Recente queda acende sinal de alerta na Ferrari?

Fry e Costa durante a pré-temporada de 2011

Há quem culpe o excesso de italianos para o insucesso da Ferrari após o fim da era Ross Brawn-JeanTodt-Rory Byrne-Michael Schumacher. Porém, a recente queda de rendimento – ou, digamos, estagnação que, à medida que McLaren e Red Bull cresceram, mais parece um revés – é um indício que aponta em outra direção e está longe de ser um bom sinal para a equipe.

Em maio deste ano, a Ferrari – muitos dizem, sob pressão de Alonso – demitiu seu projetista Aldo Costa. Segundo na escala de importância em Maranello, o inglês Pat Fry assumiu o posto, apoiado pelo grego Nikolas Tombazis. Ambos ex-McLaren. O inglês, vindo do time de Woking em meados de 2010, recebeu diversos elogios de lá para cá por seu método de trabalho mais ágil e, palavra-chave que teria faltado no trabalho de Costa (que subiu na equipe com a aposentadoria de Byrne e trabalhou nos projetos vencedores da época Schumacher), corajoso.

Inovação também é o mote de Tombazis para descrever o novo modelo, cujo princípio seria baseado em deixar o máximo de área livre para os aerodinamicistas em detrimento do ‘corpo’ do carro. Uma inversão de valores que, de acordo com o desenhista-chefe, irá falar por si só assim que a equipe lançar o bólido.

Na transmissão da La Sexta em Cingapura, o narrador Antonio Lobato afirmou que Alonso “até se assusta” com o que tem visto do projeto do carro de 2012. No entanto, a F-1 tem vários exemplos de que nem todo projeto diferente é ganhador – na verdade, vimos que os grandes modelos da história (ficando nos últimos 20 anos, o FW14B, o F2004 ou o RB7) eram evoluções/continuações dos anteriores. Além disso, a queda neste segundo semestre de 2011 deve ter ligado o sinal vermelho em Maranello.

O fato é que o 150º Italia definitivamente melhorou depois da saída de Aldo Costa, mas, levando-se em consideração que o desenvolvimento de um carro é planejado com antecedência na F-1, a quem se deve atribuir isso? De acordo com o projetista, recentemente contratado pela Mercedes, onde voltará a trabalhar com Brawn e Schumacher, o mérito é dele.

“Fui exonerado e logo disseram que o carro, no verão, andava melhor porque eu já não estava lá, mas eles estavam utilizando as modificações que eu havia projetado. Agora, usando as coisas pensadas por outros, os resultados são os jornalistas que devem avaliar”, afirmou ao jornalista italiano Leo Turrini.

O que provavelmente foi o primeiro pacote liderado por Fry estreou no GP da Bélgica e não funcionou, como reconheceu Stefano Domenicali. A equipe teve de voltar atrás, sem saber o que estava errado e o que se viu foi um retorno à situação do GP da Espanha (momento da demissão de Costa): um carro que lutava para acompanhar os rivais com pneu macio, mas que perdia 1s por volta com duros. Muito diferente do cenário entre Valência e Hungria, quando ao menos Alonso conseguiu andar de igual para igual com as McLaren e até Red Bull em determinadas situações.

Há quem possa dizer que os rivais continuam desenvolvendo o carro, enquanto a Ferrari parou. Na verdade, apesar dos alardes públicos dos italianos, com os campeonatos de pilotos e construtores decididos, não há motivo algum para que Red Bull e McLaren continuem gastando nos projetos de 2011 – a não ser para testar elementos que possam ser usados ano que vem, algo que a Scuderia também vem fazendo.

E tem gente que ainda cisma em dizer que o material humano já não vale nada na F-1.

 

9 comentários sobre “Recente queda acende sinal de alerta na Ferrari?

  1. Segundo Tombazis, da Ferrari, na matéria de vocês: ” “Acho que, visualmente, o carro é bem diferente de seu antecessor e tem um fator ‘uau’, que foi a primeira coisa dita por Domenicali quando viu o modelo.”

    Tomara que não tenha só fator uau esse carro novo …

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  2. Sim, o fator humano com certeza pesa muito na Fórmula 1. Mas acho que já está na hora de aparecer uma nova geração de engenheiros para serem os sucessores de Brawn, Adrian da Red Bull, e por aí vai…
    Espero que além da Ferrari, outras equipes, como a Mercedes, produzam carros competitivos para brigar na frente com a Red Bull e que tenhamos um campeonato de pilotos também muito competitivo!

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  3. Sensacional a matéria. O problema da Ferrari, minha modesta análise, é que ela “teimou” em copiar o que dava certo no carro dos outros, mas sem ousar naquilo que sempre se espera da equipe italiana. Acredito que eles ficaram com o “sossego” do carro vencedor dos tempos de Schumacher como lema, e foram “empurrando” com a barriga, digo, com o pneu um carro Frankenstein: move-se, anda, tem pedaços dos outros, mas não possui alma ou coração que funcionem de verdade.

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  4. Talvez a Ferrari tenha abandonado o desenvolvimento do 150º Italia antes da McLaren e da RBR por perceber que seria desperdício de recursos, por isso a queda de rendimento neste final do ano.

