O ano montanha-russa de Hamilton até aqui

Após o GP da Índia, Martin Whitmarsh – além de revelar que tem Button sob contrato até o final de 2014 – chegou a falar que Lewis Hamilton está desconfortável porque vem “sendo batido” pelo companheiro. É interessante que a equipe observe uma diferença de performance e não justifique totalmente a distância de 38 pontos na classificação com as oportunidades perdidas por Lewis, que foi punido com seis drive through e zerou duas vezes após batidas com o próprio Button e Kobayashi.

Mas será isso mesmo? Eliminando as ocasiões em que os pilotos da McLaren estavam em estratégias diferentes ou quando Hamilton se envolveu em confusões – em outras palavras, contando o ritmo puro – o campeão de 2008 esteve atrás em quatro oportunidades, a maioria do meio do ano para cá: na Malásia e no Japão por conta de maior desgaste de pneus; na Itália ao perder tempo atrás de Schumacher (enquanto Button superou os dois com facilidade) e na Índia, quando realmente era lento.

Vemos que o ano de Hamilton não é tão ruim quanto é alardeado em relação ao ritmo em si – ser superado por quatro vezes por aquele que faz o melhor ano da carreira não é nenhum crime – mas a somatória desses dados com o que a tabela de classificação diz revela dois pontos em que o pupilo da McLaren precisa melhorar: primeiro, fica claro que a diferença tem muito mais a ver com seus erros do que com uma discrepância de performance, e segundo, é preciso aprender a lidar com esses pneus. Ainda mais se lembrarmos que os 38 pontos poderiam ser mais, não fossem os dois problemas mecânicos que Button sofreu, sendo que Hamilton não teve nenhum.

Há quem diga que a explicação para a queda de Hamilton – assim como de Webber – está nos Pirelli, mas os engenheiros são relutantes a cravar isso. Afinal, o grande piloto deveria se adaptar. Mas é fato que a F-1 hoje é muito diferente daquela que Hamilton abalou em 2007 e 2008 – e todas as mudanças vão contra seu estilo: do banimento do reabastecimento aos pneus projetados para durar 80 dos 300km de prova. É flagrante a diferença no estilo do pilotagem do inglês. Porém, ele ainda parece não ter encontrado a fórmula exata para lidar com essas mudanças.

Sobre a suposta influência dos problemas pessoais, só podemos especular. O próprio sucesso de Vettel, que vem tendo o que Hamilton provavelmente acredita ser destinado a ele, não deve ser fácil de aceitar para alguém criado dentro de um time grande que não produz o melhor carro há ao menos três temporadas. E, é claro, o fator Button vem crescendo – causa ou consequência?

O curioso é que Button também teve seus dias de “garoto deslumbrado com sua namorada famosa”, no caso, Loiuse Griffiths, com quem teve um relacionamento de cinco anos, terminado mais ou menos quando tinha a mesma idade que Lewis tem agora. Hoje ao menos demonstra ter acalmado fora das pistas e, se aparece nos jornais de fofoca, é fazendo triathlon com a namorada.

Além das questões extra pista, ao que tudo indica o estilo ‘do or die’ de Hamilton só lhe pagou dividendos na China, quando estava em uma estratégia que lhe permitia/obrigava forçar o tempo todo. Alemanha e Espanha foram outras duas grandes provas do britânico no ano. A questão é que, enquanto Button parece feliz em batê-lo e conquistar uma vitória aqui e ali, até pela maneira como sua carreira se desenhou, com o título e a chance em um time grande quando poucos acreditavam nele, Hamilton está atrás de algo maior – e já mostrou diversas vezes, da China-2007 à Índia-2011, passando por Japão-2008, Monza-2009, Cingapura e Itália-2010, que colocar pontos no bolso não é seu forte.

Lewis Hamilton Jenson Button
Classificou-se à frente 12 5
Diferença média em classificação -0.239s
Terminou à frente 6 7
Voltas à frente 470 404

A temporada de Hamilton em relação a Button até aqui:

