O que os números não podem quantificar

Menos da metade dos números para um lado, muito menos fama para o outro

Um piloto não é grande até se tornar um campeão, mas as conquistas automaticamente fazem dele um grande? Em uma categoria na qual o piloto considerado pela maioria como o melhor da história tem menos da metade dos títulos e vitórias daquele que é o maior vencedor da história, parece que os números ficam em segundo plano.

Essa discussão de como valorar um piloto frente a outro vai e vem na história. Os mais antigos vão garantir que Fangio não era tão mais superior que o rival Stirling Moss que os 5 a 0 no placar de títulos sugerem. Outros vão lembrar de Clark e seus “apenas” dois títulos, consequência da morte prematura, mas que não o tiram de qualquer lista de top 10 que o valha.

O “rei” da controvérsia, é claro, é o dono de 99% das marcas de que se tem notícia na F-1. Mesmo com sete títulos no bolso, 91 vitórias e mais um sem-número de recordes, Michael Schumacher não é automaticamente alçado à condição de melhor de todos os tempos.

A justificativa para isso é que a maior parte das conquistas de Schumacher veio com um equipamento superior à concorrência. Mas ele não teve mérito em tirar a Ferrari do buraco e construir todo um time ao seu redor? Não vale nada maximizar suas chances a cada final de semana?

Agora temos Vettel. E a mesma questão. Os números do alemão nesta temporada remetem a Schumacher, assim como seu perfeccionismo, sua atenção aos detalhes, seu foco, a maneira com que faz a equipe jogar do seu lado. Não é difícil entender por que os que consideram Schumacher o melhor logo coloquem o alemão mais jovem no alto do pedestal, assim como aqueles que desprezam as marcas obtidas com um equipamento superior torçam o nariz para o piloto.

Por mais paradoxal que possa soar, ao contrário do campeão, cuja glória se contabiliza por meio de pontos, o grande piloto se mostra na adversidade. E isso números não podem quantificar.

Por isso um piloto que ganha tendo o melhor carro sempre gera desconfiança. Afinal, aparentemente é sua obrigação, principalmente em tempos em que o equipamento conta muito. É claro que há méritos em um domínio, e muitos. Afinal, um carro não é o melhor por sorte, não se adapta a cada pista por mágica. Nenhuma equipe ganha campeonatos errando constantemente na estratégia e nenhum piloto é campeão batendo a cada corrida. É preciso conquistar cada pole, construir cada vitória. Assim se conquista pontos e títulos.

Mas o grande piloto aparece naquele carro que está longe de ser perfeito, que teima em escapar, que não permite que ele, mesmo tirando cada gota na classificação, largue na ponta e tenha um domingo menos desafiante. É o carro que incita a erros que faz a fama de um piloto que, mesmo assim, não os comete.

Eis dois exemplos de pilotos mais valorizados hoje que em seus títulos

Não dá para saber se Vettel está guiando mais que o carro, até pela temporada abaixo da crítica de sua única referência. Não dá para saber se ele é esse grande piloto na adversidade após construir a confiança que mostrou em 2011, em contraste ao errático 2010, até porque são apenas quatro temporadas e meia no bolso, sendo pouco mais da metade com o melhor carro nas mãos. Como colocar isso ao lado de 10 anos de altos e baixos, carros bons e ruins, de um Ayrton Senna ou até mesmo dos contemporâneos Fernando Alonso ou Jenson Button? Não dá, pelo menos por enquanto.

Há ainda outro ingrediente nesta história. Num passado não muito remoto, os campeões começavam em uma equipe pequena, ganhavam espaço com grandes apresentações em carros inferiores – mas ainda não eram considerados grandes, pois para isso é preciso provar que você consegue vencer com um carro inferior e tendo a pressão de fazê-lo – e depois de algum tempo de carreira eram alçados a um time grande, no qual se esperava sucesso imediato. Caso o carro falhasse, o candidato a grande tinha de provar que poderia fazer a diferença. Talvez não em termos de campeonato, uma vez que são poucos os exemplos de pilotos que foram campeões por mérito próprio sem que sua equipe também o fosse, mas deixando claro que as possibilidades estavam maximizadas.

