GP do Japão por brasileiros, espanhóis e britânicos: “duro, mas justo”

Será que Vettel vai vencer? “O campeonato, sim”, acredita David Coulthard na britânica BBC. “Mas a vitória na prova depende, porque a McLaren dominou todas as sessões e havia uma sensação de alívio quando a Red Bull fez a pole.”

Na Globo, replays das decisões de título de Senna em Suzuka – ainda que Galvão Bueno, 20 anos depois, não tenha decorado o nome da curva mais famosa do circuito “Faz 30 anos que eu falo curva de alta” – e preocupação com a degradação de pneus.

Os espanhóis, na La Sexta, também estão preocupados: como Alonso sairá da quinta colocação o mais rápido possível? “Fiquei sabendo que Alonso tem treinado reação ao semáforo 15 minutos antes de entrar no carro”, entrega Pedro de la Rosa.

O espanhol também é assunto na BBC, pois Martin Brundle não entende por que Vettel disse que ficaria de olho nele na corrida. “Alonso foi o mais rápido no último setor e isso significa que tem muita velocidade de reta, na zona do DRS. Vai ser importante na corrida”, explica Coulthard.

Hard, but fair nº 1

Na largada, onde Brundle vê uma manobra “crucial” e Coulthard “Vettel sendo tão agressivo quanto se pode ser”, Galvão fala em “fechada muito forte” e Luciano Burti defende punição. O narrador espanhol Antonio Lobato não vê o lance entre Button e Vettel, está mais preocupado com a disputa entre Alonso e Massa. No replay, a opinião geral de britânicos e espanhóis é de que não haverá punição porque “há poucas penalizações na largada porque há muitas mudanças de posição”, como explicam os que deixaram o cockpit a menos tempo, De la Rosa e Coulthard. “Os comissários vão dizer que Button poderia ter tirado o pé. Foi duro, mas não merecia punição.”

Lobato lembra que “por pouco o título não é decidido como é de praxe em Suzuka”, com uma batida tirando Vettel e Button da corrida, enquanto Reginaldo Leme e Brundle lembram que o ex-piloto que ajuda os comissários no GP do Japão é Alan Jones, “um dos mais agressivos contra quem pilotei”, lembra o inglês, “alguém que nunca foi muito limpo na pista”, completa o comentarista.

Voltas depois, Alonso passa facilmente Massa. “Sem qualquer resistência. É de se pensar se ele sacrificou a classificação com um acerto mais voltado para a durabilidade dos pneus”, cogita Coulthard. “Aí está um cara cujo espírito está estraçalhado”, diz Brundle. O de seus torcedores também está. Tanto, que Galvão se vê na obrigação de explicar a ultrapassagem. “Alonso está na briga pelo vice. É normal o Felipe facilitar.” Lobato comemora a manobra. “Seria muito ruim ficar atrás de Massa, que é evidentemente mais lento.”

Chegando perto das primeiras paradas, o assunto é estratégia. O repórter da Globo Carlos Gil lembra que Vettel afirmou ser “difícil não ter de fazer uma quarta parada.” Já De la Rosa explica a dificuldade de parar muitas vezes. “Vai ter de se livrar muito bem do tráfego, pois vários vão estar mais lentos tentando parar duas vezes.”

Com Hamilton lento, a primeira impressão é de que o inglês acabou com seus pneus. “Esperava-se muito dele, mas talvez o carro estivesse acertado apenas para uma volta”, diz Burti. Tudo culpa da má fase. “O sucesso do Button incomodou e também tem o empresário e a namorada popstar.” Gil também dá seu depoimento. “Fiz várias corridas em 2007 e ele era como o Vettel nas entrevistas. Agora é monossilábico, misterioso. Mudou muito.”

Na BBC, Coulthard chega a pensar que Hamilton desacelerou de propósito para frear Alonso e deixar Button escapar – reflexos do salve-se quem puder da época de segundo piloto na McLaren – mas é salvo pelo repórter Ted Kravitz. “Foi um furo.” De qualquer forma, o ex-piloto observa que “Hamilton não tem conseguido fazer os pneus durarem como Button.”

