Um toque de realidade na briga da TV britânica

Será que o novo acordo vai acabar com os programas antes e depois das corridas?

É difícil encontrar um lugar no mundo em que se compreenda e consuma a F-1 de maneira tão profunda como no Reino Unido. Não só a maioria das equipes e dos profissionais envolvidos na categoria vem de lá: os fãs mais ávidos também. Por isso, até surpreende o rebuliço – que certamente continuará nos próximos meses – a respeito das mudanças na transmissão a partir do ano que vem. Afinal, se alguém sabe que é o dinheiro que reina no mundo de Bernie Ecclestone, são eles. Então por que a surpresa quando a melhor proposta financeira venceu?

A TV pública BBC garantiu a exclusividade para ter a F-1 até o final de 2013, em um contrato que entrou em vigor no início de 2009 e marcava a volta da categoria à emissora depois de 12 anos na rival ITV. No entanto, os elevados gastos com a cobertura das Olimpíadas de 2012, em Londres, e o corte determinado pelo governo fizeram com que os diretores mudassem de ideia.

Nas negociações para a renovação do contrato, a BBC decidiu manter as transmissões, mas vendeu parte dos direitos para o canal pago Sky. Assim, os britânicos, a partir de 2012, terão 10 GPs ao vivo pela TV aberta e outros 10 pela fechada – que devem ser retransmitidos pela BBC em esquema de reprise.

Há alguns elementos para se levar em consideração. A TV paga no Reino Unido é considerada um luxo muito maior do que no Brasil, por exemplo. Afinal, tendo uma TV aberta de qualidade superior à fechada, o britânico médio considera as 600 libras anuais para ter a Sky um investimento que não vale a pena.

Ao contrário do que estamos acostumados por aqui, a transmissão da F-1 ao vivo e na TV aberta não é tão comum como é de se imaginar. Países como a Finlândia e o Japão seguem modelos parecidos ao inglês de 2012 em diante – e ganham rios de dinheiro com isso (no Japão, o acordo gera 630 milhões de reais por ano, com dois milhões de assinantes pagando cerca de 30 reais por mês.

Curiosamente, acredita-se que o Pacto da Concórdia estabeleça a obrigatoriedade da transmissão ser por meio da TV aberta em “países-chave” para a categoria – e, se o Reino Unido não o for, é difícil imaginar quem mais estaria na lista.

Mesmo assim, as equipes parecem fingir que não sabem da cláusula. Afinal, com a F-1 sendo, na prática, vendida por duas vezes em seu maior mercado, esperam ganhar mais com isso, uma vez que têm direito a 50% dos valores negociados. “Se vai aumentar a audiência e mantém a possibilidade de que todos os britânicos assistam pela TV aberta, então é uma boa notícia a princípio, não?”, perguntou Martin Whitmarsh.

O fato é que a F-1 não será a única vítima do corte de gastos da BBC – o torneio de Wimbledom é outro que está na mira. Os acordos para transmissão conjunta nas TVs aberta e fechada em vários países, feitos pelo mesmo motivo, levam a crer que o esporte em si chegou a um limite comercial e já não é mais tão rentável – ou tem alguém cobrando caro demais pelos direitos. É outro alerta, além dos constantes números negativos apresentados pelos organizadores de GP, de que o modelo de Ecclestone está com os dias contados. Mas ele deve saber que não estará por perto quando chegar a hora de avaliar os prejuízos.

E os britânicos podem espernear à vontade, mas eles devem saber que a decisão final será a mais rentável. Estão provando um pouco do gosto do esporte que tanto amam.

8 comentários sobre “Um toque de realidade na briga da TV britânica

  1. Estive em Londres de férias até semana passada, e pescoçando o jornal de um cara no metrô vi manchete de um dos jornais deles sobre esse assunto: que a BBC iria abrir mão da cobertura da F1 como é feita hoje, e priorizar o torneio de Wimbledon (e que os fãs de F1 estavam irados por causa disso). Pena que esqueci de procurar uma banca quando saí da estação, pra ler a reportagem…

    Sinto pelos ingleses, porque a cobertura da BBC é muito legal mesmo. Recomendo a todos tentar baixar os arquivos com essas transmissões e assistir, como a Julianne faz toda corrida e passa pra gente as comparações. como ela já contou pra gente aqui no blog, é impressionante o quanto é melhor do que o que temos pela globo…

    E eu acho que aqui no Brasil assim que o Massa e o Barrichello se aposentarem vai acontecer a mesma coisa: a Globo vai abrir mão das transmissões ao vivo em tv aberta.

    E será que essa venda da BBC justamente pra Sky tem relação com essa ligação meio próxima demais do pessoal do Rupert Murdoch com o atual governo britânico?

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  2. Money talks!

    A cobertura da BBC ganha de 10 a 0 da Globo.
    Porem há de se considerar que o nível cultural/educacional do britanico médio é superior ao do brasileiro médio “torcedor da padaria”.

    Aqui no Japão a maioria das corridas que passa na TV Fuji é reprise com propaganda (mostra a corrida, corta para o intervalo comercial e volta para a corrida). Corrida na íntegra apenas na TV paga (Sky PerfectTV).

    E quando num tiver mais piloto brasileiro na F-1?
    A Globo vai desistir de transmitir ao vivo?

    O modelo Bernie de negociar/gerir a F-1 está defasado/caro demais!
    Mas ele num vai mais estar presente quando a F-1 se auto-reformular (tem hifen?). Novos tempos. Outra F-1! Se ainda existir F-1…

    Kani – Japan

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  3. Olá Julianne,
    A minha dúvida é se essa mudança muda alguma coisa aqui no Brasil, a F1 continuará a ser televisionada ao vivo em todas etapas por canal aberto?
    Há alguma chance de mudar a exclusividade da emissora aqui?

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    1. Pelo que seu, o contrato atual da Globo dura até o final e 2014 e a Record teria interesse, assim como aconteceu com as Olimpíadas. Mas é lógico que muito disso depende do que acontecer com os brasileiros até lá.

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      1. Olá,
        Nesse caso já podemos preparar o espírito.

        Massa enquanto piloto da Ferrari ao lado do Espanhol não nos dá esperanças de bater seu companheiro.

        Rubens Barrichelo mesmo numa Williams com significativas melhoras (em 2012) não daria um salto tão grande assim. A partir de 2014 não deve estar na categoria mais.

        Possíveis mudanças em outras equipes que poderiam alçar os novos talentos Brasileiros não devem acontecer até lá. Se houver uma vaga disponível na Renault com a eminente saida de Heidfeld, ela já está praticamente assegurada para o piloto Francês virtual campeão da GP2, Romain Grosjean.

        O ideal seria se nós tivéssemos um canal só de esportes que tratasse automobilismo com seriedade e profissionalismo o que não existe hoje em nosso país. Saindo a globo que trata a F1 de forma “burrocrática” e entrando uma Record, não muda nada, é trocar seis por meia dúzia.
        É triste………..!
        Abs

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  4. Falando no nosso caso: muitos criticam a Globo, mas ruim com ela, pior sem ela. A Record não dará conta de mostrar as corridas como a Globo faz.

    Imagine os GPs do Canadá, EUA, na hora do Gugu? Ou de manhã na hora do Pica Pau?

    Então, que fique na Globo pela tradição, pela experiência que a emissora tem, apesar de este ano, no GP do Canadá, eles preferirem transmitir um joguinho mequetrefe de futebol depois que a corrida foi reiniciada.

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