Nos últimos anos, com as grandes empresas apadrinhando pilotos como o próprio Vettel e Lewis Hamilton, perdemos um pouco disso. Os campeões hoje não se fazem, são feitos, e depois, como o piloto da McLaren está descobrindo, são testados da maneira mais cruel quando o conto de fadas não sai como o planejado.

Por esses fatores que estão fora de seu alcance, Vettel pode ter chegado aos números impressionantes, aos títulos incontestáveis, mas ainda não aos grandes. Nada que algumas temporadas difíceis não resolvam.

Texto baseado em coluna publicada dia 22.10 no jornal Correio Popular

36 comentários sobre “O que os números não podem quantificar

  1. Olá Julianne, realmente isso é bem controverso mas creio que tem uma explicação. O número absoluto de títulos ja foi parâmetro pra se definir o “maior de todos”. Sei disso pois acompanho a Fórmula-1 desde 1983 e Fangio era considerado o melhor da história. Mas a forma como Senna saiu da Fórmula-1, morrendo em plena corrida no auge da carreira criou uma “redoma mística” sobre seu nome. Jamais saberemos como teria sido o resto de sua carreira, apenas especulações. O fato é que o “mito” Senna é o melhor piloto da história, e isso por que é melhor que o próprio piloto Senna pois seus feitos foram elevados após sua morte a níveis jamais vistos enquanto Senna era vivo. O “mito Senna” será sempre o melhor piloto da história para muitos, não importa o que outros façam. É possível competir com um humano, jamais com uma “lenda humana”. Infelizmente isso acontece, a mente humana projeta situações irreais e criam o “poder do mito”.
    Não por outra razão as religiões tem tanta força, mas esta não é uma discussão apropriada à este espaço.
    Abraços.

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  2. O que o Roberto disse está perfeito.

    O estranho é que o argumento usado para desqualificar os títulos de Schumacher – o de ter o melhor carro – são ignorados quando se trata de Senna. Mas se analisarmos friamente vemos que o brasileiro só venceu com o melhor equipamento. Em 88 não preciso nem dizer do carro. Competiu “apenas” contra Prost e foi campeão com menos pontos que o francês. Em 90 a McLaren ainda era o melhor carro, embora a Ferrari tenha pressionado bastante. E em 91 a Williams só passou a dominar o grid lá pela 6 etapa. A dupla Senna/McLaren viveu em algo muito parecido com o que aconteceu com Button/Brawn no campeonato de 2009. Portanto, a valoração das conquistas e feitos dos pilotos está nos olhos de quem vê, no coração de quem sente e não nos feitos em si.

    Eu, por exemplo, acredito que a melhor temporada de Senna foi a de 1993, a de Piquet foi 1990, a de Button é a atual…

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    1. Em 88 o Senna só ganhou do Prost,o então piloto mais completo do grid,numa equipe dele até aquele momento,pouco não? – seria equivalente a hoje chegar na Ferrari do Alonso e simplesmente bate-lo com algumas corridas dando 1 volta nele,colocando 1,5s em algumas classificações,pouco não.
      Em 90 o melhor carro era o Ferrari(com o desenho coca-cola),não inverte as coisas,o melhor motor era o Honda da Mclaren,em corridas com pistas que precisavam de boa aerodinâmica a Ferrari tinha o melhor carro,só não sumia na frente pois o Senna ia no limite e acompanhava elas, algumas vezes andava até na frente.
      Em 91 a Williams já tinha o melhor carro desde do começo do ano,eu tenho o primeira corrida dequele ano e em um determinado momento no começo da prova que o Patrese(que era mais ou menos)estava andando até 1s mais rápido que qualquer um na pista,com aquele míssil da Williams que já era a base do carro de 92(como disse o Senna “o carro do outro planeta”)

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  3. Tinha que ser loira para falar tanta asneira ,mas dúvido que vc vá publicar, vc só publica no seu blog os seus puxa-sacos.
    Por favor, volte a escola.