Os espanhóis não puderam ‘malhar’ o inglês, pois perderam toda a ação dos primeiros pit stops em um intervalo. Na volta, Lobato chama a atenção para o ritmo ruim de Hamilton. “Deve estar com as rodas destroçadas porque vocês lembram que ele foi o primeiro a parar.” Não lembramos, Lobato, até porque não vimos.

Mas De la Rosa estava atento aos tempos e chega a cogitar que Vettel tem um problema, pois Button e Alonso são mais rápidos que ele. “Ou é pneu. Button é o que melhor cuida deles e o que é impressionante é que isso melhora quanto pior o desgaste dos outros.”

Não demora para a Red Bull chamar ambos os pilotos ao box, e na mesma volta, para delírio de Galvão e Kravitz. Brundle parece menos impressionado. “Eles tinham 10s entre um e outro. Dizem que a partir de 8s é confortável.” Na La Sexta, De la Rosa afirma que a margem da McLaren é de 12s e não entende como Button parou depois e saiu na frente de Vettel. “Acho que perdemos algo na volta de saída dele.”

A rapidez adiantou para Webber, que superou Massa e Hamilton com a jogada, mas não para Vettel, que voltou atrás de Button. Mas nada tão interessante como o “sétimo round”, como brincou Brundle, entre Hamilton e Massa. “Ele virou como se Massa não estivesse lá”, diz o ex-piloto, que fica em cima do muro em relação a uma possível punição. Reginaldo não tem dúvidas. “Está ficando perigoso. É quando um piloto perde noção de bom senso. Tomara que ele volte bem longe do Felipe”, completa Galvão.

Hard, but fair nº 2

Na La Sexta, ficam na mesma discussão da Globo, sobre ‘de quem é o pedaço de asa que voa’. Quando aparece a informação de que o toque será investigado, Gené diz acreditar que não vai dar em nada e De la Rosa concorda. “Foi a mesma coisa. Só tocaram porque Massa não tirou o pé. O espaço diminuiu e ele tinha de ter visto. Vamos ver a consistência das decisões. Corrida de carro tem sempre o risco de contato.”

Reginaldo lembra que Button teria afirmado que está “conduzindo o desenvolvimento do carro do ano que vem.” Mas Burti duvida. “Quem sabe ele fala isso para colocar minhoca na cabeça do Hamilton.” “Está funcionando”, observa Galvão.

O Safety Car na pista ajuda os pneus a se desgastarem menos e diminui a necessidade de fazer muitas voltas com o médio, como lembra Kravitz. Gené acha que o SC também acaba com a possibilidade de fazer 4 paradas, mas De la Rosa insiste que é possível. No entanto, estão mais preocupados com o ataque de Webber sobre Alonso. “Tomara que tenha atrapalhado aquele pedaço de asa quebrado no toque com Schumacher”, diz o piloto de testes da McLaren. “Pelo menos nas primeiras voltas após a relargada não se pode usar a DRS, então Fernando terá tempo de aquecer o pneu.”

Gené destaca que Vettel “é o que mais gasta pneu entre os quatro primeiros. Complicou muito sua luta pela vitória.” Para os britânicos, foi a antecipação da terceira parada que acabou com qualquer chance de ser campeão vencendo. “Parando agora, a Red Bull está desistindo da luta pela vitória e indo para os pontos.”

Desde as cabines de trasmissão, Coulthard vê Alonso voltando da parada à frente do alemão, assim como os espanhóis – coisas que transmitir a corrida no Brasil não permitem. “Agora vai ter de aguentar”, nem Lobato crê no segundo lugar do compatriota.

Segundo lugar que no momento é terceiro, pois Michael Schumacher, com uma parada a menos, lidera a prova. Coulthard e Galvão acreditam que o alemão pode tentar ir até o final, mas Lobato lembra que ele “só usou macios” e Burti que “o grande problema da Mercedes na temporada é o desgaste de pneus.”

