Coreia marca fracasso e domínio do conjunto Vettel-Red Bull

Eis a última vez em que vimos Vettel a pé

GP da Coreia, 2010. Sebastian Vettel faz a pole, pula bem na largada e controla o ritmo na frente. Nada que não tenhamos visto algumas vezes neste ano, senão por uma quebra de motor que, àquela altura, parecia que o tirava da luta pelo título. Um ano depois, aquele momento se tornou emblemático: é a última falha do conjunto Red Bull-Vettel.

De lá para cá, o alemão venceu nada menos que dois terços das corridas disputadas, ou 12 de 18 possíveis, conquistou quatro segundos lugares, um terceiro e um quarto. Sim, o bicampeão completou todas as voltas disputadas desde aquele dia! Além disso, largou na pole em 14 oportunidades no período.

Outra marca que mostra o tipo de domínio imposto por Vettel é o de número de voltas na liderança. Daquela quebra na Coreia até esta vitória incontestável em Yeongam, são 760 voltas na ponta de um total de 1073, ou pouco mais de 70%. Neste ano, liderou 651 das 947 disputadas (68.74%).

Maior número de voltas lideradas em uma temporada

Ano Piloto Voltas Total % na liderança
1992 Nigel Mansell 694 1036 66.99
2004 Michael Schumacher 683 1122 60.87
2011 Sebastian Vettel 651 947/1133 68.74
1994 Michael Schumacher 646 1046 61.76

Ela pode não ter sido comemorada como muitos esperavam, mas a pole de Lewis Hamilton impediu que a Red Bull alcançasse duas marcas importantes: de construtor com o maior número de poles consecutivas e segunda equipe na história a largar em primeiro em todas as corridas de uma temporada.

O último recorde pertence à Ferrari, no longínquo 1952, enquanto a primeira é das Williams de Adrian Newey do início dos anos 1990.

Equipe Nº de poles Corridas
Williams 24 GP da França 1992 – GP do Japão 1993
McLaren 17 GP da Alemanha 1988 – GP da Alemanha 1989
Red Bull 16 GP de Abu Dhabi 2010 – GP do Japão 2011

Porém, a Red Bull ainda pode superar a McLaren e a Williams em maior número de poles – ambas têm 15 – em uma temporada se confirmar Vettel ou Webber na ponta nas três próximas corridas. Se as três forem de Vettel, o alemão supera Nigel Mansell no quesito.

No dia em que a Red Bull se sagrou bicampeã de construtores, a McLaren comemorou sua 700ª largada. São 174 vitórias (24.9%) e 147 pole positions (21.0%). Só a Ferrari tem mais largadas, com 828.

Os “150 GPs” de Massa

A equipe italiana, inclusive, comemorou o 150º GP de Felipe Massa. No entanto, o brasileiro largou pela 149ª vez e, como esteve por duas vezes em finais de semana nos quais não largou – GP dos EUA em 2005 e, obviamente, da Hungria em 2009 – não deu para entender muito bem a conta.

De qualquer forma, o piloto agora é o terceiro em número de largadas da história da Ferrari, com 97, atrás apenas de Rubens Barrichello – o qual superará no início do ano que vem – e Michael Schumacher, que tem 180.

Schumacher VS Vettel

Vettel tem colocado seu nome em diversas listas de pilotos que conquistaram mais isso ou aquilo em uma temporada. Quase sempre com a companhia de sua referência de infância, Michael Schumacher.

Muitos começam a imaginar se conseguirá chegar nas 91 vitórias de Michael e nem é preciso dizer que Vettel tem um longo caminho pela frente. Já discutimos aqui o quão difícil é construir e manter um time dominante por tanto tempo quanto a Ferrari conseguiu no início dos anos 2000 – equipe pela qual Schumacher conquistou 79% (72) de suas vitórias (mesmo tendo disputado 63% de seus GPs na Scuderia).

Além disso, outra dificuldade é consistentemente converter essa supremacia em vitórias. A média de vitórias de Schumacher na Ferrari é de 40% – isto, em uma gama de 180 GPs e 11 temporadas, sendo que em pouco menos da metade a Scuderia não tinha o melhor carro. A média atual de Vettel, com três temporadas de Red Bull, sendo duas e meia de domínio, é de 36,5%.

