Carros mais rápidos fazem a festa com DRS em Spa

Em uma corrida na qual a liderança mudou de mão por cinco vezes apenas nas primeiras dez voltas, o GP da Bélgica teve um total de 77 ultrapassagens, descontando posições ganhas na largada. É um número três vezes superior que a média histórica para provas no seco no circuito, que é de 24,1. Se compararmos apenas os números dos últimos cinco anos, quando a pista voltou ao calendário, as demais provas sem chuva (2007 e 2009) haviam tido 15 e 11 manobras, respectivamente.

Nada que seja uma novidade na temporada que já tem o recorde de número de ultrapassagens mesmo com pouco mais da metade das provas disputadas. A nova marca, inclusive, é de 797, sendo que o ano com maior número de manobras até então era 1984, com 666 – os dados passaram a ser computados a partir de 1982.

Não é de se surpreender que o piloto que mais ultrapassou foi Jenson Button, com 11 manobras para chegar de 13º no grid a 3º ao final da prova. Sergio Pérez (9) e Mark Webber (8) também fizeram bonito. Os três fizeram provas de recuperação e estavam lutando contra carros mais lentos – Webber pela largada ruim e Perez por sofrer punição.

Os que foram superados mais vezes foram os pilotos que estavam fora de posição, lutando contra carros mais rápidos: Vitantonio Liuzzi (8), Jérôme d’Ambrosio (6), Vitaly Petrov (6) e Nico Rosberg (6).

Os números altos e a impossibilidade de defesa graças à DRS sendo usada em um local em que a ultrapassagem já é facilitada pelas características do circuito levantam a questão se essa busca pelas brigas na pista, mesmo se valendo de artificialidades, não facilitaria a vida de quem tem um carro melhor. É de se pensar que outra corrida em que a DRS funcionou bem “até demais”, o GP da Turquia (em que houve 126 ultrapassagens, maior número no ano até aqui) foi outra dobradinha Red Bull.

Ultrapassagem por posição ganha

Pos. Nº de ultrapassagens
1st 13
2nd 17
3rd 28
4th 31
5th 37
6th 38
7th 39
8th 37
9th 42
10th 47
11th 55
12th 52
13th 48
14th 35
15th 54
16th 41
17th 38
18th 37
19th 39
20th 30
21st 21
22nd 14
23rd 4

 

5 comentários sobre “Carros mais rápidos fazem a festa com DRS em Spa

  1. Teve uma coisa que me deixou em dúvida na corrida.

    No acidente do Hamilton, quando estavam na reta, o inglês estava na frente do Kobayashi, mas ele estava usando a asa, enquanto o Japonês não, mas pelas posições não era para ser o contrário? Ainda mais que o Hamilton não tinha ninguém a menos de um segundo na frente. Estranho…

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    1. O Hamilton estava atrás do Kobayashi, passou no começo da reta e ainda tinha a DRS porque tinha passado no ponto de detecção atrás. Na verdade, o que foi estranho ali foi o Kobayashi emparelhar novamente com o Hamilton mesmo sem a asa aberta. Tinha algo no setup do Hamilton comprometendo a velocidade em reta, você vê que o Alonso passou ele mesmo sem a DRS.

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  2. Juliana,

    Se este sistema de DRS já viesse de longa data, será que teríamos o prazer de assistir a disputa entre Mansell e Senna em 86, ou Espanha 87, com Ayrton segurando uma fila de carros? Schumi entre 96 e 99 contra as Williams e McLarens?Petrov teria segurado Alonso em 2010??? A defesa por posição não faz parte do automobilismo??? Acho que as ultrapassagens estão muito banalizadas. Há 30 anos acompanho a F-1, e mecanismos artificiais não são legais. Bom mesmo é circuito de verdade. Ou você acha que SPA e Monza necessitam de zona de ativação da asa móvel??? Esse sistema avacalha com esses templos da F1..

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    1. Concordo, Pedro. Essa impossibilidade de defender incomoda. Mas é fato que cenas como a de Abu Dhabi também não eram exatamente obra de habilidade pura. Acho que ainda há um meio do caminho a ser encontrado. Talvez só a mudança dos pneus já teria gerado corridas interessantes.

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      1. ok, Julianne. Esse meio termo a que você se refere poderia ser feito de duas formas não necessariamente mutuamente excludentes. Uma seria a de que quando o carro entrasse na zona de ativação da asa móvel, ao tirar de lado (porque senão vai bater no carro à frente), o mecanismo seria desativado, e não quando do acionamento do pedal do freio pelo piloto. Isso poderia ser feito com a reintrodução do tal do duto que foi banido, mas que voltasse à cena com outro papel, de colocar a asa traseira na sua posição original, acionado pelo próprio fluxo de ar quando saísse da linha do carro á frente. )
        Outro ponto seria o de limitar o número de vezes que a DRS poderia ser usada, sei lá, 20 por GP. Como às vezes temos duas zonas de acionamento da DRS, o cara, a seu critério, poderia “queimar” logo em dez voltas e “fazer performance para os seus patrocinadores”, fazendo logo uso da asa móvel. O que não dar é assistir ultrapassagens no meio da reta de carros parelhos, lembrando e muito a ultrapassagem de Alain prost sobre Capelli em Suzuka em 88. Ocorre que na época a Mclaren de Prost corria com motor Honda turbo, e a March de Capelli com motor Judd-aspirado (carro então projetado pelo Adrian Newey); naquele ano, último da era dos motores turbo, a FIA deixou em aberto para as equipes que quisessem se adaptar aos motores aspirados já correrem com eles. Salvo engano só a Mclaren e Ferrari correram com motores turbo. Você sabia que, por conta disso, Nigel Mansell foi campeão mundial em 88??? Por conta da diferença de desempenho de motores, a FIA criou um campeonato paralelo, em que, Mansell, com sua Williams-Judd foi campeão (o melhor piloto colocado entre os que disputaram o mundial de 88.) Então tivemos 2 campeões em 88: Senna e Mansell.
        Não Precisa postar, não. Grato pela atenção, meus cumprimentos por seu trabalho, e desculpe-me por chamá-la de Juliana no primeiro post e não Julianne. (No interior de meu Estado, a Bahia, há um ditado: “Mate o homem mas não troque o nome.) sds. Pedro

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