Brundle, então, observa que “Hamilton e Massa estão perdendo 1s por volta atrás de Rosberg” e Coulthard imagina que “ele está segurando os dois para ajudar Schumacher e voltar na frente”. É o que acontece, ao menos com Massa.

As atenções se voltam para o ataque de Vettel a Alonso. “Ele não precisa de nada disso, mas na cabeça do piloto ele vê o carro na frente e quer ultrapassar.” Para Lobato, segurar o alemão seria “um milagre, que ele vai tentar!”, enquanto os ingleses lembram que a Ferrari do espanhol era bem mais rápida no speed trap.

A perseguição é interrompida por uma Virgin, que atrapalha Vettel. Britânicos e espanhóis se espantam com o fato do alemão reclamar, dando a entender que está apreensivo pela decisão do campeonato. Já Galvão inicia um discurso contra as equipes novas, que “só ficam na pista para atrapalhar.”

Não demora para Webber, quarto, receber a mensagem de que não deveria forçar, pois o mesmo havia sido dito para Vettel. O áudio provoca risos em todos. “Ou seja, não incomode Vettel por favor”, traduz Galvão. “Por favor! É incrível”, Lobato não gosta quando as ordens são na Red Bull.

Os espanhóis vão à loucura com Alonso tirando a diferença em relação a Button. A cautela em relação à disputa com Vettel virou empolgação. “O Magic vai para cima!” Na Globo, acreditam que o inglês, aquele que “merece o vice”, tem sobras, mas os próprios britânicos reconhecem que, se esse fosse o caso, “não teria deixado chegar tão perto.”

Quando Alonso ficaria dentro da zona de DRS, Button aperta – e depois descobrimos que a demora para isso era relacionada ao combustível. “Temos um botão amarelo que faz uma grande diferença no desempenho”, lembra De la Rosa. “Marc, temos botão amarelo na Ferrari?”, pergunta Lobato. “Com Fernando, o botão fica apertado o tempo todo!”, brinca o piloto de testes ferrarista.

Com a vitória fora de alcance, começam as lamentações de Lobato. “Que pena não ter carro mais competitivo… Como está guiando o Fernando neste ano. Com este carro, tem de arriscar em cada curva.” E o segundo lugar volta a ser um resultado “mágico”, com direito a comparação com o sétimo lugar de Massa. Logo depois, reconhece que Button também “não estava dando a aula de pilotagem no ano em que foi campeão que está dando agora. A nós e a seu companheiro.”

Quem se rasga em elogios ao inglês são os brasileiros. “É um piloto que pensa a corrida. Está numa fase espetacular.” Os britânicos lembram do incidente com Vettel no início da corrida. “Não perdeu a cabeça quando foi para a grama e também temos de respeitar Alonso por nunca desistir. Ele tem o terceiro melhor carro e ainda assim está lutando pela vitória”, Brundle elege seus destaques da prova.

De la Rosa vai mais longe. “Ainda que o campeonato esteja decidido, temos três carros igualados com três pilotos em seu melhor momento na carreira.”

O terceiro, é claro, é o novo bicampeão do mundo. “Não tenho dúvidas de que estamos assistindo a uma era Vettel”, acredita Reginaldo. Mas Lobato ainda tem tempo para uma última observação, depois de divagar sobre o que teria acontecido se Alonso não largasse em quinto ou quanto combustível Button teria sem o Safety Car. “Você voltou a fazer mágica, amigo. São oito pódios para Alonso no ano. O melhor resultado de Massa é quinto.”

14 comentários sobre “GP do Japão por brasileiros, espanhóis e britânicos: “duro, mas justo”

  1. Ótimo post!

    Não podemos esquecer que no final da corrida, o Button parou logo após a bandeirada sob risco de pane seca.