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  4. Um bom exemplo disso é o Raikkonen em 2007, embora ele tenha revertido uma diferença que parecia impossível, muitos não o consideram um grande piloto, e colocam vários fatores que contribuíram para o título. Agora se fosse um dos “mitos” que tivessem realizado a façanha, seriam tratados como heróis, “Campeão de forma heróica”.

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  5. Quando Senna venceu, ele tinha uma Mclaren ABSURDAMENTE melhor que qualquer carro, era como é a redbull hoje, entrem no site da F1 e vejam as poles e vitorias dos anos que ele foi campeão, TODAS são da mcllaren, o carro era muito melhor, portanto esse argumento que schumacher só venceu com o melhor carro, é tolo, o melhor carro sempre vence, e em 94 schumacher não tinha o melhor carro de maneira NENHUMA, e mesmo assim venceu.

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    1. Schumacher não tinha o melhor carro em 94?!Só se for depois que a acabou o ano,aquele carro tinha controle de tração o que não era permitido na regra e fazia dele o melhor carro,sem esses controle ai sim o carro do Schumacher não seria o melhor.
      Um dado muito interresante,no Gp de Monaco 93,a bennetton estava testando um novo controle de tração(naquela temporada permitido)e nos treinos estava fazendo um teste em que dava uma volta sem controle de tração e a outro com,pois bem a diferençã chegou a 1,2s mais rápido com o controle,pouco né?!É ainda sim toma pau do Senna na classificação.

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      1. A Benetton não tinha controle de tração. Essa é uma das invenções mais absurdas da F1.

        Tanto não tinha que a FIA investigou a equipe e não achou nada.

        E olha que a FIA tava doida para achar algo errado no carro da Benetton para devolver a competitividade a um campeonato que o Schumacher dominava com facilidade. Aí teve que apelar para punições pessoais.

        Aliás, se alguém tinha controle de tração escondido, era a própria Williams, porque a FIA encontrou um sistema que emulava o TC no FW16 nos treinos para o GP do Pacífico e eles tiveram que tirar.

        E ainda assim o Senna tomou pau do Schumacher no GP do Brasil, rs.

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      2. Faz me rir.Como uma pessoa pode falar tantas asneira de uma vez só!?
        A FIA declarou ter encontrado softwares ilegais (controle de tração)(Controle de largada) no carro sim.Se você não tem nada para falar, não fala!A FIA posteriormente admitiu no final de 94 que não tinha como controlar se as equipes dispunham ou não do controle de tração e liberou pra temporada seguinte devido ser muito dificil comprovar a existencia ou não do dispositivo,o caso da Bennetton eles demoraram muito tempo pra descobrir e quando descobriram a temporada já tinha acabado.
        Essa questão da FIA ter encontrado um sitesma ilegal no carro da Williams em Aida,é mentira nunca ouve isso,tá falando m****.
        Há e tem outra,a questão da mangueira de reabastecimento da Bennettton não tinha o filtro de proteção que fazia ser injetado no lugar de 12 litros por segundo,15 litros por segundo.Como que foi a ultrapassagem do Schumacher no senna no Brasil?No pit stop.Na Quando o Senna tava na frente o Schumacher nem ameasou.

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      3. Aiai….

        A pessoa não aguenta discutir civilizadamente e parte para a agressão.

        “A FIA admitiu posteriormente no final de 94 que não tinha como controlar se as equipes dispunham ou não de controle de tração”.

        Aí você diz que EU falo asneiras, rs. O controle de tração é um dispositivo facilmente identificável. A FIA só voltou a permiti-lo em 2002 e voltou a probi-lo no final de 2007.

        “Essa questão da FIA ter encontrado um sitesma ilegal no carro da Williams em Aida,é mentira nunca ouve isso,tá falando m****”.

        É só assistir ao VT do GP do Pacífico de 94. Está narrado em português, na voz do Galvão Bueno, rs.

        “Há e tem outra,a questão da mangueira de reabastecimento da Bennettton não tinha o filtro de proteção que fazia ser injetado no lugar de 12 litros por segundo,15 litros por segundo.Como que foi a ultrapassagem do Schumacher no senna no Brasil?No pit stop.Na Quando o Senna tava na frente o Schumacher nem ameasou”.

