Newey/Vettel supera Newey/Mansell – e, finalmente, se materializa o Grand Chelem do alemão

O que era uma questão de tempo está cada vez mais se materializando. Sebastian Vettel quebrou na Índia o recorde de maior número de voltas lideradas em um campeonato, honra que sobreviveu nas mãos de Nigel Mansell mesmo após os anos de domínio de Michael Schumacher. O bicampeão ainda conquistou a 13ª pole da temporada e, com duas provas para o final, não é de se duvidar que bata a marca de 14 de Mansell em 1992.

O que já foi superado foi o número de poles por uma equipe: a Red Bull fez 16 e bateu aquela Williams, além das McLaren de 1988 e 1989.

O que os feitos de Vettel e Mansell têm em comum? A cabeça de Adrian Newey, projetista de dois dos carros mais eficientes que já se viu. Nos últimos 20 anos, o profissional venceu nada menos que oito campeonatos de construtores, por três equipes diferentes (Williams, McLaren e Red Bull). O único que pode dizer o mesmo é Ross Brawn, que também tem oito conquistas divididas entre Benetton, Ferrari e a própria Brawn de 1994 para cá. Procurando informações sobre os dois, inclusive, cheguei a esse texto do Speeder, uma curiosidade bem interessante

Esse já caiu: Número de voltas na liderança em uma temporada

Ano Piloto Voltas na liderança Total de voltas % na liderança
2011 Sebastian Vettel 711 1007/1133 70.61
1992 Nigel Mansell 692 1036 66.8
2004 Michael Schumacher 683 1122 60.87
1994 Michael Schumacher 646 1046 61.76

Percentualmente, no entanto, Vettel tem outra missão pela frente: superar Jim Clark e seus 71,49% de voltas na liderança em 1963. Para isso, tem de liderar o pelotão por mais 99 das 126 voltas nas duas últimas provas.

A vitória ainda marcou a 19ª prova que o alemão termina nos pontos, o que é a segunda maior sequência da história, superada apenas pelas 24 corridas nos pontos de Schumacher entre 2001 e 2003.

Ao mesmo tempo, o segundo com maior sequência nos pontos grid, Felipe Massa, abandonou pela primeira fez após 10 provas entre os 10 primeiros. Agora o “vice” no quesito é Alonso, também com 10 após a Índia.

Nem toda essa estabilidade ferrarista foi suficiente para evitar o vice-campeonato de construtores da McLaren, conquistado com duas etapas de antecedência naquele que foi o 30º país a fazer parte do campeonato. Sem vencer o Mundial há 13 temporadas – teve os pontos excluídos após o escândalo de espionagem em 2007 – o time inglês soma sete vices no período.

Em outros dados da prova, a perda de posições no grid por ignorar bandeiras amarelas foi a sexta punição de Hamilton em 2011, que agora lidera o quesito, enquanto o drive through foi a primeira de Massa, em um ano em que os únicos que escaparam dos comissários em corridas foram Sebastian Vettel, Mark Webber, Nico Rosberg, Heikki Kovalainen e Jarno Trulli.

O quinteto Hamilton, Vettel, Webber, Alonso e Button chegou a 40 provas vencendo entre si, sem que nenhum outro o fizesse, marca que dura desde o GP de Cingapura 2009 – o último fora da ‘panelinha’ foi Rubens Barrichello, em Monza. Os líderes no quesito são Piquet, Senna, Prost, Mansell e Berger, com 52 triunfos na sequência. Para se ter uma ideia, o último debutante no alto do pódio foi Webber no GP da Alemanha de 2009. A temporada anterior, por exemplo, teve três estreantes em vitórias: Robert Kubica, Heikki Kovalainen e Sebastian Vettel.

Mais do que isso, 2011 caminha para termos apenas campeões mundiais no lugar mais alto do pódio. Ainda que quatro pilotos, de três equipes diferentes, tenham vencido, todos eles – Vettel, Button, Hamilton e Alonso – estão no clubinho dos laureados. Muito disso tem a ver com a performance abaixo da crítica de Webber. Tanto, que a Red Bull começa a falar em jogo de equipe como se essa fosse a única chance do australiano desencantar.

O primeiro Grand Chelem

Pole, vitória, volta mais rápida e todas as voltas na liderança. Assim como na nomenclatura dos Grand Prix, a F-1 empresta uma expressão francesa, equivalente a Grand Slam, para determinar o máximo que um piloto pode alcançar em uma prova. E, depois de bater na trave em cinco oportunidades, foi o que Vettel conquistou na Índia ao, além de ser o mais rápido, ainda conseguir economizar mais o pneu que os rivais e sempre ser o último a parar.

