Algo pode desandar o sucesso da Red Bull?

Foram cinco anos para passar de super piada a super equipe

A receita já estava pronta. Para estabelecer um time vencedor, a Ferrari da era Schumacher deu os ingredientes: muito, mas muito dinheiro no bolso; um grande projetista apoiado por uma equipe competente; um diretor técnico habilidoso com as regras; um chefe de equipe que sabe fazer o meio-campo entre os interesses técnicos e comerciais; um piloto extremamente focado, talentoso, e que sabe motivar a equipe e um companheiro experiente, mas que não incomode o líder.

Maranello mostrou que foi só levar tudo isso ao fogo por cinco anos, trocar apenas as peças essencialmente necessárias, mas sempre manter a base e o foco de trabalho, e pronto, aí estava seu time vencedor.

Não há como deixar de transferir os mesmos ingredientes para o caldeirão da Red Bull. Da compra da Jaguar ao final de 2004 pelo milionário Dietrich Mateschitz às primeiras vitórias, em 2009, foram pouco mais de quatro anos. Mais um para o título e a dominação consolidada. Em meio disso, chegaram o desacreditado Adrian Newey, encostado após projetos ruins na McLaren, seguido de outros ‘refugos’ daqui e dali, o subestimado Christian Horner, a eterna promessa Mark Webber e o eterno segundão David Coulthard.

Foram anos de muitas quebras e fracassos, mas a base estava sendo construída. Talvez levasse muito mais tempo para o projeto funcionar – talvez até a paciência de Mateschitz acabasse – caso um grande pacote de mudanças de regras não tivesse nivelado as equipes e eliminado o handicap que havia em relação às grandes ao final de 2008.

Mas o fato é que essa estrutura foi a que melhor soube ler as regras – e isso mesmo sem burlá-las como fez a Brawn, o que, aliás, atrasou em um ano o primeiro título – e, com os ingredientes no ponto, não dá qualquer sinal de azedar.

É difícil imaginar hoje o que pode tirar a Red Bull da ponta. A equipe já provou que tem recursos, financeiros e humanos, para se desenvolver no ritmo das grandes Ferrari e McLaren, tem um piloto com que pode contar e conseguiu manejar sua situação interna de forma a evitar que um piloto roube pontos do outro.

Estando um passo à frente desde 2009, a Red Bull pode se considerar à prova de cópias, pois sempre está focando na ideia seguinte enquanto os demais tentam entender ‘como eles fazem isso?’. Melhorou o carro neste ano nas curvas de baixa e nas retas, diminuindo o drag sem perder muita pressão aerodinâmica, e se tornou fortíssima em qualquer terreno.

O crescimento interno de Vettel também é benéfico para a equipe. As decisões estratégicas são ajudadas por bons pit stops e pelo fato de haver um primeiro piloto eficiente, enquanto Webber, ao menos a partir do GP do Canadá, a partir do qual emplacou sete pódios em 10 provas, tira pontos dos rivais. Se é que existem rivais.

Além da consolidação da situação interna, que já havia começado a partir de Monza 2010, a confiabilidade melhorou assustadoramente em 2011. Ainda que o Kers dê alguma dor de cabeça, a equipe não teve um abandono sequer por quebra no ano.

O banimento do difusor soprado pode até ser um golpe no projeto de Adrian Newey, que admitiu ter pensado o RB7 totalmente em cima do conceito. Mas que ninguém pense que a Red Bull é feita de um tempero só. McLaren e Ferrari, ambas também com suas receitas de sucesso, podem até encostar, mas ninguém duvide que aquela que foi chamada por um rival de “apenas uma fabricante de energéticos” vem dando um caldo.

3 comentários sobre “Algo pode desandar o sucesso da Red Bull?

  1. Juliane,

    Aqui vai uma sugestão: como estaria o campeonato sem a participação de Vettel? Se tirássemos ele das corridas e adaptássemos os resultados e as pontuações, a RBR ainda teria massacrado? O alemãozinho realmente fez a diferença? acho que daria um bom post!

    Abraços!

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    1. É uma boa ideia pra o final do ano. Estou buscando informações para entender o pq do domínio dele, principalmente em detrimento do Webber e estou chegando em algumas coisas bem legais. Quem sabe não dá pra juntar essas duas coisas?

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  2. Ju, vc tocou em dois pontos mt interessantes: amadurecimento de Vettel, e a “contenção”, kkk, do ímpeto de Webber, kkkkk! Como não se lembrar dos problemas de início de temporada, que só aconteciam no carro do australiano?

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