        Em 94, a as equipes eram liberadas a usarem os fabricantes de mangueira que quisessem. Por isso, a fabricante de Benetton e Larrousse, que não era a mesma da Williams, ORIENTOU as equipes, com aval da FIA, a retirarem o filtro, que estava dando problemas. Não houve nada de ilegal.

        Ah, e no Brasil, o Schumacher caiu para terceiro na largada, apssou o Alesi e colou no Senna antes dos pits. E ele passou nos boxes por dois motivos: 1º, a Benetton SEMPRE deu pau na Williams em trabalhos de pit stops. 2º, Schumacher corria com um motor FORD COSWORTH V8, contra um RENAULT V10 da Williams de Senna. Caso você não saiba, o motor V8 consome menos combustível e, por isso, a equipe conseguia colocar menos combustível no carro dele para um mesmo número de voltas.

        PS: Procure um revisor ortográfico urgentemente.

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      4. HAHAHAHAHA!
        Como uma pessoa pode deturpar as coisas para seu favor.

        “…a suspeita de irregularidades em varias equipes relativas a presença de ajuda eletrônica foi indicada após investigação envolvendo Ferrari, McLaren e Benetton. Nos treinos para o GP da Europa, em Aida, a Ferrari admitiu ter usado controle de tração em seus dois carros, mas se retratou garantindo que não mais usaria o dispositivo eletrônico. Não houve punição por parte da FIA. Em Imola (corrida que vitimou Ayrton Senna), a FIA encontrou softwares ilegais nos carros da Benetton e McLaren que inicialmente haviam-se negado a entregar os seus código fonte. No entanto, beneficiando-se de uma brecha no regulamento – que dizia que os dispositivos jamais poderiam ser usados durante os GPs, mas não especificava sobre a possibilidade de existência dos mesmos -, a Benetton não pôde ser formalmente acusada, pois não houve provas de que esses mecanismos tenham sido usados nos eventos oficiais. Já a Mclaren, apesar de constatado o uso de um software ilegal durante o GP de San Marino não foi condenada pois a FIA considerou que a equipe acreditava que o dispositivo não era ilegal. Uma posterior investigação estava por ser iniciada quando a FIA descobriu que o técnico contratado tinha vínculos com a Benetton.
        A única infração comprovada foi a respeito da bomba de gasolina: no GP da Alemanha daquele ano, o carro de Jos Verstappen (companheiro de Schumacher na Benetton) foi incendiado: segundo a investigação da FIA, a remoção do filtro de segurança aumentava a fluência da gasolina para mais de 13 litros por segundo, ganhando 1 segundo em média por parada—suspeita-se que a Benetton e Schumacher obtiveram vantagens através deste artifício naquele ano em corridas anteriores ao GP da Alemanha, inclusive o GP do Brasil, quando superou Senna nos boxes. Na audiência da World Motor Sport Council, que julgou a questão da ausência do filtro de combustível foi elucidado, entre outras questões, que o time Benetton recebeu uma carta enviada pelo fabricante (Intertechnique) da bomba de combustível instruindo a remover o filtro de combustível. A Benetton ainda afirmou que Charlie Whiting, chefe do departamento técnico da Fórmula 1, havia autorizado a retirada do filtro de combustível, apesar de não ter sido apresentada nenhuma autorização por escrito pela equipe. Também concluiu-se que outras quatro equipes, cujos nomes não foram citados, estavam operando sem o filtro de combustível. A FIA decidiu não punir a Benetton e as demais equipes envolvidas desde que o filtro não fosse mais removido” retirado do Wikipedia-Michael Schumacher http://pt.wikipedia.org/wiki/Michael_Schumacher
        Legal,a Williams mudou de nome no Gp da Europa em Aida para Mclaren,Ferrari ou Bennetton????????

        A Bennetton não tinha o documento de liberação da FIA para retirar o filtro,se libera-se para ela teriam de liberar para todas,pois isso representava uma vantagem imensa nos pits.Se você não tem provas documentadas,você não tem nada.