    Ou a McLaren arriscou bastante ao iniciar a corrida já com menos combustível ( e olha que foi favorecida com o Safety Car) ou Button forçou muito para conseguir passar o Vettel na pista ( mas mesmo assim não destruiu os pneus).

    Foi uma vitória consistente, para um piloto que só tinha vencido em condições de chuva.

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    1. Todas as equipes começam a corrida com menos combustível que o necessário para completar a prova e manejam isso durante o GP. Geralmente quando vemos apenas um dos carros tendo de controlar o ritmo por isso indica que o ritmo desse determinado conjunto carro-piloto surpreendeu até a equipe.
      Vi muita gente questionar – e acredito que não coloquei no texto, mas na TV espanhola eles falam isso – que Alonso venceria não fosse o Safety Car, mas temos de lembrar que ele estava a 5s de Vettel antes do SC, que beneficiou os três primeiros: Button com combustível, Alonso com com diferença e Vettel com pneus (seria possível que tivesse de fazer uma quarta parada ou contar com médios muito desgastados no final). Ou seja, é muito “se” para se levar em consideração!

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    1. A transmissão em si é muito melhor na Espanha, mais completa. Eles começam 1h, 1h30 antes da corrida e costumam abordar assuntos interessantes (no meio de bastante alonsocentrismo, claro). Quem quiser ver mais, postei alguns vídeos mostrando matérias deles, é só seguir a tag ‘la sexta’.
      Um exemplo recente é essa matéria do Alonso explicando sua largada em Monza. Por mais que o Lobato tente puxar sardinha para o lado dele, como sempre, é muito legal ver como um piloto toma as decisões no cockpit e quantas informações ele processa em questão de segundos: http://www.youtube.com/watch?v=RQWM-dF31Tc
      Agora, o narrador em si é inacreditável. Fico imaginando (não tenho lembranças claras desse período) se o Galvão não era exatamente igual com o Senna, talvez vocês possam me ajudar a comparar.
      No entanto, ele é apoiado pelo Gené e, mais importante, o De la Rosa, que são muito bem informados e conseguem ler bem a corrida.

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      1. Eu ainda não vi a transmissão de La Sexta, então não vou comparar com ela.

        O que mais me chamava a atenção na narração do Galvão era que ele não deixava ninguém falar. E coitado do repórter no pit lane.

        Dizem que o Brundle não é a pessoa mais agradável do mundo, mas se Ted Kravitz pede a palavra, ele recebe sempre rápido.

        Eu escuto hoje ao vivo pelo rádio, band ou espm. E reclamo muito dos narradores que não param quando entra o rádio da equipe com o piloto. Que mania de narradores, e alguns comentaristas, de só escutarem a própria voz!

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  2. Juliana,
    muito legal o post e o fato de vc “responder” aos comentários.
    Quanto ao Galvão (chato) Bueno.
    Ele babava no Senna, apesar de algumas criticas principalmente na teimosia em trocar pneus um pouco tarde em algumas ocasiões.
    Mas, todo mundo babava no Senna.
    Na minha opinião essa mania de defender obstinadamente o massa é irritante.
    O cara perdeu muito de concentração depois da “molada” na cabeça.
    Não tem mais jeito: o menino vai ladeira abaixo.
    Abraços

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  3. Lobato está para Espanha assim como Galvão está para o Brasil.

    Será que isso é mal de país latino? Essa pachecada geral? Itália também é bem assim com os tifosi…

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    1. A transmissão italiana é bem diferente, eles veem a F-1 mais como um campeonato de carros do que de pilotos. Acho bastante interessante a abordagem técnica deles – inclusive têm um engenheiro comentando. Infelizmente, não tenho acesso às transmissões de todas as provas para poder incluir neste tipo de post.
      Na BBC, dá para perceber que os feitos, principalmente de Button, são supervalorizados, mas eles fazem isso de maneira mais sutil. Enfim, não acredito que dê para generalizar.

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  4. Uma coisa é fato, em todas transmissões, a presença de ex-competidores, acrescenta muito ao entendimento da corrida. A BBC sensata como sempre!

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