  Piloto Grand Chelem
1 Jim Clark 8
2 Alberto Ascari, Michael Schumacher 5
4 Nigel Mansell, Ayrton Senna, Jackie Stewart 4
7 Nelson Piquet 3
8 Jack Brabham, Juan Manuel Fangio, Mika Hakkinen 2
11 Fernando Alonso, Gerhard Berger, Mike Hawthorn, Damon Hill, Jacky Ickx, Jacques Laffite, Niki Lauda, Stirling Moss, Clay Regazzoni, Jo Siffert, Sebastian Vettel, Gilles Villeneuve 1

Todos os Grand Chelem de Schumacher foram durante o período de reabastecimento, mas apenas dois nos anos (2003 a 2009) em que os pilotos largavam com o combustível da classificação, tornando-os mais impressionantes – pois é preciso ter ritmo para se classificar na pole E abrir vantagem suficiente/ter combustível para aguentar mais voltas. O alemão foi o único a conseguir a marca nesse período.

Na lista dos grandes feitos estão também as impressionantes marcas de Jim Clark – 8 Grand Chelem em 73 GPs disputados, ainda que, sem reabastecimento, fosse relativamente mais fácil (menos difícil?) largar e se manter na ponta – e de Ayrton Senna, cuja primeira vitória, no GP de Portugal de 1985, foi um Grand Chelem.

Vettel acabou batendo o recorde de precocidade – mais um! – do próprio Senna no quesito, pois tem 24 anos, três meses e 27 dias contra 25 anos e um mês do brasileiro. No entanto, o alemão demorou mais GPs para obter a marca: 79 contra 18.

Demorou porque bateu na trave algumas vezes:

– GP da Grã-Bretanha 2009: fez o hat-trick, mas Webber liderou 3 voltas
– GP do Japão 2009: liderou todas as voltas, saiu da pole, mas Webber fez a volta mais rápida
– GP da Europa 2010 liderou todas as voltas, saiu da pole, mas Button fez a -volta mais rápida
– GP da Europa 2010: fez o hat-trick, mas Massa liderou 1 volta
– GP de Cingapura 2011: liderou todas as voltas, saiu da pole, mas Button fez a volta mais rápida

Isso mostra que a tendência é, com o banimento do abastecimento, vermos mais Grand Chelem. Até porque, além do fato do primeiro desde Schumacher em 2004 ter sido marcado por Fernando Alonso ano passado no GP de Cingapura, outros pilotos chegaram perto nas últimas duas temporadas – com menção honrosa ao quase feito de Button de 2009:

– GP da Austrália 2009: Button liderou todas as voltas, saiu da pole, mas Rosberg fez a volta mais rápida
– GP da Espanha 2010: Webber liderou todas as voltas, saiu da pole, mas Hamilton fez a volta mais rápida
– GP de Mônaco 2010: Webber liderou todas as voltas, saiu da pole, mas Vettel fez a volta mais rápida
– GP da Bélgica 2010: Hamilton liderou todas as voltas, fez a volta mais rápida, mas Webber saiu da pole

4 comentários sobre “Newey/Vettel supera Newey/Mansell – e, finalmente, se materializa o Grand Chelem do alemão

  1. Só uma palavra, Julianne: EXCELENTE. Excelente seu texto, parabéns por nos encher de informações interessantes.

    Já disse antes que sou fã de seus textos, suas analises, e tudo que é bem feito merece elogios. Parabéns e tenha a certeza de ter um leitor assíduo.

    Um abraço.

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  2. Muito legal a história do Brawn com o Newey!

    Mas depois desse monte de info técnica, uma opinião pessoal: nunca achei o Mansell grande piloto.

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  3. Ju, sobre o fato do Grand Chelem aparentemente ser “mais fácil” com tanque cheio, vc não acha que quando havia reabastecimento, por não ter que dosar pneus/combustível, facilitava para quem tinha o melhor carro, nesse caso a Ferrari, “facilitando” o trabalho de Shumacher? Não ti parece que andar com o carro mais pesado, torna o fato mais difícil, pois o desgaste do equipamento mais pesado, torna a análise mais profunda da corrida, ainda mais difícil? O que vc acha?

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    1. Em F-1, tudo beneficia o melhor carro de uma certa maneira! Lembre-se de que o projeto muda em relação ao regulamento. Portanto, o melhor carro hoje também lida de forma mais eficiente com essa variação classificação com tanque vazio x corrida com tanque cheio.

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