Experiência já não segura vaga

Em uma Fórmula 1 em que os grandes pilotos amadurecem cada vez mais cedo – em cinco anos, o recorde de campeão do mundo mais jovem da história foi batido duas vezes e, ao que tudo indica, o de bicampeão também será quebrado pela segunda vez desde 2006 nesta temporada – não é de se admirar por que há quem questione a necessidade de um Michael Schumacher e seus 42 anos, um Rubens Barrichello e seus 39 ou um Jarno Trulli e seus 37.

Os pilotos experientes geralmente têm sido chamados por equipes que precisam de um bom ritmo de desenvolvimento, porque estão muito atrás em relação aos rivais, e buscam pontuar consistentemente.

No entanto, a receita não parece estar surtindo tanto efeito. Um piloto rodado precisa render muito para ser útil, ainda mais em tempos em que os pilotos pagantes não são mais como antes. Hoje, nomes como Sergio Perez e Pastor Maldonado não chegam apenas com o bolso cheio, mas também com talento.

Quanto ao desenvolvimento, é difícil precisar o quanto o piloto ainda é importante. Ele já não tem tanto tempo de pista quanto antigamente devido às restrições nos testes privados e a maior parte da evolução é aerodinâmica, no túnel de vento. É fato que um piloto experiente será capaz de discernir rapidamente o que não está funcionando, mas sua atuação parece ser cada vez mais substituível por incontáveis dados de telemetria.

Não por acaso, Barrichello e Trulli estão com seus futuros indefinidos a três meses do final do mundial – ainda que o italiano garanta que está assinado para 2012, a Lotus não confirma – e Schumi se mantém porque é ele quem tem a opção no contrato com a Mercedes.

Uma das grandes decepções do ano foi Nick Heidfeld, outro trintão consistente e famoso desenvolvedor de carros, que chegou na Renault como substituto de Robert Kubica. Ainda que o desempenho do companheiro Vitaly Petrov tenha melhorado após a estreia em 2010, quando foi derrotado de forma contundente pelo polonês – com direito a 18 a 1 em classificação –, não é o bastante para justificar o fato do ex-“Quick Nick” ter perdido na disputa interna da Renault aos sábados e praticamente empatado em pontos nas 11 corridas que disputou junto do russo.

Foi substituído por Bruno Senna e pelo investimento brasileiro – e, mesmo sem andar para valer desde novembro de 2011, o brasileiro mostrou que Petrov não tinha virado nenhum ‘às’ do volante de uma hora para a outra.

Mais um sinal de que os “vovôs” tarimbados precisam se reinventar. O velho acertador de carros já não tem o valor de antes.

Coluna publicada no Jornal Correio Popular, em 03/set

2 comentários sobre “Experiência já não segura vaga

  1. Olá Julianne!

    Excelente a sua abordagem sobre o assunto.

    Não podemos esquecer que a evolução da tecnologia fez surgir os simuladores que permitem a um novato chegar a um circuito com uma referência muito boa do que fazer sem mesmo nunca ter corrida lá no mundo real.

    Hoje o nível de confiabilidade dos carros é tão alto por força do regulamento, que a habilidade de um piloto experiente em conservar o carro até o final da corrida praticamente se torna nulo.

    A grande maioria dos novos circuitos possuem largas áreas de escape que toleram bastante o erro dos pilotos jovens.

    E por final, com a maior facilidade de ultrapassagem, a experiência e arrojo em uma largada parece ter sido trocado pela garantia de se manter na pista.

    Abs.

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  2. Pegando carona no comentário do ricardo, recentemente assistindo uma corrida da ALMS no Spedd(pode mencionar o canal?), o narrador comentou que determinado piloto havia sido campeão mundial de Granturismo5 para PS3, e saiu do campo virtual para disputa real.

    Acho que tantas opções de controle e ajustes dentro do carro, diferencial, balanceamento de freio, e tudo o mais acabam por prejudicar o piloto que mais tarimbado, o melhor acertador de carro. Hoje o cara acert o diferencial pra entrda, meio e msaída de curva, são tantas a spossibilidades. Sem essas possibilidades, o cara teria que controlar no pedal, no acerto fino do carro, aí teria mais espaço ainda. Mas como nas grandes corporações, é a tecnologia engolindo os dinossauros….

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