e Canadá que realmente os Red Bull não tinham muito mais no bolso que os outros no domingo.

Mas é inegável que o RB7 é o carro mais consistente do ano. Não importa as características da pista, do clima, os compostos de pneu. Eles sempre estão lutando pela vitória. Ainda assim, é fato que os rivais estão chegando cada vez mais perto.

A Ferrari ainda é sensível aos pneus e à temperatura, mas suas quedas de rendimento em nada lembram o desastre da corrida da Espanha. Isso está relacionado ao aumento da carga aerodinâmica, que ficou claro nas curvas de alta em Silverstone. Andando com os compostos mais macios no calor da Hungria, despontam como a grande ameaça a Vettel e Webber.

Já a McLaren é o maior enigma dos três. Não é segredo que o carro é o que mais gasta pneu entre os três e isso ajuda em dias frios como de Nurburgring. Já tínhamos visto algo semelhante com temperaturas de pista baixas devido à chuva no Canadá e em Silverstone. Mas daria para colocar toda a performance de Hamilton nas costas do frio? O inglês citou que a equipe teria resolvido seus problemas com os mapas de motor – lembrando que a queda acentuada de performance do time coincide com a proibição da alteração dos mapas da classificação para a corrida, em Valência. Andar junto também em Hungaroring seria um sinal definitivo de que a equipe de Woking voltou.

Depois de Silverstone e Nurburgring, Budapeste é um grande teste para sabermos se teremos um campeonato equilibrado em todos os tipos de pista a partir daqui.

Território Red Bull

O grande paralelo para Hungaroring é Mônaco, ainda que tenhamos de levar em conta o nível de desenvolvimento de cada carro desde então. Ambas as pistas são travadas e, com isso, escondem as deficiências de carros com pouca velocidade de reta, exigem dirigibilidade do motor, boa estabilidade em freada e uma suspensão que lide bem com as ondulações. Porém, como as curvas são mais longas, a importância da pressão aerodinâmica é maior que no Principado. Em outras palavras, não é difícil explicar o baile que a Red Bull deu ano passado na classificação, quando ficou 1s2 na frente da concorrência.

Como a Pirelli vai levar a mesma combinação de pneus de Mônaco – macio e super macio – e a pista húngara não tem consumo muito alto, é provável que tenhamos estratégias semelhantes. A única questão é que, como a zona de ultrapassagem deve ser mais eficaz que no Principado, os times grandes podem partir para três paradas para não ficarem vulneráveis na parte final da prova. Outro fator importante para a estratégia será a durabilidade do pneu super macio em altas temperaturas – espera-se 27 a 28ºC no final de semana –, condições nas quais não foi testado até agora.

Nº de voltas 70
Ativação da DRS 70m depois da última curva
Pé em baixo 55%
Consumo de câmbio alto
Consumo de freios alto
Consumo de motor baixo
Nível de downforce muito alto
Uso de combustível 2.15kg por volta (médio)
Tempo de perda no pit 18s
2010
Pole position Sebastian Vettel, 1:18.773
Resultado da corrida 1º Mark Webber

2º Fernando Alonso

3º Sebastian Vettel

Volta mais rápida 1:19.071 (Michael Schumacher, Ferrari, 2004)

Retrospecto em Hungaroring

Piloto 4º-6º 7º-10º 11º+ DNF
Sebastian Vettel 1 1 2
Mark Webber 1 1 1 4 1 1
Lewis Hamilton 2 1 1
Jenson Button 1 2 4 1 3
Fernando Alonso 1 1 1 2 1 3
Felipe Massa 1 2 3 1
Michael Schumacher 4 3 1 3 2 2
Nico Rosberg 1 1 1 2
Nick Heidfeld 2 2 3 2 1
Vitaly Petrov 1
Rubens Barrichello 1 2 4 4 2 5
Adrian Sutil 1 3
Kamui Kobayashi 1
Sebastien Buemi 2
Heikki Kovalainen 1 1 1 1
Jarno Trulli 1 8 2 3
Vitantonio Liuzzi 1 2
Timo Glock 1 1 1

 

4 comentários sobre “F-1 chega ‘confusa’ a palco de passeio da Red Bull em 2010 – preview do GP da Hungria

  1. É sempre bom lembrar que, não fosse o erro estratégico da Mclaren no Q3 de Mônaco, Hamilton provavelmente teria feito a pole. O próprio Alonso admitiu que aquela pole seria do rival.
    Se as configurações de Hungaroring são parecidas com as de Mônaco, talvez o desempenho dos carros também o seja; se assim for, Lewis está em boa posição na disputa.
    Veremos!

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  2. Não tem muito a ver com o post, mas eu me peguei pensando e surgiu uma dúvida. Todos sabemos que, em caso de pista molhada, não há a obrigatoriedade de se utilizar os dois tipos de pneus em uma corrida. Mas quando uma pista está “oficialmente” molhada?
    Exemplificarei: uma corrida está transcorrendo normalmente, com pista seca, quando começa a chover. Uma parte dos pilotos pára para colocar os intermediários, enquanto o resto continua com os pneus para pista seca. Esta chuva é passageira e a pista seca rapidamente, fazendo com que os pilotos que pararam tenham que retornar aos boxes. A dúvida é: a regra de não ser mais necessária a utilização dos dois compostos de pista seca aplica-se a todos os pilotos ou só àqueles que colocaram os intermediários?
    Ou seja, a pista está “oficialmente” molhada quando julgam que a pista está de fato molhada, quando um piloto coloca pneus intermediários ou quando todos os pilotos colocam pneus intermediários?
    Espero ter sido claro… haha!

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    1. A obrigatoriedade de usar os dois tipos de composto só existe quando o piloto colocar os intermediários, não é necessário a corrida ser declarada no molhado. Daí podemos pensar: e se o piloto colocar intermediários por uma volta no seco? Acredito que vá perder mais tempo com isso – e a parada adicional – do que qualquer desvantagem do composto mais duro. Se ele resolver simplesmente ignorar a obrigatoriedade de usar os dois pneus, perde 30s no tempo total.
      Quando a pista é declarada molhada em largadas e relargadas, aí a obrigatoriedade é usar o full wet – não sei se você se lembra que a Ferrari foi penalizada por não respeitar isso (com Raikkonen).
      Nesse ano, quando Hamilton colocou slick em uma sessão de treino livre declarada molhada, teve de fazer uma visita aos comissários, que não gostaram muito da atitude. Provavelmente aconteceria o mesmo com o “rebelde” do intermediário no seco!

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      1. Obrigado, Julianne! Minha dúvida foi esclarecida. Nunca imaginei que um piloto pudesse colocar intermediários por apenas uma volta a fim de eliminar a necessidade de usar o composto mais duro. Porém, também acho que a perda de tempo seria maior.
        Além disso, não lembrava que a punição era de 30s no tempo total em caso de desobediência dessa regra.

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