GP da Coreia por brasileiros, espanhóis e britânicos: “O que fazemos com Massa?”

Teve tanta ação na primeira volta que teve quem demorou para notar Vettel à frente

A F-1 chega à Coreia do Sul, no circuito de… “próximo a Seul”, como gagueja Galvão Bueno antes de ser salvo pelo convidado Lucas Di Grassi. Enquanto isso, Antonio Lobato, na La Sexta, da Espanha, critica a falta de espectadores na pista. “São destinos bons para o lado comercial, mas não para o espetáculo.”

É fato que Yeongam ainda não se tornou exatamente uma corrida esperada por todos mas, neste ano, tinha um ingrediente especial: o desconhecido, como frisaram os britânicos. “Eles tiveram pouco tempo para andar e muitas questões continuam sem ser respondidas.”

Foi um pouco difícil Galvão apresentar Di Grassi, em meio à propaganda da StockCar, ao respeito ao hino da Coreia e à palavra (ao vivo!) de Bruno Senna. Enfim, o piloto de testes da Pirelli explica que “são dois fatores de degradação, temperatura e emborrachamento da pista. A tática ideal seria três, tendendo para duas paradas. Para isso, o pneu tem de durar 15 voltas.”

Ainda sobre pneus, Pedro de la Rosa destaca que “todos querem economizar ao máximo porque se perde muito tempo no pit aqui”, enquanto na BBC o destaque é para o fato da Red Bull ter guardado pneus macios na classificação.

Já Galvão salienta o papel que o vento contrário na reta principal poderia ter. “Conversando com o Massa, ele me disse que isso favorece muito quem vem com a asa aberta, então podemos ter o maior índice de ultrapassagens.”

Ao menos Vettel aproveita a brecha e supera Hamilton. Para os britânicos, porque o inglês “foi muito justo e deixou bem mais que o espaço de um carro.” Para os espanhóis, porque “Vettel deve estar com a sétima marcha muito curta para voar nas primeiras voltas.”

Mas quem chamou a atenção na largada foi o “corajoso” Massa, na BBC, e sua “linda manobra”, para Galvão, que vê os pilotos “sem tomar muita precaução”. Os espanhóis se espantam mais com a queda de Button. “É como se não aquecesse bem os pneus. Isso é coisa de Ferrari.” Mas Lobato não se preocupa com o inglês, reclama de Webber por ter “freado muito Fernando nos primeiros metros”, algo que já previa antes da largada.

Agora, é esperar a degradação. Os espanhóis querem pit stop já na sexta volta porque “os tempos estão muito altos” e preveem “de três a quatro paradas”. Já os britânicos, avisados por Ted Kravitz, observam os tempos de Petrov que “fez o Q2 e o Q3 com os mesmos pneus, então tem os compostos mais desgastados que os demais. E seu ritmo é bom!” E Brundle explica que com o céu encoberto e a baixa temperatura da pista a degradação não veio.

Talvez a esperança de Lobato e companhia de que a primeira rodada de pit stops tenha chegado é para tirar Alonso do encaixotamento entre Massa e Button. “Alonso precisa passar o Massa já, porque o Button não vai esperar. Se houve algo de prudência até aqui, agora é o momento de arriscar”, brada o narrador.

Galvão não acredita que será fácil. “Massa reconheceu que não andou bem, mas na segunda metade, das últimas 5 corridas, largou 4 na frente.” Na verdade, 4 de 6. O narrador acredita que Button esteja vindo para cima de Alonso porque “a impressão é de que ele gastou menos pneu. É questão de tempo. Isso é bom pro Felipe porque as Ferrari não têm mais pneu.”

Particularmente Alonso, notam seus compatriotas. “Estou vendo o Fernando fritando muito o pneu, que não é comum dele, então deve estar com muita vibração”, observa Gené, assim como Di Grassi na Globo, enquanto De la Rosa está impaciente. “Então, Marc, o que fazemos com Massa?” O piloto de testes da Ferrari prefere não responder.