        Na questão do V8 consumir mais gasolina que o V10 até uma criança sabe,mais vamos aos calculos daquela primeira parada do Gp do Brasil.
        Senna e schumacher chegam juntos para o pit,o box da Williams era o primeiro e o da Bennetton fica a 2s à frente mais ou menos.
        Na saída eles saem praticamente juntos se o reabastecimento da Bennetton não fosse ilegal isso queria dizer que o motor Renault V10 consumia 24 litros a mais que um V8 para fazer um stint de pouco mais de 20 voltas!?Não fale asneiras você!

        Ah é tem mais um pouco aqui também http://f1critics.blogspot.com/2011/08/desfazendo-mitos-parte-51.html
        http://f1critics.blogspot.com/2011/08/desfazendo-mitos-parte-5.html

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  6. O texto é contraditório e falho.

    Primeiro, diz que não dá para se julgar um piloto pelo que conquista com um grande carro e logo depois julga Vettel como “pior” do que outros nomes, porque ele foi campeão com um carro bem mais forte.

    Segundo, coloca uma ideia falsa de que Vettel só pilotou foguetes e ignora que o alemão NÃO ESTREOU com uma Red Bull. Ele entrou na BMW, já pontuando, e depois defendeu por 2 anos a Toro Rosso, cujo nível todos conhecem. E Vettel não só fez 2 anos em equipes mais fracas, como massacrou em 2008 “só” o tetracampeão da Champ Car, Sébastien Bourdais, marcando 35 pontos contra 4, vencendo uma corrida histórica em Monza e conseguindo outros desempenhos notórios ao longo do ano. Além disso, terminou o ano na frente dos pilotos da titular Red Bull, sendo o único piloto da história da equipe satélite a conseguir esse feito.

    Terceiro, julga o ano de 2010 de Vettel como “errático”. Desculpe, Julianne, mas no que Vettel errou a mais que todos seus concorrentes? Tirando Jenson Button, todos os pilotos cometeram tantos ou até mais erros que o Vettel ao longo de 2010. Não obstante, Vettel perdeu 63 pontos no ano passado com problemas mecânicos na Red Bull. Vitórias certas em Bahrein, Austrália e Coreia, que se transformaram em um 4º lugar e dois abandonos. Ponha isso na conta e veja se ele não seria campeão do ano passado com umas duas rodadas de antecedência. Webber, o “mister constância”, errou de forma grotesca na Europa e na Coreia. A temporada dele foi “errática” também?

    Por fim, o texto cria um falso axioma de que todos os grandes pilotos estreiam por equipes pequenas. Aí é um erro duplo, porque, além de, conforme supracitado, desconsiderar os primeiros anos de Vettel em carros medianos, a autora também demonstra não conhecer ou ignorar delibaradamente a história de pilotos do calibre de Fangio, Clark, Stewart e Fittipaldi, que estrearam por equipes fortes, em alguns casos NUNCA correram em time pequeno e, pior ainda no caso do Clark, nunca correram fora de uma mesma equipe. Reclamam tanto de “Hamilton protegido da McLaren”, “Vettel protegido da Red Bull”, mas nunca vi ninguém contestando o talento do Clark por só ter corrido pela Lotus e ser claramente “protegido do Chapman”.

    É normal ter receio de alardear um “falso gênio” em cima de um piloto tão jovem. É claro que Vettel ainda não é gênio. Mas já mostrou e provou que é acima da média.

    E piloto acima da média evidencia isso em qualquer circunstância: seja correndo em equipe pequena, média ou grande. E, nos somente 4,5 anos de carreira citados pela autora, Vettel já mostrou o quanto é bom em qualquer uma dessas circunstâncias.

    PS: outra grande ignomínia é resumir a carreira de Schumacher a “títulos com carro superior na Ferrari”. Quem conhece a carreira dele sabe que nem todos os títulos na Ferrari foram fáceis, que ele penava para chegar ao fim de campeonatos disputando título com um carro que nem isso permitia no fim dos anos 90 e que ele já ajudara a transformar um time mediano como a Benetton em uma esquadra vencedora.