  • Austrália: largando em segundo, manteve a posição durante a prova com tranquilidade, enquanto Button perdeu posições no início, sofreu punição após briga com Massa e foi sexto.
  • Malásia: ficou a um décimo de Vettel na classificação, mas seu domingo foi de mal a pior. Teve problemas com a durabilidade dos pneus e culpou a McLaren por trazê-lo aos boxes cedo demais e colocado pneus duros, que não funcionavam bem. Acabou perdendo a posição para Button no decorrer da prova e, tocado por Alonso e penalizado por mudar de trajetória na frente do espanhol, foi 8º, enquanto o companheiro foi segundo.
  • China: ficou parte da prova atrás por adotar uma estratégia de três paradas, contra duas de Button, e acabou ultrapassando o companheiro em manobra arriscada que contou com um certo respeito de campeão de 2009. Hamilton venceu e Button foi quarto.
  • Turquia: mais uma vez Button chegou a andar na frente ao optar por uma parada a menos e foi ultrapassado pelo companheiro. Hamilton foi quarto e Button, sexto.
  • Espanha: ficou na cola de Vettel o tempo todo, enquanto o alemão era seguro por Alonso na primeira metade da prova. Na parte final, pressionou-o e chegou 0s6 atrás. Button completou o pódio, mas com 35s de desvantagem.
  • Mônaco: Hamilton errou ao não garantir uma volta no início do Q3. Saiu à pista quando Perez causou uma bandeira vermelha e acabou tendo seu tempo deletado por cortar uma chicane. Foi a prova que marcou o início da má fase: bateu com Massa e Maldonado, levou 2 drive through, foi sexto, enquanto Button manteve-se o tempo todo entre os 3 primeiros.
  • Canadá: Hamilton se enganchou com Webber na largada e caiu para atrás de Button (largara duas posições à frente). Na tentativa de ultrapassagem, bateu com o companheiro e abandonou. Button venceu.
  • Europa: andou à frente de Button durante todo o final de semana. Jenson ainda teve problemas de Kers e fez a prova inteira em sexto, enquanto Lewis perdeu uma posição na largada e terminou em quarto.
  • Grã-Bretanha: classificou-se em décimo em sessão atrapalhada pela chuva (não aproveitou sem a primeira saída do Q3 e depois começou a choves), enquanto Button era quinto. Passou o companheiro logo no início da corrida e terminou em quarto, tendo de economizar combustível. Jenson abandonou após um erro no pit stop.
  • Alemanha: largou 5 posições à frente de Button, que vinha em sétimo quando abandonou, enquanto Lewis ganhava após dura batalha com Alonso e Webber.
  • Hungria: Hamilton vinha liderando a prova seguido de Button quando errou na estratégia, colocando pneus supermacios, que o obrigavam a abrir grande distância para o companheiro. Foi quando começou a chover, o inglês rodou, voltou de forma perigosa e foi punido com um drive through. Terminou em quarto, enquanto Button venceu.
  • Bélgica: Hamilton largou 10 posições à frente de Button, mas vinha com ritmo ruim, sem conseguir acompanhar os ponteiros, quando se enroscou com Kobayashi. Button fez uma das melhores provas do ano e foi terceiro após largar em 13º.
  • Itália: Hamilton se classificou à frente, mas ficou muito tempo preso atrás de Schumacher, enquanto Button passou, na mesma volta, o companheiro e o alemão para ser segundo. Hamilton foi quarto.
  • Cingapura: foi superado por Button na largada, caiu para oitavo, e vinha se recuperando quando bateu com Massa.
  • Japão: largou atrás, superou o companheiro na largada, mas teve problemas com desgaste de pneus e caiu para quarto, colidiu com Massa novamente e acabou em quinto, enquanto Button venceu.
  • Coreia: fez a pole e foi segundo após dura batalha com Webber. Largando em terceiro, Button perdeu posições na primeira volta, depois se recuperando em cima das Ferrari e de Rosberg para ser quarto.
  • Índia: largaria em segundo não fosse a punição sofrida por ignorar bandeiras amarelas na classificação. Na corrida, em momento algum teve o mesmo ritmo de Button e ainda bateu novamente com Massa.

5 comentários sobre “O ano montanha-russa de Hamilton até aqui

  1. Não dá para negar pelos números Hamilton é muito mais piloto que Button.Bem que voçê podia fazer um post comparando Massa e Alonso e botar no titulo “O ano ladeira a baixo de Massa”.Sei que isso nunca vai acontecer, mas não custa sonhar ,nê.

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  2. Julianne,

    Aqui você disse tudo sobre a temporada dos dois.

    “Ainda mais se lembrarmos que os 38 pontos poderiam ser mais, não fossem os dois problemas mecânicos que Button sofreu, sendo que Hamilton não teve nenhum”.

    Hamilton é muito bom, mas não é imbatível.

    Abs.

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  3. Olá.
    Queria corrigir o que você escreveu sobre o GP da China. Button não estava em duas paradas, estava em 3, assim como Hamilton e Rosberg.

    Quem partiu pra duas foram Vettel, Alonso e Massa.

    A diferença de Hamilton para Button e Rosberg foi ter conservado um jogo de pneus novo para a corrida, enquanto os outros dois colocaram pneus usados para um dos stints.

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  4. Hamilton possui para o torcedor, uma pilotagem mais vistosa, a la win or wall, que tem o alto preço do 50/50, hehe, ou vai ou racha. Na verdade, para se tornar um grande, é necessário dosar o ímpeto, pois chegando nesse ponto, torna-se ainda mais forte.

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