Estratégia no meio do pelotão e a saída da Williams

Costumamos dar ênfase à luta entre as primeiras colocações nas análises das estratégias – até porque, neste 2011 cheio de alternativas, já é um trabalho e tanto! – mas há muita coisa interessante acontecendo no meio do pelotão.

Um dos grandes problemas da Williams tem sido o fato do carro desgastar demais os pneus. Em uma briga na qual, mais importante que ser rápido, é adotar a melhor estratégia com os Pirelli, isso é normalmente o entrave para Barrichello e Maldonado alcançarem os pontos. Afinal, eles estão lutando por basicamente duas vagas– descontando, no mínimo, os seis carros de Red Bull, McLaren e Ferrari, mais uma Mercedes e uma Renault – e precisam superar a Sauber, que trata muito bem os pneus, e a Force India, que teve o melhor ritmo de desenvolvimento nessa “segunda divisão”.

É comum observarmos que os ponteiros geralmente param uma vez a mais que os carros do meio do pelotão. Isso acontece porque Red Bull, McLaren e Ferrari podem se dar ao luxo de sempre trabalhar com o pneu rendendo seu máximo. Isso porque são tão mais rápidos no primeiro trecho da corrida que, ao fazer sua primeira parada, não voltam no tráfego – no máximo, com um ou dois carros mais lentos, facilmente descartados pela diferença na performance e no pneu.

O mesmo não acontece do sétimo colocado para trás. No meio do bolo, mais paradas não significa mais velocidade, e sim mais tráfego. Ali, é mais negócio cuidar dos pneus e tentar uma parada a menos para ganhar posições. Foi assim que Kamui Kobayashi pontuou em sete das onze etapas até agora, mesmo não tendo sequer o quinto carro mais rápido do grid.

Uma espécie de “antídoto” à Sauber, usada pela Toro Rosso nas últimas provas – não coincidentemente, quando a sequência de Kobayashi nos pontos foi quebrada –, é jogar todas as fichas na corrida e deixar a classificação para trás. Se seu carro não é tão veloz em uma volta, por que não economizar o máximo de jogos de pneus e usar, a cada stint, a velocidade e vida útil extra que eles terão? Foi como Alguersuari chegou por três vezes seguidas nos pontos vindo de 18º: quando estava perto das paradas, seus pneus mais novos lhe rendiam mais tempo de pista rodando bem.

Mas ambas as estratégias só são possíveis se o carro lida bem com os pneus. Caso contrário, é necessária velocidade na classificação e uma boa largada para tentar uma corrida solitária no “limbo” que se forma entre os seis primeiros e a luta desesperada pelas últimas posições nos pontos. É o que a Force India tem conseguido nas últimas corridas. Sem se envolver em lutas, fica mais fácil cuidar dos pneus e adotar a estratégia mais correta.

Sutil e Di Resta inclusive têm batido ao menos uma das Mercedes com este expediente, simplesmente porque os carros de Rosberg e Schumacher são provavelmente os mais duros com os pneus de todo o grid. Assim, mesmo tendo uma vantagem de performance considerável na classificação, têm sido superados por serem obrigados a parar uma vez a mais.

Voltando à Williams, trata-se de um misto de Mercedes e Toro Rosso. O carro não classifica bem e gasta muito pneu, fazendo com que nenhuma estratégia seja capaz de mascarar suas deficiências.

Nas duas vezes que Barrichello pontuou, foi mais uma questão de sobrevivência do que estratégia ou performance do carro. Em Mônaco, onde a pressão aerodinâmica pouco importa, conseguiu sua melhor posição de largada do ano, 11º (ajudado pela ausência de Perez). Porém, na corrida, quatro pilotos que largaram a sua frente não completaram e Rosberg teve uma péssima corrida. Como chegou em nono, isso quer dizer que, na verdade, foi ultrapassado pela Force India de Sutil e a Sauber de Kobayashi.

Na prova seguinte, largou em 16º e viu seis pilotos que estavam a sua frente saírem da prova. Ganhou posições de Buemi e, novamente, Rosberg, mas perdeu para Alguersuari e seus pneus novos.

Não é de surpreender que a Williams tenha modificado sua estratégia de classificação a partir da Hungria, copiando a Toro Rosso. A chuva impediu que víssemos os resultados, mas está claro que abandonar qualquer esperança de largar mais à frente nos sábados é o único caminho de um carro que não evolui.

4 comentários sobre “Estratégia no meio do pelotão e a saída da Williams

  1. Olá Julianne!

    Acredito que o grande problema da Williams é a falta de continuidade dos projetos e o desejo de ser uma equipe independente.

    Invariavelmente, eles se veem forçados a realizar grandes mudanças no carro a cada 2 anos, por conta da descontinuidade de patrocinadores e fornecedores de motores. Eles já correram praticamente com todos os motores que se apresentaram nos últimos 30 anos: Cosworth, Toyota, BMW, Honda, Renault, Mecachrome, Judd, etc. E a cada troca, todo o projeto tem que ser revisto, lembrando que eles são uma equipe média e não tem tantos recursos assim.

    Veja o exemplo da RBR, eles não tem tantos recursos como a Ferrari mas são inteligentes; o modelo RB7 deste ano, vem sendo desenvolvido desde o RB3 ainda em 2007 com a chegada do Adrian Newey e a formação da parceria com a Renault fornecendo os motores. Não tenho uma ideia exata de pontos conquistados ano a ano pela equipe, mas me parece que que eles vem numa curva ascendente desde aquela época. E qual o segredo? Estabilidade e evolução. E isso só se consegue com um projeto de longo prazo e com bons patrocinadores. Até a Sauber e a Toro Rosso conseguem ser mais estáveis que a Williams.

    Talvez o grande problema dela é teimar em ser independente e não se associar, ou por que não, vender a estrutura para uma grande empresa como fez a Brawn GP com a venda para a Mercedes.

    Se não houver uma grande mudança de mentalidade nos dirigentes da Williams, eles estão fadados a patinar do meio para o final do grid. E não adianta no ano que vem eles terem o motor Renault, o mesmo da RBR, que deverão continuar no mesmo lugar.

    Eles poderiam tentar uma solução mágica, como tentaram este ano com a traseira miniaturizada, mas tudo leva tempo para desenvolver e faltam recursos. Sem esquecer que eles são os únicos que utilizam o Kers, equipamento que piora ainda mais o desgaste dos pneus, com o motor Cosworth que nem o difusor soprado e mapeamentos conseguiram desenvolver direito.

    Ah! E sem esquecer que em 2014 tem as mudanças de regras e motores.

    Abs.

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  2. Grande matéria, Julianne. Você é uma das raras exceções que escrevem com frequência algo novo, bom e traz sempre uma nova temática. Diferente de muitos outros colunistas de F1 (outros sites) que simplesmente fazem o contrário de você e da F1: param no tempo.
    Parabéns, mais uma vez.

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