GP da Índia por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Exatamente como prevíamos”

Martin Brundle começa a transmissão da BBC mandando um “Incredible India”, o slogan do país e salientando até a pouco conhecida cultura automobilística do país – “a primeira corrida foi em 1904” –, enquanto Antonio Lobato, na espanhola La Sexta, critica o a cabine destinada aos jornalistas – “vamos tentar informar o que podemos deste cubículo sem janelas”.

Do Brasil, Reginaldo Leme aponta que a performance em classificação da Ferrari chega a animar “mas deve ser outra disputa entre a McLaren e a Red Bull.” Para David Coulthard, nem isso. “Se Vettel fizer a primeira curva em primeiro, temo que nem será visto nesta tarde.”

A dúvida de todos, como de costume, é em relação aos pneus. “Podem ser duas paradas”, acredita Luciano Burti na Globo, enquanto Coutlhard e Pedro De la Rosa se animam ao ver alguns largando de duros. “Vão dar informações valiosas”, crê o escocês. “Só serve para quem está fora de posição”, o espanhol não entende a decisão. Compreendem ainda menos quando vêem estes pilotos parando logo. “Só faria sentido se houvesse um Safety Car.”

Antes dessa conclusão, uma largada conturbada. Os brasileiros demoram mais que os outros a identificar Barrichello – “porque trocou o capacete” – entre os acidentados na primeira curva, enquanto Brundle confunde Hamilton com Button para cima de Webber. O inglês vê uma boa largada de Alonso e um “excesso de bravura” na primeira curva, mas Lobato lamenta que sua estrela tenha “largado mal” e se preocupa com Barrichello. “Quanta tensão. Ele está com um pé fora da Williams e é muitas vezes superado por Maldonado…” Para Burti, foi só mais uma situação de corrida. “Foi meio batida de trânsito. Juntou todo mundo e ele não conseguiu parar”.

Começa a vaga esperança de De la Rosa “que Vettel não abra no começo senão complica muito.” Burti também observa que “o ritmo de Vettel nas duas primeiras voltas é fundamental para ele fugir do DRS.”

Na La Sexta, acham que a briga entre Button é Webber é “boa para Fernando” – saudade de quando tudo era “bom para Felipe!” – e destacam como a disputa é “limpa”. No entanto, De la Rosa salienta que tudo isso só ajuda Vettel. “Essas brigas intermediárias são preocupantes porque ele já pode pensar em economizar pneu.” Lobato exagera: “só falta apoiar o cotovelo na lateral.”

O narrador estava inspirado. Quando o comentarista Jacobo Veja salienta que Jaime Alguersuari ultrapassou “por dentro e por fora”, brinca. “Só falta por cima.”

Os ingleses dão o “prêmio de consistência” a Button, com uma sequência de voltas no mesmo décimo e percebem que a conversa de rádio indica que Senna está sem Kers, ao contrário dos brasileiros, que ficam na torcida para que Massa passe Alonso (atrapalhado na saída de box por Schumacher) após a parada.

O brasileiro sai quase em cima do companheiro, e todos reclamam da saída de box. “Não entendo como eles constroem essas pistas maravilhosas e parecem não pensar onde colocar a saída”, critica Coulthard. Já os espanhóis criticam a poeira, motivo pelo qual, acreditam, Alonso ficou uma volta atrás de Schumacher. “Estava no pit lane ontem, pinguei colírio e quase tive de colocar óculos de tanto que meu olho ardia. Quando eles passavam parecia ralicross”, testemunha De la Rosa, só para ser chamado de “fraco” por Lobato.

O piloto de testes da McLaren não desanima e observa que a maioria não fez o pit stop por degradação, “foi só porque o primeiro parou. Estão fazendo tempos 2 a 3 décimos mais rápidos com os pneus novos, geralmente vemos 1 a 2s.”

O engenheiro de Massa, Rob Smedley, comemora a volta rápida do brasileiro. A simples palavra “fastest” desestabiliza o narrado Luiz Roberto. “Será que vai vir um faster than you?”. Reginaldo também não está 100% tranquilo. “A gente fica apreensivo porque o Massa é o maior alvo dos erros do Hamilton” – mas diz isso no exato momento em que é o ferrarista quem aparece escapando.