    Mas o fato de afirmarem que o projeto do ano que vem será radicalmente diferente, também é um grande risco. Vide o fracasso da Williams neste ano com seu carro de traseira diminuta.

    A verdade é que o carro da RBR é uma evolução dos carros dos anos anteriores e mesmo tendo a batuta de Newey, levou pelo menos uns 2 anos para se tornar vencedor.

    O mesmo deve acontecer com a Ferrari no ano que vem, então não esperemos um carro vencedor logo de cara. A questão que fica é, será que o Alonso errou ao assinar um contrato tão longo? Será que a tradicional cobrança de resultados imediatos da Ferrari não vai piorar ainda mais o clima interno?

    A conferir no ano que vem.

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  5. vc é a pessoa que mais entende de f1 na minha opiniao, portanto, gostaria de saber o que vc pensa sobre o campeonato de 2007, a maioria fala que a mclaren perdeu com o melhor carro, eu discordo totalmente dessa versao, pois alonso e hamilton sao pilotos que estao num patamar acima de raikkonen e massa, esta provado que para felipe andar no mesmo ritmo de alonso somente se possuir um carro melhor que o espanhol, e tb adoraria saber a sua opiniao a respeito da briga hamilton x alonso quem é melhor e porque na sua opiniao. Obrigado e bjs vc é espetacular ju.

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    1. Vamos lá! Se fosse responder tudo isso como gostaria seria um livro, mas vou tentar! Não faço relações diretas entre pilotos em épocas diferentes, como por exemplo: Massa andava junto de Raikkonen e não anda junto de Alonso, logo Alonso melhor que Raikkonen. Explico os motivos principais:
      – fica claro na carreira do Massa que ele anda muito quando o carro está do jeito que ele quer. Aquela Ferrari de 2007 era muito melhor que as dos últimos anos, mais ao gosto dele. Enquanto isso, o Alonso é melhor em se adaptar a carros que não são tão bons e acho que uma boa parte da diferença que vemos entre os dois hoje seja fruto disso.
      – outro fator importante para o piloto é ele se sentir apoiado dentro da equipe e é inegável que a situação de Massa hj na Ferrari é completamente diferente de 5 anos atrás. Estamos falando de esporte de alto nível, em que qualquer diferença – e não me refiro a carros diferentes, de forma alguma, mas de atenção mesmo – se faz sentir.
      Naquele ano, havia uma alternância em relação a qual carro se adaptava em cada pista, a relação de forças mudava mais que hoje. Ou seja, os carros tinham qualidades diferentes e eram bastante parelhos. Acredito que a McLaren ganhava “por pontos” por ser mais confiável mas, da mesma forma que os ingleses tiveram vitórias incontestáveis, como Mônaco e Canadá, por exemplo. A Ferrari foi absoluta em Spa, na França e em Interlagos para citar algumas.
      Agora sobre Alonso e Hamilton: de modo geral, acredito que 2007 tenha sido o pior ano do Alonso e o melhor do Hamilton. O espanhol, assim como Kimi, sofreu com a adaptação aos pneus Bridgestone e é interessante ver como ambos (Raikkonen e Alonso) fizeram um campeonato “negativado”, ou seja, mais forte no final, comprovando essa tese.
      Fora das pistas, acredito que a abordagem dele no trabalho com a equipe foi errada – vide o exemplo de Button. Não se sentia confortável na equipe – e voltamos à situação atual de Massa – e sua atitude em relação a isso não ajudou. Do outro lado, a McLaren tinha uma cria sua, também inglês, fazendo incríveis NOVE pódios nas suas PRIMEIRAS nove provas. Hoje, sabendo de antemão as falhas que Lewis teria no final, é fácil dizer que eles fizeram a aposta errada – e sim, acredito que foi feita uma aposta com base nos “problemas” que Alonso teve com pressões de pneus, reconhecidos pela equipe, e pelas declarações do próprio Ron Dennis – mas na época parecia perfeitamente razoável.
      Tentei dar uma bela resumida, depois me diga se respondi. Todas essas nuances fazem com que essa seja minha temporada predileta – e que eu sinta muito por não ter tido a chance de cobri-la in loco!

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      1. Bela resposta!
        Minha opinião vai por essa linha também. Acredito que o grande erro de Alonso tenha sido a sua incomum falta de perspicácia da situação que acontecia – talvez, com você mesma disse, por não se sentir à vontade – e que no fim, mesmo com tudo isso, resultaria no seu título.
        P.S. Também considero 2007 a melhor temporada.

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  6. Boa tarde Julianne.
    Gostei e muito da matéria.
    1- Só se fala, e nós fanáticos torcedores de F1, endossamos ou não, a questão da grana, no quesito ” pilotos “, e a casa de Maranello, sempre se mostrou ” independente “, quanto a este assunto, trazendo para sua equipe aqueles que eles consideram os melhores, e nós humildes torcedores, ficamos a mercê, discutindo, polemizando, fulano, beltrano, e acabamos nos esquecendo deste assunto que você aborda com profundidade nesse post.Parabéns.Estou contente e feliz de estar participando do teu blog.

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    1. Obrigada, Marco! Acredito que o fascinante deste esporte é justamente sua complexidade, parece que, por mais que se leia e aprenda, nunca sabemos de tudo!

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