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    1. Obrigada pela mensagem, Claudionor.
      Sugeriria uma leitura mais cuidadosa, pois há várias presunções que simplesmente não estão no texto – nem na minha cabeça. Exemplos? Que Vettel só “pilotou foguetes”; que só Vettel errou em 2010; confundir pilotar carros bons no início da carreira com ter a carreira gerenciada desde antes da F-1 por grandes empresas; a ideia de “falso gênio”. Simplesmente não há nada disso no texto.
      Porém, acredito que um texto, depois de publicado, é muito mais de quem lê do que quem escreve. É muito legal perceber comentários aqui que versam sobre o não dito, o que mostra o latente em cada um. Agradeço a todos.

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      1. Eu agradeço pela presteza e educação na resposta, Julianne.

        Agora, esclarecendo alguns pontos: eu sei que Vettel teve sua carreira gerenciada pela Red Bull. Agora, o Buemi também tem. Você vê o Buemi como potencial campeão mundial? Difícil, né?

        E outra. Você afirma que os campeões hoje “não se fazem”, mas “são feitos”. Pergunta: quando o Chapman encucava com um piloto e o colocava para ser primeiro piloto dele, ele não estava “fazendo um campeão”? Não foi o que ele fez com Clark, com Rindt, com Fittipaldi e até com o Andretti? Por que isso era válido naquela época e não interferia no julgamento da qualidade de um piloto, mas hoje não pode?

        É essa a contextualização que eu pretendo fazer. Tudo o que você aponta que fazem hoje como se não fizessem no passado, faziam sim no passado. Muda a tecnologia, mudam os métodos, mas, lá em seu recôndito, o automobilismo é essencialmente similar a 50 anos atrás. A diferença é que antes, eram os garagistas quem escolhiam seus campeões. Hoje, são as empresas. Amanhã, pode ser o Grande Irmão.

        Quanto aos erros de 2010, o que eu quis dizer é que o Vettel esteve longe de fazer uma temporada tão cheia de erros quanto tentam apontar. O nível de erros dele foi aceitável. Tanto, que Webber, Alonso e Hamilton erraram no mesmo nível. Diferente do Hamilton em 2011, que realmente errou além da conta. Percebe a diferença?

        Quanto à questão do “falso gênio”, é o que está no texto: você escreve que ele não está ainda entre os grandes e questiona, implicitamente, até se o Schumacher está entre os grandes. Eu só quis lembrá-la que Schumacher teve pelo menos 8 temporadas onde não tinha o melhor carro na F1 (antes da aposentadoria) e mostrou sempre ser acima da média. Sempre. E em anos em que competiam os tão cultuados Senna, Prost, Mansell e Piquet. E que o Vettel já mostrou também seu talento na adversidade. Afinal, a Red Bull podia gerenciá-lo em 2007 e 2008, mas isso não fazia seu carro ser mais rápido. Quem fazia era o próprio alemão, com seu grande talento.

        Vettel ainda não é dos grandes, eu até concordo. Mas que tem potencial para tal, aaa com certeza tem. E não precisa provar mais nada.

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      2. Me desculpe, mas este texto já é mais seu do que meu – e curiosamente, o fechamento do seu comentário é semelhante ao final do meu/seu texto. Reli várias vezes e não consigo ver onde está implícito um questionamento MEU sobre Schumacher ou essa ideia de que todos os pilotos apoiados por grandes empresas são menores por isso.
        Só coloco essa última questão – e quando falo a respeito das grandes empresas, a relação é com os projetos de desenvolvimento de pilotos, desde antes da F-1, acredito que isso não ficou claro – porque é um fator que pode gerar deturpações. Já escrevi sobre isso no passado pois é um fenômeno que me interessa muito e não gostaria de me alongar, mas entendo que ser fruto desse tipo de programa gera muitas vantagens e muita pressão/imediatismo em igual medida e ainda estamos aprendendo como maximizar seus resultados. Alguns podem lembrar, por exemplo, da relação entre o próprio Schumacher e a Mercedes, mas se tratava de um apoio, e não de uma estrutura organizada como hoje. Pilotos como Hamilton, Vettel e, por que não, Buemi, são “tubos de ensaio” cujo desenvolvimento temos o prazer de presenciar.