O problema de Alonso, segundo Coulthard, é que Massa também está na zona de DRS. “Se não fosse isso, já teria passado.” Mas a bronca do escocês é com a McLaren. “Não sei porque estão demorando para chamar Button para os pits. Até Rosberg está se aproveitando do ritmo de corrida lento do Massa. Alonso deve estar furioso no rádio. Por favor, mostre isso, diretor de prova! Não posso imaginar que ele esteja calado no cockpit…”

A tal mensagem pedida por Coulthard não aparece, mas Rosberg, de fato, entra na briga. Passa Button no box, se atrapalha na saída – para deleite de Galvão e Brundle – e se recupera na reta. Aliás, o narrador brasileiro viu a DRS sendo ativada em três retas diferentes até acertar a real localização da zona de ultrapassagem, assim como cravou que a briga entre a McLaren e a Mercedes era… “bom para Felipe Massa”.

O próximo a parar é Massa e os britânicos não se surpreendem com a lentidão pois veem que há muito tráfego no pit lane. Já os espanhóis não se preocupam a princípio – depois vão checar no box da Ferrari o motivo da demora – pois “o problema é Fernando, porque o Massa estava na frente e tinha a opção de parar antes e ele teve de esperar a decisão de Massa e perdeu muito tempo”, explica De la Rosa.

Sem ver o tráfego, Galvão volta ao discurso que tinha desaparecido nas últimas etapas. “Demorou demais a troca. É sempre com ele!” e já abaixa o tom, pois não vê os tempos péssimos de Alonso e chega até a ver o brasileiro voltando atrás do espanhol – e é salvo mais uma vez por Di Grassi. A conclusão é que a Ferrari “errou tudo: na parada, ao manter os pilotos na pista e ao prender Alonso demais na pista.”

Enquanto isso, De la Rosa explica como Alonso foi prejudicado “por dois motivos: por Massa tê-lo freado nas últimas voltas e por não ter podido escolher a estratégia.” Falando em estratégia, Ted Kravitz na BBC, Di Grassi na Globo e De La Rosa na La Sexta destacam a divisão das táticas da Red Bull, que muda os planos e coloca supermacios em Vettel e macios em Webber.

Galvão, no entanto, insistia que apenas a Ferrari estivesse pensando diferente, em fazer uma parada a menos – “para você ver que minha informação estava correta: a Ferrari comprometeu a primeira parte da corrida para fazer suas paradas” –, enquanto durante o período de Safety Car, Coulthard já crave que todos vão fazer duas paradas.

Os parênteses na prova haviam sido causados por uma colisão entre Petrov e Schumacher, ainda que Lobato tenha adotado tom de velório ao perceber que o russo estava envolvido e não enxergar Alonso, que vinha disputando posição com ele, na pista. Ao ver que Michael havia sido a vítima, conclui, antes do replay: “Fernando deve ter ultrapassado Michael e o autor com certeza é Petrov.”

Na verdade, Alonso tentava se recuperar após ser ultrapassado por Petrov e ambos perderam a freada. O espanhol parou na área de escape e o russo, em Schumacher. “Acho que os dois esqueceram que tinha mais gente na pista. Eles nunca iam parar”, Martin Brundle acha graça e vai na mesma linha de Galvão, que emenda: “é impressionante a sorte do Alonso.” Para Gene, seu bicampeão “viu o que ia acontecer e ficou longe”.

De la Rosa ainda aproveita o Safety Car para dar uma dica dos riscos que a McLaren vem correndo: “isso é bom para nós, é o que eu posso dizer”. O assunto era combustível.

Com a relargada e Alonso mais uma vez atrás de Massa, que não consegue passar Rosberg, Lobato se irrita. “Massa tem um carro mais rápido, precisa de um pouco mais de determinação!”. Isso, mesmo com os colegas lembrando como pode ser difícil superar uma Mercedes.

