Renault preta é só a sombra do passado recente

Como prega o ditado, onde há fumaça...

Em 2005, eles se aproveitaram de uma grande mudança de regras para emergir como os grandes vencedores. A exemplo do que a Red Bull começou a partir de 2009, fizeram toda a F-1 correr atrás dos carros azuis. Menos de seis anos depois, a equipe de Enstone ficou preta e dourada, e se tornou uma sombra de si mesma.

Recentemente, a hoje Lotus Renault GP divulgou prejuízos de mais de 100 milhões de reais em 2010, no primeiro ano em que passaram a ser geridos pela Genii Capital. Ainda que os novos administradores tenham diminuído consideravelmente os gastos, a equipe deixou de arrecadar 49%, dos 420 milhões de 2009 para 212 milhões de reais de 2010, refletindo queda no patrocínio e, muito provavelmente, o menor investimento da Renault, que hoje só dá nome aos carros, sem qualquer implicância na gestão do time. Em 2009, mesmo com um ano pior dentro das pistas, a equipe havia conseguido um lucro de 12,4 milhões de reais.

Mesmo nos anos em que foram bicampeões de construtores, os acionistas da montadora francesa nunca viram com bons olhos a gastança da F-1 – e não acreditavam que a publicidade lhes servia, pois o foco de suas vendas está longe dos modelos esportivos.

Mas poderia ser pior, como os franceses descobriram nos anos seguintes. Sem os pneus Michelin e com uma estrutura menor que de rivais como McLaren e Ferrari, a Renault perdeu espaço. Seu caminho natural seria o mesmo percorrido pela Honda, mas o estouro do escândalo de Cingapura – que, por si só, já demonstrava o tamanho do desespero – fez com que tivessem de ceder para escapar de uma punição. Max Mosley costurou um acordo que mantinha o nome Renault no barco, mas sem que a empresa tivesse de gastar rios de dinheiro com isso.

É aí que a Genii entrou na história. No entanto, com o rombo de 100 milhões já em sua primeira temporada, deu mostras de que não conseguiria se segurar sozinha. A Lotus Cars entrou na jogada, emprestou o preto e o dourado, mas é outra empresa gerida à base da especulação. Estão cheios de projetos , e quebrados.

Para piorar, a Genii fez um empréstimo de quase 40 milhões de libras no AB Snoras Bank, da Lituânia, dando parte da própria equipe como garantia. O que se sabe é que a empresa com sede em Luxemburgo ainda deve à Renault pela compra da equipe, com pagamentos programados para este ano (R$ 15,5mi), 2012 (R$ 15,5mi) e 2013 (R$ 20,7mi).

O problema é que eles não têm muito de onde tirar, pois a estrutura da Renault bicampeã mundial já era enxuta. Tanto, que o número de funcionários até aumentou de 2009 para 2010, com 12 pessoas a mais no setor administrativo.

Dinheiro da montadora alimentou títulos mundiais

Os gastos operacionais foram cortados de 385.4 a 316,4 milhões de reais, e acordo com a equipe, “muito devido a cortes referentes à troca da dupla de pilotos.” Isso faz sentido, pois ter Flavio Briatore como chefe da equipe e empresário dos dois pilotos certamente fazia com que se gastasse muito nessa área – afinal, era do interesse do italiano conseguir uma bela comissão com as negociações salariais de Fernando Alonso e Nelsinho Piquet.

Para ajudar na economia com os pilotos, a Genii até passou a arrecadar na área, trazendo o pagante Vitaly Petrov. Claramente não é o suficiente. É preciso gerar receita, o que também parece ser o problema da Williams já há alguns anos. Prova de que, para sair do meio do pelotão, mesmo com o acordo de redução de gastos a pleno vapor, é preciso uma grande empresa disposta a gastar. Não importa se ela vende carros ou latinhas.

3 comentários sobre “Renault preta é só a sombra do passado recente

  1. Essa situação indica que Eric Boulier vai ter que se esforçar para conseguir “budget” para colocar Romain na equipe… o mesmo vale para o Bruno…

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  2. Realmente no final, é o dinheiro quem manda no desenvolvimento de um carro. Acho que nem mesmo Adrian Newey iria conseguir fazer seu bom trabalho com um orçamento disponível para a Hispania.

    A Renault sempre foi um dos times de fábrica mais “economicos” na época que tivemos um “boom” destas equipes. Creio que grande parte dessa perda de orçamento foi nunca conseguir um patrocínio a altura da época que eram bancados pela Japan Tobacco, proprietária da marca Mild Seven.

    O “Cingapuragate” somente atrapalhou as coisas e fez perder o patrocínio do banco ING e talvez possíveis investidores.

    Se tem um culpado para essa situação atual da Renault, este é Flavio Briatore. Que por ironia, foi quem elevou o status da Renault para equipe grande no início dos anos 2000.

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