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      3. Bom, neste caso… não tem como continuarmos a debater sobre algo que eu enxergo em seu texto e você diz que não está lá, rs.

        Mas ainda assim eu agradeço pela cordialidade e paciência para me responder e discutir em alto nível.

        E já que o texto virou tão meu quanto seu, quem sabe um dia não produzimos algo juntos…

        Abraços

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  7. Comparar pilotos de épocas diferentes sempre foi uma atividade ingrata para quem tentou. Primeiro porque os equipamentos e as condições são diferentes e segundo porque as opiniões são influenciadas por preferências pessoais.

    Um mito se constrói por ações extraordinárias que ultrapassam aquilo que uma pessoa comum faria. E não basta fazer uma vez na vida, precisa repetir com uma constância acima da média. E também saber sair de cena na hora certa.

    Senna se transformou em mito, ao quase vencer em Mônaco debaixo de chuva com uma Toleman que não era lá essas coisas. Ao marcar uma série de poles no último minuto de um treino livre. Ao se recuperar de péssimas largadas. Ao conseguir tirar mais do que o carro poderia oferecer.

    Muitos outros pilotos já fizeram isso, mas não na frequência com que ele fazia.

    Schumacher é líder de vários recordes, mas numa época em que o poder econômico da equipe tinha um peso muito maior e com atos duvidosos dentro e fora das pistas. Hoje ele já não consegue os mesmos resultados, o que só aumenta a dúvida sobre os seus feitos.

    Opiniões e preferências são questões pessoais.

    Saber ouvir e respeitar a opinião alheia, é questão de civilidade.

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    1. Como já disse, o texto depois de escrito é de vocês, mas queria fazer uma observação que talvez ajude. A ideia aqui não é uma apreciação simplória de quem é melhor que quem. Essa questão de Senna e Schumacher é só um pano de fundo, sequer coloco em primeira pessoa – até porque sempre disse que jamais faria esse tipo de julgamento.

      O objetivo do texto é completamente outro, bem menos raso: tentar colocar em discussão como um piloto se transforma em grande, quais os passos para se chegar a tal. Me digam: de que se faz um mito?

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  8. Oi Julianne,
    li alguns comentários e percebo que nem todos são, digamos, cavalheiros.
    Foi até chamada de loira!!!!
    Enfim, concordo que é espinhoso fazer comparações entre épocas e pilotos distintos.
    Em minha opinião exitem alguns fatores que determinam o sucesso do piloto.
    Carisma.
    Desses que foram citados destaca-se o Senna.
    Tanto que sua morte foi uma comoção nacional.
    E, o cara era malufista e corintiano!
    Schumacher tem carisma zero e é um cara extremamente pedante.
    Nem os alemães aguentam o cara.
    E, dizer que não corre mais nada porque é velho é um absurdo.
    Não corre nada porque não sabe acertar o carro. E, o Rosberg não é nenhuma maravilha.
    Todo mundo sabe que a Ferrari sempre trabalhou para ele e pronto.
    O outro piloto sempre foi o outro piloto.
    Enfim, também concordo que a F1 mudou e os campeões são fabricados no berço.
    Mas, como Hamilton podem se perder em alguma chicane da vida.
    E, vamos ter que esperar para saber se o ainda menino Vettel não sinta a pressão como sentiu no Canadá neste ano.

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  9. Luizão, voce ta cagando pela boca, seu comentário eh completamente tendencioso, e não mostra a realidade de maneira nenhuma. Schumacher é adorado como um heroi na alemanha, não inventa coisas pra tentar convencer pessoas leigas aqui, que comportamente ridiculo. E é obvio que ferrari sempre trabalhou pra ele, simplesmente pelo motivo que desde 1994 ele é o piloto a ser batido, ele dominou a F1 por mais de dez anos, ele era o melhor piloto no grid e se a Ferrari não apoiasse ele, a equipe seria muito burra, iria apoiar o Barrichelo? Deixa de ser ridiculo. E o rosberg eh um grande piloto sim, se ele tiver um carro como os de ponta, ele vence corridas, só espera quando a mercedes crescer, que voce vai ver que ele é muito bom, MUITO melhor que o Massa.