O brasileiro e o espanhol passam o alemão e Alonso esboça um ataque. “É isso que a gente quer ver: Massa largando na frente e brigando com o Alonso!”, Galvão se anima na mesma proporção que Lobato se revolta. “Se não fosse uma Ferrari que estivesse à frente, com certeza Alonso estaria agindo diferente.” Já Brundle tem uma terceira visão. “Sinto frustração em Alonso, o que é estranho porque ele tem dito que está muito feliz. Há algo que aconteceu na Coreia que o chateou.”

Seja qual for o motivo, o espanhol não só deixa de atacar Massa, como fica um pouco para trás. “Não sei se é boa ideia provar asa que não é para este ano”, divaga Lobato sobre a asa dianteira que apenas Alonso usa na Coreia.

Enquanto isso, na BBC Coulthard começa a apostar por uma vitória de Webber, pois “Hamilton e Vettel ainda terão de colocar pneus macios e o australiano está no mesmo ritmo, mesmo com pneu mais duro.”

Para isso, insistem que o piloto da Red Bull deve parar antes dos rivais. “Cada volta que ele perde atrás do Hamilton ajuda Vettel.” E ajudou mais ainda quando fez seu pit na mesma volta do inglês, diminuindo as chances de ultrapassagem. “Ele deve estar pensando ‘não era disso que eu precisava’”, imagina Brundle.

Curiosamente, quando o australiano vai para cima de Hamilton logo após a parada e não consegue passar, tanto Coulthard, quanto Lobato, lembram da batalha épica entre Gilles Villeneuve e Rene Aurnoux em Dijon, 1979. “Os dois foram muito limpos. Imagino se o fato de saberem que vão voltar no mesmo avião tem passou pela cabeça deles em algum momento”, viaja o escocês.

Os britânicos se assustam com a velocidade “que Alonso tem depois de ficar preso atrás do companheiro” e Coulthard se impressiona em vê-lo fazendo os tempos mais rápidos da pista “mesmo com pneus 20 voltas mais velhos.”

Já Galvão salienta que “a segunda parada de Felipe não foi mostrada, mas agora estão fazendo falta aqueles 3s da primeira” e erra nos cálculos, afirmando que não apenas Alonso superará o companheiro, como também Button – que está apenas 15s atrás. Brundle também erra, dizendo que a perda no pit é de 25s.

Quem tem as contas em dias são os espanhóis, ainda que a mudança de ritmo do bicampeão inicie uma campanha de Lobato: “Que dano Massa causou a Alonso. Sem ele, estaria em segundo”, ainda que De la Rosa acredite que as voltas rápidas também tenham a ver com um melhor rendimento da Ferrari com pneus macios.

O narrador espanhol é de certa forma apoiado pelos britânicos. “Muitos torcedores não gostam quando Felipe tem de deixar passar, mas o tempo que Alonso perdeu atrapalhou muito a equipe hoje”, considera Brundle. “Imagino se Ferrari deixou eles disputarem para aumentar a confiança do Massa”, especula Coulthard.

Se esse for o caso, Galvão quer que isso continue, ainda que se conforte com a situação. “Alonso atacou Massa a corrida inteira. Resta saber agora se Massa poderá atacar Alonso. Mas temos de entender que ele está na briga pelo vice. A equipe fez estratégia diferente porque quer esse ponto a mais para ele. Felipe fez uma corrida muito aguerrida”, destaca.

A tal possível briga nem chega a acontecer, pois o ritmo do espanhol é alucinante, ou “um autêntico macaco hidráulico”, como define Lobato, que enxerga a possibilidade de um segundo lugar para seu conterrâneo. “Como Alonso estava certo ao dizer que tinha se acostumado a fazer coisas impossíveis nesta temporada”. A sequência de voltas rápidas no mesmo décimo também surpreende Brundle. “Jovens pilotos que estejam assistindo, tomem nota: é assim que Alonso ganha corridas, com uma consistência implacável.”

Os britânicos tentam encontrar uma resposta para a falta de ritmo de Button. “Será que ele está economizando equipamento para atacar no final?”, pergunta Coulthard. O fato de Webber não passar Hamilton também causa estranheza. Tanto na BBC quanto na La Sexta, acreditam que a sétima marcha da Red Bull está curta demais e o australiano chega no limitador antes do ponto de freada. “Hamilton tem muito mérito, mas parece que Webber não ganha vantagem com DRS”, observa Gené. “Corridaça de Hamilton”, completa De la Rosa.