Hamilton se aproxima e Lobato quer a aposta dos comentaristas para saber se vai ter batida ou não, mas ninguém entra na brincadeira. Marc Gené só acha estranho que “Massa está defendendo demais para uma corrida tão longa”, para depois de redimir. “Se é por um erro que ele cometeu e não por ritmo, então faz sentido.”

Na BBC, Brundle destaca, na volta anterior à batida, que na freada para a curva cinco “só cabe um e Lewis sabe disso melhor que eu”. Ou não. Na opinião de todos, acidente de corrida, mas cada um vê mais culpa de um lado. “Lewis vai dizer que a curva era dele e Felipe, que tinha a trajetória e o direito de virar”, resume Brundle que, assim como Coulthard, acredita que o inglês será punido. “Acho que pela história entre os dois, Hamilton terá uma punição”, diz o escocês. Ambos também imaginam que Massa não sabia exatamente onde Hamilton estava na hora da tangência.

Na Globo, Burti defende Massa. “Geralmente, quem vem atrás está errado. Se Hamilton quisesse recolher, daria. Como é uma curva rápida, não dá para dizer que quem está por dentro tem mais direito.” Reginaldo concorda. “Acho que Felipe apostou nisso [que Hamilton recolheria]. Estou em dúvida sobre o que podem decidir. Podem punir os dois.”

Na La Sexta, é Massa quem leva. “Ele parecia que tinha cedido e na última hora decidiu fechar. Hamilton não teve nenhuma culpa”, acredita Gené. “Massa deve ter deixado um metrinho, mas acho que não foi grave, é incidente de corrida”, completa De la Rosa.

Quando sai a punição para o brasileiro, Coulthard é irônico. “Exatamente como prevíamos”. Brundle não se conforma: “o que Massa poderia ter feito?” Os brasileiros só lamentam. “É uma pena porque foi uma das melhores corridas do Massa que vi em termos de ritmo”, diz Burti.

Já os espanhóis – em especial De la Rosa – estão mais interessados na asa dianteira da Ferrari. “Esse é um tema sobre o qual queria falar com Marc hoje. Não dói sua cabeça ver a asa batendo assim?” O piloto de testes da Ferrari desconversa. “A pista está suja, não?” Lobato não se convence. “Lógico que passa pelos testes da FIA e é legal, mas não parece muito efetiva.” E De la Rosa segue especulando. “Vai ver quebrou alguma estrutura interna que vocês usam para flexioná-la”. Gené só ri.

Mas o repórter inglês Ted Kravitz não se convence e vai à Ferrari. “A asa dobra quando o combustível cai e tiveram de trocar porque a FIA poderia se envolver”, informa.

O dia de Massa só piora quando o brasileiro acerta as chamadas salsichas e quebra a suspensão. “Eles falaram que vão mudar a zebra, reconhecendo que está errado”, lembra Luiz Roberto. “O carro do Felipe está saindo de frente, então ele tem de virar um pouco antes e por isso vai no laranja”, justifica Burti. O trio brasileiro começa a observar os rivais. “O Webber encostou”, praticamente vibra Luiz Roberto. “É um espaço muito pequeno para colocar o carro e ele errou”, Burti finaliza a discussão.

Brundle prefere ver como Alonso lida com a tal salsicha. “Ele não chega nem perto.” Os espanhóis estavam no comercial na hora do abandono, mas De la Rosa não deixa de alfinetar os rivais ferraristas. “As salsichas são agressivas, mas não é para quebrar suspensão. Vemos coisa muito pior em Monza.”

Kravitz se impressiona com os tempos ruins de Webber. “Será muito ruim para ele colocar os pneus duros. Ele está acabando com seus pneus!”, enquanto De la Rosa e Gené não entendem o que acreditam ter sido um erro estratégico da Red Bull e o piloto de testes da McLaren tem sua teoria. “Eles estavam experimentando o duro para Vettel, ainda que o único que lute por algo seja Webber.”