Apesar de alcançar os números de Schumi seja tarefa dificílima para qualquer um, não dá para negar que Vettel tem se esforçado em 2011. Pelo sistema de pontuação pré-2010, o alemão teria 143 e estaria a seis de bater o recorde de maior pontuação em uma temporada – 148 de Michael em 2004, num total de 18 provas.

Isso nos leva à porcentagem. Vettel somou até agora 87,3% dos pontos possíveis, contra 84,71% de Schumacher em 2002. Com mais 54 pontos acumulados nas últimas três provas, bate mais esse recorde. Já que sua média até agora é de impressionantes 21,8 pontos por corrida, se mantiver o ritmo chegará a cerca de 414 após o GP do Brasil. Na moeda pré-2010, isso significaria cerca de 170 pontos!

12 comentários sobre “Coreia marca fracasso e domínio do conjunto Vettel-Red Bull

    1. Desculpe não ter respondido antes, realmente passou batido!
      Lista de melhores de todos os tempos? Aí não é comigo mesmo! Não vejo sentido em avaliar pilotos de épocas diferentes simplesmente porque as exigências são outras e não dá para valorar qual exigência é mais importante ou mais difícil de ser cumprida. Por exemplo, um piloto dos anos 70 não tinha que se preparar fisicamente pois o downforce era menor, mas ele tinha que ter mais tato para fazer o equipamento chegar até o final. Uma qualidade é “melhor” que a outra?
      Mas por que você não gostou da minha resposta de 2007? Me diga pois aí está um assunto que me interessa!

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  1. Concordo contigo no que diz respeito às listas. É muito complicado fazer isso, já que as época são distintas.

    Mas, acredito que independente disso, os que conseguem sobressair de forma, digamos, “anormal”, merecem destaque.

    Penso que Fangio, Clark, Senna, Prost e Schumacher tem algo a mais que todos. Vettel parece ser desse time.

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    1. De modo geral, sim, são esses mesmo. Mas e se imaginarmos que determinado piloto se destacou em determinada época devido ao conjunto técnico/regulamentar, ou seja, se as habilidades necessárias na época X eram exatamente as mesmas que ele possuía? Se Prost guiasse agora, por exemplo, será que não ganharia ainda mais títulos nesta era Pirelli? Ou mesmo o que um piloto mais agressivo como Villeneuve teria conseguido hoje, praticamente sem o fantasma de quebras?

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  2. Enquanto números concordo que seja impressionante e também não há como negar o talento do Vettel, mas como a nossa colega disse antes, não há como comparar pois todos esses pilotos competiram em situações muito diferentes… Mesmo assim dá pra dizer que hoje as vitórias vão muito mais pela equipe do que pelo piloto.

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  3. Em 1950 era um Campeonato Europeu de F-1. O jeitinho da FIA foi colocar as 500 Milhas de Indianapolis (1950-1960). Assim virou um Campeonato Mundial! E atrapalha as estatisticas…
    … Por exemplo: em 1950 a Alfa-Romeo teve 100% de aproveitamento nas poles e vitorias! Mas não esteve em Indianapolis… Idem para a Ferrari em 1952!

    Sobre o GP “150”: a Ferrari teve ter pedido ajuda do cara que fez as contas dos “300” GP’s disputados por Barrichello e os “1000” gols do Romario, hehehe!

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  4. Eita! Bisbilhotando o Google e a Wikipedia eis que Ascari disputou a Indy 500 de 1952! Mas o carro quebrou pois a suspensão da Ferrari era projetada para as pistas mistas com curvas para direita e esquerda. E curvas somente para a esquerda foi fatal para a Ferrari!

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  5. Muito bom o post Ju! Realmente épocas são épocas, mas algo é fato: vencer está condicionado pelo bom carro em grande parcela. A porcentagem é que é imprevisível! Você tocou em um ponto muito importante, o quanto duram os carros hoje, fazendo diminuir um pouco o tato do piloto. Certo ou errado?

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    1. Acho que o tato se transfere a outras áreas. Não dá para dizer em época de pneus Pirelli e sem reabastecimento que os pilotos simplesmente sentam e aceleram, não?

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