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  10. texto muito bom, respostas quase todas muito boas.
    mas nada muda minha opiniao perante tudo que eu presenciei nos ultimos 25 anos assistindo formula 1

    Senna – o maior de todos (mesmo sendo o mito, pois achei muito legal a resposta do colega Roberto Tramarim)

    Shumacher – Eterno Dick Vigarista. Uma pena o Piquet jr ter pago pelas picaretagens do Briatore e o Shumacher nao.

    Vettel – o unico até hoje que surgiu e pode realmente competir com Senna em numeros, feitos e competencia.

    Lembrando que essa é a MINHA opinião, e que ninguem precisa aceitar.

    Parabens Juliana, sua seçao da pagina é a que eu mais leio apesar de nao comentar muito.

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    1. De maneira alguma. “Por esses fatores que estão fora de seu alcance, Vettel pode ter chegado aos números impressionantes, aos títulos incontestáveis, mas ainda não aos grandes. Nada que algumas temporadas difíceis não resolvam.”
      Não dá para criticar alguém por uma situação pela qual não passou, certo? E, da mesma forma, nem pressupor que será algo que tirará de letra. Preto no branco, sem críticas por tabela.

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  11. Ok… tem coisa que é verdade, mas não concordo por completo. Como citado já nos comentários, Clark, Stewart e Fittipaldi estrearam em times grandes. Os 2 primeiros, só correram por times grandes, e não deixam de ser considerados dos maiores da história. E mesmo Alain Prost, estreou em uma McLaren em má fase, mas que já era grande.

    E considerando que o Vettel estreou ainda em 2007 (numa Toro runzinha de tudo, e mesmo assim teve um 4° e um quase pódio), na minha opinião temos Button, Hamilton, Raikkonen, Schumacher, Villeneuve, D Hill, Prost, Mansell, Senna (na Toleman, mesmo), Scheckter, Hunt, Fittipaldi, Stewart, Clark e Surtees (excluindo os anos 50 que era mais bagunçado nesse aspecto) que estrearam em carros melhores. São 15 pilotos, de 25 (tirando o próprio Vettel, é claro) campeões nesse período.

    Então vejo isso como até algo positivo pro Vettel.

    E também discordo um pouco sobre os erros dele em 2010. Errou sim, mas não mais que seus adversários, mesmo o experiente Alonso e o constante Button. E errou menos que seu companheiro, o também experiente Mark Webber.

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  12. “uma vez que são poucos os exemplos de pilotos que foram campeões por mérito próprio sem que sua equipe também o fosse, mas deixando claro que as possibilidades estavam maximizadas.” Cara juliana entre esses raros pilotos estão hamilton foi campeão em 2008 tendo o terceiro melhor carro do grid, campeão dos construtores foi a Ferrari.É o peixe morre pela boca.

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  13. Pilotos estreiam em times grandes por méritos.Simplesmente mostraram competência para ter um carro bom sem se apavorar.É o contrário do que voçê pensa Juliana, os melhores não começam por times ruins eles começam por times grandes por mérito, é a dita meritocracia.

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    1. O que posso dizer? Apenas recomendar uma leitura mais cuidadosa, pois em momento algum faço tal suposição descabida, a começar pelo nome da autora.

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  14. Ju, belo texto! Realmente os números ajudam, mas não explicam tudo! As vezes falhas mecânicas jogam um bom trabalho por terra, uma roda mal apertada, uma estratégia furada, enfim, carreras são carreras. Sobre sua pergunta do mito, o que dizer da determinação de Villeneuve quando andava com três rodas, da genialidade e velocidade de Piquet, da racionalidade de Prost e Lauda, da primeira volta perfeita de Senna en Donington Park em 93, hehe, assim nassem os gênios!!!

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