Seja como for, os espanhóis não se convencem facilmente que a ultrapassagem conseguida por Alonso nos boxes é definitiva. “Que não nos enganemos, vai sofrer muito com o pneu duro. A única chance é Webber bater no limitador e é o que está acontecendo.”

Com o passar das voltas, Gené principalmente se surpreende com o rendimento da Ferrari. “Nunca vi o carro andando tão bem de pneu duro. O pódio dá mérito a Fernando e tira de Webber. Seu desempenho está muito aquém de Vettel”, observa, assim como os brasileiros. “Vettel vem falando que pode ajudar Webber, mas olha as posições em que ele chega”, ataca Reginaldo.

Coulthard não se conforma com o ritmo ruim de Hamilton. “É o mesmo problema do começo da corrida. Ele está 1s mais lento que o Button e sabemos que não é um piloto 1s mais lento. Ele não consegue manter o ritmo nesses pneus.”

A inversão de posições no box entre os carros da Mercedes chama a atenção. “Não dá para saber se Rosberg estava no rádio dizendo que não tinha mais pneus, mas quando viu Schumacher saindo na frente, deve ter pensado ‘por que me pararam? Onde estou na estratégia da equipe’”. Lobato também suspeita e dá a entender que Nico só parou antes para que Michael passasse “e agora falam que pode lutar. São coisas estranhas que acontecem no mundo da F-1.” (não me lembro de ter achado estranho na Coreia, quando os carros vermelhos passaram por situação bem parecida).

As voltas finais ainda guardavam emoções por que os espanhóis não esperavam. “O problema do pneu duro é que, quanto menos borracha ele tem, mais difícil é aquecê-lo. E ainda por cima está caindo a temperatura.” Era do que Webber precisava para atacar Alonso. “A última volta será de suplício. Vamos prender a respiração porque Webber não se rende. Vamos Fernando, confiamos em sua mágica”, exclama Lobato. “É na sétima marcha curta da Red Bull”, completa De la Rosa. O narrador fica maluco com a transmissão, que prefere mostrar o vencedor Vettel.

Por que será, não é mesmo? O alemão apenas tinha sido imbatível. “O momento de mais tensão para ele são as primeiras voltas, porque tem de fugir da DRS. Depois é fácil”, acredita o narrador espanhol. De la Rosa discorda. “Como controlou a corrida. Sabemos que é o melhor carro, mas…” Brundle está com o espanhol. “Ele cobre tudo. Larga bem, não comete erros…” e Coulthard emenda. “É um exemplo para os jovens. Um dos primeiros a chegar, últimos a sair. Nada é coincidência.” E Reginaldo destaca a proximidade do alemão em bater marcas “que ninguém acreditava que seriam batidas, como a de poles do Mansell.”

O comentarista destaca ainda o nono pódio de Alonso, mesmo número de Webber, “mesmo com a difícil Ferrari.” Lobato faz outra comparação. “Massa não tem nenhum. Se continuar assim, será a primeira vez desde 1981 que isso acontece com um piloto Ferrari.”

6 comentários sobre “GP da Índia por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Exatamente como prevíamos”

  1. Certa vez resolvi ver pelo Youtube como a BBC transmite a corrida (antes e depois) para comparar com a Globo. Mamma mia! Quanta diferença!
    Certamente o nivel cultural do telespectador britanico pede que a transmissão seja com a melhor qualidade possivel – o que nem sempre (ou seria NUNCA?) acontece com a RGT…

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  2. Nem todas, Índia e Coréia é q sao terriveis

    Tanto a entrada, quanto a saída são ruins na Coréia.

    Entrada nos Emirados tb não é la muito amistosa, mas enfim…

    BBC ta trasmitindo em HD? lembro q no ano passado ainda não.

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    1. Ninguém transmitia F1 em HD até o ano passado porque a captura das imagens não feita com a tecnologia pela FOM, uma comida de bola incomum do Ecclestone! Agora essas três emissoras do texto transmitem em HD

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