Galvão também elogia o inglês, a seu modo. “Fez o que se espera dele. Ele disse que sente falta da namorada, brigou com o pai, mudou de religião. Tudo isso influi porque o piloto tem de estar 100% focado. De 10 dias para cá, ele resolveu adotar uma expressão tranquila.”

Empolgado, tanto com o ritmo de Alonso, quanto de Alguersuari, que vinha em oitavo àquela altura, Lobato acredita, a duas voltas do final, que o piloto da Ferrari “ainda tem o segundo ao seu alcance se houver confusão na frente.” É algo que nem Fernando considera, avisando via rádio que havia desistido, em mensagem que chamou a atenção dos britânicos. “Wow, isso não é uma boa mensagem para uma equipe ouvir”, afirma Coulthard. “Nunca achei que ouviria Alonso dizer isso”, se surpreende Brundle, antes que ambos comecem a formar teorias: seria para enganar Button? Estaria reclamando do carro da Ferrari? O narrador faz sua aposta: “Acho que significa: ‘se vocês me deixarem atrás do Massa de novo…’” Já De la Rosa, também surpreso, brinca: “Deve significar ‘vou forçar mais do que nunca!’”

Sem mensagens ou mesmo tanto trabalho assim, Vettel vence mais uma. “Está fazendo um campeonato impecável. Usou mais do que devia do carro. Ganhou até corridas em que não era o melhor”, define Di Grassi. “Sempre falamos que as corridas que Vettel ganha são fáceis. Mas nessa ele tinha ritmo”, completa De la Rosa, enquanto Coulthard tem dificuldade em escolher seu destaque do dia, pois “os 10 primeiros merecem.” Brundle desce do muro e escolhe Alguersuari, enquanto Lobato repete o mantra: “Sem Massa, Alonso seria segundo”.

9 comentários sobre “GP da Coreia por brasileiros, espanhóis e britânicos: “O que fazemos com Massa?”

    1. Confesso que me surpreendi coma veemência com que Coulthard e Brundle fizeram isso dessa vez. Se o Massa está na frente do Alonso eles automaticamente assumem que ele está perdendo tempo…

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  1. eu fico imaginando o que esses caras vão falar se em 2012 a Ferrari fizer um carro que tenha condiçoes de brigar sempre por vitórias e o Alonso ficar atrás do Massa… alguém realmente acha que o Alonso ficaria atrás do Massa mesmo ciente de que pode ultrapassá-lo?

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  2. O que impressiona é como o Massa perdeu ritmo na parte final da corrida. Isto somado ao ritmo superior de Alonso acabam dando brechas essas especulações.

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  3. Estou começando a achar que, definitivamente, aquele acidente em 2009 fez mesmo um dano irreparável ao Massa. Não é possível que o Alonso tenha andado tão melhor assim que ficou à frente do companheiro, coisa que o Massa não foi capaz de fazer…É impressionante que o ritmo de corrida do Alonso seja sempre melhor, mesmo que os carros se assemelhem – apenas com pequenas diferenças de acerto no carro que cada piloto pode fazer. Mesmo que a Ferrari não seja “aquela” potência, não se justifica tamanha diferença de rendimento entre pilotos, não somente nesta corrida, mas no ano todo.

    Acho, ainda, que os destaques desta corrida foram o Vettel (lógico), Hamilton (por ter se mantido em 2°) e Alonso (pelo que consegue fazer com a Ferrari).

    E os negativos, Webber (por ter um carro de “outro planeta” e não saber usar), Petrov (pela barbeiragem) e Massa (lento!)…

    Belo post Julianne!

    Parabéns!!!

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  4. Ju, ótimo texto como sempre! Hehe, Coulthard e Lobato enlouqueceram de vez!!!! A disputa Webber/Hamilton, “lembrar” Dijon 79??? Falando serio Ju! Nem de longe!!